segunda-feira, 24 de novembro de 2008

55% RESPONDEU NÃO SABER


Pelas ruas de Pelotas, zumbis. Mudam roupas, trocam nomes, mas os reconheço no olhar. No café da esquina ponho os pés no chão, e questiono coisas que nem deveria. Concluo realmente que a transição entre biosfera-noosfera está acontecendo, como previra Pacal, São João, Vernadsky e Valum. Entre elas, biosfera e noosfera, um muro tecnosférico. Toda concepção sistemática humana, seus prédios, marcas, guerras, escolas, economia... tudo está entrando em colapso... Ruindo como castelos de cartas...
Um amigo ri... diz que tenho razão, e levantamos outras questões pertinentes à tarde, sem nos darmos conta que aquela pequena moeda no bolso avaliza o mundo do Papa Negro que chegara, junto a outro tsunami. Alguém liga: oi tudo bem tudo bem e aí? Aqui nada muda porque mudo pouco... mas a ficha vai caindo, orelhão antigo... plim. Uma recarga de telepatia, por gentileza...
As pessoas que me cercam brigam... falam de morte... voltam pra casa como ontem, comem como ontem, dormem como ontem... E o ontem segue rumo a novos ontens... Se é que o ontem pode ser novo...
E o Ibope fez um novo levantamento para responder a questão: Aonde o homem é menos pobre. Ora bolas, na alma, claro...

ORGÂNICA DAS COISAS


Chovia na terra
Crescia no trigo
Vivia no pão
Era orgânico o chão
Microcoisas...
Se debatiam em cílios e caudas
Até encontrar a gota fluída
e voltar pro rio
e voltar pro mar
Pra chover de novo
Em qualquer lugar...

UMA GOTA DE HOMEM NA TERRA SECA OU QUANDO O TÍTULO É MAIOR QUE O RACIOCÍNIO POÉTICO


Semente
Se a mente...
Sê a mente
Ser mente.

O QUE NÃO VEJO


O tempo se condensa, do nunca pro sempre, vira brisa na janela e desce em gotas de oceano na área da casa. Os minutos crescem, viram horas, dias, vidas... O que percebo é que a fome da matéria não sacia... que a ânsia de arrumar o mundo não é nada além da ânsia de arrumar-se... que a nave vem de dentro, e também somos nave a rodar na infinitude imediata dos milésimos, intermináveis quanto a tudo, finitos na relatividade espacial...
Aquele pedacinho de papel com algumas letras a terra comeu, como come os corpos e pirâmides... Toda verdade que representava o feitio do que julgava ser se quebrou, como um espelho, e ensinou que meu nome segue sendo muito pouco... E as datas, que colocam fios brancos na pelugem, mostram que o conhecimento aprisiona e que a sabedoria liberta...
E tantas outras coisas vão surgindo... infindas... que a cada palavra que escrevo restringo o todo-resto; e o resto é o todo que não conceituo e, por isso, longo, como as ondas do silêncio.
Aprendi que tudo o que percebo sou, e todo fato é a vida se fazendo vista. E o que não vejo, não é o que inexiste... O que não vejo é exatamente aquilo que não me permite existir.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

260


Deus é 260.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

ARQUÉTIPO


Olha
Pensa
Pula
Anda
Lava
Sai
Volta
Liga
Senta
Deita
Dorme

Ele
Que julgava se conhecer
Não entendia o quanto
Faltava
À completude
De seu arquétipo.

OFÍCIO DE NOMEAÇÃO


O governador advertiu o secretário-geral pelo esquecimento do nome do funcionário no ofício de nomeação
O secretário-geral sacudiu as estruturas do gabinete do chefe departamental por ele ter enviado daquela forma o ofício de nomeação
O chefe departamental xingou o escrevente por ele não ter digitado o nome ARTUR AZEVEDO no ofício de nomeação
O escrevente ofendeu o estafeta por ele ter demorado tanto com o papel timbrado do ofício de nomeação
O estafeta esmurrou o preto dos serviços gerais que perdera a chave do armário do papel timbrado para o ofício de nomeação
O preto dos serviços gerais, sem ter a quem culpar, voltou pra casa carregando toda aquela diferença hierárquica na pequela mala de sua honra. Abrindo o portão, deu um pontapé no cusco que viera recebê-lo, como de costume, abanando o rabo. Diga-se de passagem que o cachorro preto não tinha nada a ver com o referido ofício de nomeação... Mas quando conseguiu alguns minutos de liberdade (falo do cusco, não do preto), correu sem rumo até chegar à avenida e, num instante mesclado pela opressão e medo, reagiu ante a proximidade do governador, mordendo-lhe a canela.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

MANCHETE


Deu de eleições, falemos de bola
Que lá de cima a vida é pouca
a onda, baixa
E te cobrem pensamentos
cabelos vermelhos...

Aonde dizes estar o eco
do espelho refletido
dentro ou fora do teu olho?

O que lês nesta manchete de segunda?

VOCÊ JÁ DEU A SUA FOLHAMACHADA HOJE?

www.folhamacho.wordpress.com

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

PEPE DIARONIORANDO

Pepe Ludo é um português mestre em ciência política. O Pepe veio pra Pelotas em 96, fugido de uma polaca grávida pela (e com a) qual cruzara em Lisboa. Aqui ele se naturalizou e vota, na 60ª do Laranjal, desde as eleições de 2000.
Esses dias a pesquisa da revista Vagabundaqui entrevistou ele sobre as intenções de voto para o segundo turno.

