segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

CLAUDINHO NÃO QUER MORRER

O Claudinho é maníaco-depressivo. Eu demorei pra descobrir isso, pois ele tá sempre rindo, muito simpático e querido... querido mesmo. Ele é tão querido que nessa semana tentou se matar de terno e gravata pra não dar o trabalho de sua mãe vestir defunto. Por Deus! Mas o plano dele deu errado e ele segue vivo.
Isso me fez pensar numa coisa, mais especificamente um verbo, que norteia todo o desenvolvimento da humanidade, sapiensamente falando. Trata-se do querer, verbo transitivo direto, lume dos ideários. Sim, pois o homem moderno consegue tudo o que quer. Isto é fato! Claro que o querer pode ser afetado pela necessidade, mas nunca, em sua essência, deixará de ser querer. O querer é a partícula imaterial que estimula a ação. O querer é o primeiro passo para que o cara levante da cadeira, mude um canal de TV, tome um banho de chuva, destrua florestas, atire na mãe... E o querer não tem nem oposto: não existe não-querer. O não-querer nada mais é que o querer a outra coisa.
O querer é a semente, e a semeadura é livre. Contudo, a colheita é obrigatória. Quando o homem quer poder, colhe desigualdade. Quando quer concreto, colhe destruição. Se quiser carne e fumo, colherá câncer. Agora, se quiser amor, colherá parceria. Quando quiser respeito, colherá valores. Se quiser igualdade, colherá unicidade.
Não é o mundo que tem que mudar: é a vontade do homem. "Quando a gente muda o mundo muda com a gente"... E pro homem, com seu grave defeito da racionalidade, conseguir transformar o seu querer, deverá mudar primeiro a sua própria essência axiológica e sua relação com o todo.

Porque se eu não me engano, o Claudinho não quer morrer.

DEUS CONSTANTE

Sente o agora
este amanhã em movimento
feito apenas de segundos,
como os tijolos na parede
que quando olhas
já se foram
acontecer noutro lugar

ah... e que presente este agora!!!
que cá, entre os ares respirados,
não consegue descansar dos planos
nem despir as vestes do passado
e, na imensa angústia de quase inexistir,
sustenta a essência humana acumulada

porque o agora,
que se refaz a cada instante
[à sombra de um gerúndio terminado,
inspira ao átomo a próxima atitude

talvez quisera, ele mesmo, agora,
ficar de cara por não ser lembrado
e ir morar nos andes, numa oca inca,
na solidão eterna
de um deus constante.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

HAVE A LITTLE FAITH MY BROTHERS

Temos que ter um pouco de fé, meu irmão... Um pouquinho mais de fé...

Dito isso a galera toda da igreja levantou vibrando, como se fosse uma tribo se energizando num rito fantástico. Eu fiquei me perguntando, do outro lado da TV: um pouco mais de fé em quem? Deus vive de saco cheio de tanta falsa fé, de gente enchendo com pedidos materialistas, com preces por casamentos e por infinitas coisas e coisas que nunca completam o grande vazio do ego, ouvindo promessas vãs... Deus, O Grande Mistério, Alah, Jeová, como queiram chamar, já fez a parte dele, distribuindo harmonia natural pelo cosmos para que tudo fosse, simplesmente fosse, acontecesse. Inclusive nós...

Temos que ter fé nos homens... O mesmo homem que devastou a natureza, que joga duas milhões de garrafas pet por segundo no lixo, o grande extintor das espécies, que em 100 anos transformou a harmonia em caos, que pensa a modernidade e progresso como um monte de níquel e esquece de todo o resto, que polui os seus jardins e sua água... Devemos ter fé no homem carnívoro, que, por irresponsabilidade consciente, manda milhares de seres para o abate, colaborando com a poluição, com o desmatamento, com o carma sanguinário que ainda paga pelas mortes deste e doutros séculos... Nós temos sim é que ter fé no homem bélico, que solta bombas em escolas e hospitais, que atira na cara de irmãos em troca de uma passagem de oleoduto, em troca de uma propriedade roubada, em troca de poder, e esquece que não existe poder em um planeta em ruínas. Precisamos crer no homem, que se esconde atrás de leis e garante sua lisura e honra com cartões de crédito, que ainda estupra as índias dos semáforos, que paga para matar, que mira seus objetivos em seu enriquecimento ilícito e que engana os que o amam...
Eu acredito no homem. Acredito piamente, acima de tudo, que o homem terá a grande capacidade de despertar. Acredito que o potencial racional, o livre arbítrio e a consciência atuarão lado a lado com a harmonia da Terra e de todos os seres, enfim. Creio no novo homem, que usa a linguagem da pureza e da ingenuidade, a linguagem do amor e não a da vaidade, do medo, da ganância. E talvez nem consigamos salvar nosso planeta, nossos filhos, nossos amores e pais... Talvez termine tudo e morramos de sede... Mas eu acredito, nem que seja no último segundo antes de um grande meteoro atingir a nossa nave, tardiamente, mas eu acredito que o homem perceberá, em sua “racionalidade moderna”, que o caminho da paz, da sustentabilidade e do amor incondicional não é esse em que trilha sua história.

