quarta-feira, 26 de junho de 2013

SONHEI CONTIGO

Sonhei contigo
Um campo de trigo
Dourado como teu cabelo
No sonho que sonhei contigo

Era outra pessoa
Que me sorria naquele trigal
E eras tu, ao mesmo tempo,
Porque eu já te conhecia...

Eu passei voando
Tu olhavas e me sorria
Um gigante penhasco...
E eu saí do mundo do sonho que sonhei contigo

Restou de verdade a manhã
Uma falsa lembrança de ter havido
Ou é ávida esperança
De não ter dormido...




terça-feira, 25 de junho de 2013

O CAVALO DE TURIM

Eu vou galopar
Em alta velocidade
Rumo ao fim

[Eu vou galopar
como galopam as coisas
da gênese ao término

Eu vou descontar as horas
Que foram jogadas fora
Quando pensavas em mim

Vou abraçar o teu pescoço
Vou te perder pouco a pouco
Mas vou ficar bem assim...

Eu vou entrar
E acordar
Em outro sim.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

FREUD MOLES

Freud com sua barbuda cara
Dizia coisas das vergonhas alheias

Ela queria ver Freud pelado
Lhe apontar o dedo e rir

Ele, com seu freud mole na mão
Acharia uma saída analítica
[e muito bem explicada
Sobre aquela situação

Uma agenda
Anotações
Verdades que ele, Freud, não contou
[a nenhum amigo íntimo.

LA MADRE BARRE

Una madre llena de niños alrededor de las pechugonas
Se expresa en palabras como pureta
Una madre deja de ser una
[seductora

Creciente vientre
Varices, gusanos, preocupaciones

La madre, no la boca
No sabe qué hacer con el pecado del hijo
Sí afecto o refugios
Y sí assombra
La madre barre su hijo bajo la alfombra...

domingo, 23 de junho de 2013

UM BARCO PASSA


Um barco passa
Nele, a vida
O vento sopra os galhos, traz palavras
De outros horizontes, outros vendavais
Eu busco respostas
O que me faz bem?
Eu sonho, eu canto

[uma canção repentina
Eu sou o sonho de alguém...

Eu chego, eu passo
Luz no corpo
Eu sou palavras, tão azuis, sem nuvens
Que no silêncio que enche a tarde
Buscam tua pele como o sol que te ilumina
Em qualquer lugar...

O barco passa
Tanto sal, tudo tão imenso
Onde nascem todos pensamentos?
Castelos de areia,
Cartas que não leio mais...

sábado, 22 de junho de 2013

OUTRA CHUVA

A água sobe o vidro
O tempo observa, então 
As coisas que pensaste em dizer
E em não dizê-las deixaste
Um silêncio em vão...

Um dia tão frio
A luz acabou aqui
Onde a cortina deste cinza céu 
Em gotas 
[gotículas
Através da janela da chuva
E pelo silêncio suas gotas murmuram...

Eu escuto a lagoa, que em ondas vai e volta
Tua vaga ideia
Que na areia se desfaz...

Outra chuva
A levar consigo os rastros do dia
Mais uma noite sem ti, tão longa e fria
Sem perfumes...
Uma gota sobe o vidro
A brotar, como brota esta saudade agora
Quase sem hora
Quase sem sentido...

quarta-feira, 12 de junho de 2013

MEIO DA TARDE


Era meio da tarde
O dia quase já sem esperança
Andava tão depressa fugindo do anoitecer... 

À luz do sol parada, as coisas mudam de lugar
Derramam-se em sombras nos ladrilhos das calçadas
Cada vez mais distantes, negras, espichadas
Agora, tarde, pelas luzes do luar

Eu penso em tua luz tão colorida
[tão imensamente colorida e clara
Que nenhum corpo ousa interromper

Crescente sombra tua que a luz deseja
Que deita entregue pela noite ainda acesa
E reaparece ao amanhecer...

terça-feira, 11 de junho de 2013

A LÁGRIMA TUA

Por quedas e pedras a lágrima vai
Incessante destino ora inexplorado
Do teu lindo rosto por onde se esvai
A água salobra de um amor amado...

Um rio, um caminho
Paixão navegante
Andante entre imagens

A lágrima ida, outrora tão tua
Perdida anda nua
Por entre as margens...

CARONA DE CONFILTRO

O Confiltro era um maluco que dirigia um carro imaginário pelas ruas da cidade. Ele trocava as marchas, fazias as curvas, dava pisca e estacionava de ré, enquanto, por entre os lábios, roncava o motor 2.0.

