sexta-feira, 30 de outubro de 2009

TICTAC


Você me diz que horas são...
Eu não entendo essa mania louca
De saber as horas...

O dia passa,
A noite espera,
E as estrelas vêm chegando pra bisbilhotar...

A vida é boa
E viver, melhor ainda
Esqueça o tempo
Ele passará...

A DINÂMICA DO NÃO (ou COMO GERAR UM NUNCA)


Pra este ano eu não vou lançar um livro
Não tenho ideia de comprar sítio nenhum...
Não quero mesmo trocar de motocicleta
Nem me imagino estudando alemão...

Eu não desejo ir na feira de calçados
E nem pretendo colorir o meu portão
É certo que este ano eu não viro político
Nem vou pro curso de bailado de salão

E entre tantas outras coisas que não faço
Vou mapeando tudo o que ainda sou
Até que um dia eu canse, eu mude, eu me transforme
E o que eu pense vire nunca, vire não...

VEZES QUÊ?

Se eu contasse os segundos desta Era
às estrelas do céu
Não chegaria à metade das vezes
Que pensei em coisas desnecessárias

Se eu desse nome a cada gota do pequeno rio
E cheirasse todas pétalas de meu jardim
Talvez chegasse a um terço das coisas
Que falo em vão

E se eu contasse, contasse mesmo,
Os minutos de meditação de cada padre
a meus amigos de fé
Talvez em cada dedo de minha mão
[esquerda

Selaria o número exato de verdades
Que por ora tenho...

FATO DA PERCEPÇÃO


O tempo contém o espaço
O espaço contempla o eu
O eu do tempo, hólon...
O eu do espaço, eu...

E ao girar, conto as luas
Pra deixar a noite escura
E percebo então que o paraíso
Não é o lugar a que percebemos
E sim o fato da percepção.

FACINHO


Pensei que fosse relativamente fácil fazer da vida uma grande história... Lembro de tantas coisas que não fiz, tantas perspectivas que não se perfizeram...
Construí imensos castelos de cartas e achei que o tempo fosse responder... E de fato fala, o tempo, coisas boas, ensina o rumo, arruma os ponteiros do relógio... Mas também limita e tira a graça de se jogar tudo fora, de não ser constante...
A mente quer saber aonde pisa... Pisa sobre os planos, sobre os sonhos, sobre a força que talvez houvesse... A mente sabe os doces que come e invade o quarto escuro do silêncio, acendendo luzes, gritando entre as estrelas...
Eu, às vezes, faço de conta que não ouço. E exercito tanto que não ouço mesmo... Quieto,
[e somente quieto

facilito as coisas. E facilito a vida...

TAPERISMO


Pode me dar 63?

ESPÍRITO NÃO TEM IDADE

A noite absorve o dia
Como o que eu sabia ontem, já se pôs...

E nesta mania
De morrer a toda hora, a cada certeza
[derrubada

Me faz ver
Que a idade da moça
Independe dos bailes que dançara...

CAMPEÃO DE GUERRA DE BOSTA

Ele disse Ó, mas ela nem olhou... Ficou ali, no computador, como quem procura à noite...
Lembrei do tempo em que as pessoas dedicavam os Olás... Que apertavam a mão... Não encontro mais as crianças brincando nas ruas...
[A virtualidade nos aprisionou, isolou...

Ando louco pra fazer uma guerra de bosta!

TUTUTU


Não estranhe quando deixo de atender ao telefone.
É que tudo o que eu não tenho pra dizer é muito mais importante...

PASSADELA


Ela gostava de filmes na madrugada... Ele cuspia na esquina... Era um nobre vagabundo...
[Parecia o Elvis

e a encontrara numa praça-festa. Ela olhou como quem olha pra faca e as amigas perceberam que estava afim.
Ele saiu, não deu nem bola. Cruzou a rua e seguiu, por onde a vida continua...
Ela bebeu mais sete goles da bebida
[sentindo-se como aquela solitária pedra de gelo no final do copo...

e foi viver os seus agoras noutro dia de manhã.
No caderno, cada vez mais grosso, uma frase segurava a linha em branco:
"A vida não existe, já passou..."

SUFICIENTEMENTE LOUCO


Cada um pode ser louco
[suficientemente louco

Para estar na sua loucura...
Pra quebrar os pratos,
Devaniar,
Pensar em coisas que nunca couberam...

Cada um pode, e pode sim,
Achar que é vítima das circunstâncias,
Gemer no vento,
Chorar atônito

Mas o coração
[templo da carne

Finda um dia
E seu findar nunca explica
A pequenez dos fracos.

SANTO TIRANO


Quando nossa mente não outorga ao outro o mesmo direito ao erro, quando atribuímos culpa e não-perdão às falhas alheias, estamos sendo egoístas. Egoístas porque queremos o mesmo perdão
[negado

para os lapsos que são nossos.
Então, quando estamos equivocados, ainda achamos que somos merecedores de perdão, piedade, zelo e compreensão. Temos a razão por sobre a situação. Contudo, quando o equívoco é do outro, julgamos e culpamos. Ora, se a mesma situação pode ser tolerável ou não, é porque nosso egoísmo suplantou os nossos valores.
É certo comigo...
É errado com o outro...

E é aí, em momentos tão singelos e de reflexão axiológica, que nascem os santos e os tiranos.

