sábado, 19 de dezembro de 2009

JANELA DE TINTA


Escrevo
Como quem desocupa uma gaveta velha
Retiro as meias, pequenos bibelôs
Uma carta de amor...
Te mando flor
Te digo tudo, muito mais
Do que eu mesmo creio

Espeto a faca,
Corto a língua flácida da palavra
Boca-muralha, viaduto expresso pela mão

E no papel
Claro lugar onde desnudo fico
Construo ideais castelos
E espio o mundo
Por uma janela de tinta.

DODAVID

Feliz mesmo é o filho da Gisele, que a essa hora deve estar mamando.

FALÁCIAS ONOMATOPÉICAS


Ele chegou pisando forte BAMBAMBAM e tocou a campainha: PLING-PLÓN. Repentinamente, apareceu o gato do vizinho e MIAUUU. Aquele MIAUUU atraiu um doberman que RAURAURAU saiu em perseguição atrás do pobre moço, fazendo com que ele tropeçasse BAM num toco no chão e caísse sobre as latas de lixo BALALAM.
Foi então que o vizinho acordou, acendeu a luz, parou na janela e atirou três vezes com sua carabina: PAU. PAU. PAU. As balas passaram zunindo pelo ouvido do rapazote: ZIN, ZIN, ZIN, que se jogou no rio TCHUM-BUM e teve que fugir a nado para não ser encontrado.

MÁXIMA POBREZA

Eu conheci um cara tão pobre, mas tão pobre, que só tinha dinheiro.

A HISTÓRIA

A história é uma coisa muito ultrapassada.
A moda agora é o agora.

A LAS PUCHAS

A las puchas
A las puchas não: a La outra
A la outra não: a la misma
A La misma não: a las puchas.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

SARAMAGUÊS


Se Romeu tivesse os olhos de um falcão, provavelmente nunca teria se apaixonado por Julieta.

BONECA MATRIOSCA


Quantas faces dentro
Obsoletas pelas circunstâncias
Reservadas, como se não fossem
Auto-explicativos todos os teus atos

E tua boca santa
Entre o beijo e a ira
Dizia coisas, bem de dentro vinham
Como as tuas caras,
Anônimas e vorazes,
Que aparecem pouco entre os dias...

Mas quem de fato te conhece
Vê-te uma, vê-te todas
Pois o que és liga teu imo
A todas tuas aparências...
E era eu quem não te via
Entre os dedos que te modelavam...

PRIMITIVO ROSAURO


Ele achava que ninguém no mundo tinha o nome mais feio que o seu... Na real, sua mãe, quando o chamava pela rua, parecia sempre brava. Parecia... ela era uma mulher bacana, a dona Lorena, o nome de seu filho, Primitivo Rosauro, é que soava como um xingamento.
Os amigos, pequenas e cruéis crianças, zombavam de Rosauro pela feiúra do nome. Feiúra tão intensa que sujava a cara, fazendo com que aquele menino fracote, mas meiguinho, ficasse feio também. E isso foi pela vida afora, em todas as fases, aquele nome
[Primitivo Rosauro
foi, na verdade, uma condenação... uma prisão pertpétua.
***
Não arrumou namorada... não conseguia se apresentar em público... Não queria ver seu nome em nenhuma lista de universidade ou concurso federal... guardou a sete-chaves sua genialidade musical apenas para nunca ser famoso...
Ele não se olhava no espelho... não tinha fotos dos pais... não foi batizado, nunca se casou... não organizou eventos nem lançou negócio algum que pudesse revelá-lo, de alguma maneira, à sociedade que, mesmo quieta e inerte ao seu anonimato,
[o melhor dos anonimatos

o ameaçava pelo simples fato de existir.
***
E quando morreu, já velho, seu nome fora timbrado na lápide e o acompanhou pelos idos, enquanto existisse memória.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

MINHA CALÇA NOVA


A minha calça nova é tão bonita que eu não vou usá-la nunca.

ASSINTAGMÁTICA

Criou ela uma vontade de chorar
Que já não entendia mais palavras
Tudo o que era ordem se perdeu
Como se chovesse dentro,
Como se o ar a espreitasse...

Mas não foi fogo, não foi nada
Era o tempo construindo estrada
[uma infinda estrada
Que dava em lugar nenhum
E que não dava pra ninguém passar...

E enquanto há chuva na janela
Entendeu que o certo era passageiro
Como todas coisas que sua mente desenhava
E desejou ficar-se nu
No mar
Entre os portos.

TODA RELIGIÃO É MORTA

A fé não torna o indivíduo diferente do que ele realmente é, apenas mais cínico quanto ao mundo a seu redor. A religião é um artifício para enganar a vida e para aproximar o ego do indivíduo de um fator que ele denomina deus, ou “seu deus”.
O amor é a única religião: dele todas as coisas derivam e a ele todas retornam. Ele é a causa e o efeito da existência; a liberdade dos conceitos; a não-dogmática, pois cada pensamento restringe o todo, e cada restrição é uma forma de medo.

sábado, 12 de dezembro de 2009

PEQUENA FÁBRICA DE ESTRELAS


Pequena fábrica de estrelas
Jogando luz no universo preto
Buscando a matéria-prima do que somos
Que a alma vai até o esqueleto...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O QUE SE QUER VER?


