terça-feira, 18 de dezembro de 2007

W00T

Li na net hoje que "w00t" foi eleita a palavra do ano numa pesquisa promovida pela editora norte-americana Merriam-Webster. O termo, comumente utilizado por gamers, refere-se à alegria da vitória sobre o oponente em jogos de PC (we owned the other team, ou vencemos do outro time, em tradução livre) e representa a influência da e-modernidade nas gramáticas do mundo, onde letras, números e símbolos se misturam para fazer os vocábulos.

Eu, particularmente, achei horrível. Não só a palavra W00t, mas também o fato de alguém elegê-la como a palavra destaque do ano. Talvez deve ser porque Harmonia, Amor, Água, Beija-flor, Luz, e outras tantas de igual beleza, não façam mais parte do vocabulário e do espírito do homem moderno.

sábado, 15 de dezembro de 2007

MENESTEDES EMPRESTA, MAS NÃO DÁ

Dizem as más línguas de Uruguaiana que o seu Afonso Menestedes, famoso pecuarista local, voltara diferente de sua tragédia pessoal. Acontece que o avião do seu Afonso caiu numa remota ilha do Pacífico e ele lá ficara até ser resgatado, dois anos depois, por uma expedição da Furg que voltava do Pólo Sul.
Mas o ponto-chave de tudo é que o seu Afonso Menestedes não ficara solito no más na tal ilha: o co-piloto, Carlos Manteiga, outro sobrevivente, lhe fizera companhia.

Seu Afonso... Eu andava pensando - disse o co-piloto -... A gente tá aqui, só eu e o senhor... Há uma ano e meio, sozinhos nessa ilha... sem nenhuma mulher...
Undiéqui tu tá quereno chegar, índio velho? respondeu seu Afonso.
É que eu pensei que a gente poderia, sem compromisso seu Afonso... A gente poderia dar uma bimbada, digo, fazer uma meia, digo... digo...
Tu tá me achando com cara de trator que aceita engate na traseira, xirú? Vamo mudá o rumo da prosa..., disse seu Afonso.

Mas passados dois meses, o seu Afonso pensou melhor e decidira dispor de sua homossexualidade nunca revelada.

Ô Carlos... te aprochegue... Eu pensei melhor e decidi: vamos fazer "aquilo que tu queria", mas eu primeiro.

E assim se sucedeu. O co-piloto Carlos prostou-se e o seu Afonso Menestedes o fez de mulher. Quando chegou na sua vez, seu Afonso se posicionou como uma galinha assada, enquanto Carlos Manteiga se preparava, com afinco, para a cena que dispensa narração. No andar da carruagem, o co-piloto se aproximou e deu um leve beijo nas costas do seu Afonso, para a surpresa do mesmo.

Ôpa... disse o pecuarista... pode parar com tudo... sé é pra ter viadagem, paremo por aqui.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

PÉ-NO-CHÃO

As pessoas
Nas ruas
Estampam, sobre as roupas,
Uma desolação existencial...

Vivem entre as datas em que pagam contas,
Contam a existência em dias úteis de escravidão moderna,
Realizam seu escopo ante a fama de um boçal

[que idolatram na TV
E escondem muitos podres de caráter
Sob a mesma roupa que colore suas caras tristes

[depois, eu é que sou louco por estar de pé-no-chão.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

CONTRAPÉ DO DIÁLOGO

O castelhano desdentado me sorriu e disse que torcia pro Boca! Quando ele falou "Boca", saltou cuspe pra todo lado. É interessante como tem coisas que não combinam com suas imagens, como o desdentado amante do "Boca" (cuspe) e do índio de sapato que eu e o Andrezinho vimos hoje.
Outra coisa que não combina com o nome é a Ambrosia, delicioso doce que tem o nome mais feio de todas as mesas. Mas esta substantivada postagem nasceu como uma ponte para que eu chegasse ao assunto que queria: o contrapé do diálogo.
O contrapé do diálogo é quando uma resposta chega antes da pergunta, é quando o não se veste de sim e quando o ilógico domina as teias da percepção racional, como aquele tio gordo que deita no sofá da sala pra ver o jogo do Curíntias.
Um dia, eu estava na frente de casa, esculpindo. Não que eu seja escultor, nada disso. Minha mãe e meu pai é que são! E dos bons, pois fizeram a coisinha querida que vos fala. Mas eu tava era rateando, bolando um número da casa num pedaço de pau, a finzaço de parar de enlouquecer os carteiros, quando estacionou um carro da ViacaboTV. E eu, que há horas assinava a ViagatoTV, fiquei só de bico nos caras que descobriram minha ligação clandestina.
Ôpa... boa-tarde, disse um deles. Eram 3.
Ôpa... e daí!? respondi eu, sem parar de esculpir e fazendo de conta que ele era um cara do Censo e tentando pensar rapidamente no que eu faria.
É que a gente reparou nesta sua ligação aqui... E ela é clandestina...
Sim, é clandestina sim... Disse eu.
Pois é, falou ele meio sem jeito, não entendendo minha tranqüilidade. É que a gente possui vários planos de assinatura...
Mas eu não tô a fim de assinar, respondi. Eu tenho de graça cara, quando eu quero. Além do mais, não vou discursar pra ti sobre o papel emblemático da mídia na desgraça social brasileira, nem vou te falar dos preços exorbitantes que vocês cobram por esta merda. Faz o teu papel aí mano, e podes cortar minha TV, que quando eu quiser, ligo de novo.
O cara me olhou e disse: Tudo bem, nós vamos cortar. E puseram a mão na massa, como diz o gaúcho.
Eu entrei em casa como quem ia dar uma mijada e respirei fundo. Olhei pela janela e eles estavam recolhendo o cabo que eu havia comprado na Eletrônica Shop por 50 pilas.
Hei hei hei... Pode parar aí manito. Este cabo é meu! Comprei e tenho nota, falei.
Mas é política da empresa recolher os cabos, falou ele, já se encolhedo como um pinto no frio.
Mas a política da SUA EMPRESA não pode lhe dar a liberdade de retirar o MEU CABO, que eu comprei com MEU SALÁRIO. Isso que vocês estão fazendo é roubo! ROUBO! Vou chamar a polícia!, esbravegei e entrei pra dentro de casa, como quem faria, de fato, a ligação pra lei.
Os caras ficaram tensos... recolheram rapidamente o material e se mandaram, carregados de culpa e sem me importunar mais. Levaram o cabo, sim... Mas deixaram de me trazer uma gama de incomodações... Fiquei sem TV por breves dias, mas fui salvo pelo contrapé do diálogo.

Goleiro num canto, bola no outro.

CAFÉ DA MANHÃ PRÂNICO


"Todo dia nasce novo
em cada amanhecer".

GERAL

Eu,
Preso ao meu ponto de vista,
Não delimito nem minhas próprias verdades...

E ontem
Dizia que hoje
Daríamos aquele passeio
Mas hoje,
Pequena,
Ficarei sozinho,
Estudando coisas minhas quinda desconheço,
Arrumando minhas crenças de gaveta,
Dobrando meias-verdades,
Lavando a roupa suja que

[de dentro da cabeça

Às vezes acredita ser
A única dona da casa.

JUCA LARANJEIRO

Ô Juca... Tu sabes qual a diferença entre chupar uma boceta e chupar uma laranja?
Não sei não... Nunca chupei uma laranja!!!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

SIMESMO FUTEBOL CLUBE

Aqui no Sanep o pessoal do Compras fez o tradicional amigo-secreto de final de ano. Eu peguei o... Bom... é claro que eu não vou dizer o nome dele, pois vá que dê o azar de alguém de lá ler o blog e aí vai acabar com a brincadeira. Pelo menos com a minha.
Mas o fato é que eu vinha pensando o que daria pra figura... Eu sempre gostei de dar presentes legais, alternativos... Mas esse ano tô sem idéia e acho que vou dar um calção pro cara jogar bola, sabe... Tritrivial...
É que ele é do tipo que vai jogar pelada na pracinha ou na calçada todo uniformizadinho, do pé ao gogó. Meia vermelha, calção branco e camisa vermelha e branca... Meia azul, calção azul, camisa branca... Ele costuma chegar no campinho com a bola embaixo do braço e já entra aquecendo... O engraçado é que só ele usa aquele uniforme, ninguém mais. É o time de um homem só: o Simesmo Futebol Clube. Pode até aparecer outro cara metido a boleiro e uniformizado, mas com certeza o uniforme vai ser diferente. E no Simesmo o meu amigo-secreto é titular absoluto: só fica fora por lesão ou suspensão.
Só que nesse ano eu vou dar pra ele um outro calção... E vou dar um calção florido ou laranja-limão, que é pra ele nunca encontrar um resto do uniforme que combine e ir pro banco de reservas de vez. Porque balaca ele tem, mas futebol não.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

MELECA DE NARIZ

Ninguém mais cheira flores pela rua. E nem tanto pelo fato de não existirem muitas pelas calçadas cinzas da cidade... É porque as pessoas que existem atrás de seus narizes parecem ter perdido esta capacidade.

O TEMPO ACONTECE

Acho que foi num som do Paulinho Moska que ouvi a frase "Não importa o fim da estrada quando se vai rumo ao nada". Se não foi bem isso, foi mais ou menos isso. Pois bem... é que no mundo das informações, cada letra depende da carga cognitiva do receptor para existir de fato e, então, linkei esta oração à oração do que pensava. Além disso, em frase dada não se olha os dentes.

Esse niilismo moskiano, por conseguinte, me lembrou de um papo com o Negão, onde falávamos sobre o agora e patrimônio. O Nelsinho disse que "Patrimônio é como pegar água com as mãos... é ilusão! Hoje temos, amanhã não. Basta morrermos e deu: acabaram-se a posses e títulos". Eu concordei, enquanto o Pedrinho dos Alumínios cobrava que trabalhássemos e parássemos de conversa fiada.

(Tu também morrerás, Pedrinho!)

Aí lembrei do cara que reclama o tempo todo, preocupadíssimo com o que tinha e perdeu, com os amores que fugiram, com quantas moedas vai juntar até janeiro... Tonto de tanto olhar para trás, para frente, para outros, esquecera de observar o agora, o eterno agora, lugar onde realmente podemos relocar o mobiliário do que somos, onde podemos transformar os nossos ambientes, onde podemos dissecar o milagre de nossa existência sublime...

Poderia até dizer que tudo é perda de tempo, se não soubesse o que realmente é o tempo... Poderia até dizer que sinto compaixão, dele e do dentista sedento que matou e morreu por uma partilha de bens... Mas tudo é O Processo, uno e individual. Cada um com seus problemas (artigo 7º do Data Fifa). É que enquanto o homem enlouquece com suas contas e obrigações, o tempo simplesmente vai acontecendo, até chegar o dia em que todos os nomes serão esquecidos.

PROVÍNCIA DO SERGIPE

O adjunto de promotor público, representando contra o cabra Manoel Duda, porque no dia 11 do mês de Nossa Senhora Sant'Ana quando a mulher do Xico Bento ia para a fonte, já perto dela, o supracitado cabra que estava de em uma moita de mato, sahiu della de supetão e fez proposta a dita mulher, por quem queria para coisa que não se pode trazer a lume, e como ella se recuzasse, o dito cabra abrafolou-se dela, deitou-a no chão, deixando as encomendas della de fora e ao Deus dará. Elle não conseguiu matrimonio porque ella gritou e veio em amparo della Nocreto Correia e Norberto Barbosa, que prenderam o cujo em flagrante. Dizem as leises que duas testemunhas que assistam a qualquer naufrágio do sucesso faz prova.

CONSIDERO:

QUE o cabra Manoel Duda agrediu a mulher de Xico Bento para conxambrar com ela e fazer chumbregâncias, coisas que só marido della competia conxambrar, porque casados pelo regime da Santa Igreja Cathólica Romana;

QUE o cabra Manoel Duda é um suplicante deboxado que nunca soube respeitar as famílias de suas vizinhas, tanto que quiz também fazer conxambranas com a Quitéria e Clarinha, moças donzellas;

QUE Manoel Duda é um sujeito perigoso e que não tiver uma cousa que atenue a perigança dele, amanhan está metendo medo até nos homens.

CONDENO:

O cabra Manoel Duda, pelo malifício que fez à mulher do Xico Bento, a ser CAPADO, capadura que deverá ser feita a MACETE. A execução desta peça deverá ser feita na cadeia desta Villa.

Nomeio carrasco o carcereiro.

Cumpra-se e apregue-se editais nos lugares públicos.

Manoel Fernandes dos Santos
Juiz de Direito da Vila de Porto da Folha Sergipe, 15 de Outubro de 1833.

