quinta-feira, 28 de março de 2013

AS ÁGUAS DO RIACHINHO


O Arlindo me encontrou, numa viagem astral, em Antuerpia, e desse nosso encontro ele mandou uma carta e um anel vermelho, com a estrela de Davi, que na verdade virou estigma judaico, mas antes disso tem um significado bem mais amplo, da união do corpo e do espírito, do céu e da terra, do éter e da matéria... Mas o fato é que o Arlindo me mandou uma carta e um anel vermelho, um anel de proteção e eu entendi o porquê da cor... eu entendi tudo.
Com este anel no dedo sinto-me impressionantemente protegido, como se houvesse sobre mim um manto de luz intransponível... como se fosse o anel dos Supergêmeos, do Lanterna Verde, sei lá...
E eu, que ainda não conheço pessoalmente o Arlindo, exceto por Antuerpia, percebo que o mundo, a vida e a mente compõem, inevitavelmente, um contexto ilusório e impermanente que envolve todos... envolve tudo o que conhecemos por realidade... tudo é criação, existência, amadurecimento e passagem... e isso faz com que as coisas, pessoas e significâncias tenham existência relativa...

***

O novo está sempre acontecendo.

***

A mente cria diversos conceitos que envolvem o meu dia como me envolve o manto protetor que advém deste anel vermelho.

***

Eduardo é do lindo; é do Arlindo!
Kennst du das land; wo du citronen blühm,
Im dunkeln laub die gold-orangen glühn;
Kennst du es woll? – Dahin, dahin!
Mocht ich… ziehn.

Dear Edward
There goes the ring
I’m so prued
How it’s the I clone
Don’t you to worry, never
Cause they are
But can not to fly


Arlindo Atsimael

Valey of the dawn, February 28th 2013.
Glory, flory, glabs of glad. So glad Antuerpia of mine.

..Entretanto, as águas do riachinho, lá detrás do milharal, correm apressadas em tornarem-se salgadas; zombando daqueles que, em suas salas de estar, suntuosas, preocupam-se em ser, estar e morrer. Indiferentes ao desconhecimento insofismável, da origem de suas vagas; mas então, ele, o riachinho, não pertence às margens, mas a si próprio... e ele ficará todo salgado, ligando-se ionicamente ao seu universo, o oceano.

Abimael

03/03/13.

segunda-feira, 18 de março de 2013

39K



Eu vi umas imagens do austríaco Felix Baumgartner que bateu o recorde de queda-livre... ele saltou de 39 mil metros de altitude e isso é tão alto, mas tão alto que eu não sei se ele é paraquedista ou astronauta.

***

Da câmera da nave dele dava pra ver o planetão azul, que em vez de Água se chama Terra, seus relevos, suas cores... tudo num tempo parado, um giro sincrônico com o sol, com a lua e outros elementos do universo... e eles se mostram todos ora grandes, ora inexistentes... e o astronauta lá, se preparando para um salto pro infinito... partindo das estrelas e voando, como um saco de batata voa, em alta velocidade, num breve instante onde nem parece haver problemas humanos em tamanha vastidão... onde não parece nem mesmo haver humanidade.

***

E eu estou aqui
Pensando nas horas que não consegui estar
E de repente percebi
Que só estava por estar
E a hora que antes nunca fora
É hora que não volta mais
A hora adiante, tão apressada
Nunca atraca neste cais...
E estou agora
Com o agora sobre o colo
Me fazendo tatuagem...
Como uma sombra inevitável deste objeto-mente
Construindo o que se chama de realidade
Confundindo o tempo com relógios de pulso.

***

Então sentei quieto pra pensar em alguns problemas.
E problemas são como os astros, ora grandes, ora minúsculos.
E eu modulo o tamanho deles em momentos de silêncio, onde todos fogem e desaparecem...
[Os problemas não suportam quietude!!!

Olho pro céu e vejo algumas nuvens, onde estrelas brincam de esconder.
O céu é belo e muda a toda hora... É sempre belo o céu.
Meu pensamento sobe a pontos quase que inalcançáveis... e eu quase bato frontalmente com um astronauta, descendo em queda-livre sem parar...
Um escafandro da outra ponta do infinito...
Testando seus limites demasiadamente corporais...
Ele Irreversivelmente cai enquanto eu momentaneamente saio
Nós dois em sentido contrário, sem olhar pra trás.
E o homem que cai procura a si na Terra;
O homem que sai procura a si na imensidão.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

TESTRAÑO

De vez em quando

[lá de vez em quando

Me dá uma ponta de saudade deste blog.
Passei aqui pra ver como as coisas andam...
dar um oi...
um volto logo...
e tive que ir.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

OS POEMAS ACONTECEM

Eu escrevi um poema e ele aconteceu...
Não é mesmo que poemas acontecem?

terça-feira, 11 de setembro de 2012

UMA GARRAFA DE COCA

Os dias em que eu ando a pé o dia parece ficar diferente... mais comprido, moroso, não sei. E quando eu vou pegar um ônibus pra praia, eu fico paradão ali, na calçada, pensando em coisas da vida.
[As paradas de ônibus são transformadoras...

***

Então aparece uma pessoa.
Outra pessoa.
Em segundos, a multidão se agrupa em pequenos metros quadrados.
Esperando, cada qual com seu comportamento, lotação pralgum lugar.
Tem o punk... a tia das sacolas.
Tem os guris do colégio e o Giovanaz, que também tá descendo pra praia.
Um ônibus para e uma mulher desce.
Ela joga uma garrafinha de Coca-Cola no asfalto, descartando o lixo que levava.
Sem saber que o pior lixo se leva na mente...

***

Eu olho para o Giovanaz e no olhar nos concordamos.
Aquilo era muito significativo... A Coca-lixo no asfalto da população mecanicabsurda!
Pensei então no que aquilo significava no carma da humanidade
[a única espécie que produz lixo

Porque se eu junto aquele lixo jogado, como impulsionei de imediato, eu não estou ajudando a humanidade a cumprir o que ela parece estar determinada, que é acabar com sua própria raça.
Dúvida cruel...

***

Juntei.
Mas, como não havia uma lixeira sequer perto de mim, tive que dar um pico até o bar.
O ônibus passou e foi embora sem mim.
O Giovanaz ficou, na parceria.
Tudo bem, pegamos o próximo, ele falou sorrindo.
O próximo ônibus, uma história diferente pela frente, com certeza...
Outra insubstancialidade, que liga tudo...
Neste mundo repletos de cacos
[que se encontram.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

JABELAS

As pombas habitam
Tuas janelas
Que têm saudades
De serem belas...

terça-feira, 4 de setembro de 2012

CORTEX

Fronteira é um corte
De pensamento
Não se pode estar fora
Nem se pode estar dentro...

EL BAÑO

Alegria molhada
Do guri
É banhar-se onde as gentes
Fazem xixi.

PÉS SE ESGUEIRANDO

Bela cor
Ante os pés do morro
De rosa a beleza
Pede socorro...

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

VINHO E BARRIL

O Caboclo me contou que andou trabalhando numas vinícolas de Santa Catarina e que ficou impressionado com os barris de carvalho, utilizados pra guardar o vinho. Segundo ele, a madeira do carvalho auxilia a produção de bactérias que atuam no processo de fermentação da uva. Deste modo, cada barril só guarda, durante toda sua existência, o mesmo tipo de vinho, ou seja, o barril está condenado a sempre, sempre, ter o mesmo conteúdo.

***

Eu lembrei das tahãs, ave da espécie palamedeidae, e sua fidelidade incrível. Ela (ou ele) escolhe seu parceiro tahazino e com ele permanece por toda vida. Tanto é que é raro encontrar uma tahã sozinha... quando isto acontece, é porque já viuvou ou porque ainda não encontrou sua metade-tahã!

***

O que há de comum entre um barril de carvalho e uma tahã é o predeterminismo de suas, por assim dizer, escolhas. O barril se entrega ao vinho e não pode escolher nem outro tipo de uva por toda sua vida (vida?). A tahã escolhe seu parceiro e não troca jamais... e geralmente morre depois da morte do concubino... e são provas de inexorável conclusões.
Pros humanos, parece que não há conclusões eternas... conceitos permanentes. Nosso ideário se modifica, pois somos nós e nosso ambiente e, tanto um quando o outro se modificam sem parar...
Eu, particularmente, não posso estar vinculado eternamente às mesmas ideias... E embora erre, percebo este erro também como degrau de uma caminhada.
Não quero ser barril nem tahã... embora tenha amores eternos, a forma de amá-los também se transforma.
E mesmo que eu saiba alguns atalhos do mundo, vou
[várias vezes
escolher um caminho diverso, mais longo, mais impreciso.

