O carro para.
O sinal abre.
Motoristas apressados gritam e buzinam.
Não existe mais tempo pra esperar 5 segundos... não existe mais educação...
***
Eu vi que na África tem uma tribo que vive em árvores, mas não é qualquer arvorezinha não, tipo um limoeiro ou uma pitangueira-do-mato.
Eles vivem a 15 metros do chão.
Quando chegam na mata, os korowai escolhem a árvore ideal e acampam ali.
Começam a desmatar toda volta pra fazerem uma escada gigantesca e, depois, a casa, lããã nas alturas.
Mas o mais bacana disso tudo é que eu percebi que eles formam uma sociedade sem agressão... claro, imagina dois negão daquele tamanho brigando a 15 metros de altura... a tribo ia se extinguir...
Então, a frequência mental dos korowai é muito diferente, pois eles atuam em conjunto, com a mesma finalidade... as diferenças, somadas, à unidade.
E os guris cospem no chão lá de cima e conversam sobre a vista num galho-esquina...
***
Aí o cara vai me dizer que também mora a 15 metros de altura... 6º andar... elevador...
Mas falo aqui da altura da mente, não do corpo.
Uma altura onde o olho não alcança... onde nem a própria mente,
[significadamente
reconhece os arredores...
Onde, na verdade, mente e arredores acabam sendo a mesma coisa.
terça-feira, 27 de março de 2012
segunda-feira, 5 de março de 2012
CIDADE LIGEIRA
ONDA

Eu, fragilmente humano,
Olho e ouço as ondas que tocam o céu
Entre o horizonte e o firmamento
Foram tantos pensamentos
E verdades que já fui
Eu sou mesmo é como a onda
Cruzando o tempo-espaço sob a luz da lua
Procurando ver no dia a cara tua
A me olhar...
A me olhar como olho agora
A linda onda que em ti se aproxima
A deslizares para o encontro com minha retina...
Ao molhar meu corpo quando chegas devagar
Preciosa onda
De onde vens, não interessa
Eu não tenho pressa
De sair do mar.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
O HOMEM MODERNO
Eu comprei um telefone moderníssimo, altamente tecnológico, com mails, mensagens e mil programas internéticos que fizeram o telefone, em si, ser apenas mais uma função do pequeno computador de bordo.
Eu percebi que a tecnologia aumenta em potência e diminui em tamanho e concluí que o próximo passo da modernidade será implantar este sistema no telencéfalo humano... direto, sem i-phone, bateria nem conexão... o cara acorda e dorme na internet, com um computador dentro da própria cabeça.
***
Então ele fecha o olho e acessa um site no pensamento... busca respostas e fotografias... tem toda a informação do planeta através deste sistema sui generis da tecnologia... um nanocomputador cerebral, com uma entrada USB, provavelmente na nuca.
Ali, através daquele USB, o homem poderá comprar conhecimento (e talvez sabedoria, mas sabedoria pagará em dólar) sobre qualquer coisa no universo.
Ele levará seu filho a uma loja destas de software e a criança escolherá: Pai, quero aprender chinês.
O pai compra o programa e conecta no USB na nuca do guri... alguns minutos de instalação e plim, o ragazo desperta falando como Mao Tse Tun.
Caratê, culinária, gramática e física quântica... todos programas à venda, de fácil instalação na mente humana, a preços módicos e parcelados 12x no cartão. Agora sim... e tinha um poeta que dizia que o conhecimento nunca seria privatizado...
***
O grande problema neste ponto nevrálgico da tecnologia seriam os vírus de computador que infectariam o cérebro do usuário... o cérebro ou outras partes.
Se de repente bater uma gagueira, um malestar ou uma tonteira, o sujeito vai correr pro médico pra formatar o HD. Mas ao contrário dos temores sociais, só vai precisar de uma anestesia local.
Depois disso, o doutor irá recomendar modernas camisinhas para USB, com as quais a humanidade poderá transferir dados com total segurança...
***
Anotem aí se não acreditam: homem e máquina será uma coisa só em pouco tempo!
***
Ou, se eu estiver realmente equivocado, continuaremos usando os arcaicos métodos da conversa e leitura para entendermos o mundo...
Eu percebi que a tecnologia aumenta em potência e diminui em tamanho e concluí que o próximo passo da modernidade será implantar este sistema no telencéfalo humano... direto, sem i-phone, bateria nem conexão... o cara acorda e dorme na internet, com um computador dentro da própria cabeça.
***
Então ele fecha o olho e acessa um site no pensamento... busca respostas e fotografias... tem toda a informação do planeta através deste sistema sui generis da tecnologia... um nanocomputador cerebral, com uma entrada USB, provavelmente na nuca.
Ali, através daquele USB, o homem poderá comprar conhecimento (e talvez sabedoria, mas sabedoria pagará em dólar) sobre qualquer coisa no universo.
Ele levará seu filho a uma loja destas de software e a criança escolherá: Pai, quero aprender chinês.
O pai compra o programa e conecta no USB na nuca do guri... alguns minutos de instalação e plim, o ragazo desperta falando como Mao Tse Tun.
Caratê, culinária, gramática e física quântica... todos programas à venda, de fácil instalação na mente humana, a preços módicos e parcelados 12x no cartão. Agora sim... e tinha um poeta que dizia que o conhecimento nunca seria privatizado...
***
O grande problema neste ponto nevrálgico da tecnologia seriam os vírus de computador que infectariam o cérebro do usuário... o cérebro ou outras partes.
Se de repente bater uma gagueira, um malestar ou uma tonteira, o sujeito vai correr pro médico pra formatar o HD. Mas ao contrário dos temores sociais, só vai precisar de uma anestesia local.
Depois disso, o doutor irá recomendar modernas camisinhas para USB, com as quais a humanidade poderá transferir dados com total segurança...
***
Anotem aí se não acreditam: homem e máquina será uma coisa só em pouco tempo!
***
Ou, se eu estiver realmente equivocado, continuaremos usando os arcaicos métodos da conversa e leitura para entendermos o mundo...
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
EU QUERO SER UM VAGABUNDO