Fonte: Instituto Histórico de Alagoas

sábado, 24 de novembro de 2007

DA MATÉRIA À ENERGIA II

Então o cara me disse que não poderia ficar sem almoçar. Brincadeira... Pior, que não vive sem carne e que não sabia como eu podia viver sem "um bom churrasquinho".
Sem entrar nas questões ambientais, orgânicas e cármicas da alimentação carnívora, disse pra ele que eu é quem não entendia como sobreviviam aquelas pessoas que só se alimentam de carne, só bebem Coca-Cola e fumam três carteiras de Hollywood vermelho por dia. Sim, pois nessa dieta há pouca nutrição, a não ser proteína, açúcar e veneno.

Energia prânica!!! Sol...
Ainda somos a galáxia mudando. Temos que deixar nossas bagagens pesadas para podermos andar mais longe...

DA MATÉRIA À ENERGIA

Pensando sobre as luzes no céu que constante (e estranhamente) circundam Pelotas, refleti. Por que não há um contato mais exato? Por que o homem ainda não conseguiu voar pelo espaço sideral, como nossos (obscuros) ETs?
Acontece que os ETs não viajam no espaço: eles viajam no tempo. Eles, na verdade, são nós. Mas um nós evoluído, que não tem gula, maldade ou ânsia. Eles não se alimentam, a não ser de luz, por isso não têm boca, e a cabeça grande que eles têm é pelo hiperdesenvolvimento da pineal. Eles não falam porque já vivem na freqüência das informações. Habitam, eles (não vou mais os chamar de ETs: nós também somos ETs, poxa...), em uma outra dimensionalidade, e por isso conseguem um deslocamento fluídico que sobrepassa a nossa percepção tridimensional. E quando eles conseguem uma amplitude muito elevada, acabam por exaurir a quadridimensionalidade e, por isso, às vezes podemos ver seu rastro energético (luz) aqui da terceira divisão.
Nós nunca subiremos numa nave tetradimensional: iríamos desintegrar. Nós morreremos aqui, na nossa estrela Terra. Nossa genética é que deve ser aperfeiçoada para que, no futuro, nosso GNA possa voar com eles (ou conosco?).

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

AMOR DE FILHO


Meu passarinho
Veio se aninhar
Num amor de filho
E par da canção

Meu amor
Os seus olhinhos de neném
lam me passando a fé

A vida vai valer
Enquanto seu carinho brilhar

De cada criança
Tira uma gota do olhar e
Espalha sobre a Terra essa magia

A cada predador ela anuncia
Nós precisamos do nosso amanhã
Dê uma nova chance
A mim, de caminhar

O seu sorriso amanheceu
Num só momento a bela luz
Em cada canto deste mundo
Chegou primavera

E outros fenômenos leais
Traduzem paz
Paz que queremos tanto ter
Pra durar
Nova chance de se caminhar

E construir o seu ninho
Espalhando luz, inventando
Um caminho novo, brilhante, nobre
Inocente, puro
Nossa canção está no ar
Bem-querer, filho meu
Meu bom anjo, meu par.

(Beto Guedes)

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

CARTA AO BOTTI

Gran Vicente

Eu tenho um tio em Porto Xavier que se chama Vicente. Ele é o cara mais mentiroso que eu conheço, além de canastreiro, boêmio e tangueador. Colorado, doente! Ah... e pescador (só podia...). Ele usa aquelas cuecas abertas na frente, sabe (?), e quando eu era pequeno e ficava deitado, vendo tevê, ele passava e as bolas balançavam prum lado e prooutro da cueca folgada. Era o maior barato... a gurizada toda caía na gaita.
Um dia ele mergulhou no rio Uruguai e emergiu com um cigarro aceso na boca... juro por deus! E também, depois de um baile na Argentina, resolveu voltar a nado e dormiu no meio do rio, indo acordar lá em Uruguaiana. Sério! Peor!
E esse Vicente aí, que ainda mora em mim, me fez simpatizar contigo, ô da Pimenta, pela coincidência das letras e, depois, pelo astral do que fazes (músicozinha) e pela tua simpatia.
Agradeço pelo convite para assistir ao jogo Brasil x Uruguai aí no Fondo... mesmo. É que hoje tenho um ensaio com os atores do curta do Jorge Nelson, que estamos em reta final, e terei que dar WO.

Um abração à esposa e ao bêibi.

Duda

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

SÓ ESTRELAS


Até onde vai a intenção
de tua ganância?
Todos os farrapos já estão mortos,
os comunistas mofam numa biblioteca
e aquelas moedas de níquel
[que tanto desejas

restarão na superfície morta do planeta

E o que brilhará no espaço
[eternamente
são as estrelas

[que nunca se importaram com nada.

PEDRUCA E A FEIRA DO LIVRO DE PELOTAS

O Pedro Marodin é o poeta pé na estrada. Um amigo de todos os lugares que viaja o Brasil afora vendendo livros e deles tirando seu $u$tento (embora saiba que o sustento do homem seja muito mais que grana, chamarei assim sua féria). Funciona desta forma: ele faz uma megatiragem de seus lindos livros (Diário de um poeta pé na estrada, O grande minerador, Buquê de flores e, por fim, Sem meias palavras) e sai sem rumo certo, vendendo em bares, restaurantes, feiras e afins.
Ele esteve aqui em Pelotas agora, para a Feira do Livro, e passou 23 dias na minha casa. Dentre as idéias que trocamos, uma que gostaria de expor.
Pelotas gosta muito de coçar a barriga, dizendo, um tanto quanto prepotentemente, que é A Cidade da Cultura. Eu amo Pelotas e acho, realmente, que as manifestações artísticas aqui são muito fortes. Nem se compara a Santa Rosa, de onde venho, ou quaisquer outras cidades do interior sul-rio-grandense. Até PoA treme as pernas pra Princesa. Mas isso não se deve, de forma alguma, ao Poder Público, pois o ente Estado já morreu há muito e hoje, como outro cadáver comum, só serve pra feder. Pelotas vibra pela garra dos seus artistas, em todas as ramificações.
Pois bem... o Pedruca esteve aqui, com seu Passatão Chocolate carregadinho de livros. Veio confiante na Feira do Livro, que começava, e no retrospecto positivo de Pelotas em sua vida. Ele diz que aqui é o melhor lugar do Brasil pra vender. Mas aí, chegando na Praça Coronel Pedro Osório, deparou com aquela triste realidade: estandes tomando conta do entorno, restringindo espaço, sem promoções dignas do maior evento literário da cidade - simplesmente lojas na praça -, sob uma organização que cobra caro para que se possa vender mais caro ainda. Onde está a babada Democratização da Cultura? Sinceramente, amigos, na Feira de Pelotas não há. E o Pedruca, que vende graças a sua simpatia e seus devaneios poéticos, foi impedido de vender na Feira do Livro. Motivo: não havia pago estande. Mais: não era permitido "ambulantes" no local.

Mas eu vendo os meus livros!!! falou o Pedruca.
Nada de livros por aqui!!! respondeu ironicamente o representante da organização.

E se tivesse insistido, o Pedruca teria seus livros apreendidos, rasgados e queimados em plena praça XV. É a Inquisição da Cultura.

Democracia é, realemte, uma palavra inerte que nunca existirá fora das bocas.

PESCADÔ


Uma nêga falou nesta vida que noutra
Eu seria pescadô
[e talvez por isso essa minha obsessão por barcos...

Mas eu queria
[queria mesmo, dona nêga
Pescar um sonho
Com a isca do desejo
E tirar da água
Novas cores para o mundo.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

FRIO EM NOVEMBRO...


Lá vem Deus
Navegar no mar que fez
E se pudesse, faria
Quase tudo outra vez
O mar... o mel... a doce pele azul

Ô Seu Deus, aqui no Sul faz um baita frio
Na próxima estação
Me coloque na Bahia
Que o Sol que ilumina o dia
Também é minha direção...

SEDE DE MAR


Voltei pro mesmo lugar depois de uns anos. Pouca coisa fora de minha cabeça havia mudado... alguns detalhes e cores que haviam, della prima volta, passados desapercebidos.
O mundo ficara parado e eu rodei...

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

DATA FIFA II


A Data Fifa é realmente mais forte que eu. Que o Ale e o André também. As mulheres é que não gostam muito, que facciamo. Também, são 4h da manhã e a gente segue aqui, concentrado. A Vevê tá no quarto, tentando encaixar o sono entre nossos gritos. A Nena ligou chorando... De cara... Pô Neninha... sabes que te amo... Desculpa mais essa, minha princesa... é que quando eu crescer eu perco essa mania. Além do mais, nosso amor é em outra dimensão: tô aqui e tô aí.
Putz grila... perdi a concentração... Ach que vou sapaterear de novo.

Bisapato meu!!!

Clássico é clássico e vice-versa. Hoje sapateriei... Adiós Barcelona...

CORES QUE QUERO VIII - ALESGU


Anjo-par
Não falei que contigo
Tudo ficava mais colorido???

CORES QUE QUERO VII - NEL CUORE DI FIAMMA


Dorme princesa Nena
Dorme, filho cristal
Que os anjos miram vosso sonho
E se cochileis no gelo,
Acordareis no calor de meu coração

[pulsando...

CORES QUE QUERO VI - MAGUITO VILELA x VIOLA MAGIQUELA


Quem canta...
Os malas espanta.

CORES QUE QUERO V - BOQUINSANA


Tu boca roja en la mía,
La copa que gira en mi mano,
Y mientras el vino caía
Supe que de algún lejano
Rincón de otra galaxia,
El amor que me darías,
Transformado, volvería
Un día a darte las gracias.

CORES QUE QUERO IV - BISINIDEM


O homem criou Deus
À sua imagem e semelhança...

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

CORES QUE QUERO III - NO BRASIL


Índios dançam
Sob tupã
Carregam consigo
Receitas de chás

[No supramundo do esquecimento.

CORES QUE QUERO II - ASHTAR HINDU


Havia na Índia
Uma índia que ainda
Ia indo, quase obsoleta
Ela violeta
Eu, nada.

CORES QUE QUERO - SAINT ÁFRICA


Deus colore
O cio das flores
A religião dos olhos
O milagre da imagem...

[Cruz da anti-cegueira.

CAVERNAS


O Joselito resolveu, por uns dias, ficar ali naquela caverna. Aprendeu a plantar e a criar, em vez de rodar o continente atrás de comida. Uma vez que outra dava uma saidinha de sua circunscrição, agora com alguns vizinhos na área, e isso deu margem pra Marieta inventar a profissão mais antiga do mundo. Claro! O Joselito demorou e a Marieta tava com fome, que facciamo? Depois, aquele pessoal todo que formava o distrito municipal inventou a moeda pra não ficar carregando produtos à permuta, e com a moeda surgiu a diferença e a exploração.
Os netos dos netos dos netos dos netos do Joselito saíram da África pro mundo, escravos do racismo alheio. Depois, subempregados no Brasil, sonhavam em comprar uma TV tela plana que viram no comercial da Quero-Quero. Entre outros desejos, um dos netos dos netos dos netos dos netos do Joselito só queria mais um gole, pra poder dormir tranqüilo na noite fria de Pelotas.
Aquela noite caiu rapidamente e a caverna ficara tão distante...

terça-feira, 6 de novembro de 2007

DIAS DE GAGARIN

Quando o pessoal fala em Ovnis tem sempre o amigo de um amigo que disse que um dia (ou era noite?) viu algo perto da prefeitura (ou era do museu?), e esses papos ficam por isso mesmo. Mas eu não sou o amigo do amigo. Eu sou eu. Yo soy yo. Posso até ser amigo do teu amigo, mas se falo é porque é pura verdade (pois é pois é pois é).
Dizem os historiadores que os índios, ao avistarem as caravelas, ficaram pasmos pois nunca tinham visto aqueles objetos, por assim dizer. Comigo aconteceu três vezes: duas aqui em Pelotas e uma num morro da praia do Rosa, do ladinho da Ibiraquera. Em todas havia outras pessoas comigo, que confirmam estes "fatos estranhos" envolvendo grandes luzes e movimentos intrigantes.

***

Há meses ando com uma sensação de que tem algo no ar, sabe? Parece que tem alguma coisa na espreita de acontecer... Talvez os universos interiores... Sinto que muito do que girava a roda da sociedade moderna perdeu a graça, não tem mais sentido. Sinto meu âmago cansado de conversas tolas, de pessoas fracas e reclamonas....

Não sei se os ETs chegarão de vez ou se serei eu a ir pro espaço.

SOM ESTÉRIL É SURDEZ, MONAMI

Batia o pé com o Naturaleza sangre. O Fito fez o disco com carinho... Na 139 Lexatins, quando ele canta vueltas, vueltas para mi, o som estéreo passa da caixa esquerda pra direita. Se fecho os olhos, parece que ele está a fazer a volta em torno de mim.

Um amigo perguntou o que era "este tal de estéril". Eu disse É tudo muito simplesimples: eu sou quase estéril e minha gata é mono e mesmo assim nosso filho nasceu.

Com a cara do padeiro, mas nasceu.

LOCOEU?

