sexta-feira, 12 de julho de 2013
PEDRA MARRONZINHA
Quando eu era pequeno, o mundo era muito maior.
Meus colegas de colégio, também pequenos, observavam o mundo assim como eu...
Aquelas professoras gigantes e poderosas...
A diretora brava...
Os imensos corredores, árvores do pátio...
Tudo era super-significante...
***
No final de ano, a turma preparava uma peça de teatro pra apresentar aos pais.
Era aquela grande confraternização...
Carros e mais carros no estacionamento...
Barulho de gente...
E a criançada tensa ao ver chegar rapidamente a hora de estrelar.
***
Naquela peça tinha lenhadores, lobo e menininha...
Tinha padre, professor e médico alucinado.
Vários papéis de destaque...
A criançada brilhava, os olhos dos pais brilhavam, a fivela do cinto do diretor brilhava.
Só que pra mim sobrou um papel não muito interessante: a Pedra marronzinha.
Eu era a pedra tão quieta quanto participativa...
Permanentemente no canto do palco, louca para ser amada em sua eterna vida pedrática!
***
Eu acordei com uma dor incrível na nuca.
Talvez fosse a sobra da supergripe que peguei...
A mãe das mães dos vírus.
Então, enquanto a dor me incomodava a parte traseira-direita da cabeça, eu olhei pros meus filhos...
Eles acordavam lentamente, tomando tetê...
Eu olhei pra Nena na cama e pensei:
E se eu estiver morrendo?
E se eu estiver de fato chegando ao fim?
Então pensei nas coisas que faço hoje... minhas ocupações e objetivos na vida...
Percebi repentinamente que meu cotidiano é repleto de bobagens...
De coisas e missões que eu realmente não acredito!
De pessoas chatas...
[talvez tão chatas quanto eu!
E concluí que, se eu tivesse certeza que estivesse morrendo,
Poucas das verdades que me cercam seguiriam comigo!
***
Na real, a falsa sensação de eternidade é a pior forma de perecimento.
***
Se me restasse poucos dias, eu deixaria de fazer quase tudo.
Trabalhar, bater ponto, projetos inúteis...
Pra quê cronogramas e objetivos?
Pra quê construções?
A morte, na verdade, representa a liberdade de todas essas limitações...
De todos estes intuitos humanos...
De toda essa estúpida forma de organização social, chave de casa, carteira de identidade, contas...
Niilismo... O nada... E Nietzsche que se vire no caixão!
***
Estar vivo é estar preso à peça insossa e infinda.
Uma peça onde julgamos ser os atores principais...
Diariamente principais...
Cheios de razão e verdade, de metas e conquistas...
Importantes egoístas à espera de sucesso... cada vez eu quero mais, como diz aquela infernal e psicossomática música carnavalesca...
E não reparamos aonde está o fim...
[a lógica inexata do fim, onde aplausos são desnecessários...
E persistimos grandiosamente em cena,
Brilhando, como a fivela da profe...
Pensando ser o doutor, o pai, o lobo...
Sem perceber que neste finito lapso que chamamos vida
Ser a pedra marronzinha é uma dádiva de simplicidade...
E permanecer sereno, observador
[de canto!
É um privilégio disfarçado de demérito...
Assim como a vida, tão rápida e fugaz,
Se disfarça de eternidade...
Para que nunca saibamos, em nossa pueril mente insana,
Que a peça está chegando ao fim...
Juntamente ao complexo mundo que formamos em nossa volta...
***
E como não crer nas utopias
Se a vida de verdade parece tão inverossímil?
segunda-feira, 8 de julho de 2013
domingo, 7 de julho de 2013
ONLIÚ
O Nenê Oxley era o professor pardal da galera. Sem grana pra
fazer grandes investimentos em sua sapiência experimentativa, o Nenê
engembrava, por assim dizer, mas não desistia de suas invenções. Era
praticamente um MacGyver morando na rua Guaíba... e todas as suas criações
terminavam amarradas com arame.
***
O Nenê também tocava contrabaixo na MS Band, que foi sucesso
total nos bailes das décadas de 60 e 70. A MS Band fazia covers de Beatles e
Elvis Presley como ninguém...lotava os salões e a poeira levantava sob as saias
brasa-moras e as calças boca-de-sino.
Mas o mais surpreendente de tudo isso é que ninguém na MS
Band falava inglês, mas todos cantavam em inglês. O segredo era a Sônia, mulher
do Nenê, que ouvia as músicas inglesas e escrevia num português soniático (ou
era inglês nenista?), ou seja, uma tradução aportuguesada com neologismos
homofonéticos das letras saxônicas (uau!).
***
Onli-ú
Ken meiqui au dãs urold sim ráit
Onli-ú
Ken meiqui dê darquinés braiti...
***
Mas a MS Band era boa mesmo, tão boa que músicos de todos os
lugares, quando vinham pra Pelotas em turnê, contratavam a troupe do Nenê para
banda base. E foi assim que os The Platters chegaram aqui no Paralelo 30 pelos
idos de 1970, ciceroneados pelo Nenê Inventor-baixista e a Sônia, a única da
galera que “falava” inglês.
Numa curtida de tarde, eles levaram os Platters pra conhecer
o Laranjal. Mas na Adolpho Fetter, o jipe-inventado do Nenê estragou... No
acostamento, várias (e improfícuas) tentativas de girar a chave... O Nenê e a
Sônia se olhavam... os Platters se olhavam... E quando os olhares latinos e
americanos se cruzaram, a Sônia falou:
Vocês ken pãch?
***
E lá foram os Platters empurrar o jipão do Nenê na direção
de Orange Beach (o Laranjal da
Sônia).
***
O Papa, já cansado de sua superprotegida vida papal, pediu
(ou ordenou?) ao seu motorista que o deixasse dirigir, ao menos uma vez, aquela
limosine.
Sem ter como negar um pedido de sua santidade, o motorista
deixou.
O papa engatou a 1ª, 2ª, 5ª e se tivesse 8ª, engataria.
Em poucos minutos dirigia (santificamente) a 240km/h na
autostrade per l’Italia.
Um policial rodoviário saiu em perseguição...
Luzes azuis e vermelhas... sirenes no retrovisor do papa-Senna.
Papa-Senna no retrovisor...
Encosta... encosta...
***
Quando da abordagem, o policial ficou assustado e ligou
imediatamente para o delegado superior.
É que eu abordei um
sujeito que é muiiiiiiito importante chefe... não sei o que eu faço.
Como assim muito
importante?
Muito chefe, muito
importante.
Mas quem é esse
sujeito afinal?
Olha... quem ele é eu
ainda não sei, mas pro senhor ter uma ideia, o motorista dele é o papa!
***
Aqui eu imaginei essa anedota acontecendo com o Nenê.
Os azuizinhos de 70 chegando pra fiscalizar aquele jipe
pifado.
Ligando pros superiores, dizendo que o cara do jipe era
quase que inabordável.
Por quê? Só pro senhor
ter uma noção, quem tá empurrando o jipe dele são os The Platters!
***
Esse cara é o Nenê.
sábado, 6 de julho de 2013
sexta-feira, 5 de julho de 2013
TE MANDO UM BEIJO
Te mando um beijo pelo ar
A viajar pra te encontrar
[numa esquina qualquer
Te jogo um beijo
Como quem joga uma flor
Tão incerto quanto irresistível
E ao chegar na casa tua
Ele, o beijo, toca tua pele nua
E descansa, o beijo, nas entrelinhas de tua saudade
Como se não houvesse dia
Como se não houvesse humanidade.
terça-feira, 2 de julho de 2013
AJUSTANDO A MANHÃ
Dia frio
Um qualquer
Ajustando a manhã
Mostra o sol
Eu girando vou te ver
Pelo céu a brilhar
Como aqui, na manhã,
Basta à luz
Teu sorriso aparecer...
Quando for, então,
Se deitar este sol
Madrugada vai buscar
O que ficou, riso teu
Em canção, um poema no silêncio
O teu rosto se repete
O sol se repete
Dia frio
Um qualquer
Ajustando
A manhã...
