O Caboclo me contou que andou trabalhando numas vinícolas de Santa Catarina e que ficou impressionado com os barris de carvalho, utilizados pra guardar o vinho. Segundo ele, a madeira do carvalho auxilia a produção de bactérias que atuam no processo de fermentação da uva. Deste modo, cada barril só guarda, durante toda sua existência, o mesmo tipo de vinho, ou seja, o barril está condenado a sempre, sempre, ter o mesmo conteúdo.
***
Eu lembrei das tahãs, ave da espécie palamedeidae, e sua fidelidade incrível. Ela (ou ele) escolhe seu parceiro tahazino e com ele permanece por toda vida. Tanto é que é raro encontrar uma tahã sozinha... quando isto acontece, é porque já viuvou ou porque ainda não encontrou sua metade-tahã!
***
O que há de comum entre um barril de carvalho e uma tahã é o predeterminismo de suas, por assim dizer, escolhas. O barril se entrega ao vinho e não pode escolher nem outro tipo de uva por toda sua vida (vida?). A tahã escolhe seu parceiro e não troca jamais... e geralmente morre depois da morte do concubino... e são provas de inexorável conclusões.
Pros humanos, parece que não há conclusões eternas... conceitos permanentes. Nosso ideário se modifica, pois somos nós e nosso ambiente e, tanto um quando o outro se modificam sem parar...
Eu, particularmente, não posso estar vinculado eternamente às mesmas ideias... E embora erre, percebo este erro também como degrau de uma caminhada.
Não quero ser barril nem tahã... embora tenha amores eternos, a forma de amá-los também se transforma.
E mesmo que eu saiba alguns atalhos do mundo, vou
[várias vezes
escolher um caminho diverso, mais longo, mais impreciso.
***
Porque o barril é um escravo da temporalidade.
Mas o vinho é livre!
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
UNA RUTA
Velhas estradas do Uruguai... vazias como um solitário coração.
Longas e esquecidas, ganham significados alvos de esparsas nuvens pelo céu azul.
Chego a um lugar de nomes estranhos, uma proximidade distante, uma língua que me parece comum.
Eu acordo na noite e me banho numa piscina quente.
Sobre a cabeça, galhos nus de um umbu que resiste já a outros tantos invernos. Acima deles, um terceiro degrau formado de estrelas que, enquanto bóio, mudam de lugar.
Eu observo a tudo, constantemente, e as ideias se formulam dentro de minha cabeça.
As frases vão se agrupando, como as conclusões.
E eu, que buscava o vazio no silêncio de uma madrugada, em poucos segundos, estou transformado num reduto de novas certezas.
Anoto-as.
Degraus da infinita escada do meu crescimento.
***
Pássaros cantam sem parar.
Vários tons invadindo meus ouvidos.
Eu me confundo entre um e outro, escuto outros mais além...
Um bem-te-vi eu reconheço... outros de pena amarela nunca vi.
Não sou ornitófilo nem quero que me chamem mais de poeta.
Sou apenas um observador num mundo vazio.
***
Vendedores chamam nas portas de lojas e não sabem quem eu sou.
Das coisas que gosto, eles não sabem nada.
Lançam-me ofertas como iscas aos peixes.
Lançam a todos, uma pescaria interminável.
As pessoas entram, dizem que estão olhando as coisas.
Olham gratuitamente, sem motivo algum.
De repente, elas acham que carecem tudo.
E acham bonito o movimento das moedas pelas mãos, que já não abraçam nem acalentam.
Tristes mãos... nem mais humanas são.
Eu ando pela rua procurando pedras.
Na verdade, estas ruas formadas por pedras multicoloridas, de vários formatos, são viciantes para mim.
Eu miro as pedras.
Uma-a-uma.
Do macro ao microdetalhe... elas sempre se parecem com alguém.
Com bichos e coisas...
Esta mania das pedras e nuvens quererem ser o que não são.
***
Num instante acho duas.
Duas pedras pequeninas.
Observo-as... identifico-as, dentro do meu psiquemundo.
E uma delas descarto, por deixar de amá-la tão célere
[e veementemente.
E reflito então, com a pedra que resta.
Que o que me fez achá-la pode ser sorte ou acaso.
[para ela e para mim!
Pode ser destino ou simplesmente fato.
Num universo de fatos que igualmente poderiam haver sidos.