Ela vai na Universal, assiste à novela das seis, pinta as unhas do pé e toma cerveja com açúcar. Tem um livro de simpatias (a de como enriquecer não funciona, já testei), combina o verde com preto, reza pro Santo Hermeto e só dorme com um copo d'água do lado da cama. Outro dia me chamou de louco porque coleciono cactos.

Ora, pobre menina... De todas as nossas loucuras, só a minha dá flor.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

PRÓPRIA POESIA

Criara então, consigo mesmo,
[muito aquém do início dos seus olhos

uma realidade poética fajuta
falando de amor,
falando de dor,
falando de posse de outra pessoa...
achando que o mundo começa no outro
e que serve só de viés de umas palavras

Enquanto isso, mendigos dormem nas calçadas
índios vendem artefatos, os hindus entram no rio...

Longe e perto de seu feio umbigo
muitas coisas acontecem
e uma flor se abre no jardim...

[existir é a própria poesia.

ARTE AO EMPOBRECER

Aqui em Pelotas, "Capital interiorana da Cultura", existe um projeto que abre espaço no querido Theatro 7 de Abril às manifestações artísticas. Antigamente era chamado de Música ao Entardecer, depois passou a ser 277. Teve também o Arte Daqui, desenvolvido pela RadioCom e com muito trabalho do Glenio Rissio e do Dico Keiber também, no desenvolvimento dos CDs. Depois veio o Sete ao Entardecer. Toda terça-feira, às 18h30min, tem apresentação gratuita de bandas, esquetes e danças, cada dia com um grupo diferente. Mas embora seja um projeto do governo municipal, vejo que, muito aquém se sua obrigação, nada mais faz que assinar papéis e liberar o espaço, que é mais a casa de cada artista pelotense do que meramente um prédio da prefeitura.

Eu já fui a muitas apresentações, mas perdi muitas também. Marco Gottinari, Serjola Insaurriaga, Dico Keiber, Freak Brotherz, Giamarê, Caminhos de Si, Grupo de Dança Flamenca Olé, Michel Abelária, Sulivam Melo e muitos outros que me fogem agora, na pressa das letras, foram alguns que tive o privilégio de acompanhar. Em todos, uma coisa em comum: ninguém do poder público estava presente. Ninguém!
Quem conhece o 7 sabe que lá tem dois (ou três) camarotes reservados aos nossos políticos, representantes do poder público, e estes camarotes ficam sempre fechados à chave, impedindo que o público os acesse e tendo, assim, muita gente, que ficar em pé, pois o povo de Pelotas gosta, sim senhores de gravata, de espetáculos e tem lotado a casa.
Mas da esquerda pra direita, do Legislativo ao Executivo, nunca vi ninguém lá para dar apoio à arte da cidade. E esses políticos, recheados de demagogia e vazios de visão artística, virão, como sempre vêm em suas campanhas, dizendo que têm a solução para a cultura da cidade. Mas como eles saberão, se estão do outro lado do abismo?
Cada um só dá o que pode ter. Cadê vocês, senhor prefeito, vereadores, secretário de Cultura? Pelotas precisa que vocês saiam de trás de suas máscaras.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

(re) SACO CHEIO DE PAPAI NOEL

No ano passado, escrevi uma coluna pro Diário da Manhã e, agora, procurando ícones no vago e-tempo computadorístico, a reencontrei perdidinha, encolhida como um pinto no frio. Reli a dita e resolvi que era hora dela espraiar-se na rede da virtualidade. Eis-la-a-a:

O ano que passou, 2006, trouxe em seu término grandes reflexões à humanidade, como coletividade, bem como a cada indivíduo, como partícula evolutiva no contexto cosmológico e espiritual. Mesmo que passando pelo ápice das transformações axiológicas, das mudanças de linguagem, da avançada tecnologia dos cliques, o homem moderno ainda traz consigo amarras intelectuais da Idade da Pedra presas às bolas-de-chumbo do consumismo e do capitalismo destrutivo: é prisioneiro de seus desejos materialistas, delimitado dentro de fronteiras criadas por sua própria mente e segue incapaz de perceber que, enquanto a Terra morre asfixiada por seu lixo, ele também é um mero e finito passageiro do tempo.
As mortes dos tiranos Augusto Pinochet, no Dia dos Direitos Humanos, 10 de dezembro, e Saddam Hussein, no dia 30 do mesmo mês, Dia do Perdão Universal, mostram ironicamente dois fatos que baseiam a sociedade humana da qual todos fazemos parte e somos agentes formadores: a Justiça falha (meramente hipocrisia formal) e a incapacidade de uma visão estratosférica dos problemas terrenos. O general chileno morreu sem prestar contas dos crimes que cometera. Dançou com os tribunais, brincou de doente e foi escoltado por uma grande fortuna e um prestígio político que o blindaram até seu último suspiro, enquanto que aqui, no Brasil, da mesma forma como ocorre no Chile e em outros países subdesenvolvidos (ou "em desenvolvimento", como preferem ser chamados) as sentenças executórias e as instituições penais existem apenas para negros, pobres e analfabetos. Já no Iraque, a mesma corda que enforcou Saddam sufoca qualquer análise coerente. Com que legitimidade foi feito não só o julgamento fajuto de Hussein, mas também a invasão àquele país (sob o pretexto equivocado de haver armas de destruição em massa), que trouxe ruína total, morte de inocentes e um caos nunca antes visto no Direito Internacional? Agora, as forças da coesão se encontram em um terrível dilema: retirar suas tropas e amargurar o fracasso de sua missão ou prosseguir em uma guerra urbana, dizimando vidas por uma ira de vingança sem sentido.
Além disso, a humanidade atravessa uma era de intensa mudança planetária. Grandes catástrofes naturais já acontecem, o aquecimento global é visível e perceptível, mas o homem ainda não criou uma consciência protetora da água nem um conjunto de ações racional e eficaz para com seu próprio lixo. Sua ânsia cega faz com que siga destruindo as matas (no Brasil, restam apenas 6,05% da floresta atlântica original), poluindo os rios e mares e participando com a fome planetária e as desigualdades sociais, pois no momento em que passa a ser apenas uma unidade consumidora, o homem passa a crer e a obedecer somente um ego faminto e não acorda para o que acontece a seu redor. O planeta está no limite.
Então nos chega 2007... O que dizer? O que esperar? Nos festejos de fim de ano o homem deseja paz, amor e perdão, veste branco e, embora tenha trocado a figura de Jesus pela de Papai Noel e o presépio por Coca-cola, segue vários ritos formais e não reflexivos, pois brinda e pede por coisas que não pratica em seu dia-a-dia. Penso se direi a meu filho que em 20 anos ele irá encarar as graves crises da água e da energia elétrica, das superpopulações e da fome, que em 2020 não haverá nenhum pico nevado e muitos animais e plantas ele conhecerá apenas através de livros e fotografias... Provavelmente não: esta minha índiga reflexão irá mostrar a ele, criança cristal, que já é hora de usarmos a intolerância contra o mal. É tempo do homem fazer uso de ações corretas e do verdadeiro amor incondicional se quiser seguir viagem pela galáxia em sua linda nave azul.

DROGADIÇÃO

Tem um site chamado radios.com.br que tem emissoras de todo mundo. Hoje mesmo fiquei ouvindo a Webradio RootsRockReggae, da Jamaica, com pérolas do reggae.

12 horas no trabalho... olhos vermelhos e chapado da babilônia...

New-escravidão, novelas, colunas sociais... Salário mínimo, cartão-ponto, Coca-Cola... Conservantes, programas de fofoca, música sertanoja. Os ministérios da Agricultura e Saúde deveriam fazer um novo rol de drogas prejudiciais à sociedade...

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

JOGAR PING-PONG?

Quando criança, ouvi levantarem a questão do porquê as mulheres sempre vão em dupla ao banheiro. Estranhei... até que comecei a reparar o WC das damas na adolescência. E não é que elas sempre vão em dupla mesmo?
Um dia, folhando páginas bobas (ou o bobo era eu, talvez), encontrei uma charada: "Por que as mulheres sempre vão ao banheiro em dupla?" Putzgrila... pensei, enfim havia acabado meu sofrimento. Eu iria de fato descobrir este segredo tão maníaco (ou o maníaco era eu?). A resposta dizia, depois do R maiúsculo e os dois-pontinhos: "Para jogar ping-pong!"
Jogar ping-pong? Não entendi! Passei minha adolescência (e parte da vida adulta) tentando fazer o elo entre a resposta e a charada... Jogar ping-pong? Não pode! Os caras da revista devem ter rateado e trocaram alguma informação. Nada a ver "Jogar ping-pong...". E olha que muitas vezes eu contava essa piada e, óbvio, ninguém entendia. Mas não era pela piada em si que eu a contava, era pela sedução do tema... pelo tamanho do porquê...
Mas semana passada minha vida mudou. O Alexandre, numa conversa, me falou, do nada: "E tu mano... tu sabes por que as mulheres vão sempre me dupla ao banheiro?" Eu, de pronto: "Pra jogar ping-pong!!!"

Ãh??? disse ele. Não cara... é pra uma não falar mal da outra.

Tirei toneladas das costas... ufa... Acho que vou usar a resposta dele daqui pra frente... Até porque tem um fundo de verdade, que algumas mulheres rebolam pra equilibrar o peso da língua.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

ANGEL DE LA SOLEDAD

Tchau e ciao...
uma sublime diferença
entre um adeus lusitano e
um olá italiano

um euro
[de drexler
escrito bye...

alguns detalhes
pingos coloridos de memória
restarão até onde?

até onde?

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

UNIVERSOS

Do que sei sobre mim mesmo
uma incerteza em movimento
Um universo pra fora
Outro universo pra dentro...

FOI

Expressionista
Não há pressa,
[acionista dos ponteiros
Não procure por respostas
Pois a realidade não é só o que se pode ver...

A vida não-orgânica das coisas
As coisas não-orgânicas da vida
Indo embora com as datas...

Quando fores ver, já foi...
E tu, também matéria,
Não deixara nem registro de tua existência.

CHANGEMAN

Fui um eu que se transformou em mim.

QUEST FOTO

Antes do clic da máquina, o clic da percepção...

O BINÓCULO DO NEGÃO

O Nelson Arce é um dos quinto-irmãos que tenho. Um grande homem que me ensinou muita coisa sobre a integridade, a paz, o silêncio, enfim, um destes anjos de carne que sobrevoam minha vida. O Negão, apelido dos Porcos Selvagens, é o rei dos cacarecos. Na casa dele tem de tudo, desde um overcraft fílmico até um ofurô secular; tem um gramofone desdentado e uma moto de rali; tem colar de dente de javali do Marrocos e ornamentos maias; enfim, sempre que visito o Nelsinho demoro horas para sair de tantas surpresas e novidades que ele, carinhosamente, vem mostrar.
Na última visita, o Negão veio mostrar um binóculo lindo, moderno, com alcance grandioso. Ele se pôs em pé a mirar a praia com o instrumento e falou, destacando a qualidade do troço.

Olha... acho que sou eu lá!!!

Isso que é alcance...

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

A MAMAEZINHA DO T. F. CUSTÓDIO

...e nessa caixinha dourada aí, senhor Pereira, estão os restos mortais de minha mamaezinha, que foi cremada na Suécia!!!
Suécia?
Sim... pode ver... (sons de pedras de gelo... gole de uísque).
Hum... que interessante... Mas vem cá, senhor T. F. Custódio... Os pentelhos não queimaram? Tá uma pentelhama só aqui dentro da caixinha dourada de sua mamaezinha...
Pentelhama?
Sim sim... E tem também uma borrachinha de dinheiro, um papel de bala, uma moeda de cinco centavos...
Como assim? Deixe-me ver...

A Jurema, empregada da família, numa de suas varridas cotidianas, derrubou as cinzas da velha no chão, junto com a sujeira toda da casa. De pronto (e assustada), ela juntou tudo com a pazinha de lixo e colocou de volta à caixinha dourada da mamaezinha. Foi demitida naquele mesmo dia... Mas o que importava? Velha e lixo eram, agora, uma coisa só. O senhor T. F. Custódio bem que tentou separar o joio do trigo, tirando e jogando o pó sujo no jardim. Mas numa altura reparou que não sobrara nem metade de sua mamaezinha na caixa e, então, ele complementou com terra preta do mato.

...e nessa caixinha dourada aí, senhor Augusto, estão os restos mortais de minha mamaezinha, que foi cremada na Suécia!!! Fique à vontade... pode pegar...
Poxa... restos mortais... Hum... Sua mamaezinha comia girassol, senhor T. F. Custódio?

AS RESPOSTAS

Sonhei com algo que não acendia
Um isqueiro rosa ou outra poesia?
Um fogão sem gás ou amor fugaz?
Quantas perguntas
Prum imaginário
Que guarda todas as respostas

[no âmago do seu silêncio

Para nunca revelar...