Infinito reflexo de espelhos
Aonde vão meus corpos em fuga?
Todas as coisas se ressaltam, multiplicam
A luminária ao chão...
A janela translúcida...

Quando sonho, não me vejo
Talvez até nem faça parte dos meus planos
Pois o que penso tem limites
E ao dormir, já não sei quem sou...

***

Acendeu uma vela na varanda
O vento, brando, permitiu-lhe a chama
E pela sombra clara, tilintante,
Desenho na brisa dançante
Rastro do mundo que saiu do escuro

Aquela luz já era boa
[embora pouca

O que, de fato, precisamos ver?

A BOCA DA FORMIGA


A formiga cabeçuda
Come o mundo em migalhas
Que tudo é pequeno para sua voraz boca
[incomensurável boca

Ainda bem que formigas não falam...

FLORES MORREM DE VERDADE


Morri
Faz 15 anos que não piso aqui
E o que restou, algumas fotos
Lembranças poucas...
Quem me conhecia, já esqueceu
E o que juntei coube numa caixa
As outras coisas, a elas pertenci.

***

Morri agora
Faz bem pouco
Aprendi aquilo que eu não sabia...
Cada vez que aprendo, morro àquilo que cria
Muitas mortes tive, tantas eu terei
Sem lágrimas, só flores
Pois flores sim, morrem de verdade.

A TROMBA E O RABO

Ele se achava estúpido
Olhando no retrovisor
Um espelho de ilusões
A começar por sua cara estranha...

Depois da cara,
Um mundo que não alcançava
Um tato distante,
Mera memória

O elefante tem mais tromba do que rabo
E ele, naquela gorda estrada,
Queria mais curvas...
Muitas mais...

ZZZZ

Como pode um mosquito fazer tanto barulho?

CM

A vida se mede em largura, não em comprimento.

PESSOA

Quem questiona as pessoas
Muito mais pessoa é...

domingo, 6 de dezembro de 2009

LIRA AO JOÃO


Cai a chuva lá de riba
Tamborilhando no chão
Eu canto, que o peito canta
Na lira do coração
Cantemos, que a vida passa
Como chuva de verão...

LEMBRANÇA À CRÍTICA


Meus cumprimentos a todos aqueles que, de um jeito ou de outro, não me ajudam pra nada!

MINHA MÃE ADOLESCEU


Minha mãe adolesceu. E adolesceu gravemente. O doutor disse que às vezes é normal, nesta faixa etária. Terceira idade é fogo, diz ela.
Reparei que vários amigos dela adolesceram também... E muitos estão adolescendo numa velocidade crônica. Dizem que visitas são bem-vindas, que proferir atenção faz bem para estes idosos que adolescem, mas eles não aceitam chá: gostam mesmo é de uma cervejinha gelada. O que fazer? Já trabalharam muito, deram muito gás na vida (e continuam dando, né mãe?)... agora, que entraram na terceira idade e adolesceram, vamos deixá-los fazer o que quiserem.
Podem sair... voltar de madrugada... dançar, agitar, viajar e muitos outros ar... Aproveitem, porque após adolescer nunca se sabe o dia de amanhã...

Se é que antes se saiba...

PAVLOVIANICE


Vejo minha face refletida no riacho... Aqueles olhos, que obeservam tudo e me transformam narrador do que entendo vida, agora brilham, numa transparência insípeda que, sobre as pedras e folhas se desenha.
O que tenho é pouco, é o próximo suspiro. É o ar imenso que preenche o tempo do mergulho, uma linha reta que separa o calor do corpo do gelo do mundo. E penetro a cara momentaneamente quieta, de olhos cerrados, e desapareço na quadridimensionalidade que absorve tudo.
O caminho do rio é leste, é baixo... E ando como ele: fazendo de conta que nada acaba...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

TEERÃ 43


A declaração oficial redigida pelos três líderes reunidos em Teerã parecia justificar tais esperanças. Stalin, Churchill e Roosevelt concordavam em que seus países deveriam manter a cooperação mútua tanto naqueles tempos de guerra quanto na construção da futura paz. Ressaltavam que era necessário "banir por muitas gerações o flagelo e o terror da guerra".
Depois da foto, os três reuniram-se a cerca de um farto manjar. Enquanto comiam, Stalin peidou. Churchill olhou rapidamente a Roosevelt, mas nem tão rapidamente que Stalin não notasse aquele olhar de reprimenda. Roosevelt enrubreceu.
Ali começava a Guerra Fria.