EU E TUDO

Uma manhã fria
Os cavalos comem lixo entre o pasto
E o sol, com vento e nuvens,
Nem parece estar ali...
O tempo, que se nos vence, mata
Procura coisas pra fazer
Em sua ampulheta infinda do existir
Andando, repito em silêncio o que eu já não sabia
E as frases de um novo agora
Registram nas estrelas o que compreendo...

Penso e logo existo e logo penso novamente
Existo quando existo nunca
E sempre indo, como a areia do Saara,
Me transformo em vidro, me transformo em mar,
Me transformo em sombra e luz
Porque de fato sou
Eu
E Tudo.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

NOVO DE VELHO

Eu estudei Direito na UFPel até a metade do 4º ano (8º semestre). Fui da turma do Lato Sensu, que ficou marcada pelo seu direitismo exacerbado e pela ganância de uma gurizada branquela, que ria das tragédias e contabilizava em moeda a justiça, que eu particularmente chamo de hipocrisia formal. Claro que tinha gente boa lá, como o Betinho, o Rafa, o Alex Mala, o Nico e alguns outros, de se contar numa mão e meia. Já dos professores, pouquíssimos se escapariam da forca no meu sonho libertário. Sorte deles que já saí desta onda de rancor, muito pelo contrário: até agradeço pela estupidez deles, pois foi o que me fez cair na real e me mandar de lá.

Eu pensava que o 3º Grau, a academia, teria de ser menos ortodoxa, arcaiaca, preconceituosa... Sabia que algo esperava por mim. Foi então que passei no Cinema, 1ª turma da mesma Universidade. Eu iria estudar arte, caraca!!! Tudo se encaixou... Mas ontem, no final do 2º semestre, fiquei pensando sobre o velho e o novo, pois percebi que pouca coisa mudara em relação ao Direito e que, afora as pessoas, muito mais simples, inteligentes e queridas, o método arcaico de ensino segue como regra absoluta. Sem falar no sistema educacional verticalizado e da distância abismal entre o professor que manda e o aluno que obedece, com raras exceções, no caos do ensino público, sem verba, sem interesse, como migalhas para a massa pobre.

Passei em duas cadeiras, de um total de sete. Reprovei em cinco por infreqüência, como se minha presença física em aulas muitas vezes monótonas e improdutivas fosse critério para avaliar meu conhecimento. Sim, pois nas duas cadeiras que passei fiquei com uma das maiores notas de toda turma, embora saiba que é ridículo dar notas a alguém que busca conhecimento e cresceimento. O fato é que há professores que ensinam o que nem sabem, exercendo burocraticamente um cargo de funcionário público e não de educador, mas tudo bem... tudo é o processo de sucateamento do saber, em pauta do nosso Governo Federal, mas isso é outra conversa.

O fato é que eu fiquei tri afim de sair fora novamente: eu, que tô corrento atrás da máquina, fazendo filme, trabalhando minha forma de comunicação, levando também o nome do curso por onde ando, abrindo picadas a facão..., tomo esta facada do contra-academicismo. Mas muito dos que me reprovaram ainda não sabem porque eu não tenho onde anotar, mas eles também estão reprovados.

Reprovados!!!!

Não citarei nomes... o preceito Rinri de hoje pede respeito a si e aos outros... Mas escrevo, pois me liberto nas letras. E critico, pois sou livre e assino, como pede a Carta Magna do nosso teatro social, e não admito uma academia que aprisiona muito mais que liberta, que cobra muito mais que concede, que se mantém longe e pune.