[no interior, tudo tem mais cor.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

LSD E TRABALHO

Os computadores do trabalho são foda... Tetês, se não travam, tremem. E o pior não é quando você tem pressa: é quando eles, os tetês, percebem que você tem pressa. Punk geral...
Tinha um monitor aqui, na salinha, que era da idade da pedra. Flinstone total... Com linhas pretas se cruzando em todas as direções, a imagem era maior que a própria tela! Uma viagem realmente hipnotizante.
Até que um dia a colega de trabalho viu num encarte de loja o valor das telas LCD, moderníssimas como Jacques Tati imaginara e finas-Bünchen que nem apareciam de perfil. Ela na hora levantou o fone e ligou pro chefe pra pedir um arrego, como dizemos em Pel.

Chefe... Tu tens que dar um jeito urgente de conseguir uns LSD pra gente aqui. Até os guris estão de cara... Sem LSD não tem mais como trabalhar... Vê se dá um jeito aí...

LSD? Respondeu ele...

Sim senhorito!!! LSD! A gente quer coisa fina... Estamos cansados de sofrer com essas drogas vagabundas daqui.

Bom... se é assim... vou tentar dar jeito pra vocês, mas não garanto, viu? - finalizou o atencioso comandante.

E ele deve estar até hoje cutucando traficante pelas esquinas... E a gente segue viajando na psicodelia informativa da droga dos monitores.

É NÓIS

A menina que atendia esperava enquanto eu provava um jeans. Depois de encarar a longa fila, fazendo hora pra morrer, saí do provador com uma cara de comi-osso. E ela ainda ali, com outras peças na mão, se encolhendo na minha corriqueira indisposição às compras e tendo a árdua tarefa de avisar ao antipático aqui que havia mais duas filas a me mofar: pagamento e retirada.
Eu franzi a testa no pretérito perfeito, desnivelei as sobrancelhas em alto relevo e rosnei feito um lobisôme. Ela explicou:
É muita democracia mesmo!!!

Viva a língoa du Braisiu!!! Viva a burrocracia demoniática e o portuguêis prosódico aramádico bucólico melancólico coloquiático.

PER AVIÒN

Detesto detestar. Mas não posso com o pensamento coletivo, flutuante na 4ª dimensão, que induz a maioria das pessoas a procurar por notícias trágicas. Não sei o que se passa... Eu não assisto a noticiários nem leio páginas policiais: não quero nem saber de avião de TAM, de ônibus que bateu, de família que morreu... Pode até ser frescura, mas quero flores, cores, aromas... quero vida... e colho frutos, pois somos o que pensamos. Vibrando no bem, exalo o bem... E essa é a minha maior colaboração para com as "tragédias" e para com as pessoas que me rodeiam, como meu filho Johan e a Nena.

* * *

Agora há pouco fiquei sabendo que caiu um avião monomotor num cemitério em Braga, Portugal. Escavações coordenadas por autoridades locais já encontraram 20 mil vítimas enterradas sob os escombros.

Birbaridâde, hein?

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

UM QUASE

Respiro, enquanto o relógio na parede come as horas.
Penso, olhando pela janela, que penso. E nessa real irrealidade (ou seria irreal realidade?), neste jogo impossível de decisões entre o falso e o verdadeiro, procuro respostas a perguntas que talvez nem existam...
Um cortejo de princesa morta, uma criança que dorme no frio... Uma rádio russa das Ilhas Virgens tocando aqui, no e-canto da sala, no virtual mundo das informações onipresentes... que moram em lugar algum e estão sempre prontas...
E o que escolho, sou? E o que sou, escolho? E quando olho pra minha cara, no espelho, percebo, além dos olhos e do grande nariz centralizado, o quê?
Somos um grande controle remoto de carne, a buscar por nossas opções e a pagar o preço do cardápio requerido. Mas o controle já está insosso, pois não há muitas programações que valham a pena seus botões.

Ou eu morro, ou fico velho...
Pros meus netos, quase existirei.

A FORMIGA NUNCA CANTARÁ

Tiraram o cinema do pipoqueiro... cerraram portas, fecharam sonhos.
E o que me importa a arte?, diria o velho que construiu o novo, que tenta, por sua vez, construir o novíssimo. O que me importa é o trabalho, o dindin no bolso... Poesia não enche barriga, disse meu ex-professor de Direito do Trabalho, na última aula que não consegui assistir. E agora, neste exato momento (21h09min de 08/10/07), ele deve estar com a netinha no colo, preparando mais uma racista que compra bolsa importada e desfila de salto alto numa festa de reggae, que desdenha de Vertov e é fã da MTV... E ele deve estar contando mais uma história infantil psicopata (A formiga e a cigarra, talvez), ensinado como ela deve agir quando se formar em Direito ou Medicina, com quem deve andar e no que deve a_creditar seus pen$amento$.
E fecharam o 21º cinema de Pelotas... Agora só falta um, sorriu o noveleiro.

A cigarra pode até ser vagabunda, mas a formiga nunca cantará.

JANELAS DE DEGAS

Abre o peito
Deixa o sol entrar
Quando respiras

Olha o céu de dentro
Há algumas noites que não chove
No meu riso e eu
Penso que é hora
De deixar sair
Algumas cobras e lagartos
Dos meus sonhos

Que o dia veio
Jogar luz
Naquelas sombras
E essa cascata
Que transpassa a vidraça
Dos meus olhos
Se vai...

[irradiando brilho em todas direções.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

SÃO CLÁUDIO NÃO ERA SANTO

Você já vai sair de novo?
Pô mulher... vou ter que te dizer de novo que eu sou um santo, porra? Eu tenho compromisso com meus fiéis e não posso ficar parado aí, o dia todo vendo TV!
Úte! Não precisa falar assim, tá bom?
Assim como?
Estúpido!
Que estúpido o quê? Eu só falei...ah não! Já vai chorar de novo?
Não posso chorar? Não posso?
Pode... mas não precisa todo esse fiasco bem aqui no meio do céu...
Tá dizendo que sou fiasquenta? É isso! Tu tens vergonha de mim... Vai lá... corre lá praquele monte de santo que tu chamas de amigo... Que ficam te levando pra encher a cara e não sei mais pra quê...
Quê mais pra quê o quê, mulher? Não fala o que tu não sabe... não fala...

E aquele silêncio foi a prova de que o São Cláudio era santo mas não era santo.

AROMA-PITANGA

Em noite de chuva
Pareço existir
E o tempo segura
Teus olhos nos meus

Um raio desliza
Um deus de neon
Aroma-pitanga
Nem sei quem eu sou

Venta, venta...
E tudo passou...

Se passou
Já passou

Passou...

O VALIOSO SACO DO SEU SALING

No interior dos estados produtores agrícolas tem uns colonos que chegam nas revendedoras de havaianas e compram um caminhão à vista. Nos bancos, a mesma coisa. Chega lá um Zé-do-milho de boné, fedendo à asa, com pé sujo e deposita R$ 100 mil na bucha. Eu acho isso o máximo, porque quebra os estigmas do mundo da mo(e)da.

Em Santa Rosa, o seu Saling tinha um boteco com duas estantes. Humilde e longe de ser ganancioso, se contentava com 500% de lucro. Tanto é que o boteco virou um megaípermarket e o seu Saling passou a usar terno e gravata. Nos fins de semana, o seu Saling ganha o dobro, ri o triplo e trabalha o quádruplo com o movimento alucinado. Então, no final do domingão, ele junta a grana toda num saco (nos tempos do boteco era num envelope) para segunda, bem cedinho, depo$itar no banco.

O pior de tudo é que, além de vocês e este que vos fala, uns amigos do alheio também descobriram essa peculiaridade e, na segunda-feira, bem cedo, emboscaram o seu Saling na saída.

Nom nom, minha lucro nom.... – reagiu o seu Saling, se abraçando no saco de dinheiro.

Pá... Um dos ladrões disparou a arma, no meio da confusão, e acertou o comerciante.

No hospital, o médico plantonista teve que contar ao seu Saling que ele tinha perdido o testículo direito.

Mas e a dinhero? Perguntou ele.
O dinheiro eles não conseguiram levar, seu Saling...
Ufa!!! Suspirou ele.

Perdeu o saco mas não entregou o saco.

Cada um com seus valores.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

BAIXO IMAGINÁRIO

Eu já tava deitado quando resolvi sair. Pulei da cama, caí na roupa, deixei o sono deitado e vi o Laranjal pelo retrovisor do fuscão.
Depois de bicar o som do Vicente Botti e pairar nas notas do Possidônio e da Dona Amélia, já na madrugada, mas antes de reggear até o amanhecer, passei dar um alô aos guris da Freak Brotherz que tocavam num bar. O Solano disse:
O cara anda pelas ruas e vê o pessoal com o som no ouvido, tocando bateria ou guitarra imaginária. Ninguém toca baixo imaginário...
Eu disse: Peralá! Eu toco baixo imaginário. E muito bem, poracauso.
És um dos únicos então, disse ele.

Eu toco baixo imaginário todo santo dia. É uma piada o que eu toco. To até pensando em montar uma banda de rock imaginário. Quetal? Alguém aí já se imaginou tocando nela?

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

NÃO SOU NINGUÉM E NÃO SEI DE NADA

. (ou não)

NO MÍNIMO UMA MÁXIMA

Não há pessoa tão ruim que não tenha uma coisa boa pra mostrar como não há pessoa tão boa que não tenha um podre a esconder.

DEUS E O DIABO NA CALÇADA

Um homem-bomba detonou explosivos junto ao corpo, no Iraque, para atingir um quartel estadosunidense. Numa temática ocidental, louco era. Na ótica islã, santo. E entre um santo e um louco havia um oceano de diferenças históricas, políticas, geográficas, socioeconômicas etc. Mas, de certa forma, o louco e o santo eram a mesma pessoa, como o deus e o diabo também são na personificação de nosso caráter.

ESCRITÓRIO MESA 13

Pelotas é conhecida pelos seus doces e cafés. Doce eu adoro, principalmente os de chocolate. Café eu necessito, sou bem viciadinho... Culpa do Dico e do Caboclo, sempre. E aqui, na da esquina 22 (15 de Novembro com 7 de Setembro) tem um café conhecido em todo Brasil-mundo e que se chama Aquários. Dizem as bocas socialistas que, na época da escravatura (se ainda não a vivemos...), não era permitido a entrada de negros lá, então construíram a meia quadra dali um outro café: o Ponto Chic, onde os blackbrothers tinham passe livre e onde hoje é o escritório da Federação Galática. Lá nos reunimos toda tarde, na mesa 13 (número ultragalático). Muda os membros da diretoria, mas o encontro segue sagrado.
Ontem eu fui lá... reunião importante... Estávamos eu, o Caboclo e o Gottinari: chocolate quente, meia-taça de café e chá de camomila sobre a mesa e entrou o Mestre Batista, figura conhecidíssima em Pel, tio do Alexandre Mattos e um dos únicos construtores de sopapo do Brasil.
Mestre Batista, seu criado para serviços leves. Pra serviço pesado, sou carregador, mas só de recado. E não me dê muitos porque pesa...

Grande figura... carregador de recados...

domingo, 23 de setembro de 2007

SOLTANDO BORBOLETAS

Algumas palavras perdidas no ar
Que foram parar em um lugar discreto
[Com duas janelas e um mocó no teto
Na rua do silêncio, antes avenida

Peguei-as cerradas
Segurando pedras
Que se pegam, dóem
Ou caem no chão

Resolvi mexendo
A ordem dumas letras
Transformá-las pólen
Do que precisava

E abrindo a mão
Como quem solta uma borboleta
Larguei-as ao vento
Para vê-las voar
Rumo à velha casa.

CASA IMPORTADA

Era cinco-pras-seis da manhã. Levava o Dico, no Lua Galática, pra rodoviária e conversávamos sobre o mundo, sobre a humanidade... coisa assim, papo leve praquela hora da matina. O Dico, naquele jeito vitrola, questionava os interesses do outro em poder e grana.
Quequiqué? Acha que sucesso é ter carro importado, 'casa importada' (casa importada é o máximo)? Quequiqué?
Eu sorri... casa importada!!!

O sucesso não é ter grana! O sucesso é encontrar a paz no que a gente é.

RISOLENTO

Quem tem pressa não se diverte!

SEU WILMUT

O seu Wilmut era o alemão da padaria do Krolow. Ele existiu (e deve ainda existir, se a fila do destino ainda não andou pro seu lado) e essa história é real, juro, diferente de algumas outras que conto. E não é que eu minta, mas gosto de aumentar certas descrições e, às vezes, saio das molduras da veracidade.
Mas o seu Wilmut, como diria eu, estava trabalhando num sábado cedo, quando o destino me levara ao supermercado e, também, à sua padaria.
Bom-dia seu Wilmut?! O senhor tem algo só de queijo?
Só de quexo? Nom, só de quexo eu nom tenho nada!
Ah... que pena... E aqueles risoles ali, seu Wilmut, do quequeé?
Isto ali? É de quexo.
Então seu Wilmut? É o que eu quero!
Ahbon, é quieu pensei quitu quiria um troço todo de quexo assim por dentro e por fora, todo de quexo.
Ora, seu Wilmut... seu eu quisesse um troço todo de queijo por dentro e por fora eu comprava um queijo!