***

Porque o barril é um escravo da temporalidade.
Mas o vinho é livre!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

UNA RUTA

Velhas estradas do Uruguai... vazias como um solitário coração.
Longas e esquecidas, ganham significados alvos de esparsas nuvens pelo céu azul.
Chego a um lugar de nomes estranhos, uma proximidade distante, uma língua que me parece comum.
Eu acordo na noite e me banho numa piscina quente.
Sobre a cabeça, galhos nus de um umbu que resiste já a outros tantos invernos. Acima deles, um terceiro degrau formado de estrelas que, enquanto bóio, mudam de lugar.
Eu observo a tudo, constantemente, e as ideias se formulam dentro de minha cabeça.
As frases vão se agrupando, como as conclusões.
E eu, que buscava o vazio no silêncio de uma madrugada, em poucos segundos, estou transformado num reduto de novas certezas.
Anoto-as.
Degraus da infinita escada do meu crescimento.

***

Pássaros cantam sem parar.
Vários tons invadindo meus ouvidos.
Eu me confundo entre um e outro, escuto outros mais além...
Um bem-te-vi eu reconheço... outros de pena amarela nunca vi.
Não sou ornitófilo nem quero que me chamem mais de poeta.
Sou apenas um observador num mundo vazio.

***

Vendedores chamam nas portas de lojas e não sabem quem eu sou.
Das coisas que gosto, eles não sabem nada.
Lançam-me ofertas como iscas aos peixes.
Lançam a todos, uma pescaria interminável.
As pessoas entram, dizem que estão olhando as coisas.
Olham gratuitamente, sem motivo algum.
De repente, elas acham que carecem tudo.
E acham bonito o movimento das moedas pelas mãos, que já não abraçam nem acalentam.
Tristes mãos... nem mais humanas são.
Eu ando pela rua procurando pedras.
Na verdade, estas ruas formadas por pedras multicoloridas, de vários formatos, são viciantes para mim.
Eu miro as pedras.
Uma-a-uma.
Do macro ao microdetalhe... elas sempre se parecem com alguém.
Com bichos e coisas...
Esta mania das pedras e nuvens quererem ser o que não são.

***

Num instante acho duas.
Duas pedras pequeninas.
Observo-as... identifico-as, dentro do meu psiquemundo.
E uma delas descarto, por deixar de amá-la tão célere
[e veementemente.
E reflito então, com a pedra que resta.
Que o que me fez achá-la pode ser sorte ou acaso.
[para ela e para mim!
Pode ser destino ou simplesmente fato.
Num universo de fatos que igualmente poderiam haver sidos.
Mas escolhi aquela, legítimae indiscutivelmente
[ou ela escolhera a mim.
Dentre tantas, apenas ela.
E isto já é uma coisa intrigante e mágica.
Uma magia simples e sutil.
Quase desapercebidas, passam muitas
[passam mil
magias contando segredos da vida.
De ontem e de amanhã.
Porque a vida é onde o ontem e o amanhã se encontram.
Se misturam... se fundem...
E se explicam em vários momentos.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

CADA FIM É UM RECOMEÇO


Em agosto de 87 houve a Convergência harmônica, um período especial dentro do Encerramento de Ciclo do Sincronário Maia denominado de Tempo do Não-tempo... uma espécie de túnel, o último fractal de 26 anos antes do 13.0.0.0.0, no famoso em 21 de dezembro de 2012... pois na verdade o "fim" do ciclo não seria um dia exato (o 21.12), mas sim 26 anos (13 e 20 cruzado!).

***

Então, pros pessimistas e derrotistas de plantão, uma novidade muito boa: o mundo já acabou e vocês nem sabem!

***

Eu fiquei pensando no que realmente importante aconteceu entre 1987 e 2012 que pudesse representar este fim do quinto mundo maia... e lembrei de vários e vários fatos... a Argentina campeã do mundo foi quase o fim do mundo, assim como os Menudos e o Programa do Ratinho... A cerveja com açúcar da Vó Sofia, o peido do Nando no elevador... mas estes fins de mundo poucas pessoas presenciaram.

***

Foi então que eu percebi que o encerramento de ciclo só pode ser representado pelo advento informático de comunicação social. Cada pessoa, um facebook. A notícia instantânea... a internet 24 horas no bolso anunciando as novas dos homens sobre a Terra num bip de mail recebido... Ninguém mais desliga, todos somos neurônios de uma rede absoluta e permanentemente ligada. A informação de todo mundo, todo conhecimento e relato da história de todas as espécies e pedras e espaço sideral-intracelular... ufa... nunca o tudo e o nada estiveram tão pertos.

***

O que acontece no Japão eu sei agora
Também agora quero me comunicar
Eu também nado no riacho das vaidades
Neuroniando sem parar...

Estou na frente de um acontecimento
O mundo para e eu não paro de filmar
Ouvi um papo na rede compartilhada
O meu planeta está em todo lugar!

***

Por isso, não há fim em nada...
Somos eternamente perenes.
As pirâmides e a casca de banana um dia vão findar.
E assim se findam todas as coisas, como as datas, os minutos e os espaços.
Mesmo sem humanos segue o sol em seu constante giro.
E sem o sol, o universo a universar poemas em pó de estrelas espiraladas.
Por isso que o fim de um ciclo é apenas outro recomeço.
E o novo está no éter, alojado em algum servidor maluco

[que não para de inventar.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

quinta-feira, 10 de maio de 2012

EU NUNCA CONSEGUI FAZER UM POEMA PARA VIOLETA PARRA

Falou letras para descrevê-la
Que tal ficarmos apenas brincando de amar?
Ela sempre tomava banho frio
Dizia que era bom para a circulação sanguínea

Ora, meu amor,
Bom mesmo pra circulação sanguínea

[é permanecer vivo!

INDEFINIDO

Pequena estrela perambula
Pinta a poça d'água na calçada
Aqui, o trânsito é incerto

[indefinido

E estas ruas semelhantes não conseguem dizer nada

Passou um carro; outro carro
Duas amigas caminhando...
Um guardador que as observa
E eu continuo os observando...

[Outro carro; nada mais
Desta janela, todas as horas são iguais

E estou de novo
Em outro inevitável hoje
Entre esquinas e cometas, poetando
Um verso estúpido e romântico
Rabiscando xises por um mapa,
Procurando pelo trânsito um poema
Até a última palavra...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

PRÓ-ENGODO

Embora o Poder Público de Pelotas e o Procultura tentem, a todo pano, me fazer desistir, eu esperneio!!!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

SOBRE O HORIZONTE

o
O que eu mais quero é morrer sem desejos...

terça-feira, 27 de março de 2012

E SE OS HOMENS VIVESSEM EM ÁRVORES?

O carro para.
O sinal abre.
Motoristas apressados gritam e buzinam.
Não existe mais tempo pra esperar 5 segundos... não existe mais educação...

***

Eu vi que na África tem uma tribo que vive em árvores, mas não é qualquer arvorezinha não, tipo um limoeiro ou uma pitangueira-do-mato.
Eles vivem a 15 metros do chão.
Quando chegam na mata, os korowai escolhem a árvore ideal e acampam ali.
Começam a desmatar toda volta pra fazerem uma escada gigantesca e, depois, a casa, lããã nas alturas.
Mas o mais bacana disso tudo é que eu percebi que eles formam uma sociedade sem agressão... claro, imagina dois negão daquele tamanho brigando a 15 metros de altura... a tribo ia se extinguir...
Então, a frequência mental dos korowai é muito diferente, pois eles atuam em conjunto, com a mesma finalidade... as diferenças, somadas, à unidade.
E os guris cospem no chão lá de cima e conversam sobre a vista num galho-esquina...