Vou votar no Diarone!
Mas seu Pepe... O Diarone já foi eleito pra vereador.
Mas eu vou votar no Diarone!
Mas seu Pepe... agora é só entre esses dois aqui óh... que são os candidatos a prefeito.
Eu quero o Diarone...
Seu Pepe... vou lhe explicar melhor... Se as eleições fossem hoje, hoje mesmo, hoje hojinho, o senhor votaria no Fetter ou no Marroni?
Hummm... ah tá... se fosse hoje?
Sim seu Pepe, hoje...
Hum... no Diarone.

MORAL: O voto é obrigatório, mas a burrice é livre.

LEVE SOM


A aristocracia quer poder... A pseudo-esquerda também... O juiz de Direito diz que o martelo é dele... Um vereador nepotista veio me cumprimentar, sorrindo pela reeleição, como se eu tivesse votado nele... ele e sua troupe também gosta de poder...
A faxineira que virou chefe e brigou com as outras adora poder... o antipático dono da lotérica troca todos os seus minutos por cheques, achando que depois trocará as cifras pelo tempo perdido... ele ama o poder.
Cada um pode querer o que quiser... Cada um pode poder o que puder... E enquanto medem o tamanho de sua ânsia, capino de pé no chão, escutando um leve som...

BARRIGA


A pior obesidade é ter a alma barriguda.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

NEM TUDO


Penso e penso que penso, mas na verdade sou pensado. Tudo o que imagino capto, de alguma forma, das informações inerentes ao tempo, ao éter, às bocas que rebeldes falam e aos ouvidos, que curiosos, pegam.
Sou eu e minhas circunstâncias... essa é velha, mas tá inteirinha ainda. E enquanto pairo à amálgama das informações latentes, vou sendo forjado cinicamente ao que creio ser, sem perceber que antes de ser, morrerei. Antes de pensar, o cenário já está montado. Assim como a descarga leva tudo (ou quase tudo) e a borracha apaga tudo (ou quase tudo), a conclusão apaga as teses no caminho da lógica ou da dialética, pois nem tudo o que acredito concluo...
(ou quase nem tudo...)

QUANTO VALE UM HOMEM?


Nunca fui representado por nenhuma máfia... Até porque se colocasse todas as siglas partidárias dentro de um panelão, tiraria merda e grana. Como ainda não preciso comer merda, como fazem os filhotes da máfia que se grudam nas tetas públicas, nem preciso manusear grana suja de interesses inóspitos, esta receita não me interessa.
Não gosto de prostituição e troca de influências nos subterfúgios politiqueiros... Não questiono o preço do homem, mas os seus valores. Sou quase um punkpolítico, embora não seja contra tudo ou contra nada. Apenas aprendi que as coisas que mais valem são pequenas e o mundo que realmente importa fica do meu portão pra dentro.

PAVLOVIANAS


Faltava o que lhe era conveniente... sobrava sujeira naquele copo d'água... Ele levantava vagarosamente seu cadáver dormido da cama quente, alguns instantes após ligar a tevê com as novas de ontem... às vezes escovava os dentes, na projeção diária de que encontraria alguém que lhe valesse o bafo, às vezes não. Vestia-se nas feias vestes, repletas de furos dos ácaros famintos, que comiam pele morta, como ele fazia em suas ceias e jantares. Calçava as botas úmidas da água constante de Pelotas, e sempre saía de guarda-chuvas, como forma de tatear seu medo... medo de tantas coisas que, antes de viver, calava.
Passava entre os mesmos marcos de sua metódica história... cumprimentava as mesmas pessoas... pairava sobre o ritmo hipnótico e certo de seus passos que, ao passar pelas mesmas esquinas, rastreava seu cheiro sôfrego de escravo da vida...
Às vezes bebia, no banho cantava... tomava os goles do café, que se frio indiferente ante à pressa rumo ao nada, e empinava o dedo mingo ao céu. Comia doces e salames junto, pois pra ele seu corpo não passava de uma "fábrica de bosta". Ignorava o silêncio, como se o barulho lhe tornasse pleno, e falava coisas sem interesse às garotas da rua. Contava as moedas do cofre aberto pela ânsia imediatista e revelava segredos antes de dormir às paredes que ouviam tudo...
E antes de pôr o resto das vestes na mala, naquela que seria sua última viagem, deu comida aos gatos.
Sua última síntese terrena deixara num caderno velho, carcomido pelo tempo. E sua derradeira e metafísica síntese, que abrigava do seu existencialismo depreciativo à sua concepção neocapitalista, ainda desconheço... É que do éter pouca conclusão me chega... e se chegasse, me obrigaria a olhar nos olhos de minha própria idiotice refletida.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

CARA OU COROA?


E quando as caravelas entupidas de sífilis e jesuítas chegaram, revelaram aos nativos que teriam, a partir de então, civilizada e ocidentalmente, e enfim, por fim, o grande contato com deus. Seriam gente, por assim dizer.
Hoje vejo o que restou dos índios escondidos sob lonas pretas em beira de estradas, penso no deus que os homens buscam...

SUPERADOBE


A permacultura é realmente um grande instrumento a ser potencializado. É inovadora, não só em termos de bioconstruções, mas também no desenvolvimento organizacional de ecovilas, outro termo muito moderno que vem sendo trabalhado ante o colapso do convívio social e da qualidade dos dias na metrópole. Claro que sustentabilidade, ecovila e permacultura são gotas no oceano do processo de ruptura e crises em que a sociedade contemporânea se encontra, sejam elas ambiental, social, política ou estrutural. Vejo também o calendário de 13 luas e 28 dias como a forma mais eficaz de fazer do agora arte, de perceber o deísmo das coisas, de perceber os cristais que cada um traz consigo, o outro eu... o eu em outros... Da justiça harmônica à organização participativa...
Mas assim como creio em tantas outras coisas, não farei aqui dessa postagem um amplo campo das coisas em que acredito, um festival de realidades, pois nem quero, nem tenho certeza do que sei, e posso também estar falando um monte de equívocos viciados em meu ponto de vista... Mas se não puder lidar com meu singelo e limitado ponto de vista não teria um blog, e sim um universo só pra mim, assim como o magnata burguês personificado que a igreja chama de deus.