Mas escolhi aquela, legítimae indiscutivelmente
[ou ela escolhera a mim.
Dentre tantas, apenas ela.
E isto já é uma coisa intrigante e mágica.
Uma magia simples e sutil.
Quase desapercebidas, passam muitas
[passam mil
magias contando segredos da vida.
De ontem e de amanhã.
Porque a vida é onde o ontem e o amanhã se encontram.
Se misturam... se fundem...
E se explicam em vários momentos.
Longas e esquecidas, ganham significados alvos de esparsas nuvens pelo céu azul.
Chego a um lugar de nomes estranhos, uma proximidade distante, uma língua que me parece comum.
Eu acordo na noite e me banho numa piscina quente.
Sobre a cabeça, galhos nus de um umbu que resiste já a outros tantos invernos. Acima deles, um terceiro degrau formado de estrelas que, enquanto bóio, mudam de lugar.
Eu observo a tudo, constantemente, e as ideias se formulam dentro de minha cabeça.
As frases vão se agrupando, como as conclusões.
E eu, que buscava o vazio no silêncio de uma madrugada, em poucos segundos, estou transformado num reduto de novas certezas.
Anoto-as.
Degraus da infinita escada do meu crescimento.
***
Pássaros cantam sem parar.
Vários tons invadindo meus ouvidos.
Eu me confundo entre um e outro, escuto outros mais além...
Um bem-te-vi eu reconheço... outros de pena amarela nunca vi.
Não sou ornitófilo nem quero que me chamem mais de poeta.
Sou apenas um observador num mundo vazio.
***
Vendedores chamam nas portas de lojas e não sabem quem eu sou.
Das coisas que gosto, eles não sabem nada.
Lançam-me ofertas como iscas aos peixes.
Lançam a todos, uma pescaria interminável.
As pessoas entram, dizem que estão olhando as coisas.
Olham gratuitamente, sem motivo algum.
De repente, elas acham que carecem tudo.
E acham bonito o movimento das moedas pelas mãos, que já não abraçam nem acalentam.
Tristes mãos... nem mais humanas são.
Eu ando pela rua procurando pedras.
Na verdade, estas ruas formadas por pedras multicoloridas, de vários formatos, são viciantes para mim.
Eu miro as pedras.
Uma-a-uma.
Do macro ao microdetalhe... elas sempre se parecem com alguém.
Com bichos e coisas...
Esta mania das pedras e nuvens quererem ser o que não são.
***
Num instante acho duas.
Duas pedras pequeninas.
Observo-as... identifico-as, dentro do meu psiquemundo.
E uma delas descarto, por deixar de amá-la tão célere
[e veementemente.
E reflito então, com a pedra que resta.
Que o que me fez achá-la pode ser sorte ou acaso.
[para ela e para mim!
Pode ser destino ou simplesmente fato.
Num universo de fatos que igualmente poderiam haver sidos.
Mas escolhi aquela, legítimae indiscutivelmente
[ou ela escolhera a mim.
Dentre tantas, apenas ela.
E isto já é uma coisa intrigante e mágica.
Uma magia simples e sutil.
Quase desapercebidas, passam muitas
[passam mil
magias contando segredos da vida.
De ontem e de amanhã.
Porque a vida é onde o ontem e o amanhã se encontram.
Se misturam... se fundem...
E se explicam em vários momentos.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
CADA FIM É UM RECOMEÇO
Em agosto de 87 houve a Convergência harmônica, um período especial dentro do Encerramento de Ciclo do Sincronário Maia denominado de Tempo do Não-tempo... uma espécie de túnel, o último fractal de 26 anos antes do 13.0.0.0.0, no famoso em 21 de dezembro de 2012... pois na verdade o "fim" do ciclo não seria um dia exato (o 21.12), mas sim 26 anos (13 e 20 cruzado!).
***
Então, pros pessimistas e derrotistas de plantão, uma novidade muito boa: o mundo já acabou e vocês nem sabem!
***
Eu fiquei pensando no que realmente importante aconteceu entre 1987 e 2012 que pudesse representar este fim do quinto mundo maia... e lembrei de vários e vários fatos... a Argentina campeã do mundo foi quase o fim do mundo, assim como os Menudos e o Programa do Ratinho... A cerveja com açúcar da Vó Sofia, o peido do Nando no elevador... mas estes fins de mundo poucas pessoas presenciaram.