***

Aí o cara vai me dizer que também mora a 15 metros de altura... 6º andar... elevador...
Mas falo aqui da altura da mente, não do corpo.
Uma altura onde o olho não alcança... onde nem a própria mente,

[significadamente

reconhece os arredores...
Onde, na verdade, mente e arredores acabam sendo a mesma coisa.

segunda-feira, 5 de março de 2012

CIDADE LIGEIRA


Quadrado opaco
Pretas linhas no concreto
Focos de luz que do espaço
Posso ver

Tão permanente e tão passageira
Cidade ligeira
Ao anoitecer...

ONDA


Eu, fragilmente humano,
Olho e ouço as ondas que tocam o céu

Entre o horizonte e o firmamento
Foram tantos pensamentos
E verdades que já fui

Eu sou mesmo é como a onda
Cruzando o tempo-espaço sob a luz da lua
Procurando ver no dia a cara tua
A me olhar...

A me olhar como olho agora
A linda onda que em ti se aproxima
A deslizares para o encontro com minha retina...
Ao molhar meu corpo quando chegas devagar

Preciosa onda
De onde vens, não interessa
Eu não tenho pressa
De sair do mar.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O HOMEM MODERNO

Eu comprei um telefone moderníssimo, altamente tecnológico, com mails, mensagens e mil programas internéticos que fizeram o telefone, em si, ser apenas mais uma função do pequeno computador de bordo.
Eu percebi que a tecnologia aumenta em potência e diminui em tamanho e concluí que o próximo passo da modernidade será implantar este sistema no telencéfalo humano... direto, sem i-phone, bateria nem conexão... o cara acorda e dorme na internet, com um computador dentro da própria cabeça.
 
***
 
Então ele fecha o olho e acessa um site no pensamento... busca respostas e fotografias... tem toda a informação do planeta através deste sistema sui generis da tecnologia... um nanocomputador cerebral, com uma entrada USB, provavelmente na nuca.
Ali, através daquele USB, o homem poderá comprar conhecimento (e talvez sabedoria, mas sabedoria pagará em dólar) sobre qualquer coisa no universo.
Ele levará seu filho a uma loja destas de software e a criança escolherá: Pai, quero aprender chinês.
O pai compra o programa e conecta no USB na nuca do guri... alguns minutos de instalação e plim, o ragazo desperta falando como Mao Tse Tun.
Caratê, culinária, gramática e física quântica... todos programas à venda, de fácil instalação na mente humana, a preços módicos e parcelados 12x no cartão. Agora sim... e tinha um poeta que dizia que o conhecimento nunca seria privatizado...
 
***
 
O grande problema neste ponto nevrálgico da tecnologia seriam os vírus de computador que infectariam o cérebro do usuário... o cérebro ou outras partes.
Se de repente bater uma gagueira, um malestar ou uma tonteira, o sujeito vai correr pro médico pra formatar o HD. Mas ao contrário dos temores sociais, só vai precisar de uma anestesia local.
Depois disso, o doutor irá recomendar modernas camisinhas para USB, com as quais a humanidade poderá transferir dados com total segurança...
 
***
 
Anotem aí se não acreditam: homem e máquina será uma coisa só em pouco tempo!
 
***
 
Ou, se eu estiver realmente equivocado, continuaremos usando os arcaicos métodos da conversa e leitura para entendermos o mundo...

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

EU QUERO SER UM VAGABUNDO


Eu tava parado numa esquina, esperando por alguém que agora não me lembro, entre os minutos destes dias loucos.
E eu caminho muito rápido... só não sei se minhas pernas são muito compridas ou se o dia é deveras curto, mas agora, neste momento da minha narração, eu estava parado, em pé, numa esquina.
Quando a gente para pra pensar, a mente da gente flui melhor. Palavras... conceitos... visualizações. O raciocínio derrama o leite das ideias e faz com ele rapadura e outros derivados... mas neste dia eu parei por parar, e nem pensava em nada quando vi um carro branco se aproximar
Uma antiga colega do Direito dirigia... sorriu. Me disse Tu!? E eu não sabia se ela estava surpresa por me ver parado, de jeans, naquela esquina, aparentemente inútil ou incerto, ou se ela, o que é mais provável, esqueceu meu nome, substituindo-o pelo infalível Tu!?

***

Perguntei ligeiramente, na velocidade do trânsito, como e onde estava ela. Ela balbuciou entre as buzinas do carro de trás um Sou juíza em Herval, sorriu, quase deixou o carro apagar, e saiu sem rumo certo, agora creio que de vez vá na direção do esquecimento, este monstro que come tudo, que conduz a verdade à mentira ou inexistência...

***

Mas eu lembrei que ela, nos tempos da faculdade, só falava em ser juíza.
Era obcecada.
Estudava direto... melhores notas... o sonho em pé.
Foi então que eu percebi, naquela esquina, que eu nunca sonhei em ser alguma coisa.
No máximo, um jogador de futebol. E isso eu ainda sonho... que tô fazendo um golaço, recebido de braços abertos pela torcida que me ama, e como é bom ser amado... mesmo que falso... o amor falso é água quente, enoja o gosto da gente, mas mata a sede... enfim, eu nunca sonhei em ter uma profissão específica.
Mas eu cada vez mais sei o que eu não quero ser...

***

A menina estava mesmo satisfeita por ter conseguido seu emprego/função que sonhara tanto.
E eu fiquei feliz por ela estar feliz.
E mais feliz ainda por minha forma ser incerta e tão pequena e tão mutável...
E feliz é a água, que só entra onde quer.

***

Eu quero ser um vagabundo.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

PAPAGAIO DE LUÇARDO


O seu Luçardo é um guarda municipal que tem um papagaio, a Filó.
A Filó ganha tratos de bebê e tá sempre fazendo o que melhor o papagaio faz: ficar papagaiando no ombro de alguém.
Por onde passa, o papagaio do Luçardo chama atenção.
As crianças se divertem, as meninas se aproximam e os homens ficam curiosos.
A Filó faz tanto sucesso que, em pouco tempo, de bicho de ombro, ela se tornou uma estrela, ofuscando até mesmo a presença do Luçardo.
Ou seja, o Luçardo é que virou o papagaio da Filó.

***

Ontem eu vi o Luçardo sair com uma namorada, uma senhora de quarenta e poucos, da casinha do Papai Noel.
Ele levou a namorada quarentona pra ver o Bom Velhinho...
Que legal!
Mas a Filó ele não levou.
Não sei se morreu ou foi trocada pela cônjuge em questão, ou simplesmente ficou em casa descansando.
A real é que o Luçardo parecia (e era) outro homem sem a Filó no braço.
Enquanto que, independente do lugar onde estivesse, a Filó seguia um papagaio, como todos os outros, sem vazio, sem falta de Luçardo algum...
Um papagaio intransitivo, como quase todos os bichos que o homem humaniza...
E o papagaio papagaia em qualquer ombro ou lugar!

***

No shopping eu vi um cachorro dormindo por horas e pensei feliz é ele, que não precisa de chave, emprego, RG, telefone e capacete.
E então divaguei com o cara na esquina se a racionalidade é uma dádiva ou um castigo, mas ele não entendeu muito bem meus argumentos.
Um de nós é um animal.
Mas eu queria ser aquele cusco na tarde louca de quarta...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O MEU JESUS NÃO TEM SOMBRA DE CRUZ


Minha religião sou eu e os que amo.
Toda divindade vive dentro de mim.
Esperando as oportunidades certas de se manifestar...
de viver dos meus erros
[e aprendizados...

Meu Jesus não tem sombra em cruz
nem medo
Não alimenta nenhuma competição nem vaidade
Meu Jesus é minhas plantas, os meus filhos
Meus deuses são vivos
E não precisam de nome ou forma...

***
MEU MUNDO É O BARRO

O Rappa


Moço, peço licença
Eu sou novo aqui
Não tenho trabalho, nem passe, eu sou novo aqui
Não tenho trabalho, nem classe, eu sou novo aqui
Eu tenho fé
Que um dia vai ouvir falar de um cara que era só um Zé
Não é noticiário de jornal, não é
Não é noticiário de jornal, não é
Sou quase um cara
Não tenho cor, nem padrinho
Nasci no mundo, sou sozinho
Não tenho pressa, não tenho plano, não tenho dono
Tentei ser crente
Mas, meu cristo é diferente
A sombra dele é sem cruz, dele é sem cruz
No meio daquela luz, daquela luz
E eu voltei pro mundo aqui embaixo
Minha vida corre plana
Comecei errado, mas hoje eu tô ciente
Tô tentando se possível zerar do começo e repetir o play
Não me escoro em outro e nem cachaça
O que fiz tinha muita procedência
Eu me seguro em minha palavra
Em minha mão, em minha lavra

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

ЗOPAH фYREбOлEиPO CJAJHO!