***

Este tópico é sobre o superadobe, um método de construção revolucionador criado em estudos da Nasa por um iraniano chamado Nader Khalili e que objetivava edificações em solos lunares. A base dele, o superadobe, é o saco de tecido de polipropileno preenchido com subsolo, o que o torna, talvez, na maneira mais simples de construir com terra, pois não é necessário fazer qualquer teste com o material, não é preciso peneirar a terra, nem moldá-la e nem acrescentar palha. As paredes são erguidas muito rapidamente, mas é preciso ter uma equipe de pelo menos cinco pessoas.



O superadobe necessita de ferramentas simples para sua execução:
- um pedaço de cano que servirá como funil (tubo de PVC de 250 mm é o ideal)
- pedaços de sacos de polipropileno (servem também sacos de adubo),
- soquetes
- arame farpado (colocado entre as camadas)
- baldes
- marretas de borracha para aprumar as fiadas.

O rolo de polipropileno (bobina) tem aproximadamente 50 cm de largura. Ele é cortado em pedaços do comprimento da parede a ser construída, deixando-se uma pequena sobra em cada ponta para fazer o acabamento.
Este grande saco vai sendo preenchido com terra, com a ajuda de um cano que funciona como um funil. Assim vão sendo formadas as “fiadas” (camadas) que depois são - bem - socadas, cobertas por outra fiada e assim sucessivamente, até a parede ser completamente erguida.
As paredes devem ser isoladas do contato com o chão, para evitar problemas com umidade, utilizando o próprio superadobe, só que em lugar de terra, deve-se usar areia e cimento, na proporção 9/1, nas primeiras fiadas, até acima do nível do solo.

É muito importante que as fiadas sejam muito bem socadas. Quanto mais compactada, melhor será a sua parede. Sempre fique atento ao prumo!


As paredes de superadobe são estruturais, portanto dispensam a construção de pilares ou vigas, e permitem instalações elétricas e hidráulicas embutidas ou aparentes.
Após a remoção do saco, o recomendado é a utilização de um reboco natural, à base de cal hidráulica e terra.

PARA SABER MAIS:
http://www.ecocentro.org
http://www.ecocentro.org/bioconstruindo/superadobe.html
http://www.vimeo.com/1491473

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

ALMAR


O que quero pra mim é calmaria. Não quero que os ventos soprem meu cabelo ou as páginas do livro que leio silenciosamente numa tarde divinal. Quero ouvir os pássaros cantando enquanto acordo o beijo de meu filho... quero pessoas educadas, que freqüentem meu lar em amizade harmoniosa e pura. Quero poder andar descalço pela praia, tocar a água e beber de uma cascata... Quero poder chutar bola com a criança interior, numa perspectiva de que tudo anda, vagarosamente, sem precisar das horas. Imagino o sol do inverno brindando a pele e um fruto doce colorindo a boca, um olhar de anjo da mulher amada e um Quintana a deixar rastros de vida poética pra eu seguir...
Quero que a noite caia lentamente e a chuva bata na janela, como palmas pros meus sonhos. Quero regar as plantas do jardim e reparar nas aves que migram no caminho da tarde, desenhando formas entre nuvens brancas. Quero ouvir a música do Laranjal e ver cachorros brincando na singela alegria do não-desejo. E quero muito, muito mais... Mas o que quero é simples, e por sê-lo, parece tudo ilusão dentro da metrópole cinza. Parece que no ar que respiro e nutre a vida do meu corpo tem sujeira: a poeira dos outros. Parece que o que falam perturba, e não deveria, pois meus ouvidos (e olhos) são portas e só cabe a mim abri-las.
E me constranjo em saber que o mundo que perturba é a opção imediata que realizo e faço parte: sou a própria culpa que vejo nos outros, por não fazer o que de fato penso. Sou o próprio criminoso que procuro pelas ruas do meu dia...
Mas tudo bem... o ego cala e a tarde cai, da mesma forma, até o final dos tempos. O sol renasce numa rotação contínua do nosso planeta. Os anos passam enquanto giramos pelo cosmos. As Eras vão (precessionalmente) em direção ao nada, do nunca pro sempre... E, de carona, me calo a olhar pela janela.
Na verdade, a cada passo, passo. O tempo é curto para ser pequeno... é eterno para ser contínuo... e é exato pra ser questionado.

NÃO É SERTÃO DE ALAGOAS


Já falei mais de mil vezes que não gosto de politicagem. Aqui em Pelotas, como em boa parte do país, a febre é de se falar em eleição e eu não posso cair nessa. Mas hoje realmente fiquei de saco cheio, porque me senti mais uma vez ameaçado por um CC do atual prefeito. E eu tenho paciência, quem me conhece sabe... Então essa postagem serve apenas de aviso: da próxima vez que eu for intimado, falarei de todos os podres que a administração tem feito aqui, na autarquia em que trabalho. E isso não tem nada a ver com apoio a candidato A ou B: eu quero que os dois se ferrem. Mas quero algo além disso: quero ficar sossegado no meu canto, sem me sentir devedor dos meus direitos... sem me sentir oprimido ou serviçal de firma quebrada de jagunço... Da próxima vez que esses politiqueiros nojentos dirigirem a palavra a mim, redigirei uma postagem demolidora e uma carta detalhada à imprensa.
Porque não sou pelego nem pinico de cambada: fiz concurso, pago imposto e não careço de teta partidária pra viver.

domingo, 5 de outubro de 2008

MÁXIMA DA ELEIÇÃO

Vote bem, não importa em quem!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

P.nt. exat.