E não adianta se disfarçar de moderno, porque o velho eu conheço no olho.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

W00T

Li na net hoje que "w00t" foi eleita a palavra do ano numa pesquisa promovida pela editora norte-americana Merriam-Webster. O termo, comumente utilizado por gamers, refere-se à alegria da vitória sobre o oponente em jogos de PC (we owned the other team, ou vencemos do outro time, em tradução livre) e representa a influência da e-modernidade nas gramáticas do mundo, onde letras, números e símbolos se misturam para fazer os vocábulos.

Eu, particularmente, achei horrível. Não só a palavra W00t, mas também o fato de alguém elegê-la como a palavra destaque do ano. Talvez deve ser porque Harmonia, Amor, Água, Beija-flor, Luz, e outras tantas de igual beleza, não façam mais parte do vocabulário e do espírito do homem moderno.

sábado, 15 de dezembro de 2007

MENESTEDES EMPRESTA, MAS NÃO DÁ

Dizem as más línguas de Uruguaiana que o seu Afonso Menestedes, famoso pecuarista local, voltara diferente de sua tragédia pessoal. Acontece que o avião do seu Afonso caiu numa remota ilha do Pacífico e ele lá ficara até ser resgatado, dois anos depois, por uma expedição da Furg que voltava do Pólo Sul.
Mas o ponto-chave de tudo é que o seu Afonso Menestedes não ficara solito no más na tal ilha: o co-piloto, Carlos Manteiga, outro sobrevivente, lhe fizera companhia.

Seu Afonso... Eu andava pensando - disse o co-piloto -... A gente tá aqui, só eu e o senhor... Há uma ano e meio, sozinhos nessa ilha... sem nenhuma mulher...
Undiéqui tu tá quereno chegar, índio velho? respondeu seu Afonso.
É que eu pensei que a gente poderia, sem compromisso seu Afonso... A gente poderia dar uma bimbada, digo, fazer uma meia, digo... digo...
Tu tá me achando com cara de trator que aceita engate na traseira, xirú? Vamo mudá o rumo da prosa..., disse seu Afonso.

Mas passados dois meses, o seu Afonso pensou melhor e decidira dispor de sua homossexualidade nunca revelada.

Ô Carlos... te aprochegue... Eu pensei melhor e decidi: vamos fazer "aquilo que tu queria", mas eu primeiro.

E assim se sucedeu. O co-piloto Carlos prostou-se e o seu Afonso Menestedes o fez de mulher. Quando chegou na sua vez, seu Afonso se posicionou como uma galinha assada, enquanto Carlos Manteiga se preparava, com afinco, para a cena que dispensa narração. No andar da carruagem, o co-piloto se aproximou e deu um leve beijo nas costas do seu Afonso, para a surpresa do mesmo.

Ôpa... disse o pecuarista... pode parar com tudo... sé é pra ter viadagem, paremo por aqui.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

PÉ-NO-CHÃO

As pessoas
Nas ruas
Estampam, sobre as roupas,
Uma desolação existencial...

Vivem entre as datas em que pagam contas,
Contam a existência em dias úteis de escravidão moderna,
Realizam seu escopo ante a fama de um boçal

[que idolatram na TV
E escondem muitos podres de caráter
Sob a mesma roupa que colore suas caras tristes

[depois, eu é que sou louco por estar de pé-no-chão.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