Um qualquer
Ajustando a manhã
Mostra o sol
Eu girando vou te ver
Pelo céu a brilhar
Como aqui, na manhã,
Basta à luz
Teu sorriso aparecer...
Quando for, então,
Se deitar este sol
Madrugada vai buscar
O que ficou, riso teu
Em canção, um poema no silêncio
O teu rosto se repete
O sol se repete
Dia frio
Um qualquer
Ajustando
A manhã...
SALA DE JANTAR
Uma cena
Obscena
Obtusa, uma confusa sala de jantar
[ela trocou identidade por desejo
Ele queria sempre mais...
Até que um dia
[ao voar sobre o trigal
O que era eterno fez-se claro
Como a lua de cristal
Um passeio, talvez um breve reencontro
Algo que pode significar...
Outra esfera, outra resposta
[oblíqua
Voando no tempo como voo agora
[sobre este trigal
Um campo tão vasto
Pão ainda pasto
A dançar pelo vento que trago pelo voo
A carne tão passageira
Uma verdade de ninguém...
Abro a porta
Obscena cena
[sala de jantar
Ele mostrou a identidade por desejo
Ela apenas lhe sorriu
E, como o velho sonho, de outro sonho partido,
Também partiu...
Obscena
Obtusa, uma confusa sala de jantar
[ela trocou identidade por desejo
Ele queria sempre mais...
Até que um dia
[ao voar sobre o trigal
O que era eterno fez-se claro
Como a lua de cristal
Um passeio, talvez um breve reencontro
Algo que pode significar...
Outra esfera, outra resposta
[oblíqua
Voando no tempo como voo agora
[sobre este trigal
Um campo tão vasto
Pão ainda pasto
A dançar pelo vento que trago pelo voo
A carne tão passageira
Uma verdade de ninguém...
Abro a porta
Obscena cena
[sala de jantar
Ele mostrou a identidade por desejo
Ela apenas lhe sorriu
E, como o velho sonho, de outro sonho partido,
Também partiu...
domingo, 30 de junho de 2013
CINE-EU
O Dico e o Nando me falaram que, quando eles eram pequenos,
nos remotos idos da TV em preto e branco, havia um macete (da série Truques
& macetes) de sobrepor à tela um pedaço de papel celofane colorido (as TVs
mais modernas já vinham, inclusive, com pequenos e especiais ganchos para
prender o papel celofane, pode?). Então, magicamente, a imagem se tornava
colorida...
O papel celofane, além de colorir os filmes do Batmasterson
e os jogos do Pelé, era o anúncio de que a tecnologia estava a galopar a passos
largos rumo aos dias de hoje...
[se é que alguma vez a tecnologia não tenha cavalgado a
passos largos.
A tecnologia não desmonta o cavalo...
A tecnologia está condenada ao cavalo, assim como São Jorge!
***
Pai do Alex jogou toda pipoca pro alto da primeira vez que
sofreu um ataque bombástico dos avatares de sua nova TV 3D.
***
O Alexandre quer comprar uma TV que faz até cafezinho e
fecha palheiros como ninguém. Que tem o controle remoto que acompanha o olho do
espectador; que acompanha até os pensamentos do espectador, com wi-fi conectado
no sofá. Ele quer uma TV que diga as notícias antes dos fatos, que o resultado
do jogo apareça antes do sorteio da tabela e que pegue internet, óbvio... e que
loucura deve ser o encontro da TV com a internet!!!
***
A TV, pra mim, foi o invento mais sedutor (e poderoso) da
humanidade. Aí alguns vão dizer: e a roda? E o fogo? Ora... a roda serve pra
nos levar mais rápido pra frente da TV e o fogo serve pra climatizar o ambiente
antes do jogaço das 9.
***
Agora, como surgem novas tecnologias, eu também tô pensando
em inventar uma TV. Mas não uma TV qualquer (daquelas com botão girador de 12
canais e antena de mosquito), eu tô a fim de inventar uma TV inédita, que seria
a sensação do momento... seria tão tentadora quanto irresistível... o ápice da
raça humana... o sonho de consumo de toda família moderna... só que eu ainda tô
pensando que irresistibilidade seria essa... onde é que eu pego essa tal
humanidade?
***
Eu pensei em criar uma TV que mostrasse ao espectador um
filme sobre si mesmo... que revelasse seu passado e, como no mesmerismo e na
psicanálise, o catapultasse pra uma análise única e exclusiva de sua
personalidade, tão profunda e intensa, tão reveladora, que depois de assistir
ao seu filme nunca mais a pessoa seria a mesma... Ela teria consciência de seus
traumas, vícios e virtudes... seria uma superpessoa! Ela entenderia seus
defeitos e limitações e sacaria (em uma só sessão do Cine-eu, é... Cine-eu...
esse aí é o nome do programa das 10), de imediato, sacaria, todo caminho de sua
vida ante a luz nem tão retilínea do que chamamos destino...
O espectador sairia da sala com cara de zumbi... a mulher
assustada na cama... que cara é essa? Que foi que aconteceu homem-de-deus?
Fala-homem! E eu sei de tudo seria
uma resposta recorrente; eu diria que recorrentemente avassaladora.
***
Eu vou falar com o Helio di Pinho pra gente patentear esta
TV.
O meu único receio é de que ninguém queira conhecer a si
mesmo e prefira seguir utilizando falsas máscaras... falsos artifícios.
Como um papel celofane na frente do televisor.
E prefira ficar sempre com novas ilusões de velhos canais...
[violentas e fictícias programações que não permitem
desgrudarmos desta (magnífica) caixa pandorística...
Pois entrar dentro da TV é bem mais simples que entrar
dentro de si mesmo...
E a novela é bem mais interessante
[que a vida aqui do lado de fora da tela.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
POEMA PEDRA
Cest le concrete poeme
Concreto e armado
Com 4 pés no chão
Como um gato
[e cai ereto
Um contemporâneo
Jovem que talvez não se finde hoje
[nem amanhã
Aqui, neste papel tão branco
Cheio de esperança
[que o poema nasça
Em sua papelidez...
Um poema na areia
Estático, sintático e opaco
Saindo de sua (confortável) esfera abstrata
Que o conduzia até então
Por ondas azuis...
Um poema que vira pedra
Silencioso e vivo
A vidraça estilhaçada
Os cacos no chão por um poema jogado
[tão gratuitamente jogado
Que restou vago,
Como se não tivesse sido.
Concreto e armado
Com 4 pés no chão
Como um gato
[e cai ereto
Um contemporâneo
Jovem que talvez não se finde hoje
[nem amanhã
Aqui, neste papel tão branco
Cheio de esperança
[que o poema nasça
Em sua papelidez...
Um poema na areia
Estático, sintático e opaco
Saindo de sua (confortável) esfera abstrata
Que o conduzia até então
Por ondas azuis...
Um poema que vira pedra
Silencioso e vivo
A vidraça estilhaçada
Os cacos no chão por um poema jogado
[tão gratuitamente jogado
Que restou vago,
Como se não tivesse sido.
TERRA: QUEM POSSUI A ESCRITURA?
Um colono judeu se retira com a família lentamente do assentamento em Homesh. Deixa uma vida para trás... olha tudo o que construíra sobre os ombros pela impossibilidade racial de sua ali presença. No outro lado do mundo, um mexicano é morto ao tentar cruzar o muro de 3.140 km na divisa com os EUA... No mesmo instante, no Brasil, uma outra muralha é levantada sob a Ponte da Amizade para separar as economias tupiniquim e paraguaia. No Golfo, xiitas iraquianos preparam uma emboscada letal para crianças sunitas, enquanto que em Berlim, um neonazista espanca um negro na calçada, onde antes ficava a muralha que dividia os olhares do ocidente e oriente.