Zoran Lucic é um designer sérvio fanático por futebol. Eu, que não sou designer, muito menos sérvio, mas compartilho a fissura futebolística em qualquer idioma, uso, ao contrário de devaneios pseudo-literários costumários, este espaço para divulgar (com um breve comentário, é claro) a linda arte desenvolvida por este jovem e audaz rapagote.

***

Зоран футеболеиро Сјајно!

***


O nº 1 primeiro!
O Dico veio me comentar, todo orgulhoso, se eu sabia que o apelido do Pelé era Dico. Eu respondi que sim, mas que ele só deu certo depois de virar Pelé.

***


Zico
A linda carreira de Zico que, embora com muitos golaços pelos 4 continentes e craque consagrado, foi de sua geração a pior derrota brasileira em Copas (82)... Além disso, de que adianta ganhar do mundo inteiro e vir aqui pra Pelotas tomar pau do Xavante?

***


El Pibe
E por falar em carreira, ao contrário do que muitos pensam (muitos menos eu), dizem que o Maradona toca vuvuzela de nariz.

***

Se gostaram, vão procurar no link acima outras obras do tal Zurik-sei-lá-que que eu tenho mais o que fazer.
(Jogar bola!)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

VELÓRIO AO VIVO


Uma empresa funerária de Nova Friburgo, RJ, lançou um novo serviço em seu fúnebre menu. Agora, um de seus pacotes inclui a transmissão do velório ao vivo pela internet, para parentes, amigos e interessados que não puderem comparecer.
Eu achei isso muito interessante...
Um velório de morto ao vivo!

***

Aí o parente morreu e você está a milhas de distância.
Você entra no site da empresa e, no menu Opções, seleciona "Velórios Ao Vivo".
Escolhe o nome do morto e clica.
Depois, aparece uma porção de câmeras com ângulos diferentes para você degustar o morto (e a galera toda no velório).
Tem desde câmera dentro do caixão, panorâmica, detalhe do rosto dos presentes (essa é pra saber quem era amigo de verdade e quem são os piadistas de plantão), câmera que acompanha o cortejo... enfim, uma relação completa de tomadas que farão com que seu morto favorito passe um dia de princesa Diana ou de Ayrton Senna.

***

Eu imagino o cara no quarto, a mil quilômetros de distância do velório, conecta a internet e acessa a capela mortuária desejada.
Aí chora na frente do computador.
Comenta o velório no facebook.
Onde Curtir é um botão indesejado e que pode ser mal interpretado.
Grava em Dvd pra assistir com a família no almoço de domingo.
Compartilha e divulga o link.
Manda por e-mail.
(Oi tia Rosa... Lhe encaminho em anexo o link do velório do primo Augusto... bem bacana... clica aí embaixo e nos vemos lá, ok?)
E a família no quarto, comendo pipoca e vendo a transmissão do mortuário.
Só sente falta é de uma emocionada narração.
Mas ela é um item acessível apenas aos mais afortunados, não ao pacote Standard.

***

E eu achava que o programa da Márcia era o último degrau do audiovisual.
O último degrau é a morte, claro.
E o velório ao vivo.
Que crítico nenhum tem coragem de difamar na coluna ou revista social.

***

Todo morto é gente boa.
E todo veloriano é cínico.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

NOSSO LIMITADO SEMPRE


Uma mensagem, por mais conclusa que seja, é apenas um fragmento dentro de outra mensagem mais ampla, que por sua vez também é fragmento de algo que lhe é maior.
E assim vai a escada das mensagens, até chegar na suma essência do que chamam divindade, onde nenhuma palavra é necessária e o entendimento é algo suprarracional, decadimensional, onde a mente é pedra e o nada é tão absoluto quanto permanente.

***

Eu fico aqui olhando os carros passarem na avenida.
Todos eles se parecem com a carona que eu espero... mas quase todos eles não são ela.
Cada carro segue seu caminho, mas não vai a lugar algum.
Todo agora é um novo destino.
Somos viajantes do tempo, não do espaço, e estamos sempre
[em nosso limitado sempre

de passagem.

***

8h. Um bem-te-vi acada de roubar um filhote do ninho de um tico-tico e eu me lembrei que ontem meu gato Mingau também atacou um ninho.
Percebi que o mundo é cheio de espertos e ladrões, mas é só na natureza humana que eles são estigmatizados como criminosos... como o mal.
Animais roubam por instinto... sobrevivência... sem medidas racionais nem intenções.
Então eu vi que o mundo é um imenso vazio a serviço das interpretações individuais e coletivas da humanidade, repleta de conceitos e tendências morais e axiológicas.

[Todas as coisas são nossos professores!

***

E o mundo segue mundo sem o homem nele.
Porque o sempre é muito tempo, mas passa bem depressa.
E tudo aquilo em que eu acredito é tão-somente aquilo em que eu acredito.
E nada mais!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O TIMONEIRO E O ASSALTANTE


Acordei na madrugada ouvindo a chuva. Segui o raio pela casa afora, o quintal, o fim da rua, o outro lado da cidade...
Ele foi embora com a tempestade, navegando pelo céu de matizes variadas...
Era o sol trazendo o amarelo, o rosa... até também sumir pela grande nuvem cinza que teimava em ficar.
E assim foi aquela rápida manhã, que parece até nem ter havido...
Pensei em como as coisas vêm e vão, como tudo se transfora, como a vida passa tão celeremente...
Pensei em como vários fatores nos conduzem por caminhos pré-determinados e como nossas escolhas, muitas vezes, a grande maioria delas, não são nossas escolhas.
São circunstâncias óbvias.

***

Como ser um timoneiro de um barco que anda à deriva e passa rápido por este oceano chamado vida?

***

Da vida não se leva nada, mas se deixa muita coisa.
Bukowsky disse que o cidadão que deixasse U$ 10 mil de herança era um fracassado.
Até concordo com ele, em certo ponto.
Mas creio que o grande fracasso da vida é não ter amado ou desistir de uma paixão...

***

O cara assaltava universitárias e, antes da fuga, exigia um beijo na boca.
Várias prestaram queixa naquela delegacia do interior de Pernambuco.
Uma amiga achou uma estupidez, um marginal querendo beijo na boca.
Detestou esta modalidade criminosa, que machucava com a coronha e acariciava com os lábios...
Que nojo!, dizia ela.

***

Foi então que eu lembrei de uma modalidade muito pior, o assalto seguido de morte.
Percebi que o amor e o medo (que cria o ódio) são fronteiras do mesmo acre; uma tela que divide a mesma cercania.
Tanto são a mesma coisa que o assaltante pernambucano conseguiu resumi-los em uma nova e única infração:
O assalto seguido de beijo!

***

Se a vida deste amado marginal se resume em amor ou medo, isso eu não sei...
Mas a passionalidade segue sendo a grande onda no mar da existência.

domingo, 13 de novembro de 2011

O FUTEBOL E AS HUMANIDADES


O homem já fez grandes inventos que lhe proporcionaram conforto e prosperidade.
Já inventou, por exemplo, o fogo, a roda e o chimarrão.
3 fantasticidades!!!
O fogo aquece a água; a roda organiza o mate; e o chimarrão é o chimarrão!

***

A las pucha tchê bah trilegal!


***

Mas eu estive pensando acerca dos grandes inventos da humanidade e percebi que o mais importante de todos foi, sem sombra de dúvidas, a bola.
A partir do momento que o homem criou esta esfera de borracha, redimensionou a relação interpessoal (e até internacional), criou esportes que se tornaram o ápice do entretenimento e possibilitou a invenção do orgasmo de garganta, que muitos também conhecem como o Grito de Goooooooollllllllll!