Um ponto exato
entre o conexo e o discreto,
uma carta de amor,
um grito de gol anima o mundo...
aquela tarde era tão quieta que ouvia-se os respirares da morte
[os passos das baratas entre os vãos

e eu, que catava entre um e outro cáqui
[despretensiosamente
vivia um tempo em que o agora inda não era assim, tão presente
e contava os passos na calçada

brincando de ir...
brincando de ir...

VOTE ROBALO


Últimos dias de campanha do candidato Robalo e ele passa na vila, de porta em porta, entregando santinho.

Com licença... eu sou o candidato Robalo! Eu poderia entregar um santinho?
É qui eu num sô u dono da casa... sô só o pintor só!
Ah...

Com licença... eu sou o candidato Robalo! Eu poderia entregar um santinho?
Infelizmente eu estou atrasado para buscar uma janela que prometi pra minha sogra. E eu sou muito honesto, sou um cara verdadeiro... prometi e vou cumprir. O pessoal aqui da vila já me conhece, sou o Romualdo, mais de 20 anos trabalhando em prol das crianças e dos velhisnhos, dos brancos e dos pretos, das mulheres e dos homens...
O senhor também tá fazendo campanha, seu Romualdo?
Não não... eu vendo bala. E me dá licença que tô atrasado.

Com licença... eu sou o candidato Robalo! Eu poderia entregar um santinho?
Vai te fudê!!!

Com licença... eu sou o candidato Robalo! Eu poderia entregar um santinho?
Ah sim... como não?
Assessor Pacheco... Os santinhos, fafavore!
E quais são os seus projetos, seu Robalo?
Hum... pra revelar os projetos aí é mais caro.
Ah tá...

terça-feira, 30 de setembro de 2008

MADE IN


A globalização é uma fábrica de solitários...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

REALEZA BRASILEIRA

Adorei a postagem do Alan Sieber, um artista muito legal, ótimo quadrinista que tem um senso crítico muito apurado e recomendo que leiam.

http://talktohimselfshow.zip.net/

Viajando no site dele, adorei uma postagem simples, mas profunda, e por isso ousei reproduzi-la aqui, homonimamente, para que ela ingenuamente não se perca.


São ou não são a cara desse nosso belo país de merda?

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

VERDADE MORTA


Liguei a TV e dei de cara com o padre Marcelo. Na frente de um grande crucifixo de madeira, ele segurava um rosário na mão e tinha uma cara de guri chorão.
Jesus, livra-me do stress.
Jesus, livra-me do stress.
Jesus, livra-me do stress.
Jesus, livra-me do stress.
Jesus, livra-me do stress.
Jesus, livra-me do stress.
Jesus, livra-me do stress.
Jesus, livra-me do stress.

Lenta e repetidamente, ele pulava as missangas do terço com a sua crença ritualística insossa.

Jesus, livra-me do stress.
Jesus, livra-me do stress.
Jesus, livra-me do stress.

Eu quebrei a TV.

Jesus, livra-me do stress.

TEORICAMENTE

BRECHT EM SATOLEP


Pensei no cinturão de fótons, pensei no câmbio climático, pensei no trilhão de formigas que perambulam vespertinamente pelos calçadões de Pelotas... Lembrei de Brecht...

O mundo está próximo de um tempo nefasto: os pobres temerão a fome e os ricos temerão os famintos.

ÁGUIAS

O sincronário maia é realmente incrível... Ele mostra várias coisas que julgamos coincidência e, ao relacionarmos à Lei do Tempo, vemos que coincidências não existem.
Resolvi escrever sobre Andre Breton e Arthur Rimbaud e descobri que ambos têm o mesmo kin: águia cósmica azul.


Kin 195
Águia Cósmica Azul

Persevero com o fim de criar
Transcendendo a mente
Selo a saída da visão
Com o tom cósmico da presença
Eu sou guiado pelo poder da autogeração.

SONHOLAIRE


Deus é o único ser que, para reinar, nem precisa existir.

Conheci Baudelaire num sonho. O nome me veio na cabeça e, dela, ao papel, na densa negritude daquela madrugada. O poeta do ópio... A chama do simbolismo poético...
Não é que eu muito o conheça, além de Flores do Mal e de seu kin, Guerreiro ressonante amarelo, nem que eu seja realmente parecido com ele, exceto pelo ópio e por não ver um deus-homem nos céus.

O ESTRANGEIRO

Diga, homem enigmático, de quem gosta mais? De seu pai, de sua mãe, de sua irmã ou de seu irmão?
Não tenho pai, nem mãe, nem irmã, nem irmão.
Amigos?
Você usa de palavras cujo sentido até aqui desconheço.
Pátria?
Ignoro a que latitude se situa.
Beleza?
Deusa e imortal, de bom grado a amaria.
O ouro?
Odeio-o como você odeia a Deus.
Mas que gosta então, estrangeiro extraordinário?
Das nuvens... as nuvens que passam... lá longe... lá longe... as maravilhosas nuvens!

PARA ARTHUR


E lá estava ele,
Com sua jovialidade espantosa,
Bebendo e dizendo diabos
Do mundo que via...
E entre o hálito balbuciando as chafurdas literatas
Beijos
E cores de letras...