***

A Mêtcha era uma mendiga russa tão (ou mais) louca que o Confiltro... Ela pedia roupas velhas e comida pela grade daquela casa da infância
[a cada dia mais distante

e eu ainda lembro do seu cheiro e de suas histórias sobre uma família que nunca existiu...

***

Um dia ela, Mêtcha, conheceu o Confiltro e foi paixão à primeira vista; literalmente um louco amor.
Eles passeavam juntos no carro imaginário do Confiltro, a Mêtcha atrás, o segurando pela cintura... Buzinavam e acenavam quando passavam pela vizinhança... um passeio tranquilo de carro imaginário por uma cidade pacata do interior... um casalsinho loucamente enamorado... o amor é lindo... e as más línguas diziam que ela, Mêtcha, era maria-gasolina e só estava com o Confiltro por causa do carro...

***

Mais louco que a loucura.

***

Várias pessoas, cheias de planos
Querem me explicar os seus desenganos
Suas maravilhosas ideias que não deram certo
[mas darão um dia

Querem me arrastar pras suas loucuras
Como um carona imaginário...
Mas eu quero ir a pé
Tranquila e serenamente caminhando
Pelas calçadas, cordões e beiras de rua
Onde às poças brilha a mesma lua
E eu possa escolher minhas esquinas.

***

De carona com louco?
Só se eu dirigir!

segunda-feira, 10 de junho de 2013

GRIGRI-GRAGRÁ


Os sol rasgou as nuvens pra lhe ver
Colibris e borboletas vêm cheirar você
Eu penso naquilo que você me disse
E já não sei se só pensar é uma tolice

Os dias passam
A grama novamente cresce
Quando, brilhantemente, você de novo aparece
A possuir meus pensamentos pela noite
Dominada por um insistente
[e pequenino grilo...

Ele vai traquinando sons com seu singelo pelo
E eu a desejar o seu doce cabelo
Também querendo fazer sons na madrugada...
Como se fosse nada
[ou quase nada...

Que fosse passar...
Um grilo lá
Grigri-gragrá
Fazendo a noite engrandecer
Como até um simples grilo
Faz lembrar você?

terça-feira, 4 de junho de 2013

DIAS DE MENINO

O céu tem estado tão azul
E eu comprometido com tantas bobagens
Tolo pelas tolices,
Pelas calçadas,
Por onde andam os teus pensamentos
Tão desencontrados dos meus...

Pela janela eu vejo um pássaro
De esperança
Começar a cantar

Ainda é cedo
Estou de volta
A uma casa derradeiramente transitória.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

ALINE

Tanto tempo se passou
Desde que você chegou
As coisas mudam sempre, eu sei
Como a chuva, os amores...
Os lugares onde pisam os teus pés
Incessantes, como o vento...

Não te preocupes com o tempo
Chuva forte sempre vai embora
Outro dia, outra manhã
Desenhando em cores um possível horizonte
Um monte, uma breve paisagem
Até a noite de passagem, 
Sempre de ida, como a vida,
Aline...

sábado, 1 de junho de 2013

UM REINADO

Um príncipe conhece pouco do mundo. A não ser pelas opiniões e conselhos das várias pessoas que o cercam cotidianamente, incutindo em seu pensamento ideias abstratas acerca da realidade e protegido demasiadamente pelo principado, um príncipe pouco vê. Por isso, um príncipe inteligente está sempre se cercando de gente notável, de grandes artistas, cientistas e intelectuais. Pessoas sensíveis que possam ver o mundo e deitar a ele, o príncipe, informações, sucinta e didaticamente, advindas de suas célebres interpretações do que é o mundo e a existência. E é por isso que Dostoiévski diz que nada serviu tanto o despotismo como as ciências e os talentos.

***

 Muitas cabeças foram cortadas pela dádiva da sensibilidade dos assessores monarcas.

***

Eu acordo,
Eu penso no meu dia
A manhã muda de cor, embora fria...

Eu tomo café,
Eu leio as novas sobre o futebol
Enquanto a Terra gira um vestido de sol...

A noite chega,
Esparramando as sombras em seu movimento
Um dia a mais?
Um dia a menos?
Esparso tempo para ser pequeno...

***

Hoje de manhã eu era outro e, consequentemente, o mundo também. Pelo menos o meu mundo, a minha prancha oportuna e necessária, da qual eu nunca desço... o meu ponto de vista, viciado em meus desejos e misticismos matemáticos... Mas o mundo a meu redor parecia outro, completamente outro... Havia o sol entre as folhagens e vários beija-flores zuniam pelo jardim... Os jasmins ainda exalavam o perfume que sobrara da noite... os pássaros cantavam esperança nos galhos secos da aroeira e eu lembrei da música que dizia que não se precisa morrer pra ver deus.