Como diz o velho deitado, pro bom entendedor, 50% queijo bastam.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

CEMITÉRIO VELHO

Túmulos sem nome
Carcomidos pelo tempo
E aquele ser? Por onde anda?
Deixou seus ossos, nunca mais voltou...

E deve estar andando por aí
Na leveza de sua não-carne
Na pressa dos espíritos
Na hora H do hólon novo...

Algumas letras e alguns números
Ainda se seguram
Na gélida lápide da lembrança cinza
Que também espera
Pela sua vez
[De ser esquecida.

sábado, 15 de setembro de 2007

JAZZ

No Iraque, só os mortos estão em paz.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

GENTE E FLORES

O Renan Calheiros acaba de não-ser cassado no Senado Federal e a política brasileira segue sendo piada no mundo todo. Fico pensando sobre o termo POLÍTICA, que vem do grego polis, que significa "cidade", portanto, POLÍTICA seria a ciência de administrar a pólis, a comunidade, a vida social. O que se discute no País não é política: é partidarismo. Esquecem, os engravatados do Aquário, que esquerdae direita são dois lados de um mesmo corpo, viciado pelas doenças egóicas humanas, pela sede de poder e pela ganância das moeda$. Se queremos nós falar de política, falemos do descaso com as ruas do Laranjal, com toneladas de peixes-lixo mortos em nossa praia sem nenhuma atitute do poder público, vergonhoso, que não se move nem para analisar a água da Lagoa... e muitos mais assuntos realmente comunitários, isso só falando em Pelotas, a Princesa fantasma.
Eu já decidi: não discuto mais "política". Discuto essência humana.

Precisamos ser gente que olhe pra flores e não pra siglas diretivas.

OVO NOUVIDO

Tens um ovo no ouvido?
Ãh?
Tu tens um ovo no ouvido?
Como é?
Te_ns_um_ovo_no_ouvido?
Como?
TU_TENS_UM_OVO_NO_OU_VI_DO?
Por favor, fala deste outro lado porque neste eu tenho um ovo.

sábado, 8 de setembro de 2007

UM POUCO ÍNDIO

Entrou apressado e jogou a porta pra trás. Caminhou rápido...
Depois de olhar rapidamente para mim, andou olhando para o chão. Até que se chegasse:
Tu conhece o Cláudio?
Que Cláudio?
O Cláudio, um assim, um pouco índio.

Mas quem não é um pouco índio no Brasil?

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

BILLY NUNCA DESMAMARÁ

Ele entrou no westbar com sua roupa de cowboy texano. Era observado por dezenas de outros cowboys texanos... chapéus, armas, charutos. O xerife estava sentado ao balcão... tomava um whisky sem gelo, que com o chapéu inclinado pra cima, na cabeça, mostrava que o serviço havia terminado naquele dia. "O serviço foi dormir com o sol", dizia ele. Era metido a filósofo, o xerife. Mas quando ele entrou tudo silenciou. Ele se aproximou do garçom, olhou com aquele olhar do Clint Eastwood, e falou, com sua voz rouca:
Um copinho de leite, por favor!!!

Mostrou a medida com o dedão e o indicador.

SENTIDOS VI: SEXTO

4D!!!

SENTIDOS V: PARADAR

gosto de gostos!!!

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

UM POR TODOS E TODOS PORCADA

Sou um Porco Selvagem, com muito orgulho. Nunca escrevi nada sobre os Porcos Selvagens porque é inútil tentar: os Porcos são mais expressivos que quaisquer combinações de letras.
Somos a ONG (Ecológica) mais anárquica do mundo. Não temos estatuto, ata, presidente, nada... Somos uma diretoria de associados-colaboradores (não-pagantes e, às vezes, não-praticantes), todos guerreiros do bem. A sede da Porcos Selvagens é a única sede móvel do planeta: é os pensamentos de cada um. Enfim... levaria dias para resumir a essência dessa galera muito forte, ativa, que respeita e trabalha em grupo pela natureza e pelo bem-estar de cada outro Porco e da porcada em geral, mas vou começar aos poucos...
A gente veleja e rema... desce rios, atravessa lagoas... Minha mãe diz que eu tô sempre "procurando sarna pra me coçar". O pai dizia: "Procurando chifre em cabeça de cavalo". Concordo com os dois, mas a culpa toda é da porcada, sempre.
Uma vez descemos um pedaço do rio Camaquã. Chegamos numa localidade que não lembro o nome agora e tivemos que esperar um tempão o Nelsinho buscar a Verde que ficou estacionada rio acima, ainda em Cristal. Tínhamos passado dois dias e duas noites no mato e estávamos famintos. Paramos na beira d'água e ficamos fazendo campeonato de pedrinhas para que o tempo passasse mais rápido. Até que chegou uma menininha, dentro de seus 5 ou 6 anos, comendo um maravilhoso e saboroso pacote de bolachinha recheada sabor baunilha (nunca esquecerei aquela presença). A porcada parecia um bando de lobos olhando pras bolachinhas... nossa, como pareciam gostosas... e como babávamos.
A menina se aproximou e o Dico, vulgo Magali, cresceu o olho:
Guriazinha... ô guriazinha...
A guria quieta, quietinha...
Guriazinhaaaa... se o tio acertar uma pedrinha lá naquele pauzinho, a guriazinha dá uma bolachinha pro tio?
Como todos os porcos, a guriazinha ficou calada, com uma bolacha na boca, outra na mão... Olhou pro pauzinho-mira e fez um sim movimentando a cabeça.
Zaaap. O Dico jogou o raios da pedrinha, acertou bem no meio do pauzinho e foi rindo cobrar a dívida... Pegou uma bolachinha da guria, juro.
Ficamos rindo que passou a fome...

Caboclo, tá registrado.

CALENDÁRIO MAIA

Eu sempre gostei de filosofar sobre o tempo... Depois que conheci o Calendário Maia - que julgo realmente a ferramenta eficaz para que percebamos a quadridimensionalidade e a sincronicidade - isto se fortaleceu. E quando hoje consigo sair da visão cartesiana e tridimensional dos homens, posso reparar cosmologicamente a importância de coisas como a água, a fraternidade, a doação... Penso, então, no desafio evolutivo do ser social: somar e repartir virtudes para um bem comum geral, e concluo que este desafio do homo comunitarius se torna inviável na medida em que o homo individualis o suprima com seu ego cheio de desejos de poder.
Mas poder em relação a que? Estamos todos na mesma nave! Aqui do espaço ela é linda, azul...
[Só os anjos sabem que ela é um hospital de seres.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

.

passei invisível
como um perfume ao longe
e fingi não existir
em um curto instante.

SENTIDOS IV: TATO(ADO)

mãos tocam mãos!

SENTIDOS III: PEDOUVIDO

ouço, absorvo!

SENTIDOS II: PINOQUICE

inalomundo!!!

SENTIDOS: IMAG(EM)AÇÃO

quem vê, se vê!

BURACO NEGRO

onde raios foram parar todos os conhecimentos perdidos?

terça-feira, 28 de agosto de 2007

PERSONA

a ingmar bergmann



juntando os cacos do que sou no chão
milhões de rostos num espelho opaco
me diziam coisas que eu esquecia
de todas as faces do que fui um dia

sou muitos...
sou outros...
sou quem?

visto de perto sou igual a todos
visto de longe já não sou ninguém

sou pai, sou filho
sou um tal que foi
sou alguém que disse
um desses que fez

sou mil personagens
em um mesmo escopo
sou do tudo um pouco
procurando vez

[um ator que deixa seus papéis na estrada
esquece que sem eles
não lhe resta nada...

BOLA DE PAPEL

Umas horas vazias, centenas de páginas em branco... O som da chuva se misturava ao ruído dos automóveis que se cruzavam rumo ao nada, ao menos para mim. Em Pelotas sempre chove...
Pensava em pessoas que escrevem, eu. Pessoa, Quintana... outros, até colunistas de jornal, cada qual com suas letras. Comecei a rabiscar um pouco, como quem provoca as idéias. Mas não queria temas específicos nem poemas de amor; não queria escrever contos nem romances, tampouco artigos sobre a cosmologia... Queria escrever sobre o que sinto agora, neste exato momento, que é algo que não será igual amanhã nem nunca mais, pois a cada dia tenho algo a mais (ou a menos) em minha essência. Queria tirar um sentimento e jogá-lo escrito como quem arremessa uma bola de papel.
Sentei na escada, tateando os pensamentos. A folha branca, a tinta preta, as palavras escondidas... E neste silêncio, nesta busca de registrar o hoje do mundo das idéias, percebi um abismo entre eu e a frase feita.
Eu, sujeito. Idéia, predicado. Mas os verbos não saíam da caneta.
Resolvi deixar tudo como estava, simplesmente pairando sobre a lápide branca de celulose todas as hipóteses do que eu era. Sem fontes, gráficos, desenhos sequer... Nem eu sabia o que significava aquela melancolia e, em vez de pô-la no papel, deixei-a voar livremente por dentro de mim, seu habitat constante.
Encontrei num canto apenas uma frase do Duda Teixeira, acho que mais ou menos assim: "A memória é a forma mais gananciosa de apreensão".

Esqueça...

PELA MADRUGADA

E se fosse nada
Teu remoto encanto
Que num pranto desce
Pela madrugada
Tua voz vazia
Que outrora em canto
Sempre me dizia
Onde era estrada

E pensei que fosse
Quem tu mais querias
Mas eu não sabia
Pela madrugada
Que tua boca insana
Foi comigo fria
Porque já não tinhas
Que dizer mais nada.

SEM CANETA

Não perco tempo
Questionando as coisas
Mas perco coisas
Em questão de tempo

Se é frio ou calor
Que diferença faz?
Cedo ou tarde, nunca mais?
Para onde vamos, afinal?

Sei que este ônibus pode ser
O fim da minha linha
E que nesta noite pode até chover
Quase todas as coisas podem

[até mesmo ser...

Mas como viverei
Até o último minuto
[sem uma caneta?

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

PAPÉR DI BOBO

Aconteceu em Porto Mauá, divisa com Argentina, no RS. Minha tia Neli, bem gordinha, era casada com o tio Jenuíno, magricelo, num casal tipicamente rural. Lá, na propriedade deles, vivi episódios muito bons, que muito influenciaram no que sei sobre o respeito, a simplicidade, a humildade e a harmonia com a natureza. Depois que meu pai faleceu, pouco os tenho visto: na verdade, tenho ido pouco às minhas origens... Mas não sou mandioca pra ter raiz, então sigo os ventos.
Num fim de semana de sol, fomos com o Passatão 78 a mais um passeio a Porto Mauá. Eu era moleque, um pouco mais velho que meus primos Elia e Bano, filhos da tia Neli e que representavam a inocência encarnada. Eu fazia o papel do garoto do concreto, da cidade, do videogame Atari. Entre uma brincadeira e outra, o Elias chegou pra mim e disse:
Tu é muitu esperrrto, mais eu consigo adivinhá o qui tu faiz iscundido.
Como é que é Elias?
Ué sô! Tu pódi si iscondê atráis daquela árvre ali e fazê qualqué côsa: tirá meleca, coçá o saco, escrivinhá no chão... qualqué côsa que eu adivinho o qui cê tá fazeno.
Ah é? Duvidei essa!!! Quer dizer que eu me escondo e tu consegue adivinhar o que eu tô fazendo sem me ver? Duvidei!
Lá fui eu pra trás da árvore, sempre me certificando que nem ele ou o Bano conseguiam me ver. Me virei de costas até, tal receio. Catei um galho seco no chão e comecei a quebrá-lo, lentamente, bem no mocó.
Ô Chico Bento... Vamos ver se tu adivinhas o que é que eu tô fazendo então...
Craro qui sim... tu tá fazeno PAPÉR DI BOBO!

Que bom que não há êxodo às boas lembranças...

PELOTAS É HOJE!!!

Aqui em Pelotas, uma gama de sobrenomes falidos gosta de ressaltar a época das charqueadas, as oligarquias fantasmas, o que a Princesa foi... Acho a história um instrumento fantástico para sabermos quem somos e como chegamos a ser. Penso que um povo sem memória é um povo sem alma (acho até que alguém já disse isso, ou quase isso). Mas hoje, lendo um diário daqui, fiquei de cara! Por que não se fala dos saladeiros, onde escravos perdiam pés e pernas em infecções, quando não morriam... Por que ninguém lembra dos Capitães do mato, cargo público instituído a conhecedores de matas que perseguiam e matavam os negros quilombolas? Por que ninguém lembra do grande número de miseráveis que margeiam a cidade como sombras de um passado discriminatório e opressivo e apresentem propostas positivas de inclusão social em detrimento a presídios/lixeiras que se espalham ao longe? Poxa... tanta coisa pra falar da história e me vêm com igrejinha das charqueadas, com coluna social, com princesinha do Dunas???
Amo Pelotas... é minha cidade há uma década já. Curto as calçadas curtas, a galera esperta que rodeia a Federação Galláctica, a atmosfera cult e tantas outras coisas... Pelotas, na minha vida, foi um grande presente. Pena que na vida de tantos ela siga presa a um passado...