Eu tava parado numa esquina, esperando por alguém que agora não me lembro, entre os minutos destes dias loucos.
E eu caminho muito rápido... só não sei se minhas pernas são muito compridas ou se o dia é deveras curto, mas agora, neste momento da minha narração, eu estava parado, em pé, numa esquina.
Quando a gente para pra pensar, a mente da gente flui melhor. Palavras... conceitos... visualizações. O raciocínio derrama o leite das ideias e faz com ele rapadura e outros derivados... mas neste dia eu parei por parar, e nem pensava em nada quando vi um carro branco se aproximar
Uma antiga colega do Direito dirigia... sorriu. Me disse Tu!? E eu não sabia se ela estava surpresa por me ver parado, de jeans, naquela esquina, aparentemente inútil ou incerto, ou se ela, o que é mais provável, esqueceu meu nome, substituindo-o pelo infalível Tu!?
***
Perguntei ligeiramente, na velocidade do trânsito, como e onde estava ela. Ela balbuciou entre as buzinas do carro de trás um Sou juíza em Herval, sorriu, quase deixou o carro apagar, e saiu sem rumo certo, agora creio que de vez vá na direção do esquecimento, este monstro que come tudo, que conduz a verdade à mentira ou inexistência...
***
Mas eu lembrei que ela, nos tempos da faculdade, só falava em ser juíza.
Era obcecada.
Estudava direto... melhores notas... o sonho em pé.
Foi então que eu percebi, naquela esquina, que eu nunca sonhei em ser alguma coisa.
No máximo, um jogador de futebol. E isso eu ainda sonho... que tô fazendo um golaço, recebido de braços abertos pela torcida que me ama, e como é bom ser amado... mesmo que falso... o amor falso é água quente, enoja o gosto da gente, mas mata a sede... enfim, eu nunca sonhei em ter uma profissão específica.
Mas eu cada vez mais sei o que eu não quero ser...
***
A menina estava mesmo satisfeita por ter conseguido seu emprego/função que sonhara tanto.
E eu fiquei feliz por ela estar feliz.
E mais feliz ainda por minha forma ser incerta e tão pequena e tão mutável...
E feliz é a água, que só entra onde quer.
***
Eu quero ser um vagabundo.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
PAPAGAIO DE LUÇARDO