ESPELHO QUEBRADO


"A verdade é um espelho quebrado..."
O Johan me escutou dizer esta frase e fica toda hora repetindo. É seu 4º jargão mais forte, o 2º mais filosófico,
[no auge de sua filosofia dos 3 anos de idade...

atrás apenas de "Me pega", "A Tati é minha" e "Não existe amanhã, só existe agora...".
De certa forma, cada vez que ele repete a frase da verdade, me faz ficar quieto, observando apenas... Tudo o que sei se resume apenas
[e miseravelmente

àquilo que sei... Quase nada... tão pouco que me impede de fazer qualquer julgamento. E sempre falo demais... Ainda assim falo demais... Cada palavra restringindo o resto, cada "verdade" emoldurando tudo...
O que critico sou eu... sou a feiúra que vejo. E tudo gira tão depressa que às vezes fico do lado de lá da verdade, do lado de fora...
É impossível dar um tiro certeiro na mira móvel da certeza...

PÓLEN DE BROMÉLIA


A frustração é a pior (ou uma das piores) manifestação da alma. É eminentemente egoísta sofrer pelo que não houve, pelo que queríamos que fosse...
Deve-se deixar fluir, como fluem os rios, e esperar que a sincronicidade tape os buracos da estrada da vida. E ela tapa... ela sempre tapa... ela vive tapando...
Mesmo assim eu penso que a dor é um caminho inevitável... mas isso não significa que deve-se sofrer. Deve-se sentir a dor como quem toma um suco de laranja... Deve-se degustar da dor, curti-la, como quem curte a chuva na varanda...
Só assim, desnudo de tudo o que aprisiona a mente, que congela e amassa,
[só assim

pode-se voar solto como pólen de bromélia.

3x4


Ele era tão espiritualizado
[mas tão espiritualizado!!!

Que já tinha fotos
Da próxima encarnação...

CLÃ DOS SEM CLÃ


Dia 19
Às 19h30min
Não esqueça de não ir
À inauguração
Do Clã dos Homens sem Clã.

TATUAGEM


Não sabia ao certo
De que lado da verdade estava...

Sabia de coisas
Sonhava em alemão
Mas quiçá não entendia
Os porquês da vida tão cruel...

Mas o que via
Era tatuagem
Feita por dentro da pele
[muito por dentro da pele...

RETRO


Sou meu próprio retroprojetor
Do mundo...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

OSHO E AS ANEDOTAS CERTEIRAS


Um rei, passando por uma pequena cidade, viu algo que acreditou serem as marcas de uma surpreendente pontaria. Nas árvores, nos celeiros e nas cercas, havia uma série de alvos, cada um com um buraco de bala bem no centro.

Ele não acreditava no que via. Tratava-se de uma pontaria soberba, quase um milagre. O próprio rei era um bom atirador, e conhecera muitos bons atiradores na vida, mas jamais vira algo assim. Ele pediu para ser apresentado ao atirador, que era, na verdade, um louco.

— Isso é sensacional! Como você consegue? — o rei perguntou ao louco. — Eu sou um bom atirador, mas nada se compara à sua arte e habilidade. Por favor, diga-me.

— É muito fácil, respondeu o louco, rindo —, eu atiro primeiro e desenho os círculos depois!

SER FELIZ É DESEJAR AQUILO QUE JÁ SE TEM

A felicidade é o critério da atitude certa...

TEMPO E DINHEIRO


Acho interessante a necessidade que temos, nós humanos, de substantivar coisas, de calçar a mente com definições exatas, de estigmatizar tudo...
A senhora me perguntou se eu era hippye. Respondi que havia muitas diferenças entre a minha vida e a vida de um hippye, mas se ficava bem pra mente dela me entender como um hippye (a ela pejorativamente hippye), que ficasse à vontade.
Depois, ela me perguntou como eu me sustentava, morando na montanha. Eu detesto essa pergunta... é extremamente deselegante que alguém, que não tenha nada a ver com a minha vida, queira saber como eu me sustento!!! É uma pergunta burocrata e extremamente preconceituosa, mecânica, de alguém que sopesa tudo pelas moedas que tem.
Eu lhe respondi com a máxima do Danilo:
"Minha senhora... tempo e dinheiro são como sol e lua: ou a senhora tem um ou tem o outro. Não se pode ter os dois! Eu, por exemplo, tô cheio, mas cheiinho de tempo. Tenho tempo pra dar e vender... A senhora tem dinheiro, mas não tem tempo. Qual de nós tem mais riqueza? Claro que existe os casos de eclipse, ou seja, aqueles em que pessoas têm muuuuuuuuuito dinheiro e tempo de sobra, que é uma coisa muito rara, e também aqueles em que a pessoa não tem tempo nem dinheiro, este um caso mais comum..."

Por isso que eu prefiro um bolso vazio deitado na grama do que uma conta cheia de noites maldormidas...

sábado, 17 de outubro de 2009

MÁXIMA DO JOJÔ


Não existe amanhã... só existe agola!

À MODA B


Beturento, ardiga, dorme e toma banho de pia...