***
Foi então que eu percebi que o encerramento de ciclo só pode ser representado pelo advento informático de comunicação social. Cada pessoa, um facebook. A notícia instantânea... a internet 24 horas no bolso anunciando as novas dos homens sobre a Terra num bip de mail recebido... Ninguém mais desliga, todos somos neurônios de uma rede absoluta e permanentemente ligada. A informação de todo mundo, todo conhecimento e relato da história de todas as espécies e pedras e espaço sideral-intracelular... ufa... nunca o tudo e o nada estiveram tão pertos.
***
O que acontece no Japão eu sei agora
Também agora quero me comunicar
Eu também nado no riacho das vaidades
Neuroniando sem parar...
Estou na frente de um acontecimento
O mundo para e eu não paro de filmar
Ouvi um papo na rede compartilhada
O meu planeta está em todo lugar!
***
Por isso, não há fim em nada...
Somos eternamente perenes.
As pirâmides e a casca de banana um dia vão findar.
E assim se findam todas as coisas, como as datas, os minutos e os espaços.
Mesmo sem humanos segue o sol em seu constante giro.
E sem o sol, o universo a universar poemas em pó de estrelas espiraladas.
Por isso que o fim de um ciclo é apenas outro recomeço.
E o novo está no éter, alojado em algum servidor maluco
[que não para de inventar.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
quinta-feira, 10 de maio de 2012
EU NUNCA CONSEGUI FAZER UM POEMA PARA VIOLETA PARRA
Falou letras para descrevê-la
Que tal ficarmos apenas brincando de amar?
Ela sempre tomava banho frio
Dizia que era bom para a circulação sanguínea
Ora, meu amor,
Bom mesmo pra circulação sanguínea
[é permanecer vivo!
Que tal ficarmos apenas brincando de amar?
Ela sempre tomava banho frio
Dizia que era bom para a circulação sanguínea
Ora, meu amor,
Bom mesmo pra circulação sanguínea
[é permanecer vivo!
INDEFINIDO
Pequena estrela perambula
Pinta a poça d'água na calçada
Aqui, o trânsito é incerto
[indefinido
E estas ruas semelhantes não conseguem dizer nada
Passou um carro; outro carro
Duas amigas caminhando...
Um guardador que as observa
E eu continuo os observando...
[Outro carro; nada mais
Desta janela, todas as horas são iguais
E estou de novo
Em outro inevitável hoje
Entre esquinas e cometas, poetando
Um verso estúpido e romântico
Rabiscando xises por um mapa,
Procurando pelo trânsito um poema
Até a última palavra...
Pinta a poça d'água na calçada
Aqui, o trânsito é incerto
[indefinido
E estas ruas semelhantes não conseguem dizer nada
Passou um carro; outro carro
Duas amigas caminhando...
Um guardador que as observa
E eu continuo os observando...
[Outro carro; nada mais
Desta janela, todas as horas são iguais
E estou de novo
Em outro inevitável hoje
Entre esquinas e cometas, poetando
Um verso estúpido e romântico
Rabiscando xises por um mapa,
Procurando pelo trânsito um poema
Até a última palavra...
quinta-feira, 26 de abril de 2012
PRÓ-ENGODO
Embora o Poder Público de Pelotas e o Procultura tentem, a todo pano, me fazer desistir, eu esperneio!!!
quinta-feira, 19 de abril de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
E SE OS HOMENS VIVESSEM EM ÁRVORES?
O carro para.
O sinal abre.
Motoristas apressados gritam e buzinam.
Não existe mais tempo pra esperar 5 segundos... não existe mais educação...
***
Eu vi que na África tem uma tribo que vive em árvores, mas não é qualquer arvorezinha não, tipo um limoeiro ou uma pitangueira-do-mato.
Eles vivem a 15 metros do chão.
Quando chegam na mata, os korowai escolhem a árvore ideal e acampam ali.
Começam a desmatar toda volta pra fazerem uma escada gigantesca e, depois, a casa, lããã nas alturas.
Mas o mais bacana disso tudo é que eu percebi que eles formam uma sociedade sem agressão... claro, imagina dois negão daquele tamanho brigando a 15 metros de altura... a tribo ia se extinguir...
Então, a frequência mental dos korowai é muito diferente, pois eles atuam em conjunto, com a mesma finalidade... as diferenças, somadas, à unidade.
E os guris cospem no chão lá de cima e conversam sobre a vista num galho-esquina...