O seu Luçardo é um guarda municipal que tem um papagaio, a Filó.
A Filó ganha tratos de bebê e tá sempre fazendo o que melhor o papagaio faz: ficar papagaiando no ombro de alguém.
Por onde passa, o papagaio do Luçardo chama atenção.
As crianças se divertem, as meninas se aproximam e os homens ficam curiosos.
A Filó faz tanto sucesso que, em pouco tempo, de bicho de ombro, ela se tornou uma estrela, ofuscando até mesmo a presença do Luçardo.
Ou seja, o Luçardo é que virou o papagaio da Filó.
***
Ontem eu vi o Luçardo sair com uma namorada, uma senhora de quarenta e poucos, da casinha do Papai Noel.
Ele levou a namorada quarentona pra ver o Bom Velhinho...
Que legal!
Mas a Filó ele não levou.
Não sei se morreu ou foi trocada pela cônjuge em questão, ou simplesmente ficou em casa descansando.
A real é que o Luçardo parecia (e era) outro homem sem a Filó no braço.
Enquanto que, independente do lugar onde estivesse, a Filó seguia um papagaio, como todos os outros, sem vazio, sem falta de Luçardo algum...
Um papagaio intransitivo, como quase todos os bichos que o homem humaniza...
E o papagaio papagaia em qualquer ombro ou lugar!
***
No shopping eu vi um cachorro dormindo por horas e pensei feliz é ele, que não precisa de chave, emprego, RG, telefone e capacete.
E então divaguei com o cara na esquina se a racionalidade é uma dádiva ou um castigo, mas ele não entendeu muito bem meus argumentos.
Um de nós é um animal.
Mas eu queria ser aquele cusco na tarde louca de quarta...
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
O MEU JESUS NÃO TEM SOMBRA DE CRUZ

Minha religião sou eu e os que amo.
Toda divindade vive dentro de mim.
Esperando as oportunidades certas de se manifestar...
de viver dos meus erros
[e aprendizados...
Meu Jesus não tem sombra em cruz
nem medo
Não alimenta nenhuma competição nem vaidade
Meu Jesus é minhas plantas, os meus filhos
Meus deuses são vivos
E não precisam de nome ou forma...
***
MEU MUNDO É O BARRO
O Rappa
Moço, peço licença
Eu sou novo aqui
Não tenho trabalho, nem passe, eu sou novo aqui
Não tenho trabalho, nem classe, eu sou novo aqui
Eu tenho fé
Que um dia vai ouvir falar de um cara que era só um Zé
Não é noticiário de jornal, não é
Não é noticiário de jornal, não é
Sou quase um cara
Não tenho cor, nem padrinho
Nasci no mundo, sou sozinho
Não tenho pressa, não tenho plano, não tenho dono
Tentei ser crente
Mas, meu cristo é diferente
A sombra dele é sem cruz, dele é sem cruz
No meio daquela luz, daquela luz
E eu voltei pro mundo aqui embaixo
Minha vida corre plana
Comecei errado, mas hoje eu tô ciente
Tô tentando se possível zerar do começo e repetir o play
Não me escoro em outro e nem cachaça
O que fiz tinha muita procedência
Eu me seguro em minha palavra
Em minha mão, em minha lavra
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
ЗOPAH фYREбOлEиPO CJAJHO!
Zoran Lucic é um designer sérvio fanático por futebol. Eu, que não sou designer, muito menos sérvio, mas compartilho a fissura futebolística em qualquer idioma, uso, ao contrário de devaneios pseudo-literários costumários, este espaço para divulgar (com um breve comentário, é claro) a linda arte desenvolvida por este jovem e audaz rapagote.
***
Зоран футеболеиро Сјајно!
***

O nº 1 primeiro!
O Dico veio me comentar, todo orgulhoso, se eu sabia que o apelido do Pelé era Dico. Eu respondi que sim, mas que ele só deu certo depois de virar Pelé.
***

Zico
A linda carreira de Zico que, embora com muitos golaços pelos 4 continentes e craque consagrado, foi de sua geração a pior derrota brasileira em Copas (82)... Além disso, de que adianta ganhar do mundo inteiro e vir aqui pra Pelotas tomar pau do Xavante?
***

El Pibe
E por falar em carreira, ao contrário do que muitos pensam (muitos menos eu), dizem que o Maradona toca vuvuzela de nariz.
***
Se gostaram, vão procurar no link acima outras obras do tal Zurik-sei-lá-que que eu tenho mais o que fazer.
(Jogar bola!)
***
Зоран футеболеиро Сјајно!
***