O TAMANHO DO HOMEM


Millôr não entendia o porquê pelo qual quanto mais se afastava de casa, menor ficava...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A LENDA DO INVERNO GUARANI


O Zapataçu é um índio descendente dos guaranis que, por causa da sifilização branca, acabaram montando tribo na beira da BR-116, que liga Pelotas a Porto Alegre. É um acampamento muito singelo, caracterizado pelas lonas pretas e pelo abandono... é mais uma sociedade dentro da sociedade, uma subdivisão social que impede qualquer tipo de justiça e igualdade.
Mas voltando ao Zapataçu... ele ingressou na Faculdade de Meteorologia da UFPel e, no mesmo e fatídico ano, perdeu seu pai, o pajé daquela localidade. Claro que o nem sempre retilíneo caminho da hereditariedade colocou Zapataçu como o próximo chefe daquela vila indígena, o que aceitou de pronto. Na primeira reunião com os índios, lhe foi cobrado qual seria sua prima-ação em relação à tribo e ele mandou que fosse coletado a maior quantidade de lenha possível, pois aquele inverno prometia ser frio.
Na outra semana, na Universidade, Zapataçu pediu ao professor especializado como seria aquele inverno, em condições climáticas: muito frio e muita chuva, respondeu o docente prontamente. Isto fez com que Zapataçu voltasse à localidade e reforçasse o pedido para que os índios catassem mais e mais lenha. Contudo, já inverno adentro, o tempo contiuava quente e seco, mas a ordem permanecia de pé: Lenha e lenha!
Na Universidade, o experiente professor confirmava a Zapataçu: este inverno vai ser frio e chuvoso, podes crer Zapataçu.
E assim foi... já quase adentrando a primavera, aquele estranho inverno ainda não havia apresentado frio ou chuva. Mas a ordem permanecia: catar lenha. Até que a pressão ao novo pajé ficou insuportável. O conselho indígena reuniu-se e disse, com sotaque guarani:
"Chefe não com razão! Frio não vem. Tribo cansada catar lenha."
Mas Zapataçu manteve a postura e solicitou que a coleta durasse até o fim de semana, pois o frio viria sem dúvida alguma. Enquanto isso, retornou à Faculdade e ao excelentíssimo professor:
Professor... O senhor diz que vem frio mas até agora esse inverno foi quente e seco. Eu preciso saber de onde vem a informação que o senhor me passa que este inverno vai ser muito rigoroso...
Ora, Zapataçu... Eu vou toda semana pra Capital e tu tens que ver o que os índios da BR estão catando de lenha...

MORAL DA HISTÓRIA: A sabedoria é viva, o conhecimento é morto.

A MORTE É A ÚLTIMA COISA QUE EU QUERO QUE ME ACONTEÇA


A pessoa realmente inteligente mantém sua infância viva até o seu último suspiro.

DEUS NÃO PODE SER UMA PESSOA SÉRIA


Regozijar-se com a vida é o caminho que leva a Deus. Vá até Deus dançando, vá até Deus rindo, vá até Deus cantando!

Deus já deve estar cansado de seus santos sérios. Durante séculos, esses sujeitos estúpidos... Ou ele deve ter cometido suicídio, vendo todos esses santos — não consigo ter imagens deles em meu quarto —, ou deve ter enlouquecido, ou fugido.

Se você olha para a vida, se essa vida é uma criação de Deus, se essa vida é a expressão de Deus, então ele é um Deus dançante, cheio de flores e fragrância, cheio de canções — muito criativo, sensível —, cheio de música...

Se essa vida é alguma prova — e além dela não há outra prova —, então Deus não pode ser uma pessoa séria.


Visite: www.palavrasdeosho.com

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

AGORAKI


Estou
No exato ponto
Onde o tempo encontra o espaço
No preciso agora
Num momento tênue
Onde cabem todos outros...

Então pra quê sofrer
Se vou logo morrer?
Oitenta anos?
Não importa!
Outros lugares?
Nada importa!

As pirâmides
Estão
Apodrecendo...

ESQUINAMENTE

A mente
[silenciosamente
Percebe coisas que também sou
Faz suas leituras
Nas linhas dos idos
Querendo respostas que teimam mudar

A mente
[inquietamente
Requer sim, requer não
Inaceitavelmente indúbia,
Impossivelmente incerta
Invariavelmente exata

A mente nunca dorme
Espera na esquina das manhãs...

INTERRUPT

Voltou a luz de madrugada
Quando eu não queria nada
Nada, nada, além do sono
Um soninho bem can_sa_do
Sol cristal amarelado
Deus no interruptor...

OSHO 208

Nasce uma palavra
Ela é viva por alguns momentos
Ela pulsa à sua volta
Se você puder ouvi-la, ela entrará no seu ser
[se tornará parte do seu ser...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

ESTÚPIDO DEUS


Não espero pelo dia em que
Todos os homens concordem
Todos numa mesma lotação
Todos, todos, numa nova organização
Seguindo os passos dm grandioso líder
Um mártir vazio...
Um espelho do que falta no seu fanático exército...

Um rei, um santo
Um etúpido deus
Que com seu amor absoluto
Tão absoluto e tirano amor
Decaptava multidões
E dormia com meias de lã

Toca o despertador
Levanto
E se abrisse a porta?

LUA UNHA-CORTADA


Os nomes
São mais pra nós
Do que pras coisas em si...