***

O homem inventou o futebol, mas é o futebol que segue inventando os homens.
Várias regras do espporte mais conhecido do planeta só foram inventadas por causa das condições psicológicas da humanidade.
Sério mesmo.
Eu explico:
A regra de impedimento, por exemplo, foi criada por culpa dos gordos.
É que antes do impedimento, os gordinhos (que também gostam de futebol, ora pois) não voltavam nunca pra ajudar na marcação. Ficavam na "pescaria", como se diz no jargão futebolístico.
Pra acabar com essa malandragem obesa, foi criada a regra do impedimento e os gordos foram, praticamente, banidos do futebol.
(O último foi o Ronaldo.)

***

A caneleira e os cartões amarelo e vermelho foram inventados por causa da personalidade beligerante do ser humano.
Os bandeirinhas foram inventados pra ajudar o árbitro a roubar.
A rede na goleira surgiu pra evitar a demora do goleiro buscar a bola na valeta.
Enfim... o homem se desenvolve e o futebol vai junto.
Ou é o futebol que leva a humanidade nas costas?

***

Bem... encerrarei este post prematuramente porque começou agorinha o clássico Dínamo (de Santa Rosa) e Ta-Guá e eu vou acompanhar!
Dá-lhe Cavalo cansado!!!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

NADA GRAVE


Eu tive um sonho que dizia que algo muito grave iria acontecer.
Mas o que é a gravidade, dentro de um mundo vazio?
Todas as perdas e ganhos, erros e acertos, sorte ou azar têm que ser interpretados de uma forma fria e serena, pois são dois lados distintos de uma mesma moeda.

***

O amor e o medo... o bem e o mal... o certo e o errado acabam sendo a mesma coisa.

***

O novo dia foi raiando e as coisas que eu pensava ontem foram acordando.
Sob o canto dos pássaros, a grama cresce.
O cara do meu lado tentava em vão puxar conversa.
Eu fiquei calado.
A menina pesquisava no computador valores para os seus sonhos, e eu entendi que a máquina é grande; e ela vende sonhos caros...
E eu, assim como ela, também pago os sonhos meus.
Muitos deles, invariavelmente, nunca acontecerão.
Niilisticamente, tudo perde o seu sentido.
E como pode, então, algo grave acontecer?

***

A maior gravidade é continuar vivo.
E o maior perigo é seguir sonhando...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

BUDA, A TARRAXA E O DESTINO


Buda já estava há 6 dias em meditação sob uma seringueira e questionava os porquês, após tanta dedicação, pelos quais ainda não havia alcançado a iluminação.
Foi então que passou por aquela trilha na floresta um professor de violino, que explicava a seu pupilo:
Se apertares muito a tarraxa, a corda arrebentará. Se a deixares muito frouxa, a corda não tocará. O segredo é o equilíbrio!

Ouvindo essas palavras, Buda se iluminou.

***

O Helinho me contou de um multimilionário que estava vendo TV e, de repente, se levantou e falou pra mulher:
Nega!!! Eu já sei o que eu vim fazer aqui!

Pegou uma trouxa de roupas e saiu andando pela BR para nunca mais voltar. Andarilho, largou família e fortuna para viver a sincronia de cada dia... um Forrest Gump entre Guaíba e Porto Alegre.

***

A liberdade do mendigo é o que todos invejam.

***

E eu, a partir do papo com o Helinho, descobri que todas as pessoas têm um futuro, mas poucas têm um destino.
E é por isso que eu não quero mais arrebentar as tarraxas nem frouxar as cordas da vida...
Quero apenas me manter limpo, como uma onda sonora, até que o tempo não propague mais minha sonoridade personalística.
E não me importa que isso leve cem anos, um mês ou um minuto...
Todo tempo é relativo: feliz agora, feliz sempre!
O mundo a se transformar é sempre interno.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

HOMECÃO


Encontrei um amigo mais velho, passeando com seu cachorro pela rua.
O cão abanava o rabo, feliz.
Ele sorria.
Ambos, pela calçada, no matinal e cotidiano passeio pela cidade.
Que lhes traz alegria e contentamento.
Lhes possibilita a fuga do lar vazio e solitário.
Oxigena-lhes a mente que subexiste à TV e internet.
Eu só não sei se é o amigo que leva o cachorro pra caminhar ou se é o cachorro que leva o amigo...

***

Será que quando o cão morrer o amigo vai virar sedentário?

***

É interessante como o homem se apega aos bichos. Na real, eu acho que o homem se apega na humanização do bicho, que ele mesmo inventa, e tenta através dela encontrar o que não encontrara nas pessoas reais.
Aí a solteirona dorme com o gato, o solitário conversa com o passarinho, cachorro de roupa com nome de gente, cavalo com orkut... e o George Orwell se virando no caixão...
Pra mim, de animal vestido já me chega os políticos e os árbitros de futebol...
Quanto mais eu os conheço, mais eu gosto dos animais.

***

Você já levou o seu político passear hoje?
Sabe como é... ano eleitoral chegando e eles adoram abanar o rabo pelas ruas.
Então tome cuidado redobrado, porque ele sorri e pede carinho, mas pode te dar uma mordida.
Porque o mundo animal é um barato, mas tem certos bichos em que a gente não pode confiar.

***

Au au.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A PIOR MENDICÂNCIA


Eu cursei Direito até o 5º ano na UFPel.
Faltava 1 pra eu me tornar um bacharel, mas desisti enquanto havia tempo.
Não consegui me imaginar de relógio, vivendo de reclamatórias e frequentando fóruns cheios de playmobils de terno e gravata.

***

Na faculdade vi um monte de absurdo humano que daria pra fazer um livro.
Por fim, eu só não consegui concluir se foi o Direito que se livrou de mim ou se fui eu que me livrei dele!

***

Um dia, numa aula de Direito do Trabalho, o professor entrou, sentou-se com soberba e falou pra turma, embora parecesse que falasse pra mim:
Vocês têm que ganhar dinheiro!!! Vocês têm que encher o bolso de dinheiro! Eu sei que aqui tem gente que só quer poesia... Poesia não enche barriga... vão comer poesia? Vocês têm é que ficar ricos!

Eu aproveitei a deixa, me levantei, saí do prédio e joguei meus livros e cadernos na primeira lixeira que encontrei, ainda na rua Anchieta, e nunca mais voltei. Nos outros livros que eu tinha, fiz textos relatando o que sentia e doei-os pra biblioteca da faculdade, na vil esperança de mudar alguns cabeça-de-jaca que fediam lá por dentro.
[Ou era eu quem fedia? Não sei!

O fato é que eu nunca soube se o professor otário merecia um soco ou um beijo.

***

Lembrei nisso porque hoje estou sem relógio de pulso e com o bolso cheio de poemas.
O Direito me ensinou a argumentar e a jogar sinuca.
E a vida segue, amor e dor, poemas e moedas...
E descobri que a pior miséria não é comer poemas...
A pior mendicância são o amor implorado e a alegria comprada!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

SCHUMANN NA CHUVA


Existe uma espécie de frequência elétrica entre o solo e a ionosfera que se reproduz em todo e qualquer ser vivo habitante da Terra. Pesquisada por Winfried Otto Schumann, estes picos no espectro eletromagnético do planeta atingem a banda de frequência extremamente baixa, e seu nível vibracional constante fica na casa dos 7,83Hz.

***

Não tem escolha: essa onda todo mundo pega!

***

Do solo ao céu.
Na mente humana.
Na flor que abre.
No gato da vizinha.
Na velha da cadeira de balanço tricotando.
No funcionário público, enfim... tudo que (ainda) tem vida é um espelho schummaniano.

***

7,83!

***

Astronautas que eram mantidos fora desta vibração eletromagnética adoeciam.
Eram então submetidos a uma câmara que igualava a ressonância Schumann e voltavam ao normal.
Algo parecido com o que acontece com os maridos de plantão: um pulo no bar e a vida muda!

***

O fato é que variações últimas demonstram que a ressonância Schumann está mudando, acelerando.
De 7,8 pra 11Hz, depois pra 13Hz. E isto coincidentemente com adventos climáticos, vulcânicos e maremáticos (maremáticos é ótimo!), com o ápice do homo tecnologicus e com o caos do convívio social, guerras por todo mundo e desregulação atômica dos relógios de pulso.
Ontem hoje, hoje amanhã.