É manhã no Laranjal. Um Jorge Drexler toca enquanto olho a chuva na janela. Tudo parece estar esperando a água parar... Mas a Terra segue girando na grande janela das dimensões, filha do tempo... E em sua linda pele verde-azul, todos os seres convivem. Penso nos grandes predadores, nas sagas das espécies, na cadeia alimentar como representação da harmônica relação dos animais, que respiram a contemplação de sua curta e finita existência almejando nada mais que um bom ninho, um parceiro da procria e uma comida satisfatória, já que a gula e a angústia não cobiçam os “irracionais”. Eles não desejam mais do que precisam, não destroem a mata que lhes dá abrigo e ar nem poluem a água que bebem. Alguns estipulam fronteiras, sim, mas baseados apenas no instinto de proteção de seus aspirais genéticos, ao contrário da racionalidade do homem, o único ser vivo que produz lixo e delimita espaços com sua vil noção de “propriedade” e raça.
Proudhon dizia que “a propriedade é um roubo” e, de dentro do contexto social desta afirmação há, contido, um significado cosmológico também. A Terra não pertence ao homem. O mundo não foi “feito” para que tirássemos o máximo de proveito dele, com um desespero consumista e um desrespeito generalizado com o milagre da vida, com as gerações vindouras, com as espécies que por todo globo se espalham, cada qual com sua beleza-viva. O planeta não é da burguesia, mas também não é da prole. Não é dos chineses nem dos hindus. Deus não é americano nem islâmico nem judeu. Deus é uma flor, um rio, um sorriso e todas as manifestações de amor e de solidariedade. É os milagres que acontecem nas entrelinhas de nossa mecânica e opaca percepção... milagres são naturais, ora bolas. Eles acontecem sim... a própria água limpa que tomo agora não me veio da torneira, como dizem. Veio do sangue da Terra, da vontade dos ventos, do mágico céu que não suporta gotas e onde voam os aviões. E enquanto agora um botão de flor se abre, cientistas aperfeiçoam a bomba H.
O que falta então ao homem para alcançar um convívio de paz? Como alcançar uma vivência harmônica, não-violenta, onde o homem perceba que as fronteiras fazem parte apenas de seu imaginário? Como correlacionar o meu direito ao direito do outro sem haver agressão? Talvez a simples resposta esteja dentro de cada indivíduo, pois cada um pode fazer a parcela que julgar necessária sem cobrar de seus espelhos-irmãos. A cada um cabe derrubar os muros do preconceito e da intolerância que traz na alma.
***
Penso, então, no que é de fato uma revolução.
Toda revolução vem de dentro...
quinta-feira, 27 de junho de 2013
quarta-feira, 26 de junho de 2013
MORRINHA
Fiz uns exercícios
Com um poema amigo meu
Cinco quilos de palavras de um lado
Treze rimas sobre a barra
Mas o grande problema
[meu
É que a academia
Tem uma morrinha
[permanente
Talvez é que eu não aguente
O cheiro de uma carta pronta
[uma música pronta
Não suporte ver tão pronta
[tão pronta e tão acabada
Que não há mais nada
Que possa acontecer a ela...
SONHEI CONTIGO
Sonhei contigo
Um campo de trigo
Dourado como teu cabelo
No sonho que sonhei contigo
Era outra pessoa
Que me sorria naquele trigal
E eras tu, ao mesmo tempo,
Porque eu já te conhecia...
Eu passei voando
Tu olhavas e me sorria
Um gigante penhasco...
E eu saí do mundo do sonho que sonhei contigo
Restou de verdade a manhã
Uma falsa lembrança de ter havido
Ou é ávida esperança
De não ter dormido...
Um campo de trigo
Dourado como teu cabelo
No sonho que sonhei contigo
Era outra pessoa
Que me sorria naquele trigal
E eras tu, ao mesmo tempo,
Porque eu já te conhecia...
Eu passei voando
Tu olhavas e me sorria
Um gigante penhasco...
E eu saí do mundo do sonho que sonhei contigo
Restou de verdade a manhã
Uma falsa lembrança de ter havido
Ou é ávida esperança
De não ter dormido...
terça-feira, 25 de junho de 2013
O CAVALO DE TURIM
Eu vou galopar
Em alta velocidade
Rumo ao fim
[Eu vou galopar
como galopam as coisas
da gênese ao término
Eu vou descontar as horas
Que foram jogadas fora
Quando pensavas em mim
Vou abraçar o teu pescoço
Vou te perder pouco a pouco
Mas vou ficar bem assim...
Eu vou entrar
E acordar
Em outro sim.
Em alta velocidade
Rumo ao fim
[Eu vou galopar
como galopam as coisas
da gênese ao término
Eu vou descontar as horas
Que foram jogadas fora
Quando pensavas em mim
Vou abraçar o teu pescoço
Vou te perder pouco a pouco
Mas vou ficar bem assim...
Eu vou entrar
E acordar
Em outro sim.
segunda-feira, 24 de junho de 2013
FREUD MOLES
Freud com sua barbuda cara
Dizia coisas das vergonhas alheias
Ela queria ver Freud pelado
Lhe apontar o dedo e rir
Ele, com seu freud mole na mão
Acharia uma saída analítica
[e muito bem explicada
Sobre aquela situação
Uma agenda
Anotações
Verdades que ele, Freud, não contou
[a nenhum amigo íntimo.
LA MADRE BARRE
Una madre llena de niños alrededor de las pechugonas
Se expresa en palabras como pureta
Una madre deja de ser una
[seductora
Creciente vientre
Varices, gusanos, preocupaciones
La madre, no la boca
No sabe qué hacer con el pecado del hijo
Sí afecto o refugios
Y sí assombra
La madre barre su hijo bajo la alfombra...
Se expresa en palabras como pureta
Una madre deja de ser una
[seductora
Creciente vientre
Varices, gusanos, preocupaciones
La madre, no la boca
No sabe qué hacer con el pecado del hijo
Sí afecto o refugios
Y sí assombra
La madre barre su hijo bajo la alfombra...
domingo, 23 de junho de 2013
UM BARCO PASSA
Um barco passa
Nele, a vida
O vento sopra os galhos, traz palavras
De outros horizontes, outros vendavais
Eu busco respostas
O que me faz bem?
Eu sonho, eu canto
[uma canção repentina
Eu sou o sonho de alguém...
Eu chego, eu passo
Luz no corpo
Eu sou palavras, tão azuis, sem nuvens
Que no silêncio que enche a tarde
Buscam tua pele como o sol que te ilumina
Em qualquer lugar...
O barco passa
Tanto sal, tudo tão imenso
Onde nascem todos pensamentos?
Castelos de areia,
Cartas que não leio mais...
sábado, 22 de junho de 2013
OUTRA CHUVA
A água sobe o vidro
O tempo observa, então
As coisas que pensaste em dizer
E em não dizê-las deixaste
Um silêncio em vão...
Um dia tão frio
A luz acabou aqui
Onde a cortina deste cinza céu
Em gotas
[gotículas
Através da janela da chuva
E pelo silêncio suas gotas murmuram...
Eu escuto a lagoa, que em ondas vai e volta
Tua vaga ideia
Que na areia se desfaz...
Outra chuva
A levar consigo os rastros do dia
Mais uma noite sem ti, tão longa e fria
Sem perfumes...
Uma gota sobe o vidro
A brotar, como brota esta saudade agora
Quase sem hora
Quase sem sentido...
quarta-feira, 12 de junho de 2013
MEIO DA TARDE
Era meio da tarde
O dia quase já sem esperança
Andava tão depressa fugindo do anoitecer...
À luz do sol parada, as coisas mudam de lugar
Derramam-se em sombras nos ladrilhos das calçadas
Cada vez mais distantes, negras, espichadas
Agora, tarde, pelas luzes do luar
Eu penso em tua luz tão colorida
[tão imensamente colorida e clara
Que nenhum corpo ousa interromper
Crescente sombra tua que a luz deseja
Que deita entregue pela noite ainda acesa
E reaparece ao amanhecer...
terça-feira, 11 de junho de 2013
A LÁGRIMA TUA
Por quedas e pedras a lágrima vai
Incessante destino ora inexplorado
Do teu lindo rosto por onde se esvai
A água salobra de um amor amado...
Um rio, um caminho
Paixão navegante
Andante entre imagens
A lágrima ida, outrora tão tua
Perdida anda nua
Por entre as margens...CARONA DE CONFILTRO
O Confiltro era um maluco que dirigia um carro imaginário pelas ruas da cidade. Ele trocava as marchas, fazias as curvas, dava pisca e estacionava de ré, enquanto, por entre os lábios, roncava o motor 2.0.