Me chama de amor
Diz que quer neném...
Oh bem... ainda é cedo
[muito cedo
Pra plantar a noite
Grávida da lua, unha-cortada
Maquiada de estrelas

Tudo passa na janela e eu aqui
O mesmo, a mudar sempre
Uma gota no mar da cidade
Uma onda na mata
Um gás no vulcão da madrugada

Não diga nada
Vou dormir...

OBSOLETO NADA


O pato
Disse pro gato
Que disse pro rato
Que disse pro mato
Qe disse dede fato
Que aquelas rimas todas
[todas
Eram tolas
Eram nada
Tudo nada
Insorte
E obsoleto
Nada.

AGORENTO


Largo tudo
Tudo teima e ficar pra trás
Nesta imensa estrada do passado
Que só cresce, que só cresce

A avenida da ilusão
É pra frente, é bem legal
Passam pessoas e eu penso
Comigo eterno
Eterno agora
Já se foi...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

VIVER MATA


Lembro-me bem de uma manhã rosada
Que surgia entre as nuvens
Na mania da Terra que gira
Na mania de envelhecer

Existe coisas que vou deixar de dizer
Não se pode dizer tudo...
A vida é uma prisão perpétua
E viver demais
Mata.

GAIOLA DE OURO


Em que prédio
[desta cidade

Está o templo necessário?
Qual as verdades que calço?
Será qeu teu deus cabe em mim?
[e o meu a ti?

A própria palavra deus
Vulgarizada pelos hálitos
Tornou-se nula...

Enquanto a energia criadora
Essência una da própria divindaded
Segue escrava da mente...

Um pássaro morto
Numa gaiola de ouro.

MUNDO VAZIO


Mundo vazio
Dou valor às coisas
[como todo mundo faz

Pra que lado segue a estrada?
O passo que dou é realmente adiante?

Não importa
Ando
Meio desligado
Estranho...

A mente estranha tudo
E eu, como parte do todo,
Estou meta-estigmatizado.

MUNDO MENTAL


Que olhos eu não tenho?
Que olhares eu procuro?
Do mundo que não vejo, faço meta
E o que percecbo
Se apaga no diário esquecimento

As coisas já são belas
E ainda busco outras...

Mas tudo o que vejo
Penso ou somatizo
Já faz parte dee mim mesmo
Pois todo olhar começa dentro
E os valores do mundo
São todos mentais...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O EUISMO


O Euismo é uma corrente filosófico-político-espiritualista que prega o descaminho a todo e qualquer caminho. Parte do pressuposto de que cada um sabe o que é melhor para si e que todos os caminhos, embora únicos e incomparáveis, levam ao mesmo lugar. O Euismo não tem padre, padrinho ou pastor: cada pessoa é, ao mesmo tempo, mestre e discípulo de si mesmo. O Euismo é, então, uma seita sem regras, livro ou verdade fundamental, limitando seus seguidores àqueles que têm disposição de seguirem o que desejam e fazerem o que der na telha.
O Euismo não tem dogma e sua igreja é móvel, pois cada discípulo é um templo da descentralização teológica universal que abriga a tudo e a todos. Neste escopo, nem pretendo, como fiel seguidor epródigo inaugurante desta ideologia, que vossa mercê siga os preceitos desta nova religião euista. Um motivo é por saber que, de certa maneira, todos os seres têm uma essência euista. Outro motivo é que, como euista convicto, sei que todos os preceitos acima referidos servem apenas a mim.

sábado, 22 de agosto de 2009

FESTIVAL MANUEL PADEIRO DE CINEMA E ANIMAÇÃO




A Gaia Cultura e Arte, o Instituto Multicultural Trilha Jardim, a Faculdade de Cinema e Animação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e a Secretaria de Cultura (Secult) de Pelotas promovem o
1º Festival Manuel Padeiro de Cinema e Animação, que visa a estimular a produção audiovisual na Zona Sul e situar Pelotas, considerada a Capital da Cultura do interior do Estado,
na rota nacional dos Festivais da 7ª Arte.

REGULAMENTO

1. PARTICIPANTES

1.1. A participação no 1º Festival Manuel Padeiro de Cinema e Animação é livre a produtores de quaisquer idades e locais, desde que o representante do trabalho inscrito seja maior de 18 anos.
1.2. O representante do grupo inscrito será o único com autoridade para manifestar os interesses de seu grupo perante a organização do 1º Festival Manuel Padeiro de Cinema e Animação.
1.3. Os trabalhos apresentados serão de livre criação, aceitando-se vídeos de qualquer gênero cinematográfico e de produção em animação. Cada vídeo não poderá, em caso algum, exceder a duração de 20 (vinte) minutos, exceto na categoria DOCUMENTÁRIO (de livre duração), ficando sujeito à desclassificação. O tempo de duração de um vídeo será avaliado desde a primeira imagem do trabalho até a imagem final, ficando excluídos da contagem os créditos, color bar e assinaturas iniciais.
1.4. Não há limites para a inscrição dos trabalhos, sendo que cada concorrente poderá participar com quantos trabalhos desejar.