***

Eu vi a grama, molhada pelo choro da chuva... e um verde gris, agora iluminado e úmido, verde novo e claro. Permaneci sozinho num breve tempo-espaço
[embora nunca se está sozinho nem mundo onde todas as coisas estão conectadas...
o tempo parado no ar... tive uma momentânea (contudo parecia eterna) sensação de beleza... um mundo belo onde eu estava imerso e envolvido... repleto de detalhes, de suntuosidades... as folhas também tinham cheiro e havia um sincronismo entre zilhões de formigas... havia uma realidade acontecendo por entre o silêncio, e eu preciso do silêncio como preciso da água, então me senti pleno... percebi um mundo acontecendo pelo tempo e me senti um rei.

***

Ontem o mundo era igualmente belo ou eu não percebi?
Talvez o mundo permaneça igual e eu esteja diferente.
A única coisa que permanece sempre igual é a impermanência...
Pro dia...
Pras noites...
Pros reis
[pra toda realidade.

***


O verdadeiro reinado vem de dentro.

terça-feira, 28 de maio de 2013

SABICÃO


Eu cheguei numa cidade do interior de Santa Catarina... tão pequena que até os restaurantes fecham ao meio-dia; até os cachorros têm tempo pra não latir, ficam curtindo o marzão que parece querer comer o horizonte e as dunas... Eu não sei porque aqui os cachorros são diferentes, não latem, ou se latem, latem baixo... eu já não lembrava como era uma noite sem os constantes latidos do Laranjal... aqui o som permanente é o da maré, que de noite bufa alto e na madrugada é um apelo pra beirar a praia.

***

Eu já vim aqui umas quatro vezes... eu costumo voltar sempre aos mesmos lugares, pois quando repetimos os lugares visitados, percebemos o quanto temos mudado.

***

Eu lembro de um lugar que me marcou quando criança... uma árvore que eu gostava de subir
[ainda nem era um jacarandá na minha mente de menino, apenas uma amiga com folhas e galhos e flores e braços...

Havia também uma calçada de ladrilhos com estranhos degraus... eu tinha uma sensação de alegria absoluta naquele espaço e voltei lá, depois de décadas, mais impuro e terrivelmente responsável. Eu já não era um anjo; eu havia poluído meu coração com o mundo dos adultos... eu agora era um cara sério, em breves e repentinas férias, procurando a si mesmo; buscando uma brasa que pudesse virar chama e queimasse estes tênues gravetos de meus subterfúgios biográficos...

***

O jacarandá era menor, ou era meu ângulo de visão que havia mudado... eu cresci, ora bolas... deixei de achar graça naqueles galhos retorcidos que eram, ao mesmo tempo, obstáculo e glória. A calçada também estava diferente... a escada, agora tão pequena... nem parecia aquela que eu subia com a ajuda das mãos...
Aquele lugar definitivamente não era o mesmo... não era o lugar da minha memória... era apenas o mesmo endereço. Mas tudo bem, eu também já era outro, como sempre, a todo instante outro... mas quando eu cheguei lá eu entendi a minha própria visão; eu percebi várias coisas sobre mim, sobre as pessoas que me cercaram desde os idos tempos em que esta escada era grande até agora... todas as transformações... Então que eu percebi a vida é uma transformação rápida e constante, como as ondas que não param de chegar na orla, no seu tempo
[sempre certo tempo

e que, assim como as ondas, a vida é bela, forte e admirável... Mas a vida só é fantástica pra quem percebe, como o horizonte é percebido por um sábio e sereno cachorro, a lançar seu silêncio no mar...

quinta-feira, 16 de maio de 2013

NO VERDE DO NOVO

Um caminho, enfim
Um dia comum
[aparentemente breve

Eu ando sozinho
Entre instantes e lugares
A reparar entre o gris da relva
A luz amarela dos plátanos
As flores do ipê

Lembrei de você
Instantaneamente, como a tarde passa
Você sorri e acha graça entre a multidão

Eu olho pro céu
Eu olho o olho seu
Tentando entender o que aconteceu...

Um sonho vindouro
O outono que nunca termina
No verde do novo,
Brilhas tu, menina.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

PLANETA


Um beijo,
Uma porta de entrada,
Um tato bucólico astrolabial

Te encontro entre um balanço e uma madrugada
A transformar o que já era nada
Em algo inspirador

Do acaso oculto renasce um poema
Guardado entre mundos
Vistos das janelas destes teus sorrisos...

Uma estrela brilha... outra lua cai
E deste teu encanto, como se sai?