***
A Mêtcha era uma mendiga russa tão (ou mais) louca que o Confiltro... Ela pedia roupas velhas e comida pela grade daquela casa da infância
[a cada dia mais distante
e eu ainda lembro do seu cheiro e de suas histórias sobre uma família que nunca existiu...
***
Um dia ela, Mêtcha, conheceu o Confiltro e foi paixão à primeira vista; literalmente um louco amor.
Eles passeavam juntos no carro imaginário do Confiltro, a Mêtcha atrás, o segurando pela cintura... Buzinavam e acenavam quando passavam pela vizinhança... um passeio tranquilo de carro imaginário por uma cidade pacata do interior... um casalsinho loucamente enamorado... o amor é lindo... e as más línguas diziam que ela, Mêtcha, era maria-gasolina e só estava com o Confiltro por causa do carro...
***
Mais louco que a loucura.
***
Várias pessoas, cheias de planos
Querem me explicar os seus desenganos
Suas maravilhosas ideias que não deram certo
[mas darão um dia
Querem me arrastar pras suas loucuras
Como um carona imaginário...
Mas eu quero ir a pé
Tranquila e serenamente caminhando
Pelas calçadas, cordões e beiras de rua
Onde às poças brilha a mesma lua
E eu possa escolher minhas esquinas.
***
De carona com louco?
Só se eu dirigir!
***
A Mêtcha era uma mendiga russa tão (ou mais) louca que o Confiltro... Ela pedia roupas velhas e comida pela grade daquela casa da infância
[a cada dia mais distante
e eu ainda lembro do seu cheiro e de suas histórias sobre uma família que nunca existiu...
***
Um dia ela, Mêtcha, conheceu o Confiltro e foi paixão à primeira vista; literalmente um louco amor.
Eles passeavam juntos no carro imaginário do Confiltro, a Mêtcha atrás, o segurando pela cintura... Buzinavam e acenavam quando passavam pela vizinhança... um passeio tranquilo de carro imaginário por uma cidade pacata do interior... um casalsinho loucamente enamorado... o amor é lindo... e as más línguas diziam que ela, Mêtcha, era maria-gasolina e só estava com o Confiltro por causa do carro...
***
Mais louco que a loucura.
***
Várias pessoas, cheias de planos
Querem me explicar os seus desenganos
Suas maravilhosas ideias que não deram certo
[mas darão um dia
Querem me arrastar pras suas loucuras
Como um carona imaginário...
Mas eu quero ir a pé
Tranquila e serenamente caminhando
Pelas calçadas, cordões e beiras de rua
Onde às poças brilha a mesma lua
E eu possa escolher minhas esquinas.
***
De carona com louco?
Só se eu dirigir!
segunda-feira, 10 de junho de 2013
GRIGRI-GRAGRÁ
Os sol rasgou as nuvens pra lhe ver
Colibris e borboletas vêm cheirar você
Eu penso naquilo que você me disse
E já não sei se só pensar é uma tolice
Os dias passam
A grama novamente cresce
Quando, brilhantemente, você de novo aparece
A possuir meus pensamentos pela noite
Dominada por um insistente
[e pequenino grilo...
Ele vai traquinando sons com seu singelo pelo
E eu a desejar o seu doce cabelo
Também querendo fazer sons na madrugada...
Como se fosse nada
[ou quase nada...
Que fosse passar...
Um grilo lá
Grigri-gragrá
Fazendo a noite engrandecer
Como até um simples grilo
Faz lembrar você?
terça-feira, 4 de junho de 2013
DIAS DE MENINO
O céu tem estado tão azul
E eu comprometido com tantas bobagens
Tolo pelas tolices,
Pelas calçadas,
Por onde andam os teus pensamentos
Tão desencontrados dos meus...
Pela janela eu vejo um pássaro
De esperança
Começar a cantar
Ainda é cedo
Estou de volta
A uma casa derradeiramente transitória.
E eu comprometido com tantas bobagens
Tolo pelas tolices,
Pelas calçadas,
Por onde andam os teus pensamentos
Tão desencontrados dos meus...
Pela janela eu vejo um pássaro
De esperança
Começar a cantar
Ainda é cedo
Estou de volta
A uma casa derradeiramente transitória.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
ALINE
Tanto tempo se passou
Desde que você chegou
As coisas mudam sempre, eu sei
Como a chuva, os amores...
Os lugares onde pisam os teus pés
Incessantes, como o vento...
Não te preocupes com o tempo
Chuva forte sempre vai embora
Outro dia, outra manhã
Desenhando em cores um possível horizonte
Um monte, uma breve paisagem
Até a noite de passagem,
Sempre de ida, como a vida,
Aline...
sábado, 1 de junho de 2013
UM REINADO
Um príncipe conhece pouco do mundo. A não ser pelas opiniões
e conselhos das várias pessoas que o cercam cotidianamente, incutindo em seu
pensamento ideias abstratas acerca da realidade e protegido demasiadamente pelo
principado, um príncipe pouco vê. Por isso, um príncipe inteligente está sempre
se cercando de gente notável, de grandes artistas, cientistas e intelectuais. Pessoas
sensíveis que possam ver o mundo e deitar a ele, o príncipe, informações, sucinta
e didaticamente, advindas de suas célebres interpretações do que é o mundo e a
existência. E é por isso que Dostoiévski diz que nada serviu tanto o despotismo
como as ciências e os talentos.
***
Muitas cabeças foram
cortadas pela dádiva da sensibilidade dos assessores monarcas.
***
Eu acordo,
Eu penso no meu dia
A manhã muda de cor, embora fria...
Eu tomo café,
Eu leio as novas sobre o futebol
Enquanto a Terra gira um vestido de sol...
A noite chega,
Esparramando as sombras em seu movimento
Um dia a mais?
Um dia a menos?
Esparso tempo para ser pequeno...
***
Hoje de manhã eu era outro e, consequentemente, o mundo
também. Pelo menos o meu mundo, a minha prancha oportuna e necessária, da qual
eu nunca desço... o meu ponto de vista, viciado em meus desejos e misticismos
matemáticos... Mas o mundo a meu redor parecia outro, completamente outro...
Havia o sol entre as folhagens e vários beija-flores zuniam pelo jardim... Os
jasmins ainda exalavam o perfume que sobrara da noite... os pássaros cantavam
esperança nos galhos secos da aroeira e eu lembrei da música que dizia que não
se precisa morrer pra ver deus.
***
Eu vi a grama, molhada pelo choro da chuva... e um verde
gris, agora iluminado e úmido, verde novo e claro. Permaneci sozinho num breve
tempo-espaço
[embora nunca se está sozinho nem mundo onde todas as coisas
estão conectadas...
o tempo parado no ar... tive uma momentânea (contudo parecia
eterna) sensação de beleza... um mundo belo onde eu estava imerso e envolvido...
repleto de detalhes, de suntuosidades... as folhas também tinham cheiro e havia
um sincronismo entre zilhões de formigas... havia uma realidade acontecendo por
entre o silêncio, e eu preciso do silêncio como preciso da água, então me senti
pleno... percebi um mundo acontecendo pelo tempo e me senti um rei.
***
Ontem o mundo era igualmente belo ou eu não percebi?
Talvez o mundo permaneça igual e eu esteja diferente.
A única coisa que permanece sempre igual é a
impermanência...
Pro dia...
Pras noites...
Pros reis
[pra toda realidade.
***
O verdadeiro reinado vem de dentro.
terça-feira, 28 de maio de 2013
SABICÃO
Eu cheguei numa cidade do interior de Santa Catarina... tão
pequena que até os restaurantes fecham ao meio-dia; até os cachorros têm tempo pra não latir, ficam curtindo o marzão que parece querer comer o
horizonte e as dunas... Eu não sei porque aqui os cachorros são diferentes, não
latem, ou se latem, latem baixo... eu já não lembrava como era uma noite sem os
constantes latidos do Laranjal... aqui o som permanente é o da maré, que de
noite bufa alto e na madrugada é um apelo pra beirar a praia.