BRETONICIES


A palavra Liberdade é tudo o que me exalta ainda. Julgo-a apta a manter indefinidamente vivo o velho fanatismo humano. Ela responde, sem dúvida, à minha única aspiração legítima. Entre tantos infortúnios que herdamos, temos de reconhecer que nos resta a máxima liberdade espiritual. Cabe-nos o dever de não fazer mau uso dela. Consentir que a imaginação seja posta a ferros, ainda que nisso estivesse em jogo aquilo a que se chama vulgarmente a felicidade, significaria furtarmo-nos a esse apelo de justiça suprema que se ergue do fundo de cada um de nós. Só a imaginação me pode tornar presente aquilo que pode vir a ser e é quanto basta para que se levante um pouco a terrível interdição; e é quanto basta, também, para que eu me abandone a ela sem receio de me equivocar (como se fosse possível um equívoco ainda maior). Onde começa a tornar-se negativa e onde se detém a segurança do espírito? A possibilidade de errar, para o espiríto, não estará na contingência do bem?

ESCRAVOCRATAS NEWS


Será que os capitães do mato, assim como a pobre oligarquia pseudorrica pelotense, também tinha vários sobrenomes?
Me pergunto porque, ao passar os olhos em uma coluna social de um jornal citadino, tive a impressão de estar lendo notícias escravocratas (pré 1888)...

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

GUTCA


O sangue que das veias foge
Mancha o mundo de genes
Revela ao ar os segredos helicoidais
Guardados no âmago do imo

O mesmo sangue,
O sangue de mãe,
O sangue dos filmes e das novelas,
O sangue do cuspe,
O sangue dos santos...
Em gotas, retém universos,
E declara morta uma cadeia de DNA

Este sangue derramado,
Que tatua a pele e colore os seres,
Alimenta a terra que o absorve
E leva os fenótipos
De volta ao centro do nada.

MAIOR PEQUENO


Ele mentia que tinha um cachorro que dormia tapado, que a mulherada adorava aquela tatuagem de presidiário que ele tinha no antebraço, que o pai dele saltava de pára-quedas e que a avó tinha perdido a vez pra Carmem Miranda...

***

Era seu pseudomundo
construído com tijolos de palavras,
mas palavras são vento de boca
e racham a cada psicopiscar...

***

E ele, que dizia ser amado, que se dizia importante para que "as coisas" acontecessem bem, que o sol rodava no seu eixo... ele, que poderia reter um míssil com um telefonema, tinha medo de dormir sozinho...

AA RGUMENTO


O Silveirinha estava embriagado quando caiu na blitz e o guarda viu, no chão do Chevette 84, duas dúzias de latas da Skol.
Documentos do veículo e habilitação, por gentileza!?
Sim... ic... aquió seu gualda...
O senhor poderia descer do carro, por favor!?
Ic sim... ic...
O senhor não tem vergonha na cara de dirigir neste estado?
Mas que mal tem, ic? Eu adoro o Rio Grande do Sul...
Digo neste estado de embriaguez...
Ah!!! Êpa, ic!!! Pode parar, seu gualda, ic!!! Isso aí é injustiça!
Como assim injustiça?
Ué seu gualda, ic! O senhor vai me multar ou vai me mijar? As duas coisas o senhor não vai fazer... Como pode, ic? Eu fiz um crime apenas e vou receber duas penas, ic? Ou o senhor me multa ou o senhor me mija, pode escolher, ic!

O guarda levou o Silveirinha até o canto escuro da rua e, junto com mais dois PMs, deu murros e pontapés no pobre diabo do Silveirinha.

MORAL DA HISTÓRIA: Não importa o argumento: importa a aparência do argumento.

FAZ-DE-CONTA NO ESPELHO


O Valenzuela ainda lembra os exatos dia e hora em que descobriu que era, realmente, narigudo.
O Estáquio ainda fala em winchester de seu computador.
A Cleci ainda não aprendeu outro corte de cabelo.
A profe Lídia ainda controla seus alunos pela chamada.
O Arlindo ainda faz bandeiraço apaixonado por seu candidato.
O Claudionei ainda usa celular-tijolo.
A Astrilde ainda pede gasosa na copa e pinta unha do pé.
A Carlota ainda chama sanguessuga de xamixunga.

E eu, espelho do mundo, que entre milhões me procuro, sou o que de fato lembro...

EU SOU NEGUINHO?


Alexandre, O Grande, voltava de uma batalha no Oriente, a caminho da Índia, e encontrou Diógenes de Sínope, filósofo sufi e maior representante do Cinismo, deitado, nu, na beira de um rio. Alexandre, que tinha as armaduras mais caras e refinadas do Império, ficou chocado em ver aquela figura, nua, deitada, a esmo e feliz, na beira de um rio e foi, com Diógenes, ter, perguntando o que, por ele, poderia fazer.
Alexandre, que parado em pé fazia sombra ao velho sufi, ouviu: "Não me tires o que não me podes dar".

***

Depois, Alexandre o pediu como podia ficar ali, deitado, sem fazer absolutamente nada. Diógenes, contemplando a bela paisagem, convidou Alexandre a se desnudar e deitar ali, pois a margem era grande o bastante aos dois. O como, segundo Diógenes, era a forma que a mente encontrava para evitar a ação de fato.
Alexandre respondeu-lhe que não tinha tempo para deitar à margem... que ainda tinha muitas guerras para conquistar o mundo. Foi então que Diógenes falou que não precisava conquistar o mundo para desfrutá-lo, e O Grande ficou triste, pois entendeu que não havia, realmente, mais nenhum mundo além daquele a ser conquistado...