***

Mas eu lembrei do velho Schumann porque minha mente anda tri atucanada com este cotidiano maluco.
Mas hoje baixou uma grande chuva em Porto Alegre e eu fiquei observando, pensando no ritmo das coisas.
No tempo certo.
E concluí que não existe o tempo certo ou errado.
Não existe nada, nada, que não esteja no seu momento de acontecer.
Na verdade, todo tempo é mental.
E mesmo que o mundo ronque em lavas e ondas gigantescas, deus estará em algum canto pensando em outras coisas obsoletas, tão fugazes como nosso pequenino planeta azul e nossa vida milimésima.

***

Tudo tem tamanho e tempo relativos.
O que é nossa existência fora de nossa cabeça?

domingo, 23 de outubro de 2011

O CONTRÁRIO DO AMOR


Eu estava num ônibus em Alto Paraíso de Goiás e um cara estranho se virou, falando comigo. Era espanhol, um phD em Sociologia. Falávamos de coisas comuns à beleza do lugar, àquela estadia momentânea no paraíso, e num momento ele me questionou sobre o antônimo do amor.
Uma pequena palavra, de 4 letras e que terminava em O.
Eu sempre aprendi que o contrário do amor era o ódio.
E naquele momento, quase aos 30, reaprendi algo de muita significância.
Porque a gente tá sempre aprendendo.
Até a hora da morte estamos aprendendo...
Na verdade, cada aprendizado é uma morte pro que éramos.
E eu morro umas 20 vezes por dia...

***

O amor é um sentimento inato, ou seja, ele é da origem do ser.
Não o amor de que falam as músicas sertanejas.
Nem o amor de telenovelas.
O amor é um sentimento puro, à mãe, ao pai, à vida, filhos, amigos, plantas... o amor é a essência que nos permite reconhecer o outro ser em nós.
E é por ser inato que não pode ter como contrário o ódio.
O ódio é um sentimeto construído.
É a soma de vários conceitos axiológicos e psicossociais.
O revanchismo, a inveja, a cobiça, a competição...
E é por isso que o contrário do amor é o medo.
E é por isso que onde não há medo, o amor e manifesta.

***

Quem tem amor não tem medo.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

I-MUNDO PLANO


A educação no tempo do homem das cavernas devia ser um saco.
O aluno chegava na escola-caverna, a diretora batia a sineta de osso e o professor cabeludo ensinava, através de seus hieróglifos, o verdadeiro mundo uga-buga.
Próximo a isso, mas temporalmente distante, minha mãe, na década de 50, usava a lousa como principal instrumento escolar.
Pra quem desconhece, a lousa era um quadro pequeno onde o aluno escrevia a giz as lições e levava pra casa, onde chegavam muitas vezes já apagados, para o desespero da criança, que já sentia a palmatória futura na palma da mão presente.
Hoje, o mundo cheio de tablets e i-pads e etcéteras, recria o relacionamento do homem com o conhecimento. Uma lousa que não apaga... uma caixa de memórias do mundo... é o homem supra-evoluindo, até onde eu não sei, só que o passado está cada vez mais moderno.

***

Na Índia, tablets gratuitos pra rede escolar e a U$ 35 pra população em geral.
O mais barato do mundo.
Adeus aos cursos de datilografia, MS-DOS e correios.

***

Duda diz: Nega, pode me alcançar o café?
Nega diz: Aqui, meu amor.

***

Como o mundo cabe numa coisa tão pequena?
Acho que o mundo tá voltando a ser plano, como antes das navegações...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O MUNDO DE ESCHER


Maurits Cornelis Escher é um designer e artista que elaborou gravuras e pinturas representando construções impossíveis, onde planos se cruzavam explorando o infinito e criando padrões geométricos entrecruzados que se transformam gradualmente para formas completamente diferentes, ou seja, uma loucura, literalmente, sem pés nem cabeça.
Em seus quadros, repletos de ilusões de ótica, ele colocava na perpendicular vários planos dentro de um mesmo polígono, criando uma imagem paradoxal e complexa e inaugurando a Relatividade de Escher, onde um elemento pode ter várias significantes dentro do mesmo contexto.

***

Onde pra um é chão, pro outro é teto.
E as paredes também são concreto.
No buraco negro, a margem do espelho.
E as janelas são vitrôs e também passagens.

Louco mundo, mundo louco
O que dizer de ti.
Cada dia tão diferente
Da última vez que vi.

***

Vivemos diariamente a Relatividade de Escher.
Nossa sociedade é um quadro vivo escheriano.
Na verdade, muito limitado é falar "nossa sociedade".
Somos muitas sociedades dentro de uma só.
A visão que tem o pobre.
O olfato do nobre.
As mesas postas, as ruas iguais.
Mas enquanto um passa a pé, outro com carro blindado.
As grades altas e muros robustos da nossa cidade separam quem está dentro da festa.
Do singelo transeunte.
A cadeia negra.
O plenário branco.
As escolas cheias de ninguém.
Qual o valor que a vida tem?
Eu sou feliz.
Eu sou triste.
Neste mundo coexiste o todo, todo numa coisa só.
O foco que eu vejo é minha aura desenhada.
As coisas que percebo são um pouco de mim.
E eu sou muitos paralelos.
Perpendiculares...
E tudo aquilo que penso ao léu
No próximo instante já está
Com os pés pro céu.

sábado, 20 de agosto de 2011

ACELERADOR DE PRESENTE


O CERN é um centro de estudos científicos em Genebra que criou uma máquina maluca, chamada de Acelerador de Prótons (ou de Hádrons, como preferem alguns). Trata-se de um túnel onde átomos são movidos a uma extrema velocidade e ao chocarem-se, causam a explosão de seus núcleos (a parte realmente sólida da micromatéria). Ao explodirem, os núcleos liberam cargas positivas que, ao encontro dos elétrons, que estão à toa no nanocosmo, queimam-se, anulam-se, liberando energia.
Cientistas acreditam que esta é a origem do Big Bang e que aí, nessa suruba molecular, esteja concentrada uma energia inesgotável para a humanidade.

***

Tudo isso pra ver TV, passar e-mail e tomar banho quente até o fim dos tempos.

***

Eu me pergunto se dessa máquina aceleradora resultasse um outro Big Bang, onde isso iria parar? Me pergunto e tento responder-me: um novo sistema seria formado, com poeiras cósmicas se fundindo até formar os planetas. Planetas inabitáveis que levariam bilhões de anos para poderem ser hotel de seres vivos, dos microsseres marinhos aos símios de 5 dedos. Aí surgiria uma raça dominante, que criaria armas letais contra todas as outras... um sistema econômico de organização explorativa... um sistema mundial de comunicação...
Peraí, eu acho que isso já aconteceu! Já aconteceu sim, caraca, e foi com a gente, os humanos, o planeta Terra, o Sistema Solar... Muito prazer!
Então pra quê tudo de novo?

***

O infinito é muito (pouco) tempo
Larga tudo e vem pra tarde
Onde a grama é chamativa, a imagem da praia...
Onde o filho faz carinho e a gente brinca de responsabilidades
Aqui já é o presente que eu queria
E tem gente trabalhando pensando numa nova humanidade
O novo é dentro
O novo existe, esperando para ser descoberto
Como a roda e como o fogo

[todos os caminhos retornam à origem...

domingo, 14 de agosto de 2011

PAPAIZ


Quando eu tinha 14 anos perdi meu pai.
Ele saiu do mundo real para entrar no exclusivo mundo de minha mente.
Assim, o vejo todo dia.
Sinto sua presença.
Observo seus ensinamentos.
Tive dois filhos, porque a engrenagem não pode parar.
Vejo no espelho meus cabelos brancos surgindo, aos poucos.
Observo amigos que, como eu, adentram nesta aventura de ter filhos.
O mundo é mágico.
Nunca triste.
Ao ver a figura de um filho sorrindo.
Te abraçando.
Um simples "eu te amo" é motivo suficiente para se saber que no fundo de tudo
Há uma máquina chamada amor.
Que move montanhas.
Que move singelas folhas.
Numa tarde de outono na praça.
Numa escola qualquer.
Ver um filho crescer é ver a si próprio.
A meu pai.
Meus avôs... toda carga genética que me comprova.
A cada minuto que vale a pena devolver amor ao mundo.
Melhor que ser filho é ser pai.
E agradeço agora, em breves instantes.
A João Keiber, ao Jojô e ao Pedro Bem.
Vocês fazem eu me sentir eterno.
E feliz dia dos pais a todos os testículos do mundo!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

DEUS NO FACEBOOK


O mundo anda pra frente, não tem jeito. Os adventos da tecnologia são fatores inevitáveis... as trilhas do mundo estão na internet, na tecnologia geométrica.
Tudo o que se pode saber se pergunta ao Oráculo Google, onipresente em cada casa, cada escritório. Onisciente de todos os assuntos.
Não há mais nenhuma informação da humanidade que não esteja dentro de um computador.