***
Eu já vim aqui umas quatro vezes... eu costumo voltar sempre aos mesmos
lugares, pois quando repetimos os lugares visitados, percebemos o quanto temos mudado.
***
Eu lembro de um lugar que me marcou quando criança... uma
árvore que eu gostava de subir
[ainda nem era um jacarandá na minha mente de menino, apenas
uma amiga com folhas e galhos e flores e braços...
Havia também uma calçada de ladrilhos com estranhos
degraus... eu tinha uma sensação de alegria absoluta naquele espaço e voltei lá, depois de décadas, mais impuro e terrivelmente responsável. Eu já
não era um anjo; eu havia poluído meu coração com o mundo dos adultos... eu
agora era um cara sério, em breves e repentinas férias, procurando a si mesmo; buscando
uma brasa que pudesse virar chama e queimasse estes tênues gravetos de meus
subterfúgios biográficos...
***
O jacarandá era menor, ou era meu ângulo de visão que havia
mudado... eu cresci, ora bolas... deixei de achar graça naqueles galhos
retorcidos que eram, ao mesmo tempo, obstáculo e glória. A calçada também
estava diferente... a escada, agora tão pequena... nem parecia aquela que eu
subia com a ajuda das mãos...
Aquele lugar definitivamente não era o mesmo... não era o
lugar da minha memória... era apenas o mesmo endereço. Mas tudo bem, eu também
já era outro, como sempre, a todo instante outro... mas quando eu cheguei lá eu
entendi a minha própria visão; eu percebi várias coisas sobre mim, sobre as
pessoas que me cercaram desde os idos tempos em que esta escada era grande até
agora... todas as transformações... Então que eu percebi a vida é uma
transformação rápida e constante, como as ondas que não param de chegar na orla,
no seu tempo
[sempre certo tempo
e que, assim como as ondas, a vida é bela, forte e
admirável... Mas a vida só é fantástica pra quem percebe, como o horizonte é percebido por um sábio e sereno cachorro, a lançar seu silêncio no mar...
quinta-feira, 16 de maio de 2013
NO VERDE DO NOVO
Um caminho, enfim
Um dia comum
[aparentemente breve
Eu ando sozinho
Entre instantes e lugares
A reparar entre o gris da relva
A luz amarela dos plátanos
As flores do ipê
Lembrei de você
Instantaneamente, como a tarde passa
Você sorri e acha graça entre a multidão
Eu olho pro céu
Eu olho o olho seu
Tentando entender o que aconteceu...
Um sonho vindouro
O outono que nunca termina
No verde do novo,
Brilhas tu, menina.
Um dia comum
[aparentemente breve
Eu ando sozinho
Entre instantes e lugares
A reparar entre o gris da relva
A luz amarela dos plátanos
As flores do ipê
Lembrei de você
Instantaneamente, como a tarde passa
Você sorri e acha graça entre a multidão
Eu olho pro céu
Eu olho o olho seu
Tentando entender o que aconteceu...
Um sonho vindouro
O outono que nunca termina
No verde do novo,
Brilhas tu, menina.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
PLANETA
Um beijo,
Uma porta de entrada,
Um tato bucólico astrolabial
Te encontro entre um balanço e uma madrugada
A transformar o que já era nada
Em algo inspirador
Do acaso oculto renasce um poema
Guardado entre mundos
Vistos das janelas destes teus sorrisos...
Uma estrela brilha... outra lua cai
E deste teu encanto, como se sai?
A MENINA NO BALANÇO
A menina anda de balanço defronte os seres da natureza;
Mas quem mais balança são os anjos, encantados com sua beleza.
Mas quem mais balança são os anjos, encantados com sua beleza.
quinta-feira, 28 de março de 2013
AS ÁGUAS DO RIACHINHO
O Arlindo me encontrou, numa viagem astral, em Antuerpia, e desse nosso encontro ele mandou uma carta e um anel vermelho, com a estrela de Davi, que na verdade virou estigma judaico, mas antes disso tem um significado bem mais amplo, da união do corpo e do espírito, do céu e da terra, do éter e da matéria... Mas o fato é que o Arlindo me mandou uma carta e um anel vermelho, um anel de proteção e eu entendi o porquê da cor... eu entendi tudo.
Com este anel no dedo sinto-me impressionantemente protegido, como se houvesse sobre mim um manto de luz intransponível... como se fosse o anel dos Supergêmeos, do Lanterna Verde, sei lá...
E eu, que ainda não conheço pessoalmente o Arlindo, exceto por Antuerpia, percebo que o mundo, a vida e a mente compõem, inevitavelmente, um contexto ilusório e impermanente que envolve todos... envolve tudo o que conhecemos por realidade... tudo é criação, existência, amadurecimento e passagem... e isso faz com que as coisas, pessoas e significâncias tenham existência relativa...
***
O novo está sempre acontecendo.
***
A mente cria diversos conceitos que envolvem o meu dia como me envolve o manto protetor que advém deste anel vermelho.
***
Eduardo é do lindo; é do Arlindo!
Kennst du
das land; wo du citronen blühm,
Im dunkeln
laub die gold-orangen glühn;
Kennst du
es woll? – Dahin, dahin!
Mocht ich…
ziehn.
Dear Edward
There goes
the ring
I’m so
prued
How it’s
the I clone
Don’t you
to worry, never
Cause they
are
But can not
to fly
Arlindo
Atsimael
Valey of
the dawn, February 28th 2013.
Glory,
flory, glabs of glad. So glad Antuerpia of mine.
..Entretanto, as águas do riachinho, lá detrás do milharal,
correm apressadas em tornarem-se salgadas; zombando daqueles que, em suas salas
de estar, suntuosas, preocupam-se em ser, estar e morrer. Indiferentes ao
desconhecimento insofismável, da origem de suas vagas; mas então, ele, o
riachinho, não pertence às margens, mas a si próprio... e ele ficará todo
salgado, ligando-se ionicamente ao seu universo, o oceano.
Abimael
03/03/13.
segunda-feira, 18 de março de 2013
39K
Eu vi umas imagens do austríaco Felix Baumgartner que bateu o recorde de
queda-livre... ele saltou de 39 mil metros de altitude e isso é tão alto, mas
tão alto que eu não sei se ele é paraquedista ou astronauta.
***
Da câmera da nave dele dava pra ver o planetão azul, que em
vez de Água se chama Terra, seus relevos, suas cores... tudo num tempo parado,
um giro sincrônico com o sol, com a lua e outros elementos do universo... e
eles se mostram todos ora grandes, ora inexistentes... e o astronauta lá, se
preparando para um salto pro infinito... partindo das estrelas e voando, como
um saco de batata voa, em alta velocidade, num breve instante onde nem parece
haver problemas humanos em tamanha vastidão... onde não parece nem mesmo haver
humanidade.
***
E eu estou aqui
Pensando nas horas que não consegui estar
E de repente percebi
Que só estava por estar
E a hora que antes nunca fora
É hora que não volta mais
A hora adiante, tão apressada
Nunca atraca neste cais...
E estou agora
Com o agora sobre o colo
Me fazendo tatuagem...
Como uma sombra inevitável deste objeto-mente
Construindo o que se chama de realidade
Confundindo o tempo com relógios de pulso.
***
Então sentei quieto pra pensar em alguns problemas.
E problemas são como os astros, ora grandes, ora minúsculos.
E eu modulo o tamanho deles em momentos de silêncio, onde todos
fogem e desaparecem...
[Os problemas não suportam quietude!!!
Olho pro céu e vejo algumas nuvens, onde estrelas brincam de
esconder.
O céu é belo e muda a toda hora... É sempre belo o céu.
Meu pensamento sobe a pontos quase que inalcançáveis... e eu
quase bato frontalmente com um astronauta, descendo em queda-livre sem parar...
Um escafandro da outra ponta do infinito...
Testando seus limites demasiadamente corporais...
Ele Irreversivelmente cai enquanto eu momentaneamente saio
Nós dois em sentido contrário, sem olhar pra trás.