***

Se eu não fosse Alexandre, quereria ser Diógenes.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

XESTER E O JUIZ DE DIREITO


O Xester tentou dominar o mundo durante 20 anos antes de aprender a tocar flauta. Eu não sei se dominar o mundo e tocar flautas tem algo em conexo, mas com o Xester foi assim.
O Xester, que não é parente da Xuxa, nem conhecido, certamente, tinha um fiel escudeiro... um assessor, por assim dizer. O nome dele era Juca. O Juca fazia anotações importantes no caderninho espiral, como o telefone do velho Bush e do Gorbatchev, o endereço da Rita Zero-hora e o bina (naquele tempo o bina era um sucesso) da Cleci, que cortava o cabelo dos dois na caverna onde se escondiam. Mas o que eu realmente tenho pra contar do Xester é que numa audiência civil, movida pelo Departamento Jurídico da falida Hermes Macedo e que cobrava as prestações faltantes da TV 14" que o Xester tinha comprado do sistema, ele virou pro Juca, que estava sentado ao lado de seu advogado (lê-se defensor público), e disse, coçando a vasta barba:
Juca... quem é aquele crápula de capa preta?
Ele é um juiz de direito, mestre.
E o que ele faz Juca?
Ele é um dos patamares mais respeitados do sistema, mestre.
Então você anota no caderninho aí, Juca, pra eu não esquecer de, quando eu dominar o mundo, acabar com ele.

O Juca, anotando, questionou.
Acabar com ele quem mestre? O mundo ou o juiz?
Hum... Vou pensar...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

HORA-EXTRA

Girei e caí
Como um pião
No exato aqui
[que não é ali nem ali, é aqui

Onde o sempre quase nunca é sempre
Onde o nunca é quase nunca o nunca
E o certo, estigmático e preciso,
Virou C de prova cartesiana

Qual a ciência que vou estudar?
Em que quero me aperfeiçoar?
Ora bolas...
O mundo me comendo e eu querendo ser phD...

Nem sei o que sei
E o que me oferecem é engodo
E o que mostram, ilusão

Fazendo hora pra morrer...

sábado, 20 de setembro de 2008

BALELOCRACIA


Acho, ultimamente, que a democracia é uma balela. Ainda mais em época de eleição, pois me aparece cada figura se dizendo a solução pros meus problemas... E a politicagem, como se apresenta em todos os níveis da federação, não resolve mais nada, pois o vício está na origem, ou seja, na essência humana.
Uma organização comunitária que centralize seus poderes em um governo central está fadada ao fracasso, pois este governo, recheado de pessoas despreparadas (nos três poderes, obviamente), nunca chega em todos os lugares. Assim, tomando o exemplo de Pelotas, por exemplo, a prefeitura não chega na periferia. A saúde não chega na periferia. Os empregos e as vagas na universidade não chegam na periferia...
Quando 51 pessoas decidem por 49, ou quaisquer que sejam as proporções (70 por 30, 80 por 20 etc), há aí um lapso político, qual seja o da supressão da minoria. Suprimir a minoria é causar turbulência, é alimentar a insatisfação e a revolta, é nutrir o monstro das diferenças sociais e políticas. E aí nos dizem, maquiavelicamente, que a democracia se resume no direito ao voto... Balela!
E qual, então, a solução para a sistemática?
Eu creio que seja a decisão por consenso, que é um passo anterior ao da decisão por telepatia. Contudo, como decidir por consenso numa cidade com 400 mil habitantes? Aí eu respondo: impossível! Não há decisão por consenso em grupos grandes, e é por isso que acredito na ramificação das comunidades em ecoaldeias e em pequenos agrupamentos sustentáveis, que formulem o seu regramento, a sua sistemática nutricional, educacional e de convívio.
Papo pra bar... ou pra sombra de um abacateiro numa ecovila.

MUNDERRETE


Parei de pensar o que vai acontecer com o mundo em termos de aquecimento global. Creio que a humanidade, como coletividade, já fez a sua escolha, que não é muito diferente à escolha dos atlantes, dos maldekianos e de outras civilizações antigas.
Temas recentes e modernos como a permacultura, ecoaldeias e sustentabilidade (este último surgido na Eco Rio 92) admitem propostas (viáveis) de uma transformação de métodos, contudo, penso que os paradigmas é que devem ser quebrados... O tempo é dinheiro por tempo é arte; a ganância pela amorosidade; a competitividade pela harmonia fraternal; o consumismo e o carnivorismo pela produção e consumo de alimentos orgânicos... E por aí afora tantos outros, todos radiando a principal descoberta, que é pano de fundo de todas as mudanças supracitadas, que é o uso do calendário de 13 luas e 28 dias.
Sei que tudo isto parece, aos olhos comuns, muito utópico e pouco prático. Sei que o mais fácil é não pensar nisto tudo e ligarmos em mais um programa do Faustão... E é exatamente por isso que retomo o pensamento de que a humanidade já fez a sua escolha e, por isso, neste amanhecer galático, haverá as piores catástrofes de todas as Eras. E em breve!

***

Não quero ser catastrófico
Não quero ser nostradâmico
Não quero ser prenostálgico
Não quero ser coca-cólico
Não quero ser evangélico
Mas se tiver que ser dos últimos humanos
Sobre um dos últimos pedaços de madeira flutuantes
Não se aproxime: não serei piedoso.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

DA HORA


Ele era um legítimo pau d'água!

GATINHO DE RUA


O Waldomiro era o capeta com a bola no pé... Sem ela também... E talvez seja por isso que seu talento futebolístico nunca fora descoberto por nenhuma grande máfia do soccer: ele adorava cachaça, mulher e jogatina.
Mas no domingo, dia de pelada no campinho do viaduto, era sagrado: podia estar chovendo... podia haver ressaca... nada impedia o Waldomiro de correr com a 7 do Rapidão Cometa (que não era o nome do time, já que nome o time não tinha... Era o time do Waldomiro, digamos assim. Rapidão Cometa era o patrocínio da transportadora que estava estampado nas costas dos atletas do alvi-rubro bairrense).
Mas num domingo fatídico o Waldomiro inventou de brilhar pra cima do Moto-serra. O Moto-serra, diga-se de passagem, era um zagueirão deste tamanho que corria também pelos domingos do viaduto, só que no time adversário do Waldomiro. E naquele, bem naquele domingo, o Waldomiro estava endiabrado. Dois balõezinhos, janelinha, duas meia-luas e um monte de saracoteada pra cima do Moto-serra só podia dar nisso.
Na TV o Moto-serra chorou... falou que perdeu o emprego... falou da mulher que o traíra... falou da mãe doente... Mas não adiantou nadica: a galera, na maior parte torcedora do Rapidão Cometa, louca da vida com o Moto-serra, nunca entendeu os reais motivos dos três tiros que ele deu no Waldomiro...

