terça-feira, 28 de maio de 2013

SABICÃO


Eu cheguei numa cidade do interior de Santa Catarina... tão pequena que até os restaurantes fecham ao meio-dia; até os cachorros têm tempo pra não latir, ficam curtindo o marzão que parece querer comer o horizonte e as dunas... Eu não sei porque aqui os cachorros são diferentes, não latem, ou se latem, latem baixo... eu já não lembrava como era uma noite sem os constantes latidos do Laranjal... aqui o som permanente é o da maré, que de noite bufa alto e na madrugada é um apelo pra beirar a praia.

***

Eu já vim aqui umas quatro vezes... eu costumo voltar sempre aos mesmos lugares, pois quando repetimos os lugares visitados, percebemos o quanto temos mudado.

***

Eu lembro de um lugar que me marcou quando criança... uma árvore que eu gostava de subir
[ainda nem era um jacarandá na minha mente de menino, apenas uma amiga com folhas e galhos e flores e braços...

Havia também uma calçada de ladrilhos com estranhos degraus... eu tinha uma sensação de alegria absoluta naquele espaço e voltei lá, depois de décadas, mais impuro e terrivelmente responsável. Eu já não era um anjo; eu havia poluído meu coração com o mundo dos adultos... eu agora era um cara sério, em breves e repentinas férias, procurando a si mesmo; buscando uma brasa que pudesse virar chama e queimasse estes tênues gravetos de meus subterfúgios biográficos...

***

O jacarandá era menor, ou era meu ângulo de visão que havia mudado... eu cresci, ora bolas... deixei de achar graça naqueles galhos retorcidos que eram, ao mesmo tempo, obstáculo e glória. A calçada também estava diferente... a escada, agora tão pequena... nem parecia aquela que eu subia com a ajuda das mãos...
Aquele lugar definitivamente não era o mesmo... não era o lugar da minha memória... era apenas o mesmo endereço. Mas tudo bem, eu também já era outro, como sempre, a todo instante outro... mas quando eu cheguei lá eu entendi a minha própria visão; eu percebi várias coisas sobre mim, sobre as pessoas que me cercaram desde os idos tempos em que esta escada era grande até agora... todas as transformações... Então que eu percebi a vida é uma transformação rápida e constante, como as ondas que não param de chegar na orla, no seu tempo
[sempre certo tempo

e que, assim como as ondas, a vida é bela, forte e admirável... Mas a vida só é fantástica pra quem percebe, como o horizonte é percebido por um sábio e sereno cachorro, a lançar seu silêncio no mar...

quinta-feira, 16 de maio de 2013

NO VERDE DO NOVO

Um caminho, enfim
Um dia comum
[aparentemente breve

Eu ando sozinho
Entre instantes e lugares
A reparar entre o gris da relva
A luz amarela dos plátanos
As flores do ipê

Lembrei de você
Instantaneamente, como a tarde passa
Você sorri e acha graça entre a multidão

Eu olho pro céu
Eu olho o olho seu
Tentando entender o que aconteceu...

Um sonho vindouro
O outono que nunca termina
No verde do novo,
Brilhas tu, menina.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

PLANETA


Um beijo,
Uma porta de entrada,
Um tato bucólico astrolabial

Te encontro entre um balanço e uma madrugada
A transformar o que já era nada
Em algo inspirador

Do acaso oculto renasce um poema
Guardado entre mundos
Vistos das janelas destes teus sorrisos...

Uma estrela brilha... outra lua cai
E deste teu encanto, como se sai?

A MENINA NO BALANÇO

A menina anda de balanço defronte os seres da natureza;
Mas quem mais balança são os anjos, encantados com sua beleza.

quinta-feira, 28 de março de 2013

AS ÁGUAS DO RIACHINHO


O Arlindo me encontrou, numa viagem astral, em Antuerpia, e desse nosso encontro ele mandou uma carta e um anel vermelho, com a estrela de Davi, que na verdade virou estigma judaico, mas antes disso tem um significado bem mais amplo, da união do corpo e do espírito, do céu e da terra, do éter e da matéria... Mas o fato é que o Arlindo me mandou uma carta e um anel vermelho, um anel de proteção e eu entendi o porquê da cor... eu entendi tudo.
Com este anel no dedo sinto-me impressionantemente protegido, como se houvesse sobre mim um manto de luz intransponível... como se fosse o anel dos Supergêmeos, do Lanterna Verde, sei lá...
E eu, que ainda não conheço pessoalmente o Arlindo, exceto por Antuerpia, percebo que o mundo, a vida e a mente compõem, inevitavelmente, um contexto ilusório e impermanente que envolve todos... envolve tudo o que conhecemos por realidade... tudo é criação, existência, amadurecimento e passagem... e isso faz com que as coisas, pessoas e significâncias tenham existência relativa...