O nº 1 primeiro!
O Dico veio me comentar, todo orgulhoso, se eu sabia que o apelido do Pelé era Dico. Eu respondi que sim, mas que ele só deu certo depois de virar Pelé.
***

Zico
A linda carreira de Zico que, embora com muitos golaços pelos 4 continentes e craque consagrado, foi de sua geração a pior derrota brasileira em Copas (82)... Além disso, de que adianta ganhar do mundo inteiro e vir aqui pra Pelotas tomar pau do Xavante?
***

El Pibe
E por falar em carreira, ao contrário do que muitos pensam (muitos menos eu), dizem que o Maradona toca vuvuzela de nariz.
***
Se gostaram, vão procurar no link acima outras obras do tal Zurik-sei-lá-que que eu tenho mais o que fazer.
(Jogar bola!)
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
VELÓRIO AO VIVO

Uma empresa funerária de Nova Friburgo, RJ, lançou um novo serviço em seu fúnebre menu. Agora, um de seus pacotes inclui a transmissão do velório ao vivo pela internet, para parentes, amigos e interessados que não puderem comparecer.
Eu achei isso muito interessante...
Um velório de morto ao vivo!
***
Aí o parente morreu e você está a milhas de distância.
Você entra no site da empresa e, no menu Opções, seleciona "Velórios Ao Vivo".
Escolhe o nome do morto e clica.
Depois, aparece uma porção de câmeras com ângulos diferentes para você degustar o morto (e a galera toda no velório).
Tem desde câmera dentro do caixão, panorâmica, detalhe do rosto dos presentes (essa é pra saber quem era amigo de verdade e quem são os piadistas de plantão), câmera que acompanha o cortejo... enfim, uma relação completa de tomadas que farão com que seu morto favorito passe um dia de princesa Diana ou de Ayrton Senna.
***
Eu imagino o cara no quarto, a mil quilômetros de distância do velório, conecta a internet e acessa a capela mortuária desejada.
Aí chora na frente do computador.
Comenta o velório no facebook.
Onde Curtir é um botão indesejado e que pode ser mal interpretado.
Grava em Dvd pra assistir com a família no almoço de domingo.
Compartilha e divulga o link.
Manda por e-mail.
(Oi tia Rosa... Lhe encaminho em anexo o link do velório do primo Augusto... bem bacana... clica aí embaixo e nos vemos lá, ok?)
E a família no quarto, comendo pipoca e vendo a transmissão do mortuário.
Só sente falta é de uma emocionada narração.
Mas ela é um item acessível apenas aos mais afortunados, não ao pacote Standard.
***
E eu achava que o programa da Márcia era o último degrau do audiovisual.
O último degrau é a morte, claro.
E o velório ao vivo.
Que crítico nenhum tem coragem de difamar na coluna ou revista social.
***
Todo morto é gente boa.
E todo veloriano é cínico.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
NOSSO LIMITADO SEMPRE

Uma mensagem, por mais conclusa que seja, é apenas um fragmento dentro de outra mensagem mais ampla, que por sua vez também é fragmento de algo que lhe é maior.
E assim vai a escada das mensagens, até chegar na suma essência do que chamam divindade, onde nenhuma palavra é necessária e o entendimento é algo suprarracional, decadimensional, onde a mente é pedra e o nada é tão absoluto quanto permanente.
***
Eu fico aqui olhando os carros passarem na avenida.
Todos eles se parecem com a carona que eu espero... mas quase todos eles não são ela.
Cada carro segue seu caminho, mas não vai a lugar algum.
Todo agora é um novo destino.
Somos viajantes do tempo, não do espaço, e estamos sempre
[em nosso limitado sempre
de passagem.
***
8h. Um bem-te-vi acada de roubar um filhote do ninho de um tico-tico e eu me lembrei que ontem meu gato Mingau também atacou um ninho.
Percebi que o mundo é cheio de espertos e ladrões, mas é só na natureza humana que eles são estigmatizados como criminosos... como o mal.
Animais roubam por instinto... sobrevivência... sem medidas racionais nem intenções.
Então eu vi que o mundo é um imenso vazio a serviço das interpretações individuais e coletivas da humanidade, repleta de conceitos e tendências morais e axiológicas.
[Todas as coisas são nossos professores!
***
E o mundo segue mundo sem o homem nele.
Porque o sempre é muito tempo, mas passa bem depressa.
E tudo aquilo em que eu acredito é tão-somente aquilo em que eu acredito.
E nada mais!
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
O TIMONEIRO E O ASSALTANTE