E o homem que cai procura a si na Terra;
O homem que sai procura a si na imensidão.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
TESTRAÑO
De vez em quando
[lá de vez em quando
Me dá uma ponta de saudade deste blog.
Passei aqui pra ver como as coisas andam...
dar um oi...
um volto logo...
e tive que ir.
[lá de vez em quando
Me dá uma ponta de saudade deste blog.
Passei aqui pra ver como as coisas andam...
dar um oi...
um volto logo...
e tive que ir.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
terça-feira, 11 de setembro de 2012
UMA GARRAFA DE COCA
Os dias em que eu ando a pé o dia parece ficar diferente... mais comprido, moroso, não sei. E quando eu vou pegar um ônibus pra praia, eu fico paradão ali, na calçada, pensando em coisas da vida.
[As paradas de ônibus são transformadoras...
***
Então aparece uma pessoa.
Outra pessoa.
Em segundos, a multidão se agrupa em pequenos metros quadrados.
Esperando, cada qual com seu comportamento, lotação pralgum lugar.
Tem o punk... a tia das sacolas.
Tem os guris do colégio e o Giovanaz, que também tá descendo pra praia.
Um ônibus para e uma mulher desce.
Ela joga uma garrafinha de Coca-Cola no asfalto, descartando o lixo que levava.
Sem saber que o pior lixo se leva na mente...
***
Eu olho para o Giovanaz e no olhar nos concordamos.
Aquilo era muito significativo... A Coca-lixo no asfalto da população mecanicabsurda!
Pensei então no que aquilo significava no carma da humanidade
[a única espécie que produz lixo
Porque se eu junto aquele lixo jogado, como impulsionei de imediato, eu não estou ajudando a humanidade a cumprir o que ela parece estar determinada, que é acabar com sua própria raça.
Dúvida cruel...
***
Juntei.
Mas, como não havia uma lixeira sequer perto de mim, tive que dar um pico até o bar.
O ônibus passou e foi embora sem mim.
O Giovanaz ficou, na parceria.
Tudo bem, pegamos o próximo, ele falou sorrindo.
O próximo ônibus, uma história diferente pela frente, com certeza...
Outra insubstancialidade, que liga tudo...
Neste mundo repletos de cacos
[que se encontram.
[As paradas de ônibus são transformadoras...
***
Então aparece uma pessoa.
Outra pessoa.
Em segundos, a multidão se agrupa em pequenos metros quadrados.
Esperando, cada qual com seu comportamento, lotação pralgum lugar.
Tem o punk... a tia das sacolas.
Tem os guris do colégio e o Giovanaz, que também tá descendo pra praia.
Um ônibus para e uma mulher desce.
Ela joga uma garrafinha de Coca-Cola no asfalto, descartando o lixo que levava.
Sem saber que o pior lixo se leva na mente...
***
Eu olho para o Giovanaz e no olhar nos concordamos.
Aquilo era muito significativo... A Coca-lixo no asfalto da população mecanicabsurda!
Pensei então no que aquilo significava no carma da humanidade
[a única espécie que produz lixo
Porque se eu junto aquele lixo jogado, como impulsionei de imediato, eu não estou ajudando a humanidade a cumprir o que ela parece estar determinada, que é acabar com sua própria raça.
Dúvida cruel...
***
Juntei.
Mas, como não havia uma lixeira sequer perto de mim, tive que dar um pico até o bar.
O ônibus passou e foi embora sem mim.
O Giovanaz ficou, na parceria.
Tudo bem, pegamos o próximo, ele falou sorrindo.
O próximo ônibus, uma história diferente pela frente, com certeza...
Outra insubstancialidade, que liga tudo...
Neste mundo repletos de cacos
[que se encontram.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
terça-feira, 4 de setembro de 2012
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
VINHO E BARRIL
O Caboclo me contou que andou trabalhando numas vinícolas de Santa Catarina e que ficou impressionado com os barris de carvalho, utilizados pra guardar o vinho. Segundo ele, a madeira do carvalho auxilia a produção de bactérias que atuam no processo de fermentação da uva. Deste modo, cada barril só guarda, durante toda sua existência, o mesmo tipo de vinho, ou seja, o barril está condenado a sempre, sempre, ter o mesmo conteúdo.
***
Eu lembrei das tahãs, ave da espécie palamedeidae, e sua fidelidade incrível. Ela (ou ele) escolhe seu parceiro tahazino e com ele permanece por toda vida. Tanto é que é raro encontrar uma tahã sozinha... quando isto acontece, é porque já viuvou ou porque ainda não encontrou sua metade-tahã!
***
O que há de comum entre um barril de carvalho e uma tahã é o predeterminismo de suas, por assim dizer, escolhas. O barril se entrega ao vinho e não pode escolher nem outro tipo de uva por toda sua vida (vida?). A tahã escolhe seu parceiro e não troca jamais... e geralmente morre depois da morte do concubino... e são provas de inexorável conclusões.
Pros humanos, parece que não há conclusões eternas... conceitos permanentes. Nosso ideário se modifica, pois somos nós e nosso ambiente e, tanto um quando o outro se modificam sem parar...
Eu, particularmente, não posso estar vinculado eternamente às mesmas ideias... E embora erre, percebo este erro também como degrau de uma caminhada.
Não quero ser barril nem tahã... embora tenha amores eternos, a forma de amá-los também se transforma.
E mesmo que eu saiba alguns atalhos do mundo, vou
[várias vezes
escolher um caminho diverso, mais longo, mais impreciso.
***
Porque o barril é um escravo da temporalidade.
Mas o vinho é livre!
***
Eu lembrei das tahãs, ave da espécie palamedeidae, e sua fidelidade incrível. Ela (ou ele) escolhe seu parceiro tahazino e com ele permanece por toda vida. Tanto é que é raro encontrar uma tahã sozinha... quando isto acontece, é porque já viuvou ou porque ainda não encontrou sua metade-tahã!
***
O que há de comum entre um barril de carvalho e uma tahã é o predeterminismo de suas, por assim dizer, escolhas. O barril se entrega ao vinho e não pode escolher nem outro tipo de uva por toda sua vida (vida?). A tahã escolhe seu parceiro e não troca jamais... e geralmente morre depois da morte do concubino... e são provas de inexorável conclusões.
Pros humanos, parece que não há conclusões eternas... conceitos permanentes. Nosso ideário se modifica, pois somos nós e nosso ambiente e, tanto um quando o outro se modificam sem parar...
Eu, particularmente, não posso estar vinculado eternamente às mesmas ideias... E embora erre, percebo este erro também como degrau de uma caminhada.
Não quero ser barril nem tahã... embora tenha amores eternos, a forma de amá-los também se transforma.
E mesmo que eu saiba alguns atalhos do mundo, vou
[várias vezes
escolher um caminho diverso, mais longo, mais impreciso.
***
Porque o barril é um escravo da temporalidade.
Mas o vinho é livre!
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
UNA RUTA
Velhas estradas do Uruguai... vazias como um solitário coração.
Longas e esquecidas, ganham significados alvos de esparsas nuvens pelo céu azul.
Chego a um lugar de nomes estranhos, uma proximidade distante, uma língua que me parece comum.
Eu acordo na noite e me banho numa piscina quente.
Sobre a cabeça, galhos nus de um umbu que resiste já a outros tantos invernos. Acima deles, um terceiro degrau formado de estrelas que, enquanto bóio, mudam de lugar.
Eu observo a tudo, constantemente, e as ideias se formulam dentro de minha cabeça.
As frases vão se agrupando, como as conclusões.
E eu, que buscava o vazio no silêncio de uma madrugada, em poucos segundos, estou transformado num reduto de novas certezas.
Anoto-as.
Degraus da infinita escada do meu crescimento.
***
Pássaros cantam sem parar.
Vários tons invadindo meus ouvidos.
Eu me confundo entre um e outro, escuto outros mais além...
Um bem-te-vi eu reconheço... outros de pena amarela nunca vi.
Não sou ornitófilo nem quero que me chamem mais de poeta.
Sou apenas um observador num mundo vazio.
***
Vendedores chamam nas portas de lojas e não sabem quem eu sou.