***
Aí o cara vai me dizer que também mora a 15 metros de altura... 6º andar... elevador...
Mas falo aqui da altura da mente, não do corpo.
Uma altura onde o olho não alcança... onde nem a própria mente,
[significadamente
reconhece os arredores...
Onde, na verdade, mente e arredores acabam sendo a mesma coisa.
O sinal abre.
Motoristas apressados gritam e buzinam.
Não existe mais tempo pra esperar 5 segundos... não existe mais educação...
***
Eu vi que na África tem uma tribo que vive em árvores, mas não é qualquer arvorezinha não, tipo um limoeiro ou uma pitangueira-do-mato.
Eles vivem a 15 metros do chão.
Quando chegam na mata, os korowai escolhem a árvore ideal e acampam ali.
Começam a desmatar toda volta pra fazerem uma escada gigantesca e, depois, a casa, lããã nas alturas.
Mas o mais bacana disso tudo é que eu percebi que eles formam uma sociedade sem agressão... claro, imagina dois negão daquele tamanho brigando a 15 metros de altura... a tribo ia se extinguir...
Então, a frequência mental dos korowai é muito diferente, pois eles atuam em conjunto, com a mesma finalidade... as diferenças, somadas, à unidade.
E os guris cospem no chão lá de cima e conversam sobre a vista num galho-esquina...
***
Aí o cara vai me dizer que também mora a 15 metros de altura... 6º andar... elevador...
Mas falo aqui da altura da mente, não do corpo.
Uma altura onde o olho não alcança... onde nem a própria mente,
[significadamente
reconhece os arredores...
Onde, na verdade, mente e arredores acabam sendo a mesma coisa.
segunda-feira, 5 de março de 2012
CIDADE LIGEIRA
ONDA

Eu, fragilmente humano,
Olho e ouço as ondas que tocam o céu
Entre o horizonte e o firmamento
Foram tantos pensamentos
E verdades que já fui
Eu sou mesmo é como a onda
Cruzando o tempo-espaço sob a luz da lua
Procurando ver no dia a cara tua
A me olhar...
A me olhar como olho agora
A linda onda que em ti se aproxima
A deslizares para o encontro com minha retina...
Ao molhar meu corpo quando chegas devagar
Preciosa onda
De onde vens, não interessa
Eu não tenho pressa
De sair do mar.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
O HOMEM MODERNO
Eu comprei um telefone moderníssimo, altamente tecnológico, com mails, mensagens e mil programas internéticos que fizeram o telefone, em si, ser apenas mais uma função do pequeno computador de bordo.
Eu percebi que a tecnologia aumenta em potência e diminui em tamanho e concluí que o próximo passo da modernidade será implantar este sistema no telencéfalo humano... direto, sem i-phone, bateria nem conexão... o cara acorda e dorme na internet, com um computador dentro da própria cabeça.
***
Então ele fecha o olho e acessa um site no pensamento... busca respostas e fotografias... tem toda a informação do planeta através deste sistema sui generis da tecnologia... um nanocomputador cerebral, com uma entrada USB, provavelmente na nuca.
Ali, através daquele USB, o homem poderá comprar conhecimento (e talvez sabedoria, mas sabedoria pagará em dólar) sobre qualquer coisa no universo.
Ele levará seu filho a uma loja destas de software e a criança escolherá: Pai, quero aprender chinês.
O pai compra o programa e conecta no USB na nuca do guri... alguns minutos de instalação e plim, o ragazo desperta falando como Mao Tse Tun.
Caratê, culinária, gramática e física quântica... todos programas à venda, de fácil instalação na mente humana, a preços módicos e parcelados 12x no cartão. Agora sim... e tinha um poeta que dizia que o conhecimento nunca seria privatizado...
***
O grande problema neste ponto nevrálgico da tecnologia seriam os vírus de computador que infectariam o cérebro do usuário... o cérebro ou outras partes.
Se de repente bater uma gagueira, um malestar ou uma tonteira, o sujeito vai correr pro médico pra formatar o HD. Mas ao contrário dos temores sociais, só vai precisar de uma anestesia local.
Depois disso, o doutor irá recomendar modernas camisinhas para USB, com as quais a humanidade poderá transferir dados com total segurança...
***
Anotem aí se não acreditam: homem e máquina será uma coisa só em pouco tempo!