CONTRAPÉ DO DIÁLOGO

O castelhano desdentado me sorriu e disse que torcia pro Boca! Quando ele falou "Boca", saltou cuspe pra todo lado. É interessante como tem coisas que não combinam com suas imagens, como o desdentado amante do "Boca" (cuspe) e do índio de sapato que eu e o Andrezinho vimos hoje.
Outra coisa que não combina com o nome é a Ambrosia, delicioso doce que tem o nome mais feio de todas as mesas. Mas esta substantivada postagem nasceu como uma ponte para que eu chegasse ao assunto que queria: o contrapé do diálogo.
O contrapé do diálogo é quando uma resposta chega antes da pergunta, é quando o não se veste de sim e quando o ilógico domina as teias da percepção racional, como aquele tio gordo que deita no sofá da sala pra ver o jogo do Curíntias.
Um dia, eu estava na frente de casa, esculpindo. Não que eu seja escultor, nada disso. Minha mãe e meu pai é que são! E dos bons, pois fizeram a coisinha querida que vos fala. Mas eu tava era rateando, bolando um número da casa num pedaço de pau, a finzaço de parar de enlouquecer os carteiros, quando estacionou um carro da ViacaboTV. E eu, que há horas assinava a ViagatoTV, fiquei só de bico nos caras que descobriram minha ligação clandestina.
Ôpa... boa-tarde, disse um deles. Eram 3.
Ôpa... e daí!? respondi eu, sem parar de esculpir e fazendo de conta que ele era um cara do Censo e tentando pensar rapidamente no que eu faria.
É que a gente reparou nesta sua ligação aqui... E ela é clandestina...
Sim, é clandestina sim... Disse eu.
Pois é, falou ele meio sem jeito, não entendendo minha tranqüilidade. É que a gente possui vários planos de assinatura...
Mas eu não tô a fim de assinar, respondi. Eu tenho de graça cara, quando eu quero. Além do mais, não vou discursar pra ti sobre o papel emblemático da mídia na desgraça social brasileira, nem vou te falar dos preços exorbitantes que vocês cobram por esta merda. Faz o teu papel aí mano, e podes cortar minha TV, que quando eu quiser, ligo de novo.
O cara me olhou e disse: Tudo bem, nós vamos cortar. E puseram a mão na massa, como diz o gaúcho.
Eu entrei em casa como quem ia dar uma mijada e respirei fundo. Olhei pela janela e eles estavam recolhendo o cabo que eu havia comprado na Eletrônica Shop por 50 pilas.
Hei hei hei... Pode parar aí manito. Este cabo é meu! Comprei e tenho nota, falei.
Mas é política da empresa recolher os cabos, falou ele, já se encolhedo como um pinto no frio.
Mas a política da SUA EMPRESA não pode lhe dar a liberdade de retirar o MEU CABO, que eu comprei com MEU SALÁRIO. Isso que vocês estão fazendo é roubo! ROUBO! Vou chamar a polícia!, esbravegei e entrei pra dentro de casa, como quem faria, de fato, a ligação pra lei.
Os caras ficaram tensos... recolheram rapidamente o material e se mandaram, carregados de culpa e sem me importunar mais. Levaram o cabo, sim... Mas deixaram de me trazer uma gama de incomodações... Fiquei sem TV por breves dias, mas fui salvo pelo contrapé do diálogo.

Goleiro num canto, bola no outro.

CAFÉ DA MANHÃ PRÂNICO


"Todo dia nasce novo
em cada amanhecer".

GERAL

Eu,
Preso ao meu ponto de vista,
Não delimito nem minhas próprias verdades...

E ontem
Dizia que hoje
Daríamos aquele passeio
Mas hoje,
Pequena,
Ficarei sozinho,
Estudando coisas minhas quinda desconheço,
Arrumando minhas crenças de gaveta,
Dobrando meias-verdades,
Lavando a roupa suja que

[de dentro da cabeça

Às vezes acredita ser
A única dona da casa.

JUCA LARANJEIRO

Ô Juca... Tu sabes qual a diferença entre chupar uma boceta e chupar uma laranja?
Não sei não... Nunca chupei uma laranja!!!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

SIMESMO FUTEBOL CLUBE

Aqui no Sanep o pessoal do Compras fez o tradicional amigo-secreto de final de ano. Eu peguei o... Bom... é claro que eu não vou dizer o nome dele, pois vá que dê o azar de alguém de lá ler o blog e aí vai acabar com a brincadeira. Pelo menos com a minha.
Mas o fato é que eu vinha pensando o que daria pra figura... Eu sempre gostei de dar presentes legais, alternativos... Mas esse ano tô sem idéia e acho que vou dar um calção pro cara jogar bola, sabe... Tritrivial...
É que ele é do tipo que vai jogar pelada na pracinha ou na calçada todo uniformizadinho, do pé ao gogó. Meia vermelha, calção branco e camisa vermelha e branca... Meia azul, calção azul, camisa branca... Ele costuma chegar no campinho com a bola embaixo do braço e já entra aquecendo... O engraçado é que só ele usa aquele uniforme, ninguém mais. É o time de um homem só: o Simesmo Futebol Clube. Pode até aparecer outro cara metido a boleiro e uniformizado, mas com certeza o uniforme vai ser diferente. E no Simesmo o meu amigo-secreto é titular absoluto: só fica fora por lesão ou suspensão.
Só que nesse ano eu vou dar pra ele um outro calção... E vou dar um calção florido ou laranja-limão, que é pra ele nunca encontrar um resto do uniforme que combine e ir pro banco de reservas de vez. Porque balaca ele tem, mas futebol não.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

MELECA DE NARIZ

Ninguém mais cheira flores pela rua. E nem tanto pelo fato de não existirem muitas pelas calçadas cinzas da cidade... É porque as pessoas que existem atrás de seus narizes parecem ter perdido esta capacidade.