Das coisas que gosto, eles não sabem nada.
Lançam-me ofertas como iscas aos peixes.
Lançam a todos, uma pescaria interminável.
As pessoas entram, dizem que estão olhando as coisas.
Olham gratuitamente, sem motivo algum.
De repente, elas acham que carecem tudo.
E acham bonito o movimento das moedas pelas mãos, que já não abraçam nem acalentam.
Tristes mãos... nem mais humanas são.
Eu ando pela rua procurando pedras.
Na verdade, estas ruas formadas por pedras multicoloridas, de vários formatos, são viciantes para mim.
Eu miro as pedras.
Uma-a-uma.
Do macro ao microdetalhe... elas sempre se parecem com alguém.
Com bichos e coisas...
Esta mania das pedras e nuvens quererem ser o que não são.
***
Num instante acho duas.
Duas pedras pequeninas.
Observo-as... identifico-as, dentro do meu psiquemundo.
E uma delas descarto, por deixar de amá-la tão célere
[e veementemente.
E reflito então, com a pedra que resta.
Que o que me fez achá-la pode ser sorte ou acaso.
[para ela e para mim!
Pode ser destino ou simplesmente fato.
Num universo de fatos que igualmente poderiam haver sidos.
Mas escolhi aquela, legítimae indiscutivelmente
[ou ela escolhera a mim.
Dentre tantas, apenas ela.
E isto já é uma coisa intrigante e mágica.
Uma magia simples e sutil.
Quase desapercebidas, passam muitas
[passam mil
magias contando segredos da vida.
De ontem e de amanhã.
Porque a vida é onde o ontem e o amanhã se encontram.
Se misturam... se fundem...
E se explicam em vários momentos.
Longas e esquecidas, ganham significados alvos de esparsas nuvens pelo céu azul.
Chego a um lugar de nomes estranhos, uma proximidade distante, uma língua que me parece comum.
Eu acordo na noite e me banho numa piscina quente.
Sobre a cabeça, galhos nus de um umbu que resiste já a outros tantos invernos. Acima deles, um terceiro degrau formado de estrelas que, enquanto bóio, mudam de lugar.
Eu observo a tudo, constantemente, e as ideias se formulam dentro de minha cabeça.
As frases vão se agrupando, como as conclusões.
E eu, que buscava o vazio no silêncio de uma madrugada, em poucos segundos, estou transformado num reduto de novas certezas.
Anoto-as.
Degraus da infinita escada do meu crescimento.
***
Pássaros cantam sem parar.
Vários tons invadindo meus ouvidos.
Eu me confundo entre um e outro, escuto outros mais além...
Um bem-te-vi eu reconheço... outros de pena amarela nunca vi.
Não sou ornitófilo nem quero que me chamem mais de poeta.
Sou apenas um observador num mundo vazio.
***
Vendedores chamam nas portas de lojas e não sabem quem eu sou.
Das coisas que gosto, eles não sabem nada.
Lançam-me ofertas como iscas aos peixes.
Lançam a todos, uma pescaria interminável.
As pessoas entram, dizem que estão olhando as coisas.
Olham gratuitamente, sem motivo algum.
De repente, elas acham que carecem tudo.
E acham bonito o movimento das moedas pelas mãos, que já não abraçam nem acalentam.
Tristes mãos... nem mais humanas são.
Eu ando pela rua procurando pedras.
Na verdade, estas ruas formadas por pedras multicoloridas, de vários formatos, são viciantes para mim.
Eu miro as pedras.
Uma-a-uma.
Do macro ao microdetalhe... elas sempre se parecem com alguém.
Com bichos e coisas...
Esta mania das pedras e nuvens quererem ser o que não são.
***
Num instante acho duas.
Duas pedras pequeninas.
Observo-as... identifico-as, dentro do meu psiquemundo.
E uma delas descarto, por deixar de amá-la tão célere
[e veementemente.
E reflito então, com a pedra que resta.
Que o que me fez achá-la pode ser sorte ou acaso.
[para ela e para mim!
Pode ser destino ou simplesmente fato.
Num universo de fatos que igualmente poderiam haver sidos.
Mas escolhi aquela, legítimae indiscutivelmente
[ou ela escolhera a mim.
Dentre tantas, apenas ela.
E isto já é uma coisa intrigante e mágica.
Uma magia simples e sutil.
Quase desapercebidas, passam muitas
[passam mil
magias contando segredos da vida.
De ontem e de amanhã.
Porque a vida é onde o ontem e o amanhã se encontram.
Se misturam... se fundem...
E se explicam em vários momentos.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
CADA FIM É UM RECOMEÇO
Em agosto de 87 houve a Convergência harmônica, um período especial dentro do Encerramento de Ciclo do Sincronário Maia denominado de Tempo do Não-tempo... uma espécie de túnel, o último fractal de 26 anos antes do 13.0.0.0.0, no famoso em 21 de dezembro de 2012... pois na verdade o "fim" do ciclo não seria um dia exato (o 21.12), mas sim 26 anos (13 e 20 cruzado!).
***
Então, pros pessimistas e derrotistas de plantão, uma novidade muito boa: o mundo já acabou e vocês nem sabem!
***
Eu fiquei pensando no que realmente importante aconteceu entre 1987 e 2012 que pudesse representar este fim do quinto mundo maia... e lembrei de vários e vários fatos... a Argentina campeã do mundo foi quase o fim do mundo, assim como os Menudos e o Programa do Ratinho... A cerveja com açúcar da Vó Sofia, o peido do Nando no elevador... mas estes fins de mundo poucas pessoas presenciaram.
***
Foi então que eu percebi que o encerramento de ciclo só pode ser representado pelo advento informático de comunicação social. Cada pessoa, um facebook. A notícia instantânea... a internet 24 horas no bolso anunciando as novas dos homens sobre a Terra num bip de mail recebido... Ninguém mais desliga, todos somos neurônios de uma rede absoluta e permanentemente ligada. A informação de todo mundo, todo conhecimento e relato da história de todas as espécies e pedras e espaço sideral-intracelular... ufa... nunca o tudo e o nada estiveram tão pertos.
***
O que acontece no Japão eu sei agora
Também agora quero me comunicar
Eu também nado no riacho das vaidades
Neuroniando sem parar...
Estou na frente de um acontecimento
O mundo para e eu não paro de filmar
Ouvi um papo na rede compartilhada
O meu planeta está em todo lugar!
***
Por isso, não há fim em nada...
Somos eternamente perenes.
As pirâmides e a casca de banana um dia vão findar.
E assim se findam todas as coisas, como as datas, os minutos e os espaços.
Mesmo sem humanos segue o sol em seu constante giro.
E sem o sol, o universo a universar poemas em pó de estrelas espiraladas.
Por isso que o fim de um ciclo é apenas outro recomeço.
E o novo está no éter, alojado em algum servidor maluco
[que não para de inventar.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
quinta-feira, 10 de maio de 2012
EU NUNCA CONSEGUI FAZER UM POEMA PARA VIOLETA PARRA
Falou letras para descrevê-la
Que tal ficarmos apenas brincando de amar?
Ela sempre tomava banho frio
Dizia que era bom para a circulação sanguínea
Ora, meu amor,
Bom mesmo pra circulação sanguínea
[é permanecer vivo!
Que tal ficarmos apenas brincando de amar?
Ela sempre tomava banho frio
Dizia que era bom para a circulação sanguínea
Ora, meu amor,
Bom mesmo pra circulação sanguínea
[é permanecer vivo!
INDEFINIDO
Pequena estrela perambula
Pinta a poça d'água na calçada
Aqui, o trânsito é incerto
[indefinido
E estas ruas semelhantes não conseguem dizer nada
Passou um carro; outro carro
Duas amigas caminhando...
Um guardador que as observa
E eu continuo os observando...
[Outro carro; nada mais
Desta janela, todas as horas são iguais
E estou de novo
Em outro inevitável hoje
Entre esquinas e cometas, poetando
Um verso estúpido e romântico
Rabiscando xises por um mapa,
Procurando pelo trânsito um poema
Até a última palavra...