TUDO, TUDO


O amontoado de coisas que penso
Empilhadas no desajeito do dia
Lembra algum depósito de coisa antiga
Um lixo colorido, de uma cor opaca
Em um gris unido

E quando me liberto
[provisoriamente
De um pesado fardo que
Mesmo sem corpo
Soterra a mente, cola os pés e fecha os olhos
Sinto-me vazio
[um vazio constante

E desapareço
No insólito desejo
De ser tudo, tudo.

BOCA, PERIGO DA LÍNGUA


Acento circunflexo
Ú tremado
Ponto de interrogação
Próclise, palíndromo,
Advérbio e locução

Ele escreveu “Naõ Páre”
Numa porta de garagem
Num pneu, “Ultra Lavage”
E numa carta de amor
Ele disse “Vóuta logo”,
“Praser” e “Buquê de flo”.

sábado, 14 de novembro de 2009

TONINHO RAPADURA


O cara era boxeador desde os 3 anos de idade e, no mundo dos ringues, seu apelido era Toninho Rapadura. Isto porque era acostumado a arrancar dente dos velhos e derrubar os outros pelo "estômbigo", como ele dizia.
Costumava falar que onde sua mão batia, não nascia cabelo. Era o diacho chupando manga. Mas depois de perder aquela importante luta por uma importante confederação mundial em uma importante capital brasileira e acordar nos vestiários zonzo, querendo ir embora a pé, tudo mudou.
Agora ele esmurra o balcão do bar do Zé e pede, com seu vozeirão de 124kg:
Um copinho de leite, por favor...

O HOMEM FEIO E O HOMEM MAIS FEIO (à moda dos chineses)


Preso porque assutava as criancinhas o homem feio foi conduzido à Polícia. O delegado olhou-o e concordou que sua cara era, em verdade, um perigo público. Colocou-o na cadeia durante dois meses pelo crime de feiúra(1). Hong-Fung-King chorou muito atrás das grades, mas isso de nada adiantou. Insistia que não era feio por querer mas obra de condições ancestrais e metafísicas. Enquanto isso os dois meses se passaram. Solto, protestou. Gritou ao delegado que era vítima de uma exceção. Que com os outros não faziam o mesmo. Ponderou o delegado, com rara sabedoria(2), que o tratamento de exceção que lhe davam era devido ao fato de ele ser um feio excepcional. Hong-Fung-King disse que todos os feios da cidade deveriam ser submetidos à mesma penalidade.
- Mas nenhum chga a assustar criancinhas, como você, com o simples mostrar-se.
- Deve havê-los feios como eu. Não queira me fazer mais feio do que sou.
- Previno-o, filho, a que não busque encontar gente pior que você. será seu mal e sua morte. Você se decepcionará e viverá para sempre humilhado. Confie em mim: você é pavoroso.
- Pois bem, eu lhe trarei aqui pessoas mais feias do que eu, vivendo nesta mesma terra. Mas o senhor, como delegado, terá que condená-las, como fez a mim, por crime de espanto e atemorização.
- Não farei isso. Alguém mais feio que vocêmerece a morte. À vista. é um perigo público, um espavento, uma coisa de outro mundo. Se encontrar alguém mais feio, pode matá-lo onde encontar.
Hong-Fung-King partiu, então, munido de um revólver que o próprio delegado lhe emprestou(3), e disposto a liquidar quem fosse pior que ele em seus atributos físicos. Do decorrer dos dias tirou apenas o que o sábio delegado lhe dissera: uma humilhação cada vez maior. Reparando bem em seus traços fisionômicos, e comparando-os com a gente que encontrava , forçado lhe era concluir que ainda os mais feios não eram tanto quanto ele próprio. De modo que a sua mágoa crescia, seu ressentimento aumentava, sua dor o devorava. Até o dia em que, ao dobrar uma esquina, deu com algo de arrepiar os cabelos. Olhou bem e chegou a conclusão de que aquele era pior do que ele. Ergueu o revólver e disse para o homem aturdido:
- Vou matá-lo!
- Por que? Por que? Por que? Por que? Por que? Por que? - interrogou o homem numa repetição enfadonha ditada pelo pavor.
- Porque tenho uma ordem: - explicou Hong-Fung-King - a de livrar a face da terra de qualquer homem que seja mais feio do que eu.O homem olhou-o aterrotizado e, juntando as mãos em atitude de oração, disse, os olhos esbugalhados:
- Eu sou mais feio do que o senhor? Sou mais feio? Então, por favor, pelo amor de Deus, me mate!(4)

MORAL: DAS CONDIÇÕES FÍSICAS TIRE-SE UMA ESPIRITUAL: NÃO ACUSEMOS NINGUÉM DE BURRO PORQUE ELE PODE SER DESSES QUE TÊM UMA RESPOSTA PRONTA E BRILHANTE E ENTÃO, QUEM SERÁ O BURRO?