Futebol é futebol, e vice-versa.

E O CARA?


E o cara que achava que a hermenêutica era a capital da Poláquia e que a lógica era um espaço pequeno onde se vendia coisas?
E o cara que achava que velho tinha que nascer morto?
E o cara que achava que Duro de Matar era um filme erótico estrelado pelo Maurício Mattar?
E o cara que jurava que tinha dois estômagos?
E o cara que dizia que tinha a cabeça aberta?
E o cara que pensava que era o Paul que tinha morrido?
E o cara que achava que lavagem cerebral era uma comida pra porco feita de cabeça de macaco?
E o cara que tinha duas chaves: uma pra perder, outra pra achar?

ABORDAGENTIL


Com licença!?
Pois não!?
Meu nome é soldado Junqueira, tudo bem com os senhores?
Ahã!
Tudo... comigo tudo...
É que eu estou no meio de uma abordagem... não que eu desconfie alguma coisa de vocês... nunca! Não me entendam mal... É que é meu trabalho...
Sim... e daí?
Daí que até fico constrangido em abordar vocês assim... no meio da cervejinha...
Pois é...
Nada não seu guarda... fale!
Não... é que eu gostaria que vocês dois ficassem ali na parede pra eu poder revistá-los, se me permitem, claro...
Bom... por mim tudo bem... Que tu acha Mattos?
Ué?? Por mim tá beleza... Qual parede seu guarda?
A que vocês acharem melhor... pode ser aquela ali, pode?

***

O senhor poderia abrir um pouquinho mais a perna, por gentileza?
Claro seu guarda.
E se não for pedir demais, o senhor faria a gentileza de me mostrar seu RG, por favor. O seu também, se não for incômodo...
De maneira nenhuma é incômodo, seu guarda... Aqui está...
E aqui está o meu, seu guarda...
Hum... sim... Mattos... o senhor não é parente do Alexandre?
Não não... não que eu saiba...
Hum... Infelizmente eu vou ter que revistar seu bolso, senhor Mattos. Mil perdões... É que é o meu serviço... Eu fico até vermelho, olha só. Se isso lhe causar algum constrangimento, aí eu não faço... Na verdade eu vou ter que revistar vocês dois...
Constrangimento algum... fique à vontade seu guarda.
Pode ser senhor Eduardo?
Hum... eu não sei como lhe dizer, seu guarda... mas eu tenho um baseado no bolso... Não é nada demais, é só um baseadinho...
Um baseado? Deixe-me ver... Hum... Mas o senhor não é traficante, não é mesmo?
Não não... juro pela minha mãezinha no céu... nunca fui... Deus me livre!!!
Hum... mas não pode, seu Eduardo... Como eu vou lhe dizer??? Tem uma lei que não permite...
Pois é... eu sei... é que...
Ah seu Eduardo!!! Tzz... Venha aqui, por favor... Quero ter um particular convosco...
Sim???
É que... seu Eduardo... Eu não sei como lhe dizer isto... veja bem... Não é nada pessoal... Eu nem quero lhe ver triste... É que... infelizmente... Eu vou ter que levá-lo preso.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O MEU MUNDO...


Era um apartamento...

RAJNEESH 743


E se mais e mais pessoas se tornarem 'desistentes', o mundo poderá ser salvo. Essa será a verdadeira revolução, não política. Ela será espiritual. Se mais e mais pessoas abandonarem as velhas mentes e seus caminhos, se mais e mais pessoas se tornarem mais amorosas, se mais e mais pessoas forem não-ambiciosas, se mais e mais pessoas forem não-gananciosas, se mais e mais pessoas não estiverem mais interessadas em poder político, em prestígio, em respeitabilidade...

HEI KAMBÔÔÔ


Ela dizia que já tivera todas as doenças, menos hipocondria. E era tão assim que conseguia adoecer todo dia, e de males diferentes. Tanto é que a família já dizia: o dia que ela disser que está bem é porque está doente.

***

E a alopata que disse não ter um diagnóstico pro meu problema, mas me receitou um monte de droga cara? E ainda me pediu: Tens problema de estômago, porque essa droga é forte...
Meu deus... Não sei se o pior é ela, com este conhecimento antiqüado e mafioso, que em vez de cura busca enriquecimento, ou eu, que por chacoalho alheio fui parar lá no consultório dela.

***

Me curei, antes que alguém pergunte, com sangue de dragão e argila medicinal do Nestinho. Na verdade, tonteei a enfermidade. Depois, usei do kambô pra liquidar a fatura...
Tudo fitoterapia amazônica, com exceção do kambô, que mesmo sendo amazônico, é um dos únicos (que eu conheça) remédios oriundos do reino animal.

***

Na verdade, todo processo de cura (e de doença) começa pela cabeça.

