quinta-feira, 16 de junho de 2011

GRANADA FUTEBOL CLUBE


O Granada Futebol Clube tinha uma peculiaridade.
Não era o fato da camisa ser tetracor, uma raridade no mundo do futebol.
Nem de ser de uma cidade com 2 mil habitantes, afinal, por que uma cidade de 2 iml habitantes não pode ter um time de futebol? Se até Nova Bréscia tem?
O fato peculiar que eu me refiro era o centroavante do Granada. Matador. Um diabo dentro da grande área. O nome dele era Alcyr, o Alcyr Pedalada. Só que o Alcyr Pedalada era o pároco da cidade. Isso mesmo: um padre artilheiro...
O time do Granada era outro com o Alcyr Pedalada vestindo a camisa 9. Mas nem tudo eram flores naqueles jardins, ou melhor, naqueles gramados da redondeza: é que rolava o campeonato ruralito do interior, e as partidas começavam às 11h de domingo.
Então, enquanto metade da comunidade ia na missa, a outra metade ia no futebol.
Campo pequeno, gramado irregular, bola pesada, camisa de lã... Tudo do bom e do melhor, como manda o figurino do verdadeiro futebol.
O padre Alcyr era o único membro daquela sociedade que ia à missa e ao futebol.
Na real, ele só entrava no segundo tempo.
Sempre no segundo tempo.
Com a 9.
Com fé.
Com uma bomba guardada na perna esquerda.

***

Final do campeonato.
Granada x Arroio Grande.
Membros da Comissão técnica e diretoria do Granada tentam atrasar a partida.
Fingem contusões.
Provocam pequenas discussões e reclamam com o juiz.
Tudo para que o Alcyr Pedalada chegasse a tempo de jogar.
E a missa, do outro lado da ponte, rolando.
Primeiro tempo começa.
Hóstias distribuidas... hinos e louvores na igreja.
O padre já fardado por baixo da batina.
Controlando tensamente o horário no relógio de pulso.
O juiz apita um pênalti pro Granada.
Mas o camisa 10 bate pra fora...
Não tem o cacoete do matador em cobrar penalidades...
Isso é atributo do artilheiro Alcyr Pedalada.
Que, naquele exato momento, canta o hino 3 da página 5 com suas corolas e seus coroinhas.
Intervalo de jogo.
O Granada descansa na sombra.
Que a paz do senhor esteja convosco.
Amém.
Começa o segundo tempo.
Alcyr Pedalada anda o mais rápido que pode com sua bicicleta monareta.
Desce a ladeira.
Bola pra fora: escanteio.
O padre chega e joga a bici no chão.
Num pulo, arranca a batina e joga no colo do treinador.
De imediato sobe a plaqueta: sai João Mondongo, camisa 17, entra Alcyr Pedalada, camisa 9.
O time adversário treme.
38 do segundo tempo.
A bola é lançada pro nosso craque Pedalada.
Ele finta o primeiro.
Passa pelo segundo.
Deixa o terceiro no chão.
De cara com o goleiro.
É só fazer.
A torcida pula!
Ele chutaaaaaa......
Na trave!
Uhhhhhhh, a torcida se inflama.
E o Arroio Grande contrataca.
Já é 43 do segundo.
O balão do meio-campo cai na dentro da pequena área.
O goleiro não vai.
O zagueiro deixa quicando.
Ariovaldo chega-chegando e faz o gol do título para o Arroio Grande.
O jogo termina.
Desilusão geral por parte do Granada.
O padre-artilheiro segura a batina nos braços, desanimado.
Olha desiludido para o crucifixo.
Reclama ao senhor em baixa-voz.
Mas de nada adianta.
Deus não tem nada a ver com futebol.
E futebol é futebol e vice-versa.
A justiça divina nunca se atreveria meter a mão no resultado de um jogo.
Nem mesmo no jogo do Alcyr Pedalada.
O artilheiro diabolicamente e divino...

2 comentários:

paulo conceiçao disse...

linda Historia parabéns.Ass:Paulo sergio

paulo conceiçao disse...

Linda Historia,lé maravilhoso estão de parabéns,Granada Futebol Club.PARABÉNS.Belém-pa