1. Art. 248. Parágrafo 8, do Código Kaligeno.
2. Era um delegado Chinês, não esquecer.
3. Ironia.
4. A história, literalmente, termina aqui porque este é o ponto dela que interessa, mas em verdade, ela termina com a funda consciência de Hong-Fung-King em ser o homem mais feio sobre a face da terra. Se vivesse na era atual e em Hollywood, no mínimoganharia um Oscar. Não sendo assim destinou a si próprio a bala que reservara ao homem mais feio.

Retirado do livro "Fábulas Fabulosas" de Millôr Fernandes. (Recomendado)

FUTEBOL É FUTEBOL E VICE-VERSA


Eu estava vendo futebol na TV, quando me passou pela cabeça o fato de que tudo (ou quase tudo) está refém da modernidade, uma prisão inevitável dos adventos tecnológicos.
O cinema da Era digital, a cada hora que passa, insere em sua linguagem computação gráfica progressivamente impressionante, fazendo o mundo ruir, os dinossauros viverem, a visceralidade do sangue ferver, carros explodirem e outros tantos... A medicina usa cada vez mais artifícios eletrônicos em microcirurgias e estudos alopáticos. A comunicação rasgou qualquer possibilidade de distância e os formatos de mídia estão diminuindo de tamanho e aumentando de qualidade.
E ainda há todo o mundo de fatores onde a robótica, a cibernética e a ótica estão revolucionando a mente humana e enlouquecendo a vó Sofia.
Agora, no futebol não!
No futebol não adianta... nunca haverá esse papo de raio laser, de chip na bola, de controle cibernético. O máximo que o futebol permite é o fonezinho que conecta o juiz e os bandeirinhas. Só! E aqueles carrinhos de golfe que recolhem o jogador lesionado, mas aí a culpa é toda (e exclusiva) do golfe, que criou esta balbúrdia.
Malditos golfistas... Bom mesmo era o tempo da maca.

***
E teve um magro me dizendo que no futuro o juiz será um robô que nunca erra. E que haverá um controle óptico que liga as traves e indicará quando a bola passou pela linha, mudando a cor da redonda (eletronicamente chipada). Também vai haver um telão, onde o lance polêmico será repetido, possibilitando ao juiz rever o veredicto (se o juiz-robô perfeito demorar muito a ser inventado, claro). Ah... ele disse também que vai ter câmeras por tudo... até dentro da bola, no olho do jogador, câmera-mosca (que acompanha a jogada de pertinho, voando) e que os uniformes serão absurdamente tecnológicos, de pele de tubarão ou sei-lá-quê, e possibilitarão aos jogadores voar longas distâncias e fazer piruetas acrobáticas inexplicavelmente malucas.
Mas num futuro nem tão distante, o plano é que o futebol seja 100% virtual. Nem existirá mais essa mania antiquada das pessoas irem ao estádio, nada disso. Tudo virtual, em 5D. Os jogadores serão criados por ultraPCs e serão comercializados via internet. Cada jogo será roteirizado por quem pagar mais, claro, mas o lado bom é que nunca mais haverá um 0 x 0. Nem jogo morno, nem cai-cai. Só jogaço, com goleadas massacrantes e viradas heróicas aos 79 do segundo tempo, com 5 em campo.
E quanto às brigas de torcidas, serão marcadas por e-mail e acontecerão em lan houses, onde programas muito sofisticados simularão uma briga de rua e a torcida que perder terá seu login cancelado pelo servidor local. Vai sim...

***

Mas tudo muda na segunda divisão. Na segundona a grana é menor e os investimentos tecnológicos serão restritos. Só microfone de juiz. Será usada bola de couro e campo molhado, com gente (gente mesmo, ser humano de verdade) sentada em arquibancadas arcaicas de cimento, ao céu aberto (urghhh). Haverá suor, troca de camisa e aquelas idiotas comemorações de gol. Mas só praqueles conservadores que pararam no tempo, tipo colecionadores de vinil.

***

É o mundo... o mundo gira, e eu parado fico tonto.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

37


Estar
É como mergulhar no mar
E ver
Como a um raio colorido na janela...
É bela
Só como ela
E nada mais...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

SOFRO MAS GOZO, A BIOGRAFIA NÃO AUTORIZADA DO MARINHEIRO POPEYE


Trecho extraído de uma entrevista à revista FAMA, em janeiro de 1985.

FAMA: QUER DIZER ENTÃO LEMBRA BEM DO MARINHEIRO POPEYE?
Popeye? Claro, como é que eu não lembraria do marinheiro Popeye? Conheci Popeye em 1972, numa expedição pelo Ártico. Naquela época, ele ainda não era dependente. Tinha uma alimentação desregrada, lembro bem... só queria enlatados, mas nada de entorpecentes e álcool ainda...

FAMA: E ELE APARENTAVA SER UMA PESSOA NORMAL?
Ele era bonachão... gente boa mesmo. Lembro bem quando ele tomou o primeiro porre e fez xixi no armário... Bah... a Olívia ficou de cara... Mas ela ainda não tinha nada com o Brutus, ainda... O Brutus ela foi conhecer depois, em 1974... aí foi paixão à primeira vista, né!?