O TEMPO ACONTECE

Acho que foi num som do Paulinho Moska que ouvi a frase "Não importa o fim da estrada quando se vai rumo ao nada". Se não foi bem isso, foi mais ou menos isso. Pois bem... é que no mundo das informações, cada letra depende da carga cognitiva do receptor para existir de fato e, então, linkei esta oração à oração do que pensava. Além disso, em frase dada não se olha os dentes.

Esse niilismo moskiano, por conseguinte, me lembrou de um papo com o Negão, onde falávamos sobre o agora e patrimônio. O Nelsinho disse que "Patrimônio é como pegar água com as mãos... é ilusão! Hoje temos, amanhã não. Basta morrermos e deu: acabaram-se a posses e títulos". Eu concordei, enquanto o Pedrinho dos Alumínios cobrava que trabalhássemos e parássemos de conversa fiada.

(Tu também morrerás, Pedrinho!)

Aí lembrei do cara que reclama o tempo todo, preocupadíssimo com o que tinha e perdeu, com os amores que fugiram, com quantas moedas vai juntar até janeiro... Tonto de tanto olhar para trás, para frente, para outros, esquecera de observar o agora, o eterno agora, lugar onde realmente podemos relocar o mobiliário do que somos, onde podemos transformar os nossos ambientes, onde podemos dissecar o milagre de nossa existência sublime...

Poderia até dizer que tudo é perda de tempo, se não soubesse o que realmente é o tempo... Poderia até dizer que sinto compaixão, dele e do dentista sedento que matou e morreu por uma partilha de bens... Mas tudo é O Processo, uno e individual. Cada um com seus problemas (artigo 7º do Data Fifa). É que enquanto o homem enlouquece com suas contas e obrigações, o tempo simplesmente vai acontecendo, até chegar o dia em que todos os nomes serão esquecidos.

PROVÍNCIA DO SERGIPE

O adjunto de promotor público, representando contra o cabra Manoel Duda, porque no dia 11 do mês de Nossa Senhora Sant'Ana quando a mulher do Xico Bento ia para a fonte, já perto dela, o supracitado cabra que estava de em uma moita de mato, sahiu della de supetão e fez proposta a dita mulher, por quem queria para coisa que não se pode trazer a lume, e como ella se recuzasse, o dito cabra abrafolou-se dela, deitou-a no chão, deixando as encomendas della de fora e ao Deus dará. Elle não conseguiu matrimonio porque ella gritou e veio em amparo della Nocreto Correia e Norberto Barbosa, que prenderam o cujo em flagrante. Dizem as leises que duas testemunhas que assistam a qualquer naufrágio do sucesso faz prova.

CONSIDERO:

QUE o cabra Manoel Duda agrediu a mulher de Xico Bento para conxambrar com ela e fazer chumbregâncias, coisas que só marido della competia conxambrar, porque casados pelo regime da Santa Igreja Cathólica Romana;

QUE o cabra Manoel Duda é um suplicante deboxado que nunca soube respeitar as famílias de suas vizinhas, tanto que quiz também fazer conxambranas com a Quitéria e Clarinha, moças donzellas;

QUE Manoel Duda é um sujeito perigoso e que não tiver uma cousa que atenue a perigança dele, amanhan está metendo medo até nos homens.

CONDENO:

O cabra Manoel Duda, pelo malifício que fez à mulher do Xico Bento, a ser CAPADO, capadura que deverá ser feita a MACETE. A execução desta peça deverá ser feita na cadeia desta Villa.

Nomeio carrasco o carcereiro.

Cumpra-se e apregue-se editais nos lugares públicos.

Manoel Fernandes dos Santos
Juiz de Direito da Vila de Porto da Folha Sergipe, 15 de Outubro de 1833.