A MENINA NO BALANÇO

A menina anda de balanço defronte os seres da natureza;
Mas quem mais balança são os anjos, encantados com sua beleza.

quinta-feira, 28 de março de 2013

AS ÁGUAS DO RIACHINHO


O Arlindo me encontrou, numa viagem astral, em Antuerpia, e desse nosso encontro ele mandou uma carta e um anel vermelho, com a estrela de Davi, que na verdade virou estigma judaico, mas antes disso tem um significado bem mais amplo, da união do corpo e do espírito, do céu e da terra, do éter e da matéria... Mas o fato é que o Arlindo me mandou uma carta e um anel vermelho, um anel de proteção e eu entendi o porquê da cor... eu entendi tudo.
Com este anel no dedo sinto-me impressionantemente protegido, como se houvesse sobre mim um manto de luz intransponível... como se fosse o anel dos Supergêmeos, do Lanterna Verde, sei lá...
E eu, que ainda não conheço pessoalmente o Arlindo, exceto por Antuerpia, percebo que o mundo, a vida e a mente compõem, inevitavelmente, um contexto ilusório e impermanente que envolve todos... envolve tudo o que conhecemos por realidade... tudo é criação, existência, amadurecimento e passagem... e isso faz com que as coisas, pessoas e significâncias tenham existência relativa...

***

O novo está sempre acontecendo.

***

A mente cria diversos conceitos que envolvem o meu dia como me envolve o manto protetor que advém deste anel vermelho.

***

Eduardo é do lindo; é do Arlindo!
Kennst du das land; wo du citronen blühm,
Im dunkeln laub die gold-orangen glühn;
Kennst du es woll? – Dahin, dahin!
Mocht ich… ziehn.

Dear Edward
There goes the ring
I’m so prued
How it’s the I clone
Don’t you to worry, never
Cause they are
But can not to fly


Arlindo Atsimael

Valey of the dawn, February 28th 2013.
Glory, flory, glabs of glad. So glad Antuerpia of mine.

..Entretanto, as águas do riachinho, lá detrás do milharal, correm apressadas em tornarem-se salgadas; zombando daqueles que, em suas salas de estar, suntuosas, preocupam-se em ser, estar e morrer. Indiferentes ao desconhecimento insofismável, da origem de suas vagas; mas então, ele, o riachinho, não pertence às margens, mas a si próprio... e ele ficará todo salgado, ligando-se ionicamente ao seu universo, o oceano.

Abimael

03/03/13.

segunda-feira, 18 de março de 2013

39K



Eu vi umas imagens do austríaco Felix Baumgartner que bateu o recorde de queda-livre... ele saltou de 39 mil metros de altitude e isso é tão alto, mas tão alto que eu não sei se ele é paraquedista ou astronauta.

***

Da câmera da nave dele dava pra ver o planetão azul, que em vez de Água se chama Terra, seus relevos, suas cores... tudo num tempo parado, um giro sincrônico com o sol, com a lua e outros elementos do universo... e eles se mostram todos ora grandes, ora inexistentes... e o astronauta lá, se preparando para um salto pro infinito... partindo das estrelas e voando, como um saco de batata voa, em alta velocidade, num breve instante onde nem parece haver problemas humanos em tamanha vastidão... onde não parece nem mesmo haver humanidade.

***

E eu estou aqui
Pensando nas horas que não consegui estar
E de repente percebi
Que só estava por estar
E a hora que antes nunca fora
É hora que não volta mais
A hora adiante, tão apressada
Nunca atraca neste cais...
E estou agora
Com o agora sobre o colo
Me fazendo tatuagem...
Como uma sombra inevitável deste objeto-mente
Construindo o que se chama de realidade
Confundindo o tempo com relógios de pulso.

***

Então sentei quieto pra pensar em alguns problemas.
E problemas são como os astros, ora grandes, ora minúsculos.
E eu modulo o tamanho deles em momentos de silêncio, onde todos fogem e desaparecem...
[Os problemas não suportam quietude!!!

Olho pro céu e vejo algumas nuvens, onde estrelas brincam de esconder.
O céu é belo e muda a toda hora... É sempre belo o céu.
Meu pensamento sobe a pontos quase que inalcançáveis... e eu quase bato frontalmente com um astronauta, descendo em queda-livre sem parar...
Um escafandro da outra ponta do infinito...
Testando seus limites demasiadamente corporais...
Ele Irreversivelmente cai enquanto eu momentaneamente saio
Nós dois em sentido contrário, sem olhar pra trás.
E o homem que cai procura a si na Terra;
O homem que sai procura a si na imensidão.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

TESTRAÑO

De vez em quando

[lá de vez em quando

Me dá uma ponta de saudade deste blog.
Passei aqui pra ver como as coisas andam...
dar um oi...
um volto logo...
e tive que ir.