Pinta a poça d'água na calçada
Aqui, o trânsito é incerto
[indefinido
E estas ruas semelhantes não conseguem dizer nada
Passou um carro; outro carro
Duas amigas caminhando...
Um guardador que as observa
E eu continuo os observando...
[Outro carro; nada mais
Desta janela, todas as horas são iguais
E estou de novo
Em outro inevitável hoje
Entre esquinas e cometas, poetando
Um verso estúpido e romântico
Rabiscando xises por um mapa,
Procurando pelo trânsito um poema
Até a última palavra...
quinta-feira, 26 de abril de 2012
PRÓ-ENGODO
Embora o Poder Público de Pelotas e o Procultura tentem, a todo pano, me fazer desistir, eu esperneio!!!
quinta-feira, 19 de abril de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
E SE OS HOMENS VIVESSEM EM ÁRVORES?
O carro para.
O sinal abre.
Motoristas apressados gritam e buzinam.
Não existe mais tempo pra esperar 5 segundos... não existe mais educação...
***
Eu vi que na África tem uma tribo que vive em árvores, mas não é qualquer arvorezinha não, tipo um limoeiro ou uma pitangueira-do-mato.
Eles vivem a 15 metros do chão.
Quando chegam na mata, os korowai escolhem a árvore ideal e acampam ali.
Começam a desmatar toda volta pra fazerem uma escada gigantesca e, depois, a casa, lããã nas alturas.
Mas o mais bacana disso tudo é que eu percebi que eles formam uma sociedade sem agressão... claro, imagina dois negão daquele tamanho brigando a 15 metros de altura... a tribo ia se extinguir...
Então, a frequência mental dos korowai é muito diferente, pois eles atuam em conjunto, com a mesma finalidade... as diferenças, somadas, à unidade.
E os guris cospem no chão lá de cima e conversam sobre a vista num galho-esquina...
***
Aí o cara vai me dizer que também mora a 15 metros de altura... 6º andar... elevador...
Mas falo aqui da altura da mente, não do corpo.
Uma altura onde o olho não alcança... onde nem a própria mente,
[significadamente
reconhece os arredores...
Onde, na verdade, mente e arredores acabam sendo a mesma coisa.
O sinal abre.
Motoristas apressados gritam e buzinam.
Não existe mais tempo pra esperar 5 segundos... não existe mais educação...
***
Eu vi que na África tem uma tribo que vive em árvores, mas não é qualquer arvorezinha não, tipo um limoeiro ou uma pitangueira-do-mato.
Eles vivem a 15 metros do chão.
Quando chegam na mata, os korowai escolhem a árvore ideal e acampam ali.
Começam a desmatar toda volta pra fazerem uma escada gigantesca e, depois, a casa, lããã nas alturas.
Mas o mais bacana disso tudo é que eu percebi que eles formam uma sociedade sem agressão... claro, imagina dois negão daquele tamanho brigando a 15 metros de altura... a tribo ia se extinguir...
Então, a frequência mental dos korowai é muito diferente, pois eles atuam em conjunto, com a mesma finalidade... as diferenças, somadas, à unidade.
E os guris cospem no chão lá de cima e conversam sobre a vista num galho-esquina...
***
Aí o cara vai me dizer que também mora a 15 metros de altura... 6º andar... elevador...
Mas falo aqui da altura da mente, não do corpo.
Uma altura onde o olho não alcança... onde nem a própria mente,
[significadamente
reconhece os arredores...
Onde, na verdade, mente e arredores acabam sendo a mesma coisa.
segunda-feira, 5 de março de 2012
CIDADE LIGEIRA
ONDA

Eu, fragilmente humano,
Olho e ouço as ondas que tocam o céu
Entre o horizonte e o firmamento
Foram tantos pensamentos
E verdades que já fui
Eu sou mesmo é como a onda
Cruzando o tempo-espaço sob a luz da lua
Procurando ver no dia a cara tua
A me olhar...
A me olhar como olho agora
A linda onda que em ti se aproxima
A deslizares para o encontro com minha retina...
Ao molhar meu corpo quando chegas devagar
Preciosa onda
De onde vens, não interessa
Eu não tenho pressa
De sair do mar.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
O HOMEM MODERNO
Eu comprei um telefone moderníssimo, altamente tecnológico, com mails, mensagens e mil programas internéticos que fizeram o telefone, em si, ser apenas mais uma função do pequeno computador de bordo.
Eu percebi que a tecnologia aumenta em potência e diminui em tamanho e concluí que o próximo passo da modernidade será implantar este sistema no telencéfalo humano... direto, sem i-phone, bateria nem conexão... o cara acorda e dorme na internet, com um computador dentro da própria cabeça.
***
Então ele fecha o olho e acessa um site no pensamento... busca respostas e fotografias... tem toda a informação do planeta através deste sistema sui generis da tecnologia... um nanocomputador cerebral, com uma entrada USB, provavelmente na nuca.
Ali, através daquele USB, o homem poderá comprar conhecimento (e talvez sabedoria, mas sabedoria pagará em dólar) sobre qualquer coisa no universo.
Ele levará seu filho a uma loja destas de software e a criança escolherá: Pai, quero aprender chinês.
O pai compra o programa e conecta no USB na nuca do guri... alguns minutos de instalação e plim, o ragazo desperta falando como Mao Tse Tun.
Caratê, culinária, gramática e física quântica... todos programas à venda, de fácil instalação na mente humana, a preços módicos e parcelados 12x no cartão. Agora sim... e tinha um poeta que dizia que o conhecimento nunca seria privatizado...
***
O grande problema neste ponto nevrálgico da tecnologia seriam os vírus de computador que infectariam o cérebro do usuário... o cérebro ou outras partes.
Se de repente bater uma gagueira, um malestar ou uma tonteira, o sujeito vai correr pro médico pra formatar o HD. Mas ao contrário dos temores sociais, só vai precisar de uma anestesia local.
Depois disso, o doutor irá recomendar modernas camisinhas para USB, com as quais a humanidade poderá transferir dados com total segurança...
***
Anotem aí se não acreditam: homem e máquina será uma coisa só em pouco tempo!
***
Ou, se eu estiver realmente equivocado, continuaremos usando os arcaicos métodos da conversa e leitura para entendermos o mundo...
Eu percebi que a tecnologia aumenta em potência e diminui em tamanho e concluí que o próximo passo da modernidade será implantar este sistema no telencéfalo humano... direto, sem i-phone, bateria nem conexão... o cara acorda e dorme na internet, com um computador dentro da própria cabeça.
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Então ele fecha o olho e acessa um site no pensamento... busca respostas e fotografias... tem toda a informação do planeta através deste sistema sui generis da tecnologia... um nanocomputador cerebral, com uma entrada USB, provavelmente na nuca.
Ali, através daquele USB, o homem poderá comprar conhecimento (e talvez sabedoria, mas sabedoria pagará em dólar) sobre qualquer coisa no universo.
Ele levará seu filho a uma loja destas de software e a criança escolherá: Pai, quero aprender chinês.
O pai compra o programa e conecta no USB na nuca do guri... alguns minutos de instalação e plim, o ragazo desperta falando como Mao Tse Tun.
Caratê, culinária, gramática e física quântica... todos programas à venda, de fácil instalação na mente humana, a preços módicos e parcelados 12x no cartão. Agora sim... e tinha um poeta que dizia que o conhecimento nunca seria privatizado...
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O grande problema neste ponto nevrálgico da tecnologia seriam os vírus de computador que infectariam o cérebro do usuário... o cérebro ou outras partes.
Se de repente bater uma gagueira, um malestar ou uma tonteira, o sujeito vai correr pro médico pra formatar o HD. Mas ao contrário dos temores sociais, só vai precisar de uma anestesia local.
Depois disso, o doutor irá recomendar modernas camisinhas para USB, com as quais a humanidade poderá transferir dados com total segurança...
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Anotem aí se não acreditam: homem e máquina será uma coisa só em pouco tempo!
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Ou, se eu estiver realmente equivocado, continuaremos usando os arcaicos métodos da conversa e leitura para entendermos o mundo...
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