Acordei na madrugada ouvindo a chuva. Segui o raio pela casa afora, o quintal, o fim da rua, o outro lado da cidade...
Ele foi embora com a tempestade, navegando pelo céu de matizes variadas...
Era o sol trazendo o amarelo, o rosa... até também sumir pela grande nuvem cinza que teimava em ficar.
E assim foi aquela rápida manhã, que parece até nem ter havido...
Pensei em como as coisas vêm e vão, como tudo se transfora, como a vida passa tão celeremente...
Pensei em como vários fatores nos conduzem por caminhos pré-determinados e como nossas escolhas, muitas vezes, a grande maioria delas, não são nossas escolhas.
São circunstâncias óbvias.
***
Como ser um timoneiro de um barco que anda à deriva e passa rápido por este oceano chamado vida?
***
Da vida não se leva nada, mas se deixa muita coisa.
Bukowsky disse que o cidadão que deixasse U$ 10 mil de herança era um fracassado.
Até concordo com ele, em certo ponto.
Mas creio que o grande fracasso da vida é não ter amado ou desistir de uma paixão...
***
O cara assaltava universitárias e, antes da fuga, exigia um beijo na boca.
Várias prestaram queixa naquela delegacia do interior de Pernambuco.
Uma amiga achou uma estupidez, um marginal querendo beijo na boca.
Detestou esta modalidade criminosa, que machucava com a coronha e acariciava com os lábios...
Que nojo!, dizia ela.
***
Foi então que eu lembrei de uma modalidade muito pior, o assalto seguido de morte.
Percebi que o amor e o medo (que cria o ódio) são fronteiras do mesmo acre; uma tela que divide a mesma cercania.
Tanto são a mesma coisa que o assaltante pernambucano conseguiu resumi-los em uma nova e única infração:
O assalto seguido de beijo!
***
Se a vida deste amado marginal se resume em amor ou medo, isso eu não sei...
Mas a passionalidade segue sendo a grande onda no mar da existência.
domingo, 13 de novembro de 2011
O FUTEBOL E AS HUMANIDADES

O homem já fez grandes inventos que lhe proporcionaram conforto e prosperidade.
Já inventou, por exemplo, o fogo, a roda e o chimarrão.
3 fantasticidades!!!
O fogo aquece a água; a roda organiza o mate; e o chimarrão é o chimarrão!
***
A las pucha tchê bah trilegal!
***
Mas eu estive pensando acerca dos grandes inventos da humanidade e percebi que o mais importante de todos foi, sem sombra de dúvidas, a bola.
A partir do momento que o homem criou esta esfera de borracha, redimensionou a relação interpessoal (e até internacional), criou esportes que se tornaram o ápice do entretenimento e possibilitou a invenção do orgasmo de garganta, que muitos também conhecem como o Grito de Goooooooollllllllll!
***
O homem inventou o futebol, mas é o futebol que segue inventando os homens.
Várias regras do espporte mais conhecido do planeta só foram inventadas por causa das condições psicológicas da humanidade.
Sério mesmo.
Eu explico:
A regra de impedimento, por exemplo, foi criada por culpa dos gordos.
É que antes do impedimento, os gordinhos (que também gostam de futebol, ora pois) não voltavam nunca pra ajudar na marcação. Ficavam na "pescaria", como se diz no jargão futebolístico.
Pra acabar com essa malandragem obesa, foi criada a regra do impedimento e os gordos foram, praticamente, banidos do futebol.
(O último foi o Ronaldo.)
***
A caneleira e os cartões amarelo e vermelho foram inventados por causa da personalidade beligerante do ser humano.
Os bandeirinhas foram inventados pra ajudar o árbitro a roubar.
A rede na goleira surgiu pra evitar a demora do goleiro buscar a bola na valeta.
Enfim... o homem se desenvolve e o futebol vai junto.
Ou é o futebol que leva a humanidade nas costas?
***
Bem... encerrarei este post prematuramente porque começou agorinha o clássico Dínamo (de Santa Rosa) e Ta-Guá e eu vou acompanhar!
Dá-lhe Cavalo cansado!!!
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
NADA GRAVE