***
Ou, se eu estiver realmente equivocado, continuaremos usando os arcaicos métodos da conversa e leitura para entendermos o mundo...
Eu percebi que a tecnologia aumenta em potência e diminui em tamanho e concluí que o próximo passo da modernidade será implantar este sistema no telencéfalo humano... direto, sem i-phone, bateria nem conexão... o cara acorda e dorme na internet, com um computador dentro da própria cabeça.
***
Então ele fecha o olho e acessa um site no pensamento... busca respostas e fotografias... tem toda a informação do planeta através deste sistema sui generis da tecnologia... um nanocomputador cerebral, com uma entrada USB, provavelmente na nuca.
Ali, através daquele USB, o homem poderá comprar conhecimento (e talvez sabedoria, mas sabedoria pagará em dólar) sobre qualquer coisa no universo.
Ele levará seu filho a uma loja destas de software e a criança escolherá: Pai, quero aprender chinês.
O pai compra o programa e conecta no USB na nuca do guri... alguns minutos de instalação e plim, o ragazo desperta falando como Mao Tse Tun.
Caratê, culinária, gramática e física quântica... todos programas à venda, de fácil instalação na mente humana, a preços módicos e parcelados 12x no cartão. Agora sim... e tinha um poeta que dizia que o conhecimento nunca seria privatizado...
***
O grande problema neste ponto nevrálgico da tecnologia seriam os vírus de computador que infectariam o cérebro do usuário... o cérebro ou outras partes.
Se de repente bater uma gagueira, um malestar ou uma tonteira, o sujeito vai correr pro médico pra formatar o HD. Mas ao contrário dos temores sociais, só vai precisar de uma anestesia local.
Depois disso, o doutor irá recomendar modernas camisinhas para USB, com as quais a humanidade poderá transferir dados com total segurança...
***
Anotem aí se não acreditam: homem e máquina será uma coisa só em pouco tempo!
***
Ou, se eu estiver realmente equivocado, continuaremos usando os arcaicos métodos da conversa e leitura para entendermos o mundo...
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
EU QUERO SER UM VAGABUNDO

Eu tava parado numa esquina, esperando por alguém que agora não me lembro, entre os minutos destes dias loucos.
E eu caminho muito rápido... só não sei se minhas pernas são muito compridas ou se o dia é deveras curto, mas agora, neste momento da minha narração, eu estava parado, em pé, numa esquina.
Quando a gente para pra pensar, a mente da gente flui melhor. Palavras... conceitos... visualizações. O raciocínio derrama o leite das ideias e faz com ele rapadura e outros derivados... mas neste dia eu parei por parar, e nem pensava em nada quando vi um carro branco se aproximar
Uma antiga colega do Direito dirigia... sorriu. Me disse Tu!? E eu não sabia se ela estava surpresa por me ver parado, de jeans, naquela esquina, aparentemente inútil ou incerto, ou se ela, o que é mais provável, esqueceu meu nome, substituindo-o pelo infalível Tu!?
***
Perguntei ligeiramente, na velocidade do trânsito, como e onde estava ela. Ela balbuciou entre as buzinas do carro de trás um Sou juíza em Herval, sorriu, quase deixou o carro apagar, e saiu sem rumo certo, agora creio que de vez vá na direção do esquecimento, este monstro que come tudo, que conduz a verdade à mentira ou inexistência...
***
Mas eu lembrei que ela, nos tempos da faculdade, só falava em ser juíza.
Era obcecada.
Estudava direto... melhores notas... o sonho em pé.
Foi então que eu percebi, naquela esquina, que eu nunca sonhei em ser alguma coisa.
No máximo, um jogador de futebol. E isso eu ainda sonho... que tô fazendo um golaço, recebido de braços abertos pela torcida que me ama, e como é bom ser amado... mesmo que falso... o amor falso é água quente, enoja o gosto da gente, mas mata a sede... enfim, eu nunca sonhei em ter uma profissão específica.
Mas eu cada vez mais sei o que eu não quero ser...
***
A menina estava mesmo satisfeita por ter conseguido seu emprego/função que sonhara tanto.
E eu fiquei feliz por ela estar feliz.
E mais feliz ainda por minha forma ser incerta e tão pequena e tão mutável...
E feliz é a água, que só entra onde quer.
***
Eu quero ser um vagabundo.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
PAPAGAIO DE LUÇARDO

O seu Luçardo é um guarda municipal que tem um papagaio, a Filó.