Mais que imperfeito...

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

EM SANTA ROSA...

Nasci em Santa Rosa, RS, em 14/07/1979. Aliás, 14 de Julho era o nome da localidade antes de virar Santa Rosa. Um amigo me perguntou se era em minha homenagem... Eu disse: claro!!! Depois que ficaram sabendo que eu nasci, tiraram 14 de Julho.
Mas o certo é que em Santa Rosa (terra da Xuxa, dizem quase todos. E dos Keiber, digo eu), bom, sigo, em Santa Rosa não tem muita gente: mas de alemão tá assim óh... cheinha. E numa tarde quente, há uns 15 anos, o seu Franz estava capinando na horta com sua frau, a dona Sibila, quando passou um avião dando um rasante na propriedade. Os dois pararam as enxadas e olharam pro céu, por baixo das abas dos chapéus de palha.
O quequi é isso frau ali uma veiz?
A frau deu uma breve pensada e respondeu: Ignoro!
Mais que baaaaaaaita ignoro!!!

TRÊS EUS

Os cientistas Gunter Nimtz e Alfons Stahlhofen, da Universidade de Koblenz, na Alemanha, afirmam ter conseguido quebrar, pela primeira vez na história, a velocidade da luz (+ ou - 300km por segundo). Isto implicará, se verídico for, além de pôr em xeque a teoria eisteniana da Relatividade, em uma parada muito legal: se fosse possível transferir esta incomensurável ligeireza ao mundo fático e material, o Néverton da telentrega, por exemplo, chegaria na minha casa antes mesmo de sair de sua pizzaria. Isto mesmo... Eu, na praia, ligaria para o Néverton, encomendaria minhas portuguesas e 4 queijos e antes de dizer tchau Néverton ele já estaria buzinando no portão.
O lado ruim seriam aquelas visitas chatas... Você tá em casa? E antes de eu mentir que não lá estariam elas, que nem as Testemunhas de Jeová, barulhando na sineta.
Mas o mais louco de tudo seria o dia em que eu, em mais uma rápida fuga do trabalho, voltasse à minha mesa e desse de cara comigo mesmo, sentadinho da silva.
Ué? Tu ainda tá aqui?
Tô, mas já tô saindo.
Ôpa galera (chegou mais um eu, agorinha mesmo). E as novas?

Três eus já é demais...

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

O HOMEM FEIO E O HOMEM MAIS FEIO (Millôr Fernandes)

(...)PARADO! Vou te matar!
Me matar? Mas por que por que por que por que por que?
Por que tenho uma ordem do delegado de matar qualquer pessoa que seja mais feia do que eu.
Eu sou mais feio que você? Sou mais feio? Então por favor, pelamordedeus, ME MATA!!!

terça-feira, 14 de agosto de 2007

NINGUÉM PRECISA DE DUPLA SENA

Era tarde. Era noite. Dirigia sua moto em direção à sua casa, na praia. Nos fones, Jorge Drexler cantava su...ave...mente, e do céu vinha o presente em água. Ao sair da paranóica metr(necr)ópole, não se sentira mais perseguido (se essa é a palavra correta, ou se há realmente palavras corretas para o que sentia). Até o capacete, restrição legal a seu (in)direito de morrer, já tirara, na anti-pressa comum às madrugadas. Apenas mais uma máscara de ferro...
Quando a moto parou, ainda chovia. Na frente do portão, algo parecia errado... mas não estava. Nada com o tempo... que o tempo nem existe, pensara. Nada com a chuva, que peixe era em Aquário e, quieto, sabia do bem de estar molhado (vivo!!!). E foi assim que entrara em casa, pisando manso nas notas do silêncio, sussurrando no sono dos outros, deixando o dia acabar...
Banho, café, cama, sono, beijo, bom-dia, tchau, boa-noite... A vida não é uma missa marcada... A vida é pra se respirar o pólem de cada instante.

RESPOSTAS ÓBVIAS A PERGUNTAS DESNECESSÁRIAS V

Qual é o teu fone?

- É um Nokia azul assim coisado, pequenininho...

RESPOSTAS ÓBVIAS A PERGUNTAS DESNECESSÁRIAS IV

Me passa o sal?

- Sim... Aonde?

RESPOSTAS ÓBVIAS A PERGUNTAS DESNECESSÁRIAS III

Tem alguém aí?

- Não!

RESPOSTAS ÓBVIAS A PERGUNTAS DESNECESSÁRIAS II

A surdez já lhe atrapalhou deveras?

- Ãh?

RESPOSTAS ÓBVIAS A PERGUNTAS DESNECESSÁRIAS

Você não tem vergonha de andar nu na floresta?

- Ugabuga!

MEDITAR

Meditar
Me editar no pensamento
Onde se deita o vazio
E onde os milênios aguardam
A aurora do som primordial
Sentados com mão no queixo

Não me queixo!
A vida é por si mesma...
E apenas me cobra a árdua tarefa
De respirar enquanto posso,
De contemplar as dimensões das dimensões

[com o tamanho dos meus olhos...

E receber a luz do sempre novo
Iluminando a escuridão
Daquilo que ainda não consigo ser.

ESTOU GRÁVIDA! V

Estou grávida, e então?

- Primeiro motel, depois pensão...

ESTOU GRÁVIDA! IV

Estou grávida! Vais assumir?

- Vou já sumir!!!

ESTOU GRÁVIDA! III

Estou grávida, o que digo pro meu pai?

- Diz que ele vai ser avô!

ESTOU GRÁVIDA! II

Estou grávida, o que faço agora?

- Vais parir!

ESTOU GRÁVIDA!

Estou grávida, e o filho é teu!

- Meu amor... me desculpa... Isto foi um ato fálico de minha parte.

COM O TEMPO PARADO

Gosto mesmo de ficar assim
Com todas as coisas
Acontecendo por mim

O pé na rede, o livro aberto
O mate,
O vento que bate
E traz você pra perto

Liga um som
Toca um Belchior
Com este tempo parado
Tudo parece melhor

Deita comigo num tapete de grama
Me enche de manias como você faz
É tão bom ouvir que você me ama
Viajar contigo por noites de paz

Mostra um dom
Com conchas do mar
Com este tempo parado
Eu deixo o mundo acabar.

POEMINHA DO TEMPO MORTO

Acho que acabo de descobrir por aquilo que esperava...




Esperava concluir




Que sempre espero demais.

BILHETES PRA NINGUÉM

Com Alexandre Mattos





Te dei amor, te dei coberta
De Neruda roubei a frase certa
Tentei voltar, recomeçar
Te pegar na mão, te levar pro altar
Incenso e flores pra te esperar
Promessa fiz a Iemanjá

Mas nada deu certo, eu tentei
O mar sabe o quanto chorei
Só eu sei o que caminhei
Só eu sei
Do mel e do fel já provei
Maré sabe o quanto esperei
Só eu sei o que caminhei
Só eu sei

Te fiz canções, desenhei teu kin
Te falei do tom que fostes pra mim
Tentei mostrar que era tudo azul
Eu era teu norte neste nosso soul
Busquei teu rosto pela noite inteira
Bilhetes pra ninguém na geladeira.

NO SINAL

No sinal
Olhando o céu no fim da rua
A invadir as árvores da praça
[e entre os prédios, rios de asfalto

Me senti estranhamente vivo
E que tudo de mim dependia
A arrancada, o destino, a chegada
A ida, a vinda, o tudo, o nada

O infinito era a forma
Eu, a essência

Mas e este medo?

Ah... Esta armadura de gelo...
Esta espada de vidro...
Esta solidão na metrópole...

Enquanto o dia trata de responder umas perguntas
Arrumo a casa dos meus pensamentos

[fora dela posso quase nada.

ONDA (Praia dos suspiros)

Era uma manhã fria
E meu espírito parecia a própria brisa
Acordando nos primeiros raios do Sol...

Eu pensava no que meu filho poderia esperar do mundo
E a maré fazia uma onda nova
[a cada novo segundo
Para bater sob meus pés na areia grossa

Quem nunca seguiu a lua cheia?

Somos todos onda
Da Praia dos suspiros.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

GLÓRIA DO DESPORTO...

Em pesquisa conjunta do Instituto Nacional dos Torcedores Fanáticos do Internacional de PoA (Intofi) e da Nação Colorada de Nova Bréscia (NCNB), foi divulgado o ranking dos 10 maiores colorados anônimos da história mundial, conforme lista que segue. Sei que haverá muitos gremistas questionando a veracidade das informações, mas não sou eu quem está dizendo. É fato! E essa séria pesquisa deve estar registrada em algum lugar, só não sei onde. Mas não vou ficar aqui me defendendo nem enrolando você, caríssimo leitor. Se quiser, siga sua leitura sem me questionar ou então feche esta janela e vá dormir sem encher, pois este blog é meu e se quiser faça um só para você.
10º Lugar: Ernesto Che Guevara - nascido na Argentina, mas torcedor fanático colorado. Dizem que a cor vermelha que o influenciou e registrou sua passagem por este mundo não tem nada a ver com a alusão ao socialismo: era amor puro ao Sport Clube Internacional.
9º Lugar: Martin Luther King - antes da carreira de ativista, Luther King fizera teste no Inter em 1926. Era ponta-direita e foi banco na conquista do primeiro título gaúcho, em 1927. Ninguém se lembra porque ele usava o nome de Martin, era reserva e foi mandado embora em 1928... Diziam no Beira-Rio que o tal do Martin era ruim de bola.
8º Lugar: Paulo Santana - uma vidente escreveu que o fanatismo pelo Grêmio é puro charme. Parece até que há uma carta post mortem escondida, a ser revelada somente após seu óbito, óbvio, e que revela seu amor doentio pelo clube vermelho do Guaíba.
7º Lugar: Nelson Mandela - Candidato à presidência do Inter em 1960, o nosso colorado Nelsinho Sacizito foi preso e exilado por causa de uns gremistas que inventaram o tal de apartheid.
6º Lugar: Bill Gates - sócio em dia colorado, Gates bolou um programa de computador que nominou OInter. Depois, corporativistas da Microsoft, desgostosos (com certeza vinculados ao Grêmio e ao Juventude) sugeriram e aprovaram em conselho a mudança do nome do programa para o atual Windows, que você bem conhece.
5º Lugar: Elvis Presley - compôs Love me tender em homenagem ao Inter. Depois, foi a inspiração do cabelo de um dos maiores ídolos colorados: don Elias Figueroa.
4º Lugar: Marilyn Monroe - fontes seguras revelaram que Marlyn possuía uma coleção de calcinhas com o distintivo do maior clube gaúcho e brasileiro. Mais... parece que em uma viagem ao Rio Grande do Sul, Marilyn teve um caso com Paulo Roberto Falcão, no tempo em que ele ainda tinha cabelo (muito tempo atrás).
3º Lugar: Getúlio Vargas - colorado doente, dizem que seu suicídio fora motivado pela derrota (zebra, claro) da máquina do Inter de 1954 para o mistão do Grêmio na decisão daquele Gauchão.
2º Lugar: Aparício Fortunatto - esse aí eu nem sei quem foi, mas se dizem que foi o 2º maior colorado de todos os tempos, eu o respeito. Grande Aparício...
1º Lugar: Jesus Cristo - ah... vai dizer que você não sabia? Tá duvidando de Jesus, caraca? Vai pra casa rezar, seu pecador. Jesus era ligadíssimo... e mais: tinha informações quentíssimas diretamente da raiz divina. Ele amava o Inter muito antes do Inter aparecer. Leia a Bíblia que acharás muitas metáforas sobre este amor platônico Jesus-Sport Clube Internacional. Leia! Não sou eu quem vai te dar tudo mastigadinho, seu preguiçoso.

E era isso. Tá nos anais da história do futebol. Deve até estar no site da Fifa, já. E só não falo mais porque esta postagem tá mais comprida que xingada de gago.

CONFIANÇA É UMA COISA...

Alguém aí lembra do Neilor? É, o baixinho cego. Pois é... o Neilor aprontava cada uma. Ele dizia: "A vida passou e eu nem vi". Um quadrinho, ele. E tem uma história dele querendo atravessar a Farrapos, em Porto Alegre, trimovimentada, cheia de barulhos e fumaça dos veículos, que se aproximavam e distanciavam só no som dos motores e das buzinas. E o Neilor ali, quietinho no meio-fio, esperando, no mais profundo escuro de sua não-visão, alguém que lhe ajudasse a atravessar a avenida.
Depois de alguns breves minutos, o Neilor sentiu alguém o tateando e o segurando no braço.
Vamos atravessar?
Vamos!
E puseram-se ambos, unidirecionalmente, a cruzar a avenida Farrapos. Do outro lado, o Neilor virou pro gentil acompanhante e falou:
Muito obrigado!
Obrigado pelo quê?
Ué pelo quê? Me ajudaste a atravessar a avenida movimentada... Hoje em dia ninguém ajuda mais um cego a atravessar uma ruela sequer.
Cego? Como assim? Vai me dizer que você também é cego?