FAMA: E O POPEYE, COMO REAGIU?
Ah... o Popeye ficou de cara né? Quem não ficaria? Quando a Olívia foi morar com o Brutus, ele enlouqueceu... Bebia todo dia... Bequiardigava... Começou a usar drogas e a se deprimir... Ninguém tirava ele do quarto, um horror...

FAMA: VOCÊ NÃO CONSEGUIA AJUDÁ-LO?
Ajudar como? Ele tava loucão!

FAMA: MAS VOCÊ SEGUIU VISITANDO ELE, NÃO?
Segui sim... toda semana eu ia ver ele, mas aí sabe como é... ele começou a ficar violento... perigoso. Se infiltrou no meio das prostitutas e do tráfico... depois eu nem reconhecia mais ele.

FAMA: E QUANDO ELE MORREU?
Antes dele morrer ainda tirei uma foto. Ele tava mal. Ainda piorou, depois desse tempo todo, quando soube que a Olívia tinha engravidado. Aí foi a gota d´água...
(...)
Aí morreu, né!? O pessoal todo do Sindicato foi lá, prestou homenagem. Até o Brutus apareceu. Mas tudo bem, a vida continua...

SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS SUBSTANCIAIS ENTRE EU E UM MACACO


É impressionante como o tempo come os dias... Me bota ruga na cara, ideias na cabeça de toda humanidade... Vem verão, vai verão, e os pôres-do-sol nos distanciam cada vez mais de nosso cheiro de macaco... Mas ainda, nos subterfúgios do gene, nos esconderijos dupla-helicoidais de minha memória cósmica ainda restam alguns detalhes que me fazem, em momentos como ora, pensar o quão demasiado humano sou e me comporto...
Por isso, enumerei alguns pontos de semelhança entre o sapiens duda e o primata keiber.
1. Eu como banana de boca fechada.
2. Sei que a hanseníase é a doença mais antiga do mundo e que Cabral descobriu o Brasil antes de escrever loucolunas esportivas no Diário Popular. E sei, também, que não adianta nada saber disso.
3. Cato minhas próprias pulgas.
4. Posso votar e ser votado*.
5. Escolho o canal de TV*.
6. Tomo água tratada*.
7. Raciocino com mente analítica própria*.
8. Não durmo com macacas, isso não...

* Nestes pontos restam dúvidas sobre a vantagem de ser humano ou ser macaco.

A COR DE FUNDO DA ZEBRA


O grande mistério acerca da cor de fundo da zebra assolou uma discussão, ontem pela tarde, em frente a um café conhecidíssimo de Pelotas. Agenor e Pereirinha (nomes fictícios) debatiam sobre os argumentos do primeiro, de que a zebra é branca com faixas pretas, e os do segundo, que afirmava que a zebra era preta com as faixas brancas.
Tomaram café... folharam o jornal... e o tema proposto sempre de pé, a esperar, como esperavam os segundos do velho relógio.
Depois de alguns minutos, ambos restaram convencidos de suas expensas teorias sobre as cores da zebra e foram embora.

Longe dali... longe mesmo... as zebras seguiam (todas zebras, dos zoológicos às savanas africanas) suas rotinas zebrísticas, independente da questão...

MORAL DA HISTÓRIA: Papo de café nem sempre é o que é.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

P.

Aconteça o que acontecer, não o deixe fechar os olhos...

A PRIMEIRA LINHA DE UM CONTO QUE PODERIA TER NASCIDO

Achou a meia, mas não as suas fotos de Trento. Afinal, moravam ele e mais três naquele apartamento... e todas as coisas somem, como somem as horas...

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O PARADOXO DO EXCESSO


Viver é bom!
Mas viver demais mata...

DIETÊMPTRICO


Sinto que todos nós
Entendemos poucas linhas,
[muito poucas

Fotografamos muito mais do que vemos fotografias
E falamos antes de aprender a ouvir...

E o mundo anda
Pela avenida do tempo
Fazendo o antes e o depois,
Tornando tudo correlato,
Condecorando as gerações...

Por isso o agora, base de cada segundo
Se amplifica, abre as asas, fica contínuo

O tempo engorda
Quando a mente emagrece.

SEM CORAÇÃO

De teus mil jeitos de dizer adeus
Ficou aquele olhar...
Eu ia pôr um disco para te mostrar,
E o que você me disse eu lembro
Já era hora...

De brincar, descer do teu cabelo
Ao céu da boca
E desenhar as letras do teu nome
Pelos cantos, poesias...

Uma caixa de retratos, um cartão-postal,
Anel, flores vermelhas,
Neruda e um batom, tá bom
Você diz que não tem mais nada
Coração, você não tem mais não...

TICTAC


Você me diz que horas são...
Eu não entendo essa mania louca
De saber as horas...

O dia passa,
A noite espera,
E as estrelas vêm chegando pra bisbilhotar...

A vida é boa
E viver, melhor ainda
Esqueça o tempo
Ele passará...