2. INSCRIÇÃO

2.1. O representante de equipe deverá dar entrada ao processo de inscrição do trabalho através do site http://cinema.ufpel.edu.br/festivalmanuelpadeiro, preenchendo a ficha de inscrição online até o dia 13/11. O processo de inscrição será concluído na entrega dos trabalhos até o dia 20/11, de acordo com as seguintes especificações:
• Duas cópias do trabalho, estando cada cópia em um DVD diferente. O trabalho precisa estar gravado em formato de DVD de vídeo. Os DVDs precisam ser entregues com capa e identificados com nome do representante e título do trabalho.
• A inscrição é gratuita.
• As cópias do trabalho devem ser entregues em envelope lacrado, identificado com o NOME DA OBRA, a CATEGORIA RELATIVA e o NOME DO REPRESENTANTE, de acordo com a ficha de inscrição previamente preenchida no website, que também deverá ser anexada ao envelope em cópia física.
2.2. A inscrição no concurso implica a aceitação do presente regulamento.
2.3. A inscrição fica condicionada à entrega da produção audiovisual até o dia 20/11, às 17h.
2.4. Os vídeos devem ser entregues no Instituto de Artes e Design (rua Alberto Rosa, 62) na sala do Colegiado de Cinema e Animação (sala 201, 2º piso), aos cuidados de 1º FESTIVAL MANUEL PADEIRO DE CINEMA E ANIMAÇÃO.
2.5. Quaisquer dúvidas relativas ao Festival podem ser sanadas através do endereço eletrônico festivalmanuelpadeiro@gmail.com.


3. OUTRAS ESPECIFICAÇÕES

3.1 Os trabalhos deverão estar em perfeitas condições técnicas de som e vídeo e possuírem identificação dos participantes nos créditos, com indicação a partir das especificidades técnicas necessárias à produção.


4. CURADORIA - TRIAGEM

4.1 – Os vídeos inscritos passarão por uma triagem classificatória, sendo selecionados os 10 (vinte) melhores de cada categoria para a mostra competitiva.
4.2 – A seleção ficará a cargo do júri do 1º Festival Manuel Padeiro de Cinema e Animação e de sua decisão não caberá recurso.

5. JÚRI

4.1. O Júri será composto por 02 (dois) professores da UFPel (Cinema e Animação e Letras), 01 (um) representante do Theatro Sete de Abril, 01 (um) representante do Instituto Trilha Jardim, 02 (dois) representantes da Cultura da mídia citadina e (01) um diretor de cinema e vídeo convidado.

4.2. Os vídeos serão avaliados segundo os seguintes critérios: Originalidade, Qualidade Técnica (imagem, som e pós-produção), Capacidade de Expressão e Clareza Narrativa, independentemente do prêmio a que concorrem.

4.3. Das deliberações do Júri não haverá recurso.


5. CATEGORIAS

5.1. Os participantes poderão candidatar-se a aos seguintes prêmios:

5.1.1. CATEGORIA CURTAMETRAGEM FICÇÃO E PREMIAÇÃO
Para esta 1ª. Edição do Prêmio Manuel Padeiro de Cinema de Animação, cada obra inscrita concorrerá aos seguintes prêmios e suas respectivas premiações em espécie:
• Melhor Filme R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais)
• Melhor Diretor R$ 700,00 (setecentos reais)
• Melhor Ator R$ 700,00 (setecentos reais)
• Melhor Atriz R$ 700,00 (setecentos reais)
• Melhor Direção de Arte R$ 700,00 (setecentos reais)
• Melhor Fotografia R$ 700,00 (setecentos reais)
• Melhor Roteiro R$ 700,00 (setecentos reais)
• Melhor Trilha Sonora R$ 700,00 (setecentos reais)

5.1.2. CATEGORIA ANIMAÇÃO
Cada obra inscrita concorrerá ao prêmio de MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO e receberá pelo prêmio um valor de R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais).

5.1.3. CATEGORIA VIDEOCLIPE
Cada obra inscrita concorrerá ao prêmio de MELHOR VIDEOCLIPE e receberá pelo prêmio um valor de R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais).

5.1.4. CATEGORIA DOCUMENTÁRIO
Cada obra inscrita concorrerá ao prêmio de MELHOR DOCUMENTÁRIO e receberá pelo prêmio um valor de R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais).

5.2. A exibição dos trabalhos inscritos para o público em geral e ao júri será feita nos dias 1º, 2 e 3 de dezembro de 2009, a partir das 19h, na sede do Instituto Trilha Jardim, no Quilombo (7º Distrito), Comunidade Santa Maria, município de Pelotas/RS.

5.3. Os vencedores serão laureados e premiados em solenidade nobre, no dia 4 de dezembro de 2009, às 19h, no Theatro 7 de Abril, seguido da exibição das obras vencedoras.

5.4 Além dos valores em espécie, haverá troféu e aos vencedores de cada categoria e certificado para todos os participantes concorrentes do evento.


6. DISPOSIÇÕES FINAIS

6.1. Ao submeter um trabalho a concurso, o participante declara tratar-se de uma obra sua e que não viola o direito-autoral associado a qualquer outra produção existente.

6.2. Os vídeos finalistas da 1ª. Edição do Prêmio Manuel Padeiro de Cinema de Animação serão compilados em DVD para distribuição às locadoras da cidade de Pelotas e a instituições de ensino elencadas pelos organizadores.

7. CASOS OMISSOS

7.1 Os casos omissos neste regulamento serão apreciados e decididos pela organização do 1º Festival Manuel Padeiro de Cinema e Animação, e de sua decisão não haverá recurso.