A Filó ganha tratos de bebê e tá sempre fazendo o que melhor o papagaio faz: ficar papagaiando no ombro de alguém.
Por onde passa, o papagaio do Luçardo chama atenção.
As crianças se divertem, as meninas se aproximam e os homens ficam curiosos.
A Filó faz tanto sucesso que, em pouco tempo, de bicho de ombro, ela se tornou uma estrela, ofuscando até mesmo a presença do Luçardo.
Ou seja, o Luçardo é que virou o papagaio da Filó.
***
Ontem eu vi o Luçardo sair com uma namorada, uma senhora de quarenta e poucos, da casinha do Papai Noel.
Ele levou a namorada quarentona pra ver o Bom Velhinho...
Que legal!
Mas a Filó ele não levou.
Não sei se morreu ou foi trocada pela cônjuge em questão, ou simplesmente ficou em casa descansando.
A real é que o Luçardo parecia (e era) outro homem sem a Filó no braço.
Enquanto que, independente do lugar onde estivesse, a Filó seguia um papagaio, como todos os outros, sem vazio, sem falta de Luçardo algum...
Um papagaio intransitivo, como quase todos os bichos que o homem humaniza...
E o papagaio papagaia em qualquer ombro ou lugar!
***
No shopping eu vi um cachorro dormindo por horas e pensei feliz é ele, que não precisa de chave, emprego, RG, telefone e capacete.
E então divaguei com o cara na esquina se a racionalidade é uma dádiva ou um castigo, mas ele não entendeu muito bem meus argumentos.
Um de nós é um animal.
Mas eu queria ser aquele cusco na tarde louca de quarta...
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
O MEU JESUS NÃO TEM SOMBRA DE CRUZ

Minha religião sou eu e os que amo.
Toda divindade vive dentro de mim.
Esperando as oportunidades certas de se manifestar...
de viver dos meus erros
[e aprendizados...
Meu Jesus não tem sombra em cruz
nem medo
Não alimenta nenhuma competição nem vaidade
Meu Jesus é minhas plantas, os meus filhos
Meus deuses são vivos
E não precisam de nome ou forma...
***
MEU MUNDO É O BARRO
O Rappa
Moço, peço licença
Eu sou novo aqui
Não tenho trabalho, nem passe, eu sou novo aqui
Não tenho trabalho, nem classe, eu sou novo aqui
Eu tenho fé
Que um dia vai ouvir falar de um cara que era só um Zé
Não é noticiário de jornal, não é
Não é noticiário de jornal, não é
Sou quase um cara
Não tenho cor, nem padrinho
Nasci no mundo, sou sozinho
Não tenho pressa, não tenho plano, não tenho dono
Tentei ser crente
Mas, meu cristo é diferente
A sombra dele é sem cruz, dele é sem cruz
No meio daquela luz, daquela luz
E eu voltei pro mundo aqui embaixo
Minha vida corre plana
Comecei errado, mas hoje eu tô ciente
Tô tentando se possível zerar do começo e repetir o play
Não me escoro em outro e nem cachaça
O que fiz tinha muita procedência
Eu me seguro em minha palavra
Em minha mão, em minha lavra
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
ЗOPAH фYREбOлEиPO CJAJHO!
Zoran Lucic é um designer sérvio fanático por futebol. Eu, que não sou designer, muito menos sérvio, mas compartilho a fissura futebolística em qualquer idioma, uso, ao contrário de devaneios pseudo-literários costumários, este espaço para divulgar (com um breve comentário, é claro) a linda arte desenvolvida por este jovem e audaz rapagote.
***
Зоран футеболеиро Сјајно!
***

O nº 1 primeiro!
O Dico veio me comentar, todo orgulhoso, se eu sabia que o apelido do Pelé era Dico. Eu respondi que sim, mas que ele só deu certo depois de virar Pelé.
***

Zico
A linda carreira de Zico que, embora com muitos golaços pelos 4 continentes e craque consagrado, foi de sua geração a pior derrota brasileira em Copas (82)... Além disso, de que adianta ganhar do mundo inteiro e vir aqui pra Pelotas tomar pau do Xavante?
***

El Pibe
E por falar em carreira, ao contrário do que muitos pensam (muitos menos eu), dizem que o Maradona toca vuvuzela de nariz.
***
Se gostaram, vão procurar no link acima outras obras do tal Zurik-sei-lá-que que eu tenho mais o que fazer.