A DINÂMICA DO NÃO (ou COMO GERAR UM NUNCA)


Pra este ano eu não vou lançar um livro
Não tenho ideia de comprar sítio nenhum...
Não quero mesmo trocar de motocicleta
Nem me imagino estudando alemão...

Eu não desejo ir na feira de calçados
E nem pretendo colorir o meu portão
É certo que este ano eu não viro político
Nem vou pro curso de bailado de salão

E entre tantas outras coisas que não faço
Vou mapeando tudo o que ainda sou
Até que um dia eu canse, eu mude, eu me transforme
E o que eu pense vire nunca, vire não...

VEZES QUÊ?

Se eu contasse os segundos desta Era
às estrelas do céu
Não chegaria à metade das vezes
Que pensei em coisas desnecessárias

Se eu desse nome a cada gota do pequeno rio
E cheirasse todas pétalas de meu jardim
Talvez chegasse a um terço das coisas
Que falo em vão

E se eu contasse, contasse mesmo,
Os minutos de meditação de cada padre
a meus amigos de fé
Talvez em cada dedo de minha mão
[esquerda

Selaria o número exato de verdades
Que por ora tenho...

FATO DA PERCEPÇÃO


O tempo contém o espaço
O espaço contempla o eu
O eu do tempo, hólon...
O eu do espaço, eu...

E ao girar, conto as luas
Pra deixar a noite escura
E percebo então que o paraíso
Não é o lugar a que percebemos
E sim o fato da percepção.

FACINHO


Pensei que fosse relativamente fácil fazer da vida uma grande história... Lembro de tantas coisas que não fiz, tantas perspectivas que não se perfizeram...
Construí imensos castelos de cartas e achei que o tempo fosse responder... E de fato fala, o tempo, coisas boas, ensina o rumo, arruma os ponteiros do relógio... Mas também limita e tira a graça de se jogar tudo fora, de não ser constante...
A mente quer saber aonde pisa... Pisa sobre os planos, sobre os sonhos, sobre a força que talvez houvesse... A mente sabe os doces que come e invade o quarto escuro do silêncio, acendendo luzes, gritando entre as estrelas...
Eu, às vezes, faço de conta que não ouço. E exercito tanto que não ouço mesmo... Quieto,
[e somente quieto

facilito as coisas. E facilito a vida...

TAPERISMO


Pode me dar 63?

ESPÍRITO NÃO TEM IDADE

A noite absorve o dia
Como o que eu sabia ontem, já se pôs...

E nesta mania
De morrer a toda hora, a cada certeza
[derrubada

Me faz ver
Que a idade da moça
Independe dos bailes que dançara...

CAMPEÃO DE GUERRA DE BOSTA

Ele disse Ó, mas ela nem olhou... Ficou ali, no computador, como quem procura à noite...
Lembrei do tempo em que as pessoas dedicavam os Olás... Que apertavam a mão... Não encontro mais as crianças brincando nas ruas...
[A virtualidade nos aprisionou, isolou...

Ando louco pra fazer uma guerra de bosta!

TUTUTU


Não estranhe quando deixo de atender ao telefone.
É que tudo o que eu não tenho pra dizer é muito mais importante...

PASSADELA


Ela gostava de filmes na madrugada... Ele cuspia na esquina... Era um nobre vagabundo...
[Parecia o Elvis

e a encontrara numa praça-festa. Ela olhou como quem olha pra faca e as amigas perceberam que estava afim.
Ele saiu, não deu nem bola. Cruzou a rua e seguiu, por onde a vida continua...
Ela bebeu mais sete goles da bebida
[sentindo-se como aquela solitária pedra de gelo no final do copo...

e foi viver os seus agoras noutro dia de manhã.
No caderno, cada vez mais grosso, uma frase segurava a linha em branco:
"A vida não existe, já passou..."

SUFICIENTEMENTE LOUCO


Cada um pode ser louco
[suficientemente louco

Para estar na sua loucura...
Pra quebrar os pratos,
Devaniar,
Pensar em coisas que nunca couberam...

Cada um pode, e pode sim,
Achar que é vítima das circunstâncias,
Gemer no vento,
Chorar atônito

Mas o coração
[templo da carne

Finda um dia
E seu findar nunca explica
A pequenez dos fracos.

SANTO TIRANO


Quando nossa mente não outorga ao outro o mesmo direito ao erro, quando atribuímos culpa e não-perdão às falhas alheias, estamos sendo egoístas. Egoístas porque queremos o mesmo perdão
[negado

para os lapsos que são nossos.
Então, quando estamos equivocados, ainda achamos que somos merecedores de perdão, piedade, zelo e compreensão. Temos a razão por sobre a situação. Contudo, quando o equívoco é do outro, julgamos e culpamos. Ora, se a mesma situação pode ser tolerável ou não, é porque nosso egoísmo suplantou os nossos valores.
É certo comigo...
É errado com o outro...

E é aí, em momentos tão singelos e de reflexão axiológica, que nascem os santos e os tiranos.