***

O novo está sempre acontecendo.

***

A mente cria diversos conceitos que envolvem o meu dia como me envolve o manto protetor que advém deste anel vermelho.

***

Eduardo é do lindo; é do Arlindo!
Kennst du das land; wo du citronen blühm,
Im dunkeln laub die gold-orangen glühn;
Kennst du es woll? – Dahin, dahin!
Mocht ich… ziehn.

Dear Edward
There goes the ring
I’m so prued
How it’s the I clone
Don’t you to worry, never
Cause they are
But can not to fly


Arlindo Atsimael

Valey of the dawn, February 28th 2013.
Glory, flory, glabs of glad. So glad Antuerpia of mine.

..Entretanto, as águas do riachinho, lá detrás do milharal, correm apressadas em tornarem-se salgadas; zombando daqueles que, em suas salas de estar, suntuosas, preocupam-se em ser, estar e morrer. Indiferentes ao desconhecimento insofismável, da origem de suas vagas; mas então, ele, o riachinho, não pertence às margens, mas a si próprio... e ele ficará todo salgado, ligando-se ionicamente ao seu universo, o oceano.

Abimael

03/03/13.

segunda-feira, 18 de março de 2013

39K



Eu vi umas imagens do austríaco Felix Baumgartner que bateu o recorde de queda-livre... ele saltou de 39 mil metros de altitude e isso é tão alto, mas tão alto que eu não sei se ele é paraquedista ou astronauta.

***

Da câmera da nave dele dava pra ver o planetão azul, que em vez de Água se chama Terra, seus relevos, suas cores... tudo num tempo parado, um giro sincrônico com o sol, com a lua e outros elementos do universo... e eles se mostram todos ora grandes, ora inexistentes... e o astronauta lá, se preparando para um salto pro infinito... partindo das estrelas e voando, como um saco de batata voa, em alta velocidade, num breve instante onde nem parece haver problemas humanos em tamanha vastidão... onde não parece nem mesmo haver humanidade.

***

E eu estou aqui
Pensando nas horas que não consegui estar
E de repente percebi
Que só estava por estar
E a hora que antes nunca fora
É hora que não volta mais
A hora adiante, tão apressada
Nunca atraca neste cais...
E estou agora
Com o agora sobre o colo
Me fazendo tatuagem...
Como uma sombra inevitável deste objeto-mente
Construindo o que se chama de realidade
Confundindo o tempo com relógios de pulso.

***

Então sentei quieto pra pensar em alguns problemas.
E problemas são como os astros, ora grandes, ora minúsculos.
E eu modulo o tamanho deles em momentos de silêncio, onde todos fogem e desaparecem...
[Os problemas não suportam quietude!!!

Olho pro céu e vejo algumas nuvens, onde estrelas brincam de esconder.
O céu é belo e muda a toda hora... É sempre belo o céu.
Meu pensamento sobe a pontos quase que inalcançáveis... e eu quase bato frontalmente com um astronauta, descendo em queda-livre sem parar...
Um escafandro da outra ponta do infinito...
Testando seus limites demasiadamente corporais...
Ele Irreversivelmente cai enquanto eu momentaneamente saio
Nós dois em sentido contrário, sem olhar pra trás.
E o homem que cai procura a si na Terra;
O homem que sai procura a si na imensidão.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

TESTRAÑO

De vez em quando

[lá de vez em quando

Me dá uma ponta de saudade deste blog.
Passei aqui pra ver como as coisas andam...
dar um oi...
um volto logo...
e tive que ir.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

OS POEMAS ACONTECEM

Eu escrevi um poema e ele aconteceu...
Não é mesmo que poemas acontecem?

terça-feira, 11 de setembro de 2012

UMA GARRAFA DE COCA

Os dias em que eu ando a pé o dia parece ficar diferente... mais comprido, moroso, não sei. E quando eu vou pegar um ônibus pra praia, eu fico paradão ali, na calçada, pensando em coisas da vida.
[As paradas de ônibus são transformadoras...

***

Então aparece uma pessoa.
Outra pessoa.
Em segundos, a multidão se agrupa em pequenos metros quadrados.
Esperando, cada qual com seu comportamento, lotação pralgum lugar.
Tem o punk... a tia das sacolas.
Tem os guris do colégio e o Giovanaz, que também tá descendo pra praia.
Um ônibus para e uma mulher desce.
Ela joga uma garrafinha de Coca-Cola no asfalto, descartando o lixo que levava.
Sem saber que o pior lixo se leva na mente...