(Jogar bola!)
***
Зоран футеболеиро Сјајно!
***

O nº 1 primeiro!
O Dico veio me comentar, todo orgulhoso, se eu sabia que o apelido do Pelé era Dico. Eu respondi que sim, mas que ele só deu certo depois de virar Pelé.
***

Zico
A linda carreira de Zico que, embora com muitos golaços pelos 4 continentes e craque consagrado, foi de sua geração a pior derrota brasileira em Copas (82)... Além disso, de que adianta ganhar do mundo inteiro e vir aqui pra Pelotas tomar pau do Xavante?
***

El Pibe
E por falar em carreira, ao contrário do que muitos pensam (muitos menos eu), dizem que o Maradona toca vuvuzela de nariz.
***
Se gostaram, vão procurar no link acima outras obras do tal Zurik-sei-lá-que que eu tenho mais o que fazer.
(Jogar bola!)
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
VELÓRIO AO VIVO

Uma empresa funerária de Nova Friburgo, RJ, lançou um novo serviço em seu fúnebre menu. Agora, um de seus pacotes inclui a transmissão do velório ao vivo pela internet, para parentes, amigos e interessados que não puderem comparecer.
Eu achei isso muito interessante...
Um velório de morto ao vivo!
***
Aí o parente morreu e você está a milhas de distância.
Você entra no site da empresa e, no menu Opções, seleciona "Velórios Ao Vivo".
Escolhe o nome do morto e clica.
Depois, aparece uma porção de câmeras com ângulos diferentes para você degustar o morto (e a galera toda no velório).
Tem desde câmera dentro do caixão, panorâmica, detalhe do rosto dos presentes (essa é pra saber quem era amigo de verdade e quem são os piadistas de plantão), câmera que acompanha o cortejo... enfim, uma relação completa de tomadas que farão com que seu morto favorito passe um dia de princesa Diana ou de Ayrton Senna.
***
Eu imagino o cara no quarto, a mil quilômetros de distância do velório, conecta a internet e acessa a capela mortuária desejada.
Aí chora na frente do computador.
Comenta o velório no facebook.
Onde Curtir é um botão indesejado e que pode ser mal interpretado.
Grava em Dvd pra assistir com a família no almoço de domingo.
Compartilha e divulga o link.
Manda por e-mail.
(Oi tia Rosa... Lhe encaminho em anexo o link do velório do primo Augusto... bem bacana... clica aí embaixo e nos vemos lá, ok?)
E a família no quarto, comendo pipoca e vendo a transmissão do mortuário.
Só sente falta é de uma emocionada narração.
Mas ela é um item acessível apenas aos mais afortunados, não ao pacote Standard.
***
E eu achava que o programa da Márcia era o último degrau do audiovisual.
O último degrau é a morte, claro.
E o velório ao vivo.
Que crítico nenhum tem coragem de difamar na coluna ou revista social.
***
Todo morto é gente boa.
E todo veloriano é cínico.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
NOSSO LIMITADO SEMPRE

Uma mensagem, por mais conclusa que seja, é apenas um fragmento dentro de outra mensagem mais ampla, que por sua vez também é fragmento de algo que lhe é maior.
E assim vai a escada das mensagens, até chegar na suma essência do que chamam divindade, onde nenhuma palavra é necessária e o entendimento é algo suprarracional, decadimensional, onde a mente é pedra e o nada é tão absoluto quanto permanente.
***
Eu fico aqui olhando os carros passarem na avenida.
Todos eles se parecem com a carona que eu espero... mas quase todos eles não são ela.
Cada carro segue seu caminho, mas não vai a lugar algum.
Todo agora é um novo destino.
Somos viajantes do tempo, não do espaço, e estamos sempre
[em nosso limitado sempre
de passagem.
***
8h. Um bem-te-vi acada de roubar um filhote do ninho de um tico-tico e eu me lembrei que ontem meu gato Mingau também atacou um ninho.
Percebi que o mundo é cheio de espertos e ladrões, mas é só na natureza humana que eles são estigmatizados como criminosos... como o mal.
Animais roubam por instinto... sobrevivência... sem medidas racionais nem intenções.
Então eu vi que o mundo é um imenso vazio a serviço das interpretações individuais e coletivas da humanidade, repleta de conceitos e tendências morais e axiológicas.