ESPELHO QUEBRADO


"A verdade é um espelho quebrado..."
O Johan me escutou dizer esta frase e fica toda hora repetindo. É seu 4º jargão mais forte, o 2º mais filosófico,
[no auge de sua filosofia dos 3 anos de idade...

atrás apenas de "Me pega", "A Tati é minha" e "Não existe amanhã, só existe agora...".
De certa forma, cada vez que ele repete a frase da verdade, me faz ficar quieto, observando apenas... Tudo o que sei se resume apenas
[e miseravelmente

àquilo que sei... Quase nada... tão pouco que me impede de fazer qualquer julgamento. E sempre falo demais... Ainda assim falo demais... Cada palavra restringindo o resto, cada "verdade" emoldurando tudo...
O que critico sou eu... sou a feiúra que vejo. E tudo gira tão depressa que às vezes fico do lado de lá da verdade, do lado de fora...
É impossível dar um tiro certeiro na mira móvel da certeza...

PÓLEN DE BROMÉLIA


A frustração é a pior (ou uma das piores) manifestação da alma. É eminentemente egoísta sofrer pelo que não houve, pelo que queríamos que fosse...
Deve-se deixar fluir, como fluem os rios, e esperar que a sincronicidade tape os buracos da estrada da vida. E ela tapa... ela sempre tapa... ela vive tapando...
Mesmo assim eu penso que a dor é um caminho inevitável... mas isso não significa que deve-se sofrer. Deve-se sentir a dor como quem toma um suco de laranja... Deve-se degustar da dor, curti-la, como quem curte a chuva na varanda...
Só assim, desnudo de tudo o que aprisiona a mente, que congela e amassa,
[só assim

pode-se voar solto como pólen de bromélia.

3x4


Ele era tão espiritualizado
[mas tão espiritualizado!!!

Que já tinha fotos
Da próxima encarnação...

CLÃ DOS SEM CLÃ


Dia 19
Às 19h30min
Não esqueça de não ir
À inauguração
Do Clã dos Homens sem Clã.

TATUAGEM


Não sabia ao certo
De que lado da verdade estava...

Sabia de coisas
Sonhava em alemão
Mas quiçá não entendia
Os porquês da vida tão cruel...

Mas o que via
Era tatuagem
Feita por dentro da pele
[muito por dentro da pele...

RETRO


Sou meu próprio retroprojetor
Do mundo...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

OSHO E AS ANEDOTAS CERTEIRAS


Um rei, passando por uma pequena cidade, viu algo que acreditou serem as marcas de uma surpreendente pontaria. Nas árvores, nos celeiros e nas cercas, havia uma série de alvos, cada um com um buraco de bala bem no centro.

Ele não acreditava no que via. Tratava-se de uma pontaria soberba, quase um milagre. O próprio rei era um bom atirador, e conhecera muitos bons atiradores na vida, mas jamais vira algo assim. Ele pediu para ser apresentado ao atirador, que era, na verdade, um louco.

— Isso é sensacional! Como você consegue? — o rei perguntou ao louco. — Eu sou um bom atirador, mas nada se compara à sua arte e habilidade. Por favor, diga-me.

— É muito fácil, respondeu o louco, rindo —, eu atiro primeiro e desenho os círculos depois!

SER FELIZ É DESEJAR AQUILO QUE JÁ SE TEM

A felicidade é o critério da atitude certa...

TEMPO E DINHEIRO


Acho interessante a necessidade que temos, nós humanos, de substantivar coisas, de calçar a mente com definições exatas, de estigmatizar tudo...
A senhora me perguntou se eu era hippye. Respondi que havia muitas diferenças entre a minha vida e a vida de um hippye, mas se ficava bem pra mente dela me entender como um hippye (a ela pejorativamente hippye), que ficasse à vontade.
Depois, ela me perguntou como eu me sustentava, morando na montanha. Eu detesto essa pergunta... é extremamente deselegante que alguém, que não tenha nada a ver com a minha vida, queira saber como eu me sustento!!! É uma pergunta burocrata e extremamente preconceituosa, mecânica, de alguém que sopesa tudo pelas moedas que tem.
Eu lhe respondi com a máxima do Danilo:
"Minha senhora... tempo e dinheiro são como sol e lua: ou a senhora tem um ou tem o outro. Não se pode ter os dois! Eu, por exemplo, tô cheio, mas cheiinho de tempo. Tenho tempo pra dar e vender... A senhora tem dinheiro, mas não tem tempo. Qual de nós tem mais riqueza? Claro que existe os casos de eclipse, ou seja, aqueles em que pessoas têm muuuuuuuuuito dinheiro e tempo de sobra, que é uma coisa muito rara, e também aqueles em que a pessoa não tem tempo nem dinheiro, este um caso mais comum..."

Por isso que eu prefiro um bolso vazio deitado na grama do que uma conta cheia de noites maldormidas...

sábado, 17 de outubro de 2009

MÁXIMA DO JOJÔ


Não existe amanhã... só existe agola!