***

A internet é a verdadeira caixa de Pandora.
Rasgou-se a noosfera.
Todos os conhecimentos do homem estão à solta, por aí.
E o homem transformou o seu posicionamento ante as informações.
Antes, uma notícia dependia de carta...
De rádio...
De jornal...
[os jornais, cada dia mais antigos...

A notícia agora é imediata...
Parece até que o mundo de hoje aconteceu ontem!

***

Eu lembro do tempo em que os encontros se davam nas esquinas.
Hoje as esquinas é o Facebook.
Cada dia, uma nova turma.
Informações e novidades imediatas.
A piada da hora!!!
Atuais programações de cultura.
Com duas deficiências apenas, as redes sociais em relação às esquinas de verdade:
No Facebook não se pode falar alto.
Nem cuspir no chão.

***

Então Deus, querendo saber sobre a Era Tecnológica na Terra, chamou o São Pedro e solicitou averiguações.
São Pedro disse que se tratava do tal do Facebook.
Facebook?
É, Facebook. É uma espécie de onipresença que os homens criaram.
Mas a onipresença é uma exclusividade minha, respondeu divinamente o Senhor.
Mas o Senhor não tem uma conta do Face, tem?
Não, não tenho!
Pois então o Senhor vai ficar por fora!

***

Deus criou sua conta no Facebook.
Teve que criar um usuário com underline, porque deus@gmail.com já tinha domínio.
Foi anexando fotos.
Criando amizades.
Lançando histórias homéricas sobre sua biografia deísta.
Jogando cantadas certeiras pois, claro, Ele fez a mulher.
Ele sabe melhor que ninguém o que elas gostam de ouvir.
E ele foi curtindo os tópicos dos outros.
Comentando com uma sabedoria incrível.
Até que um cara, na rede, disse que Ele era fajuto... que não era Deus coisíssima nenhuma. (5 pessoas curtiram seu comentário)
Sou sim!
então prova!
não preciso provar nada, babaca.
vc tem menos seguidores do que eu! como pode ser deus? (13 pessoas curtiram seu comentário)
vou mandar um raio na tua casa pra tu ver! (Thor curtiu seu comentário)
ahhh... vai cagá!
melhor... pra te provar que sou o verdadeiro deus, vou boicotar a internet no mundo todo!!! (Diabo e Hug Chávez curtiram seu comentário)

***

Mas é claro que Deus estava blefando.
Ele não terminaria com a internet jamais.
Deus não vive mais sem redes sociais.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

TETA VITRUVIANA


Dizem que a simetria representa a perfeição harmônica, a materialidade requintada, a face divinal. Isso foi defendido pelo arquiteto romano Marco Vitruvio Polião, quando escreveu Os dez mandamentos da arquitetura, no século I a.C. Suas teorias se eternizaram quando Leonardo Da Vinci estudou as proporções e desenhou o conhecidíssimo Homem Vitruviano, o modelo de corpo perfeito, capaz de enfeitiçar tanto mentes brilhantes da matemática e arquitetura quanto moçoilas de academias.
É que ele está baseado no número phi, um conceito fantástico de proporções e padrões numéricos... a representação de deus em dígitos... a chamada proporção áurea, o 1,618.

***

1 + 2 = 3
2 + 3 = 5
3 + 5 = 8
5 + 8 = 13
8 + 13 = 21(...)

E assim sucessivamente.
E eu ficando louco de tanto somar e dividir.

***

E eu lembrei da mulher que tinha um mamilo a mais, uma terceira teta.
E o mais maluco de tudo é que a terceira teta ficava no pé esquerdo.
No pé esquerdo, perto do calcanhar.
Isso sim é que eu chamo de assimetria.
Uma teta no pé!
Pode?
E dizem que quando ela ficou grávida, a teta do pé inchou.
Que loucura!
Eu imaginei ela amamentando o bebê com o garrão.
Sentada no sofá, com pé dentro do bercinho, na cara da pobre criança.
Dorme dorme, meu benzinho...
Quanta facilidade!

***

O pior da brincadeira ainda não falei.
No caso da mulher com a teta no pé.
Complicado ia ser pro maridão.
Que na hora do romance, alta sensualidade e excitação.
Beijos quentes. Mãos atrevidas.
E aquele terceiro seio sedutor, com perfume de talco Desopé.
O bico durinho por baixo da meia.
Uau!!!
Amor... apaga a luz, tira meu All Star e me beija!

***

Teta no pé?
Por essa Da Vinci não esperava.
Com certeza essa mulher tem um amante pedicure.

SKINNER E O EREMITA


Uma americana tinha 6 filhos.
6!
Mas mesmo assim, descontente, fez tratamento de fertilização para ter o 7º.
Só que o tratamento deu muito errado (ou será que deu muito certo?) e ela engravidou de óctuplos.
ÓCTUPLOS.
E se eu ainda to bom de matemática, 6 + 8 = 14.
14!
Sete vezes mais filhos do que tetas.
Isso não é nada bom...

***

Um ano depois da cesária histórica, uma reportagem midiática foi fazer uma visita ao ninho da mulher mãe de 14.
Ela disse que se tranca no banheiro pra chorar sozinha.
E que os 6 primeiros filhos (antes da leva de 8) estão abandonados, criados como bichos.
Comida no pote!
Cama no chão!
Aí eu fiquei pensando nos meus 2 guris! Barbada!
E eu achava difícil, veja só...
Agora posso ter mais uns 5 e ainda to tranquilaço da silva!

***

Dizem que em vez de roupa, ela compra jogo de uniforme futebolístico pras crianças.
11 titulares + 3 reservas.
Cada qual com seu número nas costas.
11!? Já almoçaste?
Caminha pra dentro, número 8!
Número 3... larga essa porcaria aí.
5!!! Eu já não te falei pra não colocar caneta na boca? Ou eu falei pro 6?
Minhanossa!
Essa mulher, sem dúvida, tem o melhor banheiro do mundo!

***

Os filhos que mais me enchem o saco são os que eu ainda não tive!

***

Aí eu lembrei do conto do eremita que morava na caverna.
Os ratos começaram a comer suas roupas.
Ele foi ao vilarejo e lhe deram um gato para espantar os ratos, já que roupa toda hora é coisa de madame.
O gato espantou os ratos, mas sofria de fome.
Pobrezinho do bichano.
Recorrendo à vila, deram uma vaca ao eremita.
Ela daria leite ao gato e a ele também.
Barbada?
Barbada nada: a vaca começou a emagrecer também.
Os moradores ajudaram o eremita e lhe fizeram uma área de pasto e uma horta, bem pertinho da caverna.
Mas pra manter aquilo era uma perrenha.
Tirar inço, cortar grama, combater as pragas.
Ele sozinho não dava conta.
Então na vila pintou uma jovem viúva.
Eles a mandaram pra fazer companhia pro eremita e lhe ajudar a manter a horta e o pasto limpos.
Mas a noite chega, vocês sabem como é.
Cama grande.
Sem TV.
Eremita sozinho há muito tempo.
E a viuvinha até que não era feia.
Em 3 anos, tinham 5 filhos.
3 belos eremitazinhos.
2 pequeninas viuvinhazinhas.
E o eremita não lembrava mais a última vez que tinha meditado.
A vaca morreu.
O gato sumiu.
E os ratos seguiram o baile.
Virando lixo.
Comendo lama.
Fazendo revoluções.

***

E eu me pergunto quais os genes diferem certos homens das ratazanas.

***

Burrhus Frederic Skinner, que de burro não tinha nada, foi pioneiro na psicologia experimental, estudava os homens e os ratos e não viu nenhuma diferença entre eles.
“Os ratos são seres simples, só isso; o homem é ligeiramente mais complicado.
O homem é uma máquina extremamente sofisticada, os ratos são máquinas simples.
É mais fácil estudar os ratos”.