[Todas as coisas são nossos professores!
***
E o mundo segue mundo sem o homem nele.
Porque o sempre é muito tempo, mas passa bem depressa.
E tudo aquilo em que eu acredito é tão-somente aquilo em que eu acredito.
E nada mais!
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
O TIMONEIRO E O ASSALTANTE

Acordei na madrugada ouvindo a chuva. Segui o raio pela casa afora, o quintal, o fim da rua, o outro lado da cidade...
Ele foi embora com a tempestade, navegando pelo céu de matizes variadas...
Era o sol trazendo o amarelo, o rosa... até também sumir pela grande nuvem cinza que teimava em ficar.
E assim foi aquela rápida manhã, que parece até nem ter havido...
Pensei em como as coisas vêm e vão, como tudo se transfora, como a vida passa tão celeremente...
Pensei em como vários fatores nos conduzem por caminhos pré-determinados e como nossas escolhas, muitas vezes, a grande maioria delas, não são nossas escolhas.
São circunstâncias óbvias.
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Como ser um timoneiro de um barco que anda à deriva e passa rápido por este oceano chamado vida?
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Da vida não se leva nada, mas se deixa muita coisa.
Bukowsky disse que o cidadão que deixasse U$ 10 mil de herança era um fracassado.
Até concordo com ele, em certo ponto.
Mas creio que o grande fracasso da vida é não ter amado ou desistir de uma paixão...
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O cara assaltava universitárias e, antes da fuga, exigia um beijo na boca.
Várias prestaram queixa naquela delegacia do interior de Pernambuco.
Uma amiga achou uma estupidez, um marginal querendo beijo na boca.
Detestou esta modalidade criminosa, que machucava com a coronha e acariciava com os lábios...
Que nojo!, dizia ela.
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Foi então que eu lembrei de uma modalidade muito pior, o assalto seguido de morte.
Percebi que o amor e o medo (que cria o ódio) são fronteiras do mesmo acre; uma tela que divide a mesma cercania.
Tanto são a mesma coisa que o assaltante pernambucano conseguiu resumi-los em uma nova e única infração:
O assalto seguido de beijo!
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Se a vida deste amado marginal se resume em amor ou medo, isso eu não sei...
Mas a passionalidade segue sendo a grande onda no mar da existência.
domingo, 13 de novembro de 2011
O FUTEBOL E AS HUMANIDADES

O homem já fez grandes inventos que lhe proporcionaram conforto e prosperidade.
Já inventou, por exemplo, o fogo, a roda e o chimarrão.
3 fantasticidades!!!
O fogo aquece a água; a roda organiza o mate; e o chimarrão é o chimarrão!
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A las pucha tchê bah trilegal!
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Mas eu estive pensando acerca dos grandes inventos da humanidade e percebi que o mais importante de todos foi, sem sombra de dúvidas, a bola.
A partir do momento que o homem criou esta esfera de borracha, redimensionou a relação interpessoal (e até internacional), criou esportes que se tornaram o ápice do entretenimento e possibilitou a invenção do orgasmo de garganta, que muitos também conhecem como o Grito de Goooooooollllllllll!
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O homem inventou o futebol, mas é o futebol que segue inventando os homens.
Várias regras do espporte mais conhecido do planeta só foram inventadas por causa das condições psicológicas da humanidade.
Sério mesmo.
Eu explico:
A regra de impedimento, por exemplo, foi criada por culpa dos gordos.
É que antes do impedimento, os gordinhos (que também gostam de futebol, ora pois) não voltavam nunca pra ajudar na marcação. Ficavam na "pescaria", como se diz no jargão futebolístico.
Pra acabar com essa malandragem obesa, foi criada a regra do impedimento e os gordos foram, praticamente, banidos do futebol.
(O último foi o Ronaldo.)
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A caneleira e os cartões amarelo e vermelho foram inventados por causa da personalidade beligerante do ser humano.
Os bandeirinhas foram inventados pra ajudar o árbitro a roubar.
A rede na goleira surgiu pra evitar a demora do goleiro buscar a bola na valeta.
Enfim... o homem se desenvolve e o futebol vai junto.
Ou é o futebol que leva a humanidade nas costas?
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Bem... encerrarei este post prematuramente porque começou agorinha o clássico Dínamo (de Santa Rosa) e Ta-Guá e eu vou acompanhar!
Dá-lhe Cavalo cansado!!!
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