Fonte: Instituto Histórico de Alagoas

sábado, 24 de novembro de 2007

DA MATÉRIA À ENERGIA II

Então o cara me disse que não poderia ficar sem almoçar. Brincadeira... Pior, que não vive sem carne e que não sabia como eu podia viver sem "um bom churrasquinho".
Sem entrar nas questões ambientais, orgânicas e cármicas da alimentação carnívora, disse pra ele que eu é quem não entendia como sobreviviam aquelas pessoas que só se alimentam de carne, só bebem Coca-Cola e fumam três carteiras de Hollywood vermelho por dia. Sim, pois nessa dieta há pouca nutrição, a não ser proteína, açúcar e veneno.

Energia prânica!!! Sol...
Ainda somos a galáxia mudando. Temos que deixar nossas bagagens pesadas para podermos andar mais longe...

DA MATÉRIA À ENERGIA

Pensando sobre as luzes no céu que constante (e estranhamente) circundam Pelotas, refleti. Por que não há um contato mais exato? Por que o homem ainda não conseguiu voar pelo espaço sideral, como nossos (obscuros) ETs?
Acontece que os ETs não viajam no espaço: eles viajam no tempo. Eles, na verdade, são nós. Mas um nós evoluído, que não tem gula, maldade ou ânsia. Eles não se alimentam, a não ser de luz, por isso não têm boca, e a cabeça grande que eles têm é pelo hiperdesenvolvimento da pineal. Eles não falam porque já vivem na freqüência das informações. Habitam, eles (não vou mais os chamar de ETs: nós também somos ETs, poxa...), em uma outra dimensionalidade, e por isso conseguem um deslocamento fluídico que sobrepassa a nossa percepção tridimensional. E quando eles conseguem uma amplitude muito elevada, acabam por exaurir a quadridimensionalidade e, por isso, às vezes podemos ver seu rastro energético (luz) aqui da terceira divisão.
Nós nunca subiremos numa nave tetradimensional: iríamos desintegrar. Nós morreremos aqui, na nossa estrela Terra. Nossa genética é que deve ser aperfeiçoada para que, no futuro, nosso GNA possa voar com eles (ou conosco?).

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

AMOR DE FILHO


Meu passarinho
Veio se aninhar
Num amor de filho
E par da canção

Meu amor
Os seus olhinhos de neném
lam me passando a fé

A vida vai valer
Enquanto seu carinho brilhar

De cada criança
Tira uma gota do olhar e
Espalha sobre a Terra essa magia

A cada predador ela anuncia
Nós precisamos do nosso amanhã
Dê uma nova chance
A mim, de caminhar

O seu sorriso amanheceu
Num só momento a bela luz
Em cada canto deste mundo
Chegou primavera

E outros fenômenos leais
Traduzem paz
Paz que queremos tanto ter
Pra durar
Nova chance de se caminhar

E construir o seu ninho
Espalhando luz, inventando
Um caminho novo, brilhante, nobre
Inocente, puro
Nossa canção está no ar
Bem-querer, filho meu
Meu bom anjo, meu par.

(Beto Guedes)

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

CARTA AO BOTTI

Gran Vicente

Eu tenho um tio em Porto Xavier que se chama Vicente. Ele é o cara mais mentiroso que eu conheço, além de canastreiro, boêmio e tangueador. Colorado, doente! Ah... e pescador (só podia...). Ele usa aquelas cuecas abertas na frente, sabe (?), e quando eu era pequeno e ficava deitado, vendo tevê, ele passava e as bolas balançavam prum lado e prooutro da cueca folgada. Era o maior barato... a gurizada toda caía na gaita.
Um dia ele mergulhou no rio Uruguai e emergiu com um cigarro aceso na boca... juro por deus! E também, depois de um baile na Argentina, resolveu voltar a nado e dormiu no meio do rio, indo acordar lá em Uruguaiana. Sério! Peor!
E esse Vicente aí, que ainda mora em mim, me fez simpatizar contigo, ô da Pimenta, pela coincidência das letras e, depois, pelo astral do que fazes (músicozinha) e pela tua simpatia.
Agradeço pelo convite para assistir ao jogo Brasil x Uruguai aí no Fondo... mesmo. É que hoje tenho um ensaio com os atores do curta do Jorge Nelson, que estamos em reta final, e terei que dar WO.

Um abração à esposa e ao bêibi.

Duda