Eu tive um sonho que dizia que algo muito grave iria acontecer.
Mas o que é a gravidade, dentro de um mundo vazio?
Todas as perdas e ganhos, erros e acertos, sorte ou azar têm que ser interpretados de uma forma fria e serena, pois são dois lados distintos de uma mesma moeda.
***
O amor e o medo... o bem e o mal... o certo e o errado acabam sendo a mesma coisa.
***
O novo dia foi raiando e as coisas que eu pensava ontem foram acordando.
Sob o canto dos pássaros, a grama cresce.
O cara do meu lado tentava em vão puxar conversa.
Eu fiquei calado.
A menina pesquisava no computador valores para os seus sonhos, e eu entendi que a máquina é grande; e ela vende sonhos caros...
E eu, assim como ela, também pago os sonhos meus.
Muitos deles, invariavelmente, nunca acontecerão.
Niilisticamente, tudo perde o seu sentido.
E como pode, então, algo grave acontecer?
***
A maior gravidade é continuar vivo.
E o maior perigo é seguir sonhando...
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
BUDA, A TARRAXA E O DESTINO

Buda já estava há 6 dias em meditação sob uma seringueira e questionava os porquês, após tanta dedicação, pelos quais ainda não havia alcançado a iluminação.
Foi então que passou por aquela trilha na floresta um professor de violino, que explicava a seu pupilo:
Se apertares muito a tarraxa, a corda arrebentará. Se a deixares muito frouxa, a corda não tocará. O segredo é o equilíbrio!
Ouvindo essas palavras, Buda se iluminou.
***
O Helinho me contou de um multimilionário que estava vendo TV e, de repente, se levantou e falou pra mulher:
Nega!!! Eu já sei o que eu vim fazer aqui!
Pegou uma trouxa de roupas e saiu andando pela BR para nunca mais voltar. Andarilho, largou família e fortuna para viver a sincronia de cada dia... um Forrest Gump entre Guaíba e Porto Alegre.
***
A liberdade do mendigo é o que todos invejam.
***
E eu, a partir do papo com o Helinho, descobri que todas as pessoas têm um futuro, mas poucas têm um destino.
E é por isso que eu não quero mais arrebentar as tarraxas nem frouxar as cordas da vida...
Quero apenas me manter limpo, como uma onda sonora, até que o tempo não propague mais minha sonoridade personalística.
E não me importa que isso leve cem anos, um mês ou um minuto...
Todo tempo é relativo: feliz agora, feliz sempre!
O mundo a se transformar é sempre interno.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
HOMECÃO

Encontrei um amigo mais velho, passeando com seu cachorro pela rua.
O cão abanava o rabo, feliz.
Ele sorria.
Ambos, pela calçada, no matinal e cotidiano passeio pela cidade.
Que lhes traz alegria e contentamento.
Lhes possibilita a fuga do lar vazio e solitário.
Oxigena-lhes a mente que subexiste à TV e internet.
Eu só não sei se é o amigo que leva o cachorro pra caminhar ou se é o cachorro que leva o amigo...
***
Será que quando o cão morrer o amigo vai virar sedentário?
***
É interessante como o homem se apega aos bichos. Na real, eu acho que o homem se apega na humanização do bicho, que ele mesmo inventa, e tenta através dela encontrar o que não encontrara nas pessoas reais.
Aí a solteirona dorme com o gato, o solitário conversa com o passarinho, cachorro de roupa com nome de gente, cavalo com orkut... e o George Orwell se virando no caixão...
Pra mim, de animal vestido já me chega os políticos e os árbitros de futebol...
Quanto mais eu os conheço, mais eu gosto dos animais.
***
Você já levou o seu político passear hoje?
Sabe como é... ano eleitoral chegando e eles adoram abanar o rabo pelas ruas.
Então tome cuidado redobrado, porque ele sorri e pede carinho, mas pode te dar uma mordida.
Porque o mundo animal é um barato, mas tem certos bichos em que a gente não pode confiar.
***
Au au.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
A PIOR MENDICÂNCIA