***

Eu olho para o Giovanaz e no olhar nos concordamos.
Aquilo era muito significativo... A Coca-lixo no asfalto da população mecanicabsurda!
Pensei então no que aquilo significava no carma da humanidade
[a única espécie que produz lixo

Porque se eu junto aquele lixo jogado, como impulsionei de imediato, eu não estou ajudando a humanidade a cumprir o que ela parece estar determinada, que é acabar com sua própria raça.
Dúvida cruel...

***

Juntei.
Mas, como não havia uma lixeira sequer perto de mim, tive que dar um pico até o bar.
O ônibus passou e foi embora sem mim.
O Giovanaz ficou, na parceria.
Tudo bem, pegamos o próximo, ele falou sorrindo.
O próximo ônibus, uma história diferente pela frente, com certeza...
Outra insubstancialidade, que liga tudo...
Neste mundo repletos de cacos
[que se encontram.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

JABELAS

As pombas habitam
Tuas janelas
Que têm saudades
De serem belas...

terça-feira, 4 de setembro de 2012

CORTEX

Fronteira é um corte
De pensamento
Não se pode estar fora
Nem se pode estar dentro...

EL BAÑO

Alegria molhada
Do guri
É banhar-se onde as gentes
Fazem xixi.

PÉS SE ESGUEIRANDO

Bela cor
Ante os pés do morro
De rosa a beleza
Pede socorro...

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

VINHO E BARRIL

O Caboclo me contou que andou trabalhando numas vinícolas de Santa Catarina e que ficou impressionado com os barris de carvalho, utilizados pra guardar o vinho. Segundo ele, a madeira do carvalho auxilia a produção de bactérias que atuam no processo de fermentação da uva. Deste modo, cada barril só guarda, durante toda sua existência, o mesmo tipo de vinho, ou seja, o barril está condenado a sempre, sempre, ter o mesmo conteúdo.

***

Eu lembrei das tahãs, ave da espécie palamedeidae, e sua fidelidade incrível. Ela (ou ele) escolhe seu parceiro tahazino e com ele permanece por toda vida. Tanto é que é raro encontrar uma tahã sozinha... quando isto acontece, é porque já viuvou ou porque ainda não encontrou sua metade-tahã!

***

O que há de comum entre um barril de carvalho e uma tahã é o predeterminismo de suas, por assim dizer, escolhas. O barril se entrega ao vinho e não pode escolher nem outro tipo de uva por toda sua vida (vida?). A tahã escolhe seu parceiro e não troca jamais... e geralmente morre depois da morte do concubino... e são provas de inexorável conclusões.
Pros humanos, parece que não há conclusões eternas... conceitos permanentes. Nosso ideário se modifica, pois somos nós e nosso ambiente e, tanto um quando o outro se modificam sem parar...
Eu, particularmente, não posso estar vinculado eternamente às mesmas ideias... E embora erre, percebo este erro também como degrau de uma caminhada.
Não quero ser barril nem tahã... embora tenha amores eternos, a forma de amá-los também se transforma.
E mesmo que eu saiba alguns atalhos do mundo, vou
[várias vezes
escolher um caminho diverso, mais longo, mais impreciso.

***

Porque o barril é um escravo da temporalidade.
Mas o vinho é livre!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

UNA RUTA

Velhas estradas do Uruguai... vazias como um solitário coração.
Longas e esquecidas, ganham significados alvos de esparsas nuvens pelo céu azul.
Chego a um lugar de nomes estranhos, uma proximidade distante, uma língua que me parece comum.
Eu acordo na noite e me banho numa piscina quente.
Sobre a cabeça, galhos nus de um umbu que resiste já a outros tantos invernos. Acima deles, um terceiro degrau formado de estrelas que, enquanto bóio, mudam de lugar.
Eu observo a tudo, constantemente, e as ideias se formulam dentro de minha cabeça.
As frases vão se agrupando, como as conclusões.
E eu, que buscava o vazio no silêncio de uma madrugada, em poucos segundos, estou transformado num reduto de novas certezas.
Anoto-as.
Degraus da infinita escada do meu crescimento.

***

Pássaros cantam sem parar.
Vários tons invadindo meus ouvidos.
Eu me confundo entre um e outro, escuto outros mais além...
Um bem-te-vi eu reconheço... outros de pena amarela nunca vi.
Não sou ornitófilo nem quero que me chamem mais de poeta.
Sou apenas um observador num mundo vazio.

***

Vendedores chamam nas portas de lojas e não sabem quem eu sou.
Das coisas que gosto, eles não sabem nada.
Lançam-me ofertas como iscas aos peixes.
Lançam a todos, uma pescaria interminável.
As pessoas entram, dizem que estão olhando as coisas.
Olham gratuitamente, sem motivo algum.
De repente, elas acham que carecem tudo.
E acham bonito o movimento das moedas pelas mãos, que já não abraçam nem acalentam.
Tristes mãos... nem mais humanas são.
Eu ando pela rua procurando pedras.
Na verdade, estas ruas formadas por pedras multicoloridas, de vários formatos, são viciantes para mim.
Eu miro as pedras.
Uma-a-uma.
Do macro ao microdetalhe... elas sempre se parecem com alguém.
Com bichos e coisas...
Esta mania das pedras e nuvens quererem ser o que não são.