João Eduardo Keiber
INSTITUTO TRILHA JARDIM
Diretor Executivo


Fernando Keiber
GAIA CULTURA & ARTE
Assessoria Técnica Cultural

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

MEPEGA DA VILA NOVA


A Tati é minha...

O DIA EM QUE ARISTILVES FOI PRO BAILE


Aristilves foi pro baile. Essa não é uma história poética ou lírica, nem tem como escopo a preocupação literária ou a prolixidade romântica. Por isso, e enfim, serei breve, contudo coeso, enumerando os fatos.
1. Aristilves foi pro baile.
2. Aristilves comeu costela gorda e vinho tinto da colônia.
3. Aristilves teve desarranjo (diarréia de gaúcho).
4. Aristilves foi cagar no mato, enquanto o gaitaço continuava e as prendas arrodeavam no salão.
5. Aristilves não tirou o poncho pra cagar.
6. Aristilves voltou pro baile.
7. Que nojo ver Aristilves dançar.

BREVÍSSIMAS HISTÓRIAS DE MEDITAÇÃO EM GRUPO


Três chineses, Zen Chu Pen, Chi Chi Nem e Ataliba, resolveram meditar no alto da montanha Meditabunda. Uma semana após o início da concentração, Zen Chu Pen falou:
- Mas tchê (ele era de origem gaúcha, pois é pois é pois é...), que silênço!
Passou-se mais uma semana, Chi Chi Nem respondeu:
- Silênço mermo (eram de Brotas os pais dele, pois é pois é pois é)!!
Mais uma semana se passou e o comentário de Ataliba foi inevitável:
- Ô caraio... assim não têim como meditá, uai!!!

***

Passou-se alguns anos e os três amigos convidaram mais um chinesinho, o Chin Pan Zen, e subiram novamente à montanha Meditabunda para mais uma sessão de inserção introspectiva.
Passou-se algumas horas e Chin Pan Zen, o novo convidado, comentou, rompendo drasticamente o silêncio fortuito:
- Barbaridade... Que frio tchê (era ele parente de Zen Chu Pen, certamente)!
Zen Chu Pen, de pronto, retrucou:
- Tchê, Chin Pan Zen, aqui tu tens que fazer silêncio porra!
Chi Chi Nem, de cara, esbravejou!
- Vocêis num sabem meditá mermo... Não fazem silênço nunca!?
Ataliba colaborou:
- Eu fui o único que não falei nadica nadica de nada!

ELA DIZIA...

Ela dizia absolutamente não
Ela dizia certamente não
Ela dizia que provavelmente não
Ela dizia que possivelmente não
Ela dizia simplesmente não
Ela dizia não!

Ela dizia simplesmente sim
Ela dizia que possivelmente sim
Ela dizia que provavelmente sim
Ela dizia certamente sim
Ela dizia absolutamente sim
Ela dizia sim!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

ESTELA LÍTMICA AMALELA


Estrela, você
manda luz para as retinas
faz andar
meu coração
pelas trilhas do caminho

Garoto, me diz
onde vou achar teu riso
ao que sirvo ser pra ti

E deixa estar
vai crescendo pelo mundo
vai levando flauta ao mundo
que te seguem, os segundos,
como a barba que te espera...

DÁ-ME CÁ UMA COSTELA


Adão sentiu, certa feita, que Deus andava meio fulo, meio de bola-virada. Notou o Velho pelos cantos, chutando o vento, falando palavrão... Até aí tudo bem, pensara, era normal ver Deus de cara... O que ele realmente estranhou foi ouvir uma palavra, da boca divina, que nunca escutara antes (aqui cabe um breve parênteses, pois Adão era daqueles estica-ouvidos, do tipo que disfarça, mas no fundo está prestando atenção ao cochicho alheio. E como, neste caso, no paraíso, eram só ele e Ele, é óbvio que o alheio ouvido tratava-se de Deus).
Enfim, Adão ficara encucado com a nova palavra falada pelo Velho Pai numa reflexão à toa: "PROBLEMA". Problema era a palavra.
Pai... que é isso aí que o senhor acabou de falar? Po... Pro... Problema? O que é?
Quer saber mesmo, Adão? Quer saber mesmo? Então me descola uma costela aí que eu te mostro...

Me perguntou: "Quem é você?"
Eu disse: "Não sei!"
Essa minha mania de ser sincero
Nem é minha, deve ser de alguém
Porque sou uma casa sem paredes...

Ou melhor, sou um papel em branco
Onde não escrevo todo dia
Na infrutífera esperança
De mentir que eu sou isto... sou aquilo...
De falar palavras...

Amanhã eu nem existo
Ontem nem estava aqui
E no hoje, apenas faço de conta que eu sei
Que o trem não passa...
Ou quase nunca passa...

O MENINO E A ROSA


No oeste da estrada
mora um menino
na casa de barro
com barro no chão

Na porta da frente
no pé da direita
um botão de rosa
que vive na espreita

Abriu-se na tarde
sombrinha vermelha
de pétalas rubras
espinho na mão

Um prato de sépalas
um mundo distinto
e já não importava
não estar ali

E quanto ao menino
da casa de barro
nem a poesia
quis dele falar

Também, com a rosa
ele não podia
apenas havia...
se é que havia...

INSUBSTANCIALIDADE


Eu pensei um dia
Que o nome que chamava a minha cara
Fosse aquele pobre nome
De letrinhas portuguesas

Eu pensei que fosse eu
Aquele rosto nu no espelho
Preocupado com a barba...
O desenho do nariz...