Eu cursei Direito até o 5º ano na UFPel.
Faltava 1 pra eu me tornar um bacharel, mas desisti enquanto havia tempo.
Não consegui me imaginar de relógio, vivendo de reclamatórias e frequentando fóruns cheios de playmobils de terno e gravata.
***
Na faculdade vi um monte de absurdo humano que daria pra fazer um livro.
Por fim, eu só não consegui concluir se foi o Direito que se livrou de mim ou se fui eu que me livrei dele!
***
Um dia, numa aula de Direito do Trabalho, o professor entrou, sentou-se com soberba e falou pra turma, embora parecesse que falasse pra mim:
Vocês têm que ganhar dinheiro!!! Vocês têm que encher o bolso de dinheiro! Eu sei que aqui tem gente que só quer poesia... Poesia não enche barriga... vão comer poesia? Vocês têm é que ficar ricos!
Eu aproveitei a deixa, me levantei, saí do prédio e joguei meus livros e cadernos na primeira lixeira que encontrei, ainda na rua Anchieta, e nunca mais voltei. Nos outros livros que eu tinha, fiz textos relatando o que sentia e doei-os pra biblioteca da faculdade, na vil esperança de mudar alguns cabeça-de-jaca que fediam lá por dentro.
[Ou era eu quem fedia? Não sei!
O fato é que eu nunca soube se o professor otário merecia um soco ou um beijo.
***
Lembrei nisso porque hoje estou sem relógio de pulso e com o bolso cheio de poemas.
O Direito me ensinou a argumentar e a jogar sinuca.
E a vida segue, amor e dor, poemas e moedas...
E descobri que a pior miséria não é comer poemas...
A pior mendicância são o amor implorado e a alegria comprada!
terça-feira, 25 de outubro de 2011
SCHUMANN NA CHUVA

Existe uma espécie de frequência elétrica entre o solo e a ionosfera que se reproduz em todo e qualquer ser vivo habitante da Terra. Pesquisada por Winfried Otto Schumann, estes picos no espectro eletromagnético do planeta atingem a banda de frequência extremamente baixa, e seu nível vibracional constante fica na casa dos 7,83Hz.
***
Não tem escolha: essa onda todo mundo pega!
***
Do solo ao céu.
Na mente humana.
Na flor que abre.
No gato da vizinha.
Na velha da cadeira de balanço tricotando.
No funcionário público, enfim... tudo que (ainda) tem vida é um espelho schummaniano.
***
7,83!
***
Astronautas que eram mantidos fora desta vibração eletromagnética adoeciam.
Eram então submetidos a uma câmara que igualava a ressonância Schumann e voltavam ao normal.
Algo parecido com o que acontece com os maridos de plantão: um pulo no bar e a vida muda!
***
O fato é que variações últimas demonstram que a ressonância Schumann está mudando, acelerando.
De 7,8 pra 11Hz, depois pra 13Hz. E isto coincidentemente com adventos climáticos, vulcânicos e maremáticos (maremáticos é ótimo!), com o ápice do homo tecnologicus e com o caos do convívio social, guerras por todo mundo e desregulação atômica dos relógios de pulso.
Ontem hoje, hoje amanhã.
***
Mas eu lembrei do velho Schumann porque minha mente anda tri atucanada com este cotidiano maluco.
Mas hoje baixou uma grande chuva em Porto Alegre e eu fiquei observando, pensando no ritmo das coisas.
No tempo certo.
E concluí que não existe o tempo certo ou errado.
Não existe nada, nada, que não esteja no seu momento de acontecer.
Na verdade, todo tempo é mental.
E mesmo que o mundo ronque em lavas e ondas gigantescas, deus estará em algum canto pensando em outras coisas obsoletas, tão fugazes como nosso pequenino planeta azul e nossa vida milimésima.
***
Tudo tem tamanho e tempo relativos.
O que é nossa existência fora de nossa cabeça?
domingo, 23 de outubro de 2011
O CONTRÁRIO DO AMOR