É por isso que os psicólogos continuam estudando os ratos.
Estudam os ratos e chegam a conclusões a respeito dos homens.
[e as conclusões a que chegam estão sempre certas.

***

Esse papo todo me deu uma vontade de comer um queijo...

segunda-feira, 25 de julho de 2011

NEM A MIM


Todas as coisas que tive me ensinaram algo.
Elas sumiam, outras as sucediam.
Até também sumir para o advento do novo.
Sempre novo.
E todas elas, e cada qual, com o seu ensinamento próprio.
Percebi então que não é atrás das coisas que vivemos:
É atrás dos ensinamentos que elas nos proporcionam.

***

Eu já tive um celular tijolo, um boneco do He-man. Já tive 3 Fuscas diferentes, já tive um primeiro violão.
Eu já tive camisetas de caveiras desenhadas, coturnos de quartel.
Foram meus diversos livros, discos que nem lembro mais.
Emprestei pra quem não lembro a mais importante revista, o mais confortável chapéu.
E me pertenceram também tantas verdades que por ora não me cabem mais.
E a cada minuto sou outro... e é impossível não ser assim.
Perco tudo, pois sou vivo e tenho muito pouco.
Nem a mim.
Nem a mim.

sábado, 16 de julho de 2011

O HOMEM PEGA DE GALHO


O Nelson me contou uma história sobre um acidente espetacular.
Não que eu goste de sangue e tragédia, esse papo que o Renato Machado e os telejornais adoram, mas é que esse foi um acidente interessantíssimo. É que após uma colisão frontal de veículos, o cara foi arremessado pra fora do carro e bateu a cabeça no meio-fio.
Na hora, o tampão da cuca abriu e o cérebro do sujeito voou para a calçada.
Até aí tudo bem, isso acontece realmente.
É que o cara, sem cérebro, levantou e falou o nome de uma mulher.
Como pode?
O cara sem cérebro se mover e falar?
O Nelson jura e até briga com quem diz que ele tá inventando.

***

Eu acho que o cara disse:
Puta la madre, agora sim! Eu sabia que tinha uma coisa me incomodando, me pesando na cabeça... era essa merda aí! Tô livre! Liiiiivre!


***

O corpo é um veículo dotado de energia vital.
Ela não é nossa.
É um empréstimo.
Ela, a energia vital, está em tudo que é vivo.
Plantas e animais.
Ela surge, atinge o máximo potencial de desenvolvimento, decresce e some.
Volta a circular na biosfera, procurando outros nascentes pra se manifestar.
E é por isso que todos os seres nascem, crescem, envelhecem e morrem.
[e ainda nos achamos importantes, os humanos

Mas ela, a energia vital, não nos pertence.
Ela, sem dúvidas, passará.
E nós, inevitavelmente, teremos de morrer.

***

Eu conheci um cara que perdeu o dedo.
Rapidamente, ele pegou o cutuco do dedo e plantou num pote com humus e terra.
O dedo brotou.
Outros dedos brotaram.
Uma mão, um braço.
Depois um tronco, uma cabeça, pernas e pés.
Tudo regado com carinho, cuidado como se fosse uma planta.
Uma planta-homem.
[ou seria um homem-planta?

O homem pega de galho!, concluiu ele, meu amigo.
Que teve sua duplicidade genética saída do quintal da casa.
Um outro ele.
Chato, morrinha, maleducado!
Porque a energia vital é incrível.
Mas as manias do homem são um saco.

terça-feira, 5 de julho de 2011

OS 5 ANOS DO JOHAN


Hoje o Johan faz 5 anos e eu não fui trabalhar.
Ter filhos é a oportunidade de devolvermos amor ao mundo.
Meus guris me re-ensinaram de verdade o que significam pra mim meu pai e minha mãe.
Até parece que foi ontem que eu tinha 5 anos...
Agora é o Jojô.
O passado nunca sabe a hora de parar.
O passado está sempre acontecendo...

***

Johan, te amo como se tu fosses tu mesmo.

domingo, 3 de julho de 2011

IVAN PIRES, O DRÁCULA LATINO


Dizem as lendas que numas ruínas dentro da mata, na colônia de Pelotas, mora um vampiro. Ivan Pires, o Drácula latino. Ele não voa nem se transforma em morcego... não se teletransporta: anda de brasília velha.
Não pode se dar ao luxo de dormir em um caixão estilizado. O lugar quentinho onde ele descansa a cuca é um colchão de solteiro no chão. E o chão é de um quarto,
[de uma casa em ruínas, como eu já bem disse

não de um castelo, como o seu parente da Transilvânia, que por sinal passa os dias inteiros dormindo, outro luxo que Ivan Pires não pode desfrutar.
Ele trabalha de dia e de noite sofre com aquela insônia intensa. De madrugada, sente tesão e fome, sente vontade de morder um pescoço novo por aí. Desperto, salta da cama e toma outro ansiolítico... meia drágea pra dormir. Negligenciando seus hábitos noturnos, o Drácula latino tem que deitar cedo.
Ele nunca mordeu alguém famoso... Mas uma vez ficou a uns 20 metros da Xuxa.
Ele paga pensão pra dois vampirinhos de mães diferentes... Ele passa diariamente por diversas situações do cotidiano comum de um pelotense.

***

Mas esses dias, algo provocou a fúria de Ivan Pires.
8h da manhã.
Ele indo de brasília velha pro trabalho, caiu numa blitz.
Documentos atrasados...
Ivan Pires atrasado...
Mas caralho, uma blitz 8h da manhã?
Pensou consigo nosso vampiro.
Vagabundo não tá no trânsito 8h da manhã.
Às 8h da manhã quem tá no corre é trabalhador, seu policial.
Não adiantou o argumento.
O trabalhador é aquele que dá um jeito em pagar as multas.
Em mover a máquina.
Em alimentar o monstro dos tributos.
E Ivan Pires sentiu na própria pele.
Pela primeira vez em seus mil e poucos anos.
Como é ser vítima de um vampiro de verdade.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

SOZINHO NA MULTIDÃO


O coração é a coisa mais perigosa do mundo.
Toda cultura, toda civilização e toda pretensa religião separam a criança do seu coração.
Ele é uma coisa muito perigosa.
Tudo o que é perigoso vem do coração.
A mente é mais segura, e com a mente você sabe onde está.
Com o coração, ninguém sabe onde está.
Com a mente, tudo é calculado, mapeado, medido.
E você pode sentir a multidão sempre com você, à sua frente e atrás de você.
Muitos estão se movendo nela; é uma auto-estrada — concreta, sólida e que lhe dá uma sensação de segurança.
Com o coração, você está só, ninguém está com você.
O medo o pega, o possui, toma conta de você.
Para onde você está indo?
Agora você não sabe mais, porque quando você se move numa estrada com a multidão, você sabe onde vai porque pensa que a multidão sabe.
E todos estão na mesma posição; todos pensam: "Tanta gente andando, devem estar indo a algum lugar; de outro modo, porque tanta gente, milhões de pessoas se movendo? Devem estar se dirigindo a algum lugar".
Todos pensam assim.
Na verdade, a multidão não vai a lugar algum.
Jamais alguma multidão chegou a meta alguma; a multidão continua a caminhar.
Você nasce e se torna parte dela, e a multidão já estava caminhando antes de você nascer.
E chega um dia em que você acaba, você morre, e a multidão continua a caminhar, porque sempre há gente nova nascendo.
A multidão nunca chega a lugar algum — mas ela dá uma sensação de conforto.
Você se sente aconchegado, rodeado de tantas pessoas mais sábias, mais velhas e mais experientes que você; elas devem saber para onde estão caminhando — e você se sente seguro. (...)


Osho

***

A festa estava tão cheia.
A pista tão lotada de dançantes.
Que o seu Bruno teve um infarto fulminante.
E morreu no meio da música.
Morreu, mas não caiu.
Não caiu porque a massa em festa, apertada, não deixava que seu corpo fosse ao chão.
E assim foi, até o fim da folia.
Duas horas depois.
Todo mundo foi embora, só ficou o morto no meio salão.
Gelado.
120 minutos inerte.
Dançando a alegria dos outros.