Os dois ceguetas atravasseram agarradinhos a Farrapos no poder da confiança...

Essa eu só acredito vendo!

domingo, 12 de agosto de 2007

JOTAÔÁCOMTILÔ

Nome?, perguntou a enfermeira. Eu falei, confesso, com um pouco de sotaque: João.
Jota ú..., disse ela, preenchendo a ficha.
Ô...
Como?
Ô! É com Ô.
Jota ú ô...
Não não. Jota ô...
Como? Me soletra devagar.
Jota ô á, com acentozinho til, e ô de novo.
Jota ô... repetia ela, desenhando no papel. João?
Isso, João! João de João, João!

Pensei nos tempos modernos...
O que fizemos com os nossos nomes?

QUEQUIQUÉ? VII

Com lanterna de cabeça...

QUEQUIQUÉ? VI

Correr de tamanco...

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

MAYCON

Não sei porque eu encuco com o nome Maycon. Sei lá... Se eu fecho os olhos, penso numa bichinha com gel no cabelo.
Aqui em Pelotas, dizem as más línguas, rolou uma ceninha...
Ô seu Maycon... O senhor quer mesmo se casar com a minha filha Joana?
Sim, quero muito.
Então o senhor deve saber que minha filha gosta mesmo é de pau grosso e duro?
Mas e quem não gosta????

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

QUEQUIQUÉ? V

Com cofrinho de moeda...

QUEQUIQUÉ? IV

Com avião da TAM...

QUEQUIQUÉ? III

Perfumando égua...

QUEQUIQUÉ? II

Com mundo da moda...

QUEQUIQUÉ?

Batizar cavalo...

PROSA PA DOIS

Si tu quisé i vai
ma si fô i memo
vai agora
i num vóuta mais

Si falá pos otro qui mi dexô
qui fugiu di casa i qui mi imprenhô
vô falá pro Zeca ti dá uma surra
i tu intão vai vê qui eu num sô tão burra

Vô ti processá, mandá ti prendê
vô ti arrebentá qui é patu aprendê
vô falá na vila qui tu é marginau
qui bati em mulé i é pernadipau

Vô ispaliá no bar que tu baba a fronha
qui comi mingau e fuma maconha
qui tu usa cuecão nus dia friu di inverno
pra ti maltratá eu vô até u inferno

Mas si quisé voutá pro nosso puxado
preparo agora memo um café passado
si tu chegá tardi causa do sambão
num comi pastel puqui já fiz fejão

I vê si mi discurpa pelas grosseria
já lavei a ropa como tu queria
vem dizê dinovo qui sô tua princesa
i podi botá as bóta sobri a mesa

Sabi qui sem tu, meu nego, tudo é nada
disliga o radinho que já tô cansada
me perdoa memo, to ficando loca
bem qui eu divia tê calado a boca

Já falei pra Cráudia que tu é bom sujeito
é trabalhadô i mi trata com jeito
mas sobri aquilo que tu mi batia
da próxima veiz é na delegacia.

SEGREDO DE POETA

Não conto,
não conto
e ponto.

SOBRE A AMNÉSIA

Poxa, minha guria...
Esqueci o que escreveria...

O ECO

O eco
murmura pras paredes
segredos só nossos...

DO TREM

Triste sina do trem...
vai trilhando seu destino
para os braços de ninguém.

TRRRIM

Pescador morrinha...
atende o celular
e perde o peixe na linha.

SE TODA POESIA...

que no coração havia o vento levou...
E o que se chama amor, como pétalas no chão, a perder a cor...
Mas o Sol todo dia (só pra quem sabe olhar) ilumina e aquece
Sim...

Lindas frases tristes, como todas as outras
Ficam sobre o muro do coração
À espera de algo que as chame pra fora.

PINGS PINGS

Sempre chove na hora de ir embora...

JANTANDO NA ZONA

Ô garçom!!! Garçom!!! Ô!!! Ei, pxxxx!!! Aqui... gentileza, garçom... traz uma Coca que as gurias aqui tão tudo com sede, fafavor.
É família?
Não não... tudo puta mesmo.

CAFEZINHO NO AQUÁRIO

Poxa... quanto tempo, Pedro Paulo?!? Artur!!! Pô moçada... como vocês tão? Faz o quê? Uns nove, dez anos? Que legal... E as novas rapaziada? O que contam?
Nada!!!
Nada demais... Tamo aí...
Eu to na empresa do papai... Me formei em Direito e fui viajar pela Europa. Passei 3 anos nos States aprendendo inglês e investindo na bolsa...
Hum... bom pra você...
Que bom... Papai vai bem?
Bem... Po rapaziada... Vamos tomar um café? Eu pago... Mas que legal encontrar vocês. Cês lembram da gente moleque, correndo por tudo? Aprontando... hehehe Lembram? A gente era umas feras mesmo... hehehe... Cês lembram que a gente ficava até tarde na rua, um comendo o outro... todo mundo se piçando, todo mundo comendo, todo mundo dando pra todo mundo... hehehe
Eu nunca dei em toda minha vida... Que isso? Pelamordedeus...
Como não Pedro Paulo... A gente se comia direto... um dava pro outro... vai dizer que não lembra?
Nunca dei!
Mas quê? E tu, Artur... Vais dizer agora também que nunca deu? Não lembra... Todo mundo dava e comia... todo mundo...
Nunca dei! Eu, euzinho, nunca dei. Juro pela minha mãe no céu.
ENTÃO EU TAMBÉM NUNCA DEI, PORRA!!!

terça-feira, 31 de julho de 2007

BOOM

Professor de homem-bomba só dá uma aula.

MESTRE II

Olá Gran Mestre!!! Meu nome é Genaro... Góciguinte, seu Mestre. Eu tô arrebentado... Tô desempregado, cheio de conta pra pagá, móro num barracão com minha muié gorda, a Vânha, minha sogra, aquela cobra cascavér, e meus 5 fio desnutrido, coitados. Meu time tá em úrtimo e nem pra pinga eu tenho moeda, seu Mestre. A minha sorte, seu Mestre, é que tenho uma vaquinha que dá leite e não dêxa os muleque passá fomi, tá entendeno? Eu quero saber o quiquié quié qui eu faço pra minha vida meiorá, seu Gran Mestre?
Hum... Genaro, ãh? Hum... Vamos ver... deixe-me consultar os astros... as mandalas... Hum... Genaro, né? Hum... Seguinte, seu Genaro, bota a vaca morar dentro de casa!
Macumé seu Mestre? Numtendi... Botá a vaca morá com a genti? Cê tem certeza, seu Mestre?
Ô rapá... que vai questionar, pô? O mestre aqui sou eu ou és tu? Além do mais, já te falei o que é pra fazer. Se não quiser não faz e te fode. Agora dá licença que eu tenho muita gente pra atender. O próximo!!!
Putz grila... Que mijada... Mas ele é o mestre e eu sou só o Genaro. Buena... Vanha!!! Traz a vaca pra dentro!
Mais capaiz Genaro! Trazê a vaca?
Faiz isso aí muié, que foi o Gran Mestre quem mandô! Vamo muié, e tu fica quieta cascavér, que quem não paga as conta aqui sou eu.

(3 meses depois)

Ô Gran Mestre... Dalicença... O sinhor tá lembrado de mim, Genaro, eu tive aqui há uns mêis atráis, o da vaca, lembra?
Claro rapá... Eu sou o mestre, pô. Eu sei de tudo. Fala Genaro, qualera?
É que a vaca arruinô minha vida, seu Mestre. Tá cagando por tudo, quebrando os troço, juntando mosca. Além do mais, seu Mestre, tá durmino na minha cama, seu Mestre, e troxe umas doença pras criança, tão tudo bixada. A muié tá com berno e umas ferida na cara. A única coisa boa foi a disinteria da sogra, seu Mestre. Eu quero saber o que é que eu faço pra ter uma vida boa, seu Mestre? O sinhô tem qui mi ajudá... O que é que eu faço, seu Mestre, prum poquinho de conforto só?
Hum... Genaro... Vejamos... Hum... Astros, astros.... hum... Genaro... Tira a vaca de casa!

MESTRE

Pode passar o próximo!!! Bom-dia, pode passar. O Mestre o aguarda no grande saguão. Mas lembre-se, você tem apenas 3 perguntas a fazer ao Gran Mestre, de modo a não cansá-lo ou perturbá-lo. Entendeste?
Sim...
Entre...
...
...
(Mas que cara estranho, meu deus... será que esse magricelo é o mestre?)
Bom-dia?
Bom-dia!
Você é o Mestre?
Sim.
O Gran Mestre?
Sim.
Eu queria saber...
3 perguntas encerradas. O próximo!!!

MEU NOME

Sabe ontem eu quis te mostrar
Encontrei um ninho de passarinho,
Flores brancas pra te coroar
E um balanço pro nosso filhinho

Eu vou
Eu vou te levar pra ver o céu,
Desenhar letrinhas num papel
Eu vou te contar meu sonho

Eu vou
Deixar poesias sobre o mar,
Trazer samambaias pra te dar
Eu vou te beijar na chuva

Hoje à noite eu vou te telefonar
Fiz uma casinha numa ameixeira
Acho que domingo vou voltar
Se marcar fico a semana inteira

Eu vou
Eu vou te levar pro mato, euvou
Eu vou amar teu retrato, vou
Eu vou te levar pipoca

Vou
Dizer coisas simples, te fazer chorar
Falar sobre o tempo, te ensinar
Eu vou te deixar meu nome.

Ô BERNARDO

É só tu que lê meu blog?

sexta-feira, 20 de julho de 2007

FIN E FIM

Passei a seman com um som do Andrés Calamaro na cabeça. Dias e noites a fio e ele lá, entoando o lá menor e outras notas... Chama-se Loco, a música; é linda, dançante... bem popcastelhano, que eu me amarro.

Voy a salir a caminar solito
Sentarme num parque a fumar un porrito
E mirar a las palomas comer
El pan que la gente les tira
E reprimir el instinto asesino
Delante de un mimo o de un clown
Hoy estoy downviolento, downradical
Pero tengo entendido el papel principal
Yo soy un loco
Que se dio cuenta
Que il tiempo é muy poco...

O tempo é curto? Não sei... Acho que o tempo não se mede... Dele tudo deriva... Nós é que queremos viciá-lo em finitude.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