Eu estava num ônibus em Alto Paraíso de Goiás e um cara estranho se virou, falando comigo. Era espanhol, um phD em Sociologia. Falávamos de coisas comuns à beleza do lugar, àquela estadia momentânea no paraíso, e num momento ele me questionou sobre o antônimo do amor.
Uma pequena palavra, de 4 letras e que terminava em O.
Eu sempre aprendi que o contrário do amor era o ódio.
E naquele momento, quase aos 30, reaprendi algo de muita significância.
Porque a gente tá sempre aprendendo.
Até a hora da morte estamos aprendendo...
Na verdade, cada aprendizado é uma morte pro que éramos.
E eu morro umas 20 vezes por dia...
***
O amor é um sentimento inato, ou seja, ele é da origem do ser.
Não o amor de que falam as músicas sertanejas.
Nem o amor de telenovelas.
O amor é um sentimento puro, à mãe, ao pai, à vida, filhos, amigos, plantas... o amor é a essência que nos permite reconhecer o outro ser em nós.
E é por ser inato que não pode ter como contrário o ódio.
O ódio é um sentimeto construído.
É a soma de vários conceitos axiológicos e psicossociais.
O revanchismo, a inveja, a cobiça, a competição...
E é por isso que o contrário do amor é o medo.
E é por isso que onde não há medo, o amor e manifesta.
***
Quem tem amor não tem medo.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
I-MUNDO PLANO

A educação no tempo do homem das cavernas devia ser um saco.
O aluno chegava na escola-caverna, a diretora batia a sineta de osso e o professor cabeludo ensinava, através de seus hieróglifos, o verdadeiro mundo uga-buga.
Próximo a isso, mas temporalmente distante, minha mãe, na década de 50, usava a lousa como principal instrumento escolar.
Pra quem desconhece, a lousa era um quadro pequeno onde o aluno escrevia a giz as lições e levava pra casa, onde chegavam muitas vezes já apagados, para o desespero da criança, que já sentia a palmatória futura na palma da mão presente.
Hoje, o mundo cheio de tablets e i-pads e etcéteras, recria o relacionamento do homem com o conhecimento. Uma lousa que não apaga... uma caixa de memórias do mundo... é o homem supra-evoluindo, até onde eu não sei, só que o passado está cada vez mais moderno.
***
Na Índia, tablets gratuitos pra rede escolar e a U$ 35 pra população em geral.
O mais barato do mundo.
Adeus aos cursos de datilografia, MS-DOS e correios.
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Duda diz: Nega, pode me alcançar o café?
Nega diz: Aqui, meu amor.
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Como o mundo cabe numa coisa tão pequena?
Acho que o mundo tá voltando a ser plano, como antes das navegações...
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
O MUNDO DE ESCHER

Maurits Cornelis Escher é um designer e artista que elaborou gravuras e pinturas representando construções impossíveis, onde planos se cruzavam explorando o infinito e criando padrões geométricos entrecruzados que se transformam gradualmente para formas completamente diferentes, ou seja, uma loucura, literalmente, sem pés nem cabeça.
Em seus quadros, repletos de ilusões de ótica, ele colocava na perpendicular vários planos dentro de um mesmo polígono, criando uma imagem paradoxal e complexa e inaugurando a Relatividade de Escher, onde um elemento pode ter várias significantes dentro do mesmo contexto.
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Onde pra um é chão, pro outro é teto.
E as paredes também são concreto.
No buraco negro, a margem do espelho.
E as janelas são vitrôs e também passagens.
Louco mundo, mundo louco
O que dizer de ti.
Cada dia tão diferente
Da última vez que vi.
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Vivemos diariamente a Relatividade de Escher.
Nossa sociedade é um quadro vivo escheriano.
Na verdade, muito limitado é falar "nossa sociedade".
Somos muitas sociedades dentro de uma só.
A visão que tem o pobre.
O olfato do nobre.
As mesas postas, as ruas iguais.
Mas enquanto um passa a pé, outro com carro blindado.
As grades altas e muros robustos da nossa cidade separam quem está dentro da festa.
Do singelo transeunte.
A cadeia negra.
O plenário branco.
As escolas cheias de ninguém.
Qual o valor que a vida tem?
Eu sou feliz.
Eu sou triste.
Neste mundo coexiste o todo, todo numa coisa só.
O foco que eu vejo é minha aura desenhada.
As coisas que percebo são um pouco de mim.
E eu sou muitos paralelos.
Perpendiculares...
E tudo aquilo que penso ao léu
No próximo instante já está
Com os pés pro céu.
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