Pensei que fosse
Um adendo dos meus planos
Ideias vagas do futuro
E no passado um labirinto onde vaguei

Até que um dia eu descobri
Que sou a soma de todas as teias
Que sou os nomes do vazio
Que sou do zero ao mil...

Descobri que as palavras
São muito tolas, muito vagas
E o que realmente sou
Não é aquilo que minha boca fala.

SAPATOS


Onde moro
Não é onde encontras a minha velha escova de dentes
Onde moro
Está latente, rodeado pelos céus,
Sobre o chão que piso

E o que preciso
Não são trocos nem migalhas
Não é nome
Nem são números de um trabalhador
[devidamente registrado

Preciso apenas
Do próximo agora
Perdido no palheiro dos agoras
[que inda hão de vir

Meus sapatos
só cabem em mim.

SOM DO NADA


E sigo, então, procurando em vão minhas respostas (que nunca são iguais, pois minhas perguntas mudam todo dia).

***

Alguém me chama na janela
Há estrelas pelo céu...
Sons do nada vem de dentro
A voz que ouço é também a voz que sou
A intuição, o sentimento, a compreensão...
Tudo isto está comigo
Em algum lugar da ponte...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A BARBA DE AARÃO


Aarão tinha uma barba. A barba de Aarão. Era vistosa, a referida barba, e cuidada com muito zelo. Recebia, cotidianamente, longos afagos e, de quando em quando, tratamentos específicos da cosmética francesa.
Em frente ao espelho, Aarão reparava, com sua pequena tesoura, desnorteados fiapos que ignoravam o seu refinado senso estético. Penteava o bigode curvo e nele borrifava um desodorante hiper-hidratante à base de pró-vitamina A.
Costumava, no intervalo entre os pensamentos e durante as longas caminhadas pelas ruas, acariciar a longa barba, a barba de Aarão. E tinha belas mãos, embora não recorde seu ofício de origem, mas lembro que árduo não era, pois devia proteger as mãos que protegiam a barba, a barba de Aarão.
Mas foi numa esquina dessas que a vida de Aarão mudou radicalmente. 90º e dera de cara com seu amigo Rúbio, que vinha acompanhado de seu filho, que pra essa específica história não importa o nome, embora posso descrever como aqueles meninos de cabelo vermelho, sardas e óculos, biotipicamente diabólicos. E foi este menino, este pequeno demônio, que, com sua pueril crueza, mudou a vida de Aarão para sempre.
- Tio Aarão... quando o senhor dorme o senhor põe a barba por cima do cobertor ou o cobertor por cima da barba?
Aarão sorriu, desconversou, se despediu e seguiu sua caminhada, regada a carícias barbísticas. Contudo, na noite, após o banho e o tradicional café com leite, coube-se em sua ceroula e pôs-se, confortavelmente deitado, a esperar a dimensão dos sonhos. Mas, antes de embarcar no trem reminiano, lembrara-se da terrível pergunta, aquela do pequeno diabo, e questionou-se se, em seus tranquilos e serenos sonos, colocava a vasta barba, a barba de Aarão, sobre ou sob o cobertor de pena de gansos.

***

Cobriu a barba, mas sentiu-se terrivelmente estranho. Descobriu a barba, e notara-se nu. Cobriu a barba novamente: não! Definitivamente não dormia com a barba sob os panos. Descobriu-a pela segunda vez, mas teve plena e convicta certeza que também não dormia com ela por cima da coberta.
E nesta terrível dúvida que Aarão passou exatos 40 minutos cobrindo e descobrindo a barba (a barba de Aarão) sem saber de fato de que modo costumava se deitar. Levantou-se, insone, e foi tomar outro café. Viu um pouco de TV, acariciando a barba com uma melancolia ímpar... Sentia-se mal, pela primeira vez em décadas, com sua querida (até então) barba, a barba dele. Depois de algumas horas, conseguiu, com muito pesar e desconforto, dormir. E não recordo se dormira com a barba sob ou sobre o cobertor naquela noite, mas posso afirmar que as noites (e também os dias) de Aarão nunca mais foram tranquilas.

MORAL: Nunca levante questões desnecessárias: quem procura pêlo em ovo, com certeza encontrará.

O VIZINHO DE BAGVAM


Bagvam tinha um cavalo, um lindo cavalo baio. Era realmente o mais belo cavalo que havia naquele reino (que por sua vez havia naquele canto do mundo) e que, por sua robustez, alimentava a inveja de todos os lindeiros.
Certo dia o campo amanheceu vazio: o manga-larga de Bagvam havia sumido. Ou fugira ou fora roubado, concluiu Bagvam durante uma caminhada silenciosa pelo prado.
O vizinho rapidamente se aproximou.
Que azar Bagvam... Era um lindo cavalo... Mas eu bem lhe dizia: um dia ainda hão de rouba-lo... Que azar!

***

Passaram-se treze dias. Bagvam abrira a janela e viu, próximo à pequena cerejeira, comendo gramas, não só seu lindo cavalo baio que voltara, mas também um corcel negro, tão (ou mais) belo que seu manga-larga e que retornara juntamente ao outro para seus domínios.
Bagvam sorriu. Abriu rapidamente a porta e encontrou o vizinho observante.
Que sorte Bagvam!!! Além do retorno do manga-larga, você ganhou de presente um lindo corcel negro. Realmente você é um homem de sorte!