CHOCOLATE

Estavam lá! Horas, dias, semanas se passavam e eles continuavam lá! Entrincheirados! Devidamente camuflados, esperavam a ordem do comandante Vierbach para atacar a tropa inimiga. Tensos, entreolhavam-se. Havia meses que não saíam dali. Mas aquele dia era diferente: os tiros cobriam-lhe as cabeças como se o céu lhes estivesse cuspindo fogo. O medo e a ânsia faziam os soldados esquecerem o frio, a fome e o passado: nada mais havia! Apenas o sangue e a destruição, o ódio e a ambição, brindados com o perfume da morte.
- Hans!? Que dia é hoje?
- Seis de junho, Markus.
Ao som das balas, os primos Hans e Markus, soldados do 3º batalhão da infantaria nazista, recrutados aos vinte anos de idade, mantinham seu companheirismo de infância. Cresceram juntos e se amavam como irmãos. Não tinham muitos objetivos na vida e seus ideais políticos nem eram tão fortes assim, mas tiveram que servir o exército do terceiro Reich e esta era a realidade.
Nunca puderam optar muito em suas vidas. Hans ajudava o pai numa oficina mecânica, em Dresden. Markus estudava música, na mesma cidade. Eram pobres e sabiam que só seu árduo suor poderia proporcionar o brilho metálico e vil aos bolsos sedentos e humanos. Não pensavam muito em tudo o que lhes rodeava nem davam a real importância aos pequenos detalhes que lhes faziam felizes. Mas na guerra era diferente: Markus lembrava do seu violino, das meias que sua mãe guardava com carinho em suas gavetas e do jeito de seu pai deitar no sofá após as refeições. Hans queria, ao menos mais uma vez, tocar os belos seios de sua amada Anna, sentir o perfume das fréseas no lago e ter os pés cobertos por sua mãe, como na infância.
Sabe-se lá quem dirige esta máquina louca do destino, só se sabe que ela fez escala no inferno e deixou os primos lá, para uma viagem sem volta. Estavam no exército alemão e, quisessem ou não, deviam se adaptar às regras, à política e à luta.
- O comandante Vierbach foi atingido! O comandante Vierbach foi atingido!
- Você está bem Markus?
- Sim.
- Como vai a perna?
- Ainda dói.
- Continue abaixado. Não saia da trincheira. Trarei-lhe água.
Hans correu até o centro da trincheira, esquivando-se de centenas de corpos que lhe atravancavam o caminho. Fora buscar morfina para o primo que havia sido atingido na perna. Tinha pressa: Hans sabia que Markus não agüentaria a batalha. Era frágil. Hans sentia o primo esvair-se como a brisa na manhã e o sol, que antes lhe dera força e inspiração para tocar seu violino, amanhã estaria putrificando seu cadáver pálido. Corria: Hans corria.
As balas e os gritos formavam a ópera de Thanatos e o vermelho se espalhava pela praia como se o sangue brotasse da areia ou escorresse pela pele úmida do planeta. Hans, ao longe, ainda pôde ver o corpo de Markus ser levado por dois soldados à enfermaria, mas nada conseguiria fazer. Não podia evitar que Markus fosse embora.
De volta à trincheira, Hans apenas observava sua tropa diminuir: um por um, os soldados nazistas iam caindo, como sementes que voltam à terra. No comando do general Dwight D. Eisenhower, as tropas do Eixo avançavam sobre as areias da Normandia. Mas Hans sentou: estava cansado por aquele dia. Na verdade, estava cansado de tudo, porém, ainda tinha sede de vida. Queria ver seu pai, abraçar sua mãe e amar Anna, dentre tantas outras coisas. Mas não sairia dali. Ficaria sentado. Afinal, ninguém lhe mataria se não fizesse nada! Jogou a arma longe, mas as balas e os gritos não cessavam. Resolveu olhar sobre os morros da trincheira, percebeu os inimigos tão próximos que até podia sentir o cheiro da ira e o gosto de seu próprio sangue na boca.
Sentou-se novamente. Entre os mortos, Hans chorava. A vida era um filme em sua cabeça. Hans olhou para Gerard, um soldado de Munique que conhecera no campo, agora inerte e teso, com uma bala entre os olhos, e notou que algo fazia volume em seu bolso. Aproximou-se e achou um tablete de chocolate. Um simples e insignificante chocolate. Hans sentou do lado do corpo de seu amigo e notou-se rodeado de soldados que, impávidos, lhe apontavam as armas e lhe gritavam ordens em francês e inglês. Mas se Hans não os entendia, eles menos ainda. Com os olhos fechados, Hans deliciava-se com o pequeno chocolate, o qual o fazia lembrar dos doces que sua avó trazia para ele e Markus nas tardes de domingo em que brincavam na varanda. As armas não lhe significavam mais. Nada importava, nem mesmo a morte. Os gritos e as balas não mais ruíam seu pensamento. Estava liberto. Aquele chocolate era a vida! Não entendeu o porquê de tanto significado em um medíocre doce. E foi a última coisa que não entendeu e o último gosto que sentiu: fora executado com oito tiros, ali mesmo, na trincheira. Mas nada disso importa, Hans já havia entendido tudo.

ÓPTICA

Há estrelas que perderam sua energia
há milhares de anos
e ainda podemos ver sua luz
[tamanha sua distância

talvez aqui também já estejamos todos mortos.

EU SOU (PRECE AO LARANJAL)

Amanhece na Lagoa
E uma nova onda encantada faz brilhar
O Sol

Borboletas da montanha
Violetas na janela,
Paz no roseiral

Doce chuva molha o ar
Minha íris segue o arco pelo vasto céu
Beija-flores brincam de voar
Novas cores para acordar as vidas de papel

Sei, eu sou presente
De um mundo que é seu também
Olhe tudo ao lado
Quantas são as dádivas que você tem?

Nasce a fogueira sagrada
Bem-te-vis constróem ninho
Bem no meu quintal

Um sorriso de criança
Uma sombra de figueira
Lua de farol

Uma água cristalina
Minha alma vai cascata acima me levar
Sete anjos das estrelas
Trazem luz em suas bênçãos para celebrar.

DO TREM

Triste sina do trem
Vai trilhando seu destino
Para os braços de ninguém...

FREQÜÊNCIA SCHUMANN

Você já deve ter tido a sensação de que os dias parecem estar mais curtos, que os anos têm passado mais depressa, que ontem foi Natal, hoje já é Carnaval e amanhã já será um novo fim de ano. Deve também ter ouvido alguém comentar que "o tempo está voando" e se pego surpreso com a data em que se encontrava. Mas, de fato, o que realmente está acontecendo com o tempo? Será que o ritmo acelerado do cotidiano nos ilusiona ou está mesmo havendo alguma coisa com o planeta Terra?
Em 1952, o cientista Winfried Otto Schumann descobriu, pesquisou e registrou um campo eletromagnético existente entre a Terra e a ionosfera (cerca de 100 km acima da superfície) que emite uma freqüência na casa de 7,83 pulsações por segundo, ou seja, 7,83 hertz* (Hz), classificada como banda de freqüência extremamente baixa (ELF). É que quando a Terra gira sobre seu eixo em rotação, as moléculas presentes abaixo da ionosfera sofrem atrito, gerando, logicamente, energia. Esta energia produz um campo magnético que, por sua vez, possui uma ressonância (chamada então, em homenagem ao físico referido, Ressonância Schumann) que atua sobre todos os seres vivos do planeta, caracterizando, à sua maneira, a vida em nossa biosfera. É uma espécie de marca-passo de toda vida terrena. Astronautas isentos à freqüência Schumann, em viagem espacial, adoeciam. Eram então submetidos a um simulador Schumann, melhoravam e recuperavam o equilíbrio. E foi assim durante milhões de anos: o ritmo das pulsações da Terra era harmônico e havia um relativo equilíbrio ecológico e mentes mais sãs, menos obsecadas.
Foi então que nas décadas de 80 e 90 houve impressionantes observações acerca da Ressonância Schumann: seu módulo de 7,83 Hz havia aumentado para a casa de 11,8 e, depois, para 13 Hz. "O coração da Terra disparou", segundo o teólogo Leonardo Boff, em artigo sobre o tema. Em consoante, recordes furacões, tempestades e outras perturbações climáticas, atividades vulcânicas, desequilíbrios ecológicos, além de conflitos armados por todo o mundo e um crescimento geral dos "comportamentos desviantes" do homem social ocorreram. Devido a esta aceleração, a jornada de 24 horas na verdade seria de somente 16 horas (alguns físicos falam em 12 horas) e, por isso, estaríamos sentindo os dias tão fugazes.
O certo e preciso é que a freqüência Schumann atinge todos os seres vivos e, no homem, age de maneira peculiar. O ser humano possui uma freqüência cerebral natural que, por sofrer influência externa da Ressonância Schumann, seria, na maior parte do tempo, correlata à casa de 7,83 pulsações por segundo. Essas ondas que formam a freqüência cerebral humana podem variar de acordo com a situação fisiológica do indivíduo, ou seja, conforme seu nível de vigilância (acordado, dormindo, sonhando etc) o homem pode apresentar ondas do tipo beta (14 a 30 Hz, comum em adultos em vigília), alfa (8 a 13 Hz, típico dos momentos de repouso, meditativos, com os olhos cerrados), teta (4 a 7 Hz, encontrada em crianças e adultos em estado de sonolência) e delta (1 a 3 Hz, ocorre em crianças recém-nascidas e durante o sono). Deste modo, uma variação extrema na Ressonância Schumann poderia provocar, diretamente, reações adversas na humanidade e isto implicaria numa mudança de atitudes e compreensão da existência imperceptível ao Homo sapiens.
O que entra em questão é a relação do homem com seu irmão, em sociedade, e também com o planeta, como organismo vital à sua sobrevivência. Com a variante Schumann, o homem estaria vibrando à freqüência beta, do homem acordado, da freqüência acelerada. Neste estado o homem está preparado para perceber o mundo da terceira dimensão, perceber a matéria mais grosseira, com mais rapidez como desviar de um obstáculo quando se está dirigindo ou agir sobre reflexos motores, realizar serviços mais brutais e até guerrear fisicamente. Neste estado de beta o "sentir" do ser humano é pequeno, limitado, se atém apenas à parte grosseira das freqüências da matéria e da sobrevivência física. É no estado de beta que existe para nós o tempo e o espaço. É a ressonância do homem belicoso, do ser materialista, das ânsias egoístas.
Contudo, a Terra está lutando para retornar a sua ressonância original, e vai conseguir. Não sabemos que preço a humanidade (e toda biosfera) pagará, pois, assim como afirmam os astronautas de suas naves, somos uma coisa só, um mesmo organismo vivo, e responderemos em conjunto pelos danos que estamos produzindo. Se, portanto, quisermos seguir viagem em nossa nave azul, devemos começar a alterar nosso comportamento ante Gaia. Sejamos responsáveis com nosso lixo e nossa água e cuidemos de nossas flora e fauna. Vivamos com mais cordialidade e menos angústias, mais sorrisos e menos desejos. Vibremos com mais amor e serenidade e tenhamos, segundo Boff, "coragem de ser anticultura dominante, que nos obriga a ser cada vez mais competitivos e efetivos. Precisamos respirar juntos com a Terra, para conspirar com ela pela paz".





* Embora registrados picos adicionais de ressonância em 14, 20, 26, 33, 39 e 45 Hz, a freqüência 7,83 é a de maior ocorrência e, portanto, chamada de fundamental.

TERRA: QUEM POSSUI A ESCRITURA?

Um colono judeu se retira com a família lentamente do assentamento em Homesh. Deixa uma vida para trás... olha tudo o que construíra sobre os ombros pela impossibilidade racial de sua ali presença. No outro lado do mundo, um mexicano é morto ao tentar cruzar o muro de 3.140 km na divisa com os EUA... No mesmo instante, no Brasil, uma outra muralha é levantada sob a Ponte da Amizade para separar as economias tupiniquim e paraguaia. No Golfo, xiitas iraquianos preparam uma emboscada letal para crianças sunitas, enquanto que em Berlim, um neonazista espanca um negro na calçada, onde antes ficava a muralha que dividia os olhares do ocidente e oriente.
É manhã no Laranjal. Um Jorge Drexler toca enquanto olho a chuva na janela. Tudo parece estar esperando a água parar... Mas a Terra segue girando na grande janela das dimensões, filha do tempo... E em sua linda pele verde-azul, todos os seres convivem. Penso nos grandes predadores, nas sagas das espécies, na cadeia alimentar como representação da harmônica relação dos animais, que respiram a contemplação de sua curta e finita existência almejando nada mais que um bom ninho, um parceiro da procria e uma comida satisfatória, já que a gula e a angústia não cobiçam os “irracionais”. Eles não desejam mais do que precisam, não destroem a mata que lhes dá abrigo e ar nem poluem a água que bebem. Alguns estipulam fronteiras, sim, mas baseados apenas no instinto de proteção de seus aspirais genéticos, ao contrário da racionalidade do homem, o único ser vivo que produz lixo e delimita espaços com sua vil noção de “propriedade” e raça.
Proudhon dizia que “a propriedade é um roubo” e, de dentro do contexto social desta afirmação há, contido, um significado cosmológico também. A Terra não pertence ao homem. O mundo não foi “feito” para que tirássemos o máximo de proveito dele, com um desespero consumista e um desrespeito generalizado com o milagre da vida, com as gerações vindouras, com as espécies que por todo globo se espalham, cada qual com sua beleza-viva. O planeta não é da burguesia, mas também não é da prole. Não é dos chineses nem dos hindus. Deus não é americano nem islâmico nem judeu. Deus é uma flor, um rio, um sorriso e todas as manifestações de amor e de solidariedade. É os milagres que acontecem nas entrelinhas de nossa mecânica e opaca percepção... milagres são naturais, ora bolas. Eles acontecem sim... a própria água limpa que tomo agora não me veio da torneira, como dizem. Veio do sangue da Terra, da vontade dos ventos, do mágico céu que não suporta gotas e onde voam os aviões. E enquanto agora um botão de flor se abre, cientistas aperfeiçoam a bomba H.
O que falta então ao homem para alcançar um convívio de paz? Como alcançar uma vivência harmônica, não-violenta, onde o homem perceba que as fronteiras fazem parte apenas de seu imaginário? Como correlacionar o meu direito ao direito do outro sem haver agressão? Talvez a simples resposta esteja dentro de cada indivíduo, pois cada um pode fazer a parcela que julgar necessária sem cobrar de seus espelhos-irmãos. A cada um cabe derrubar os muros do preconceito e da intolerância que traz na alma.
Meu vizinho falou: Eu quero ter paz. Lembrei de um raciocínio bacana sobre isso e retruquei: Pega tua frase ‘Eu quero ter paz’ e tire o Eu, pois grande parte dos sofrimentos humanos advém do ego faminto e insaciável. Depois, saque o verbo querer: “toda dor vem do desejo”, e essa é velha. Agora subtraia o ter, que representa todo o medo de escassez que norteia os homens e cria as diferenças. Restou a paz que tanto buscavas.