***

Num instante acho duas.
Duas pedras pequeninas.
Observo-as... identifico-as, dentro do meu psiquemundo.
E uma delas descarto, por deixar de amá-la tão célere
[e veementemente.
E reflito então, com a pedra que resta.
Que o que me fez achá-la pode ser sorte ou acaso.
[para ela e para mim!
Pode ser destino ou simplesmente fato.
Num universo de fatos que igualmente poderiam haver sidos.
Mas escolhi aquela, legítimae indiscutivelmente
[ou ela escolhera a mim.
Dentre tantas, apenas ela.
E isto já é uma coisa intrigante e mágica.
Uma magia simples e sutil.
Quase desapercebidas, passam muitas
[passam mil
magias contando segredos da vida.
De ontem e de amanhã.
Porque a vida é onde o ontem e o amanhã se encontram.
Se misturam... se fundem...
E se explicam em vários momentos.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

CADA FIM É UM RECOMEÇO


Em agosto de 87 houve a Convergência harmônica, um período especial dentro do Encerramento de Ciclo do Sincronário Maia denominado de Tempo do Não-tempo... uma espécie de túnel, o último fractal de 26 anos antes do 13.0.0.0.0, no famoso em 21 de dezembro de 2012... pois na verdade o "fim" do ciclo não seria um dia exato (o 21.12), mas sim 26 anos (13 e 20 cruzado!).

***

Então, pros pessimistas e derrotistas de plantão, uma novidade muito boa: o mundo já acabou e vocês nem sabem!

***

Eu fiquei pensando no que realmente importante aconteceu entre 1987 e 2012 que pudesse representar este fim do quinto mundo maia... e lembrei de vários e vários fatos... a Argentina campeã do mundo foi quase o fim do mundo, assim como os Menudos e o Programa do Ratinho... A cerveja com açúcar da Vó Sofia, o peido do Nando no elevador... mas estes fins de mundo poucas pessoas presenciaram.

***

Foi então que eu percebi que o encerramento de ciclo só pode ser representado pelo advento informático de comunicação social. Cada pessoa, um facebook. A notícia instantânea... a internet 24 horas no bolso anunciando as novas dos homens sobre a Terra num bip de mail recebido... Ninguém mais desliga, todos somos neurônios de uma rede absoluta e permanentemente ligada. A informação de todo mundo, todo conhecimento e relato da história de todas as espécies e pedras e espaço sideral-intracelular... ufa... nunca o tudo e o nada estiveram tão pertos.

***

O que acontece no Japão eu sei agora
Também agora quero me comunicar
Eu também nado no riacho das vaidades
Neuroniando sem parar...

Estou na frente de um acontecimento
O mundo para e eu não paro de filmar
Ouvi um papo na rede compartilhada
O meu planeta está em todo lugar!

***

Por isso, não há fim em nada...
Somos eternamente perenes.
As pirâmides e a casca de banana um dia vão findar.
E assim se findam todas as coisas, como as datas, os minutos e os espaços.
Mesmo sem humanos segue o sol em seu constante giro.
E sem o sol, o universo a universar poemas em pó de estrelas espiraladas.
Por isso que o fim de um ciclo é apenas outro recomeço.
E o novo está no éter, alojado em algum servidor maluco

[que não para de inventar.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

quinta-feira, 10 de maio de 2012

EU NUNCA CONSEGUI FAZER UM POEMA PARA VIOLETA PARRA

Falou letras para descrevê-la
Que tal ficarmos apenas brincando de amar?
Ela sempre tomava banho frio
Dizia que era bom para a circulação sanguínea

Ora, meu amor,
Bom mesmo pra circulação sanguínea

[é permanecer vivo!

INDEFINIDO

Pequena estrela perambula
Pinta a poça d'água na calçada
Aqui, o trânsito é incerto

[indefinido

E estas ruas semelhantes não conseguem dizer nada

Passou um carro; outro carro
Duas amigas caminhando...
Um guardador que as observa
E eu continuo os observando...

[Outro carro; nada mais
Desta janela, todas as horas são iguais

E estou de novo
Em outro inevitável hoje
Entre esquinas e cometas, poetando
Um verso estúpido e romântico
Rabiscando xises por um mapa,
Procurando pelo trânsito um poema
Até a última palavra...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

PRÓ-ENGODO

Embora o Poder Público de Pelotas e o Procultura tentem, a todo pano, me fazer desistir, eu esperneio!!!