***

O filho de Bagvam tratou de domar o corcel negro que chegara, embora fosse extremamente forte e arisco, o cavalo novo. Depois de alguns dias de dedicação e trabalho árduo, o jovem sofreu uma queda e acabou por fraturar ambas as pernas. Imobilizado, passou a espreitar a cavalada pela janela de seu leito, em descanso recomendado pelo velho médico do vilarejo. Mas o vizinho, como de costume, não deixou de se aproximar.
Que azar Bagvam!!! Seu rico e formoso filho... Agora na cama, com as pernas fraturadas... Parece que, de alguma forma, eu sabia que este cavalo preto lhe traria mal agouros... É realmente um grande azar...

***

Sete dias se passaram e, como de costume da humanidade faminta e bélica, naquele canto do mundo, também, a guerra foi declarada. Todos os jovens do reinado foram convocados para a cavalaria e a infantaria, exceto os inválidos, como o filho de Bagvam. O filho do vizinho, com as pernas em forma, juntou-se às centenas de alvos da linha de frente de batalha. E o vizinho, naquele mesmo dia, apareceu.
Que sorte a sua Bagvam... Seu filho foi poupado da guerra. Isto é realmente muita sorte...


MORAL: O julgamento é a armadilha dos idiotas.

BREVÍSSIMO ENSAIO SOBRE O DESTINO VAZIO DE UMA CASCA DE OVO

A ponte é um caminho
Com entrada e com saída
E o que liga as duas pontas
É a vida... é a vida...

SEU CHICO


O grande barato de tudo é que toda morte é uma lição de vida, isto sim. Cada vez que olho um corpo inerte percebo que meus minutos escorrem na pequena ampulheta da vida. Faço, então, uma análise axiológica do que sou, do que construo, do que amo e por quem me atiraria na frente da bala. Vejo que a muitas pessoas (como o Fred) fico muito tempo sem dizer Te amo, És importante, Dá-me cá um abraço e outras frases do gênero. E é realmente quando percebo que o trem chegou no fim da linha que reparo em algumas de minhas intermináveis falhas, no quanto ainda posso ser melhor...

***

Fiz algumas exposições de fotografias de alguns amigos/conhecidos, dentre eles um cara chamado Chico Madrid. Só que o Chico eu não conhecia, embora gostasse de seus retratos. Imaginava ele um cara velho, careca, baixinho... sei lá, era o meu Chico imaginário (eu adoro essa brincadeira de imaginar as pessoas pelo nome que têm. O Décio Pinto, por exemplo, é um cara recalcadíssimo. Magro, narigudo, semicalvo e um ar de melancolia entre os dedos com cigarro. A Gertrudes Guttemberg é uma alemã gorda, dona do mercadinho na Vila Nova, uns 75 anos (14 na escova), óculos e com franja na testa).
E foi um dia, lá no Trilha, onde acendia a chama de nossa grande amizade, que o Fred me comentou, enquanto tirava umas fotos do lugar: O Chico Madrid sou eu!
O Fred, aquele bebezão gordo, era, na verdade, o Chico Madrid. E vice-versa. Eu errei o pulo no jogo da imaginação e vi um ídolo virar amigo.

***

Parta com deus, grande irmão, nosso jagube, nosso orangotango predileto. Cantaremos muitos hinários para (e com) você aqui de baixo... Deixe, por nós, o céu mais equilibrado...

***

E antes que eu me esquça, a todos que me amam: Eu amo vocês também. A todos que nem me conhecem: Amo vocês. E àqueles que não topam com minha cara: Se lasquem (ainda não estou pronto).

EU?


Eu, variavelmente inquieto, me prendo à mania de significar as coisas, de dar valor e simbologia à matéria. Adjetivo, substantivo e até mesmo adverbeio todas as nuances e formas, pois tudo é vazio e (apenas) quem interpreta sou eu.
Um cactos no deserto existe por si, mas não existe para mim. Ao que não vejo, não dou tom. Assim concluo que o mundo acaba quando eu acabo.
Ao cabo disso, percebo que todos os valores (a beleza e a feiúra, o bem e o mal, e muitas outras dualidades específicas) são regados por minha mente ativa. Então questiono: o que é o mundo? O mundo de fato é o que eu queira que ele seja. Sou eu quem alimenta o mundo (o meu mundo) com palavras e conceitos. Portanto, a essência das coisas está no vazio... está lá onde eu não estou. Está no terrivelmente curto espaço branco que intercala os meus pensamentos.

FROM BAGÉ


O Moreno sonhava morar no Rio... seu afã de ser carioca era tanto que ele até falava com falso sotaque: Bagé, cidadi di mérrrrda.

VOU


Vou ficar aqui
Hoje a noite está tão bela
Vou contar estrelas, deixar o tempo
Vou navegar em pensamento pelo cosmo
Procurando vidas

Vou ficar no frio
Abraçar a madrugada
Entre o tudo e o nada,
Entre o início e o fim de outra onda encantada...

Vou fechar os olhos
Por muitos eons
E abrirei pensando se inda estou aqui...

Vou respirar a brisa
Que molha as pétalas

Vou...