À MODA B


Beturento, ardiga, dorme e toma banho de pia...

O TAMANHO DO HOMEM


Millôr não entendia o porquê pelo qual quanto mais se afastava de casa, menor ficava...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A LENDA DO INVERNO GUARANI


O Zapataçu é um índio descendente dos guaranis que, por causa da sifilização branca, acabaram montando tribo na beira da BR-116, que liga Pelotas a Porto Alegre. É um acampamento muito singelo, caracterizado pelas lonas pretas e pelo abandono... é mais uma sociedade dentro da sociedade, uma subdivisão social que impede qualquer tipo de justiça e igualdade.
Mas voltando ao Zapataçu... ele ingressou na Faculdade de Meteorologia da UFPel e, no mesmo e fatídico ano, perdeu seu pai, o pajé daquela localidade. Claro que o nem sempre retilíneo caminho da hereditariedade colocou Zapataçu como o próximo chefe daquela vila indígena, o que aceitou de pronto. Na primeira reunião com os índios, lhe foi cobrado qual seria sua prima-ação em relação à tribo e ele mandou que fosse coletado a maior quantidade de lenha possível, pois aquele inverno prometia ser frio.
Na outra semana, na Universidade, Zapataçu pediu ao professor especializado como seria aquele inverno, em condições climáticas: muito frio e muita chuva, respondeu o docente prontamente. Isto fez com que Zapataçu voltasse à localidade e reforçasse o pedido para que os índios catassem mais e mais lenha. Contudo, já inverno adentro, o tempo contiuava quente e seco, mas a ordem permanecia de pé: Lenha e lenha!
Na Universidade, o experiente professor confirmava a Zapataçu: este inverno vai ser frio e chuvoso, podes crer Zapataçu.
E assim foi... já quase adentrando a primavera, aquele estranho inverno ainda não havia apresentado frio ou chuva. Mas a ordem permanecia: catar lenha. Até que a pressão ao novo pajé ficou insuportável. O conselho indígena reuniu-se e disse, com sotaque guarani:
"Chefe não com razão! Frio não vem. Tribo cansada catar lenha."
Mas Zapataçu manteve a postura e solicitou que a coleta durasse até o fim de semana, pois o frio viria sem dúvida alguma. Enquanto isso, retornou à Faculdade e ao excelentíssimo professor:
Professor... O senhor diz que vem frio mas até agora esse inverno foi quente e seco. Eu preciso saber de onde vem a informação que o senhor me passa que este inverno vai ser muito rigoroso...
Ora, Zapataçu... Eu vou toda semana pra Capital e tu tens que ver o que os índios da BR estão catando de lenha...

MORAL DA HISTÓRIA: A sabedoria é viva, o conhecimento é morto.

A MORTE É A ÚLTIMA COISA QUE EU QUERO QUE ME ACONTEÇA


A pessoa realmente inteligente mantém sua infância viva até o seu último suspiro.

DEUS NÃO PODE SER UMA PESSOA SÉRIA


Regozijar-se com a vida é o caminho que leva a Deus. Vá até Deus dançando, vá até Deus rindo, vá até Deus cantando!

Deus já deve estar cansado de seus santos sérios. Durante séculos, esses sujeitos estúpidos... Ou ele deve ter cometido suicídio, vendo todos esses santos — não consigo ter imagens deles em meu quarto —, ou deve ter enlouquecido, ou fugido.

Se você olha para a vida, se essa vida é uma criação de Deus, se essa vida é a expressão de Deus, então ele é um Deus dançante, cheio de flores e fragrância, cheio de canções — muito criativo, sensível —, cheio de música...

Se essa vida é alguma prova — e além dela não há outra prova —, então Deus não pode ser uma pessoa séria.


Visite: www.palavrasdeosho.com

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

AGORAKI


Estou
No exato ponto
Onde o tempo encontra o espaço
No preciso agora
Num momento tênue
Onde cabem todos outros...

Então pra quê sofrer
Se vou logo morrer?
Oitenta anos?
Não importa!
Outros lugares?
Nada importa!

As pirâmides
Estão
Apodrecendo...

ESQUINAMENTE

A mente
[silenciosamente
Percebe coisas que também sou
Faz suas leituras
Nas linhas dos idos
Querendo respostas que teimam mudar

A mente
[inquietamente
Requer sim, requer não
Inaceitavelmente indúbia,
Impossivelmente incerta
Invariavelmente exata

A mente nunca dorme
Espera na esquina das manhãs...

INTERRUPT

Voltou a luz de madrugada
Quando eu não queria nada
Nada, nada, além do sono
Um soninho bem can_sa_do
Sol cristal amarelado
Deus no interruptor...

OSHO 208

Nasce uma palavra
Ela é viva por alguns momentos
Ela pulsa à sua volta
Se você puder ouvi-la, ela entrará no seu ser
[se tornará parte do seu ser...