DO BANGU À RUA 3


Este time aí da foto é o Bangu Atlético Clube, popular e carinhosamente conhecido como Bangu. A foto faz referência ao título de Campeão Carioca de 1966. Da esquerda para direita, em pé, estão Mário Tito, Ubirajara, Luiz Alberto, Ari Clemente, Fidélis e Jaime. Os agachados são Paulo Borges, Cabralzinho, Ladeira, Ocimar e Aladim.
No banco daquele memorável time estava um atacante chamado Ênio da Rocha Chaves, o Ênio. O Ênio, embora reserva, marcara 4 gols naquele campeonato, contra Madureira, São Cristóvão, Olaria e Campo Grande. Balançou, inclusive, duas vezes, as redes do Maraca. Graaaaande Ênio!
Você deve estar se perguntando: Sim, e daí? O que tem a ver o Bangu, o Ênio e o Carioca de 66 com o Duda? Na verdade, até hoje de manhã, nada. Só que hoje, neste belo dia de fins de inverno, o Ênio, agora técnico-eletricista, arrumou o disjuntor lá de casa e evitou que eu tomasse um banho gelado de chuveiro.
Graaaaande Ênio!!!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

CENTRO DO MUNDO


Ele dobrou a esquina e o ambulante já o abordara, vendendo cinto. Vendendo rede. Vendendo carteiras de couro para pôr dinheiro e cartões de crédito. Vendendo seu tempo...
Ele disse não e seguiu, até atravessar a rua. Entrou numa banca, comprou um jornal pra ver se o mundo ainda não havia terminado... Ah sim, passou pelas esportivas... na verdade, começou por elas... lia sempre de trás pra frente... Mas leu-o somente no bar, sentado, onde se questionara, depois de ver as notícias do Iraque, se não era ele, ele mesmo, o mesmo que ali, sentado, tomava uma cerveja preta de uma fábrica de Estrela, se não era ele o centro do mundo...

MUNDO DE BOLSO

Enquanto na tevê passava a programação especial de aniversário da emissora, que de especial não tinha nada, eu via pelas grandes janelas do café as pessoas que passavam... Seria eu o observador ou o manequim da vitrina? Mas cada pessoa lá fora poderia também ser um peixe, nadando, cada um, única e individualmente, no rio de sua biografia... Cada um com sua diverisdade de idéias e objetivos, de caras e almas... cada um representando um caco do espelho de deus, que, quebrado na tecnosfera, já não pertence a ninguém.
Decidi ali, numa fagulha do momento exato, deixar de salvar o mundo. Vou agora tentar salvar o meu mundo, que é muito fácil de pôr no bolso.

sábado, 13 de setembro de 2008

A AMANTE DO TARUMÃ


E tem o caso do português, que neste fato específico não é vítima de piada maldosa da fria vingança tupiniquim, se não um mero marujo explorador de mogno e pau-Brasil que em uma caravela lusitana fazia a ponte entre o seu sonho de fortuna no Novo Mundo e as tetas da Maria, em Braga. É que numa dessas visitas às novas terras do império, o referido português, cujo nome, se não me engano, era Manoel, como seu pai e seu avô também o foram, trouxe consigo um espelho redondo, desses que hoje se vê nos porta-coisas femininos, e olha que aquilo era só pelos idos de 1530, e o ofereceu à índia Iaúna em troca de seu sexo, já que ele, Manoel, não tinha, como a maioria de seus colegas, coragem para usar do estupro.
De Iaúna, o espelho caiu no riacho e, depois de meses perdido, foi encontrado por Tarumã, que naquela manhã procurava pelas piabas do rio de modo a cumprir sua missão de macho e alimentar sua prole, que já contava com quatro curumins e um por vir no ventre de Iracema, que por ora roncava de faminto. E Tarumã olhou o espelho. E se encantou. Achava ter descoberto uma pedra mágica, pois via ali refletida a cara do seu velho pai, o pajé Aririi. Na verdade, como ele, Tarumã, nunca havia se olhado antes num espelho, cria estar diante de uma imagem metafísica, uma porta ao além. Decidira, então, de pronto mostrar a tal pedra mágica pra sua Iracema, que conhecera seu pai Aririi e, certamente, se encantaria com tamanha magia.
Mas ao chegar na oca, que parecia com um ninho de joão-de-barro coberto por capim-manso, Tarumã não encontrou Iracema nem curumim algum... decerto haviam ido se banhar ou comer algumas amoras silvestres que nasciam perto da cachoeira, ou fazer algum cocar numa sobra de umbú. Ele, Tarumã, largou o espelho numa cumbuca e voltou à lida, já que tinha...
Iracema chegou em casa e viu, dentro da cumbuca, o espelho que Tarumã trouxera depois de encontrá-lo no rio em que o perdeu Iaúna que o tinha ganho de Manoel, o português com cara de cigano (isto eu não tinha dito: Manoel tinha cara de cigano sim, proveniente da genética do mundo, que circula independente das fronteiras). E Iracema, ao olhar-se refletida na pedra mágica, teve, naquele exato instante, a certeza de que comprovara, de forma inequívoca, a traição a que era submetida por Tarumã.
Tarumã tem amante!!! Pensara Iracema, não nestas mesmas palavras, nem neste mesmo idioma, por certo. Mas a essência do raciocínio foi justamente esta: Tarumã tem amante! E correu, claro, pra mostrar para sua sogra, a índia Jacutinga, que era uma praga com bigode e sempre, sempre defendia o infiel do Tarumã.
Aqui tá vendo Jacutinga? Eu sempre razão!!! Tarumã tem amante sim! Aqui prova concreta... Tarumã trai Iracema com safada aqui ó!!!
Jacutinga, que por causa da miopia (que nem desconfiava ter), pegou o espelho para ver a tal amante de Tarumã mais de perto. Qual foi sua surpresa em se ver diante do espelho (algo também novo para ela, e creio que para toda aquelatribo, com exceção de Iaúna para cá, dentro do que relatei, é óbvio), qual foi sua surpresa ao ver, de fato, que Tarumã tinha uma amante. Mas não deixou, como de costume das sogras indígenas, de tecer seu comentário:
Mas que trubufú!!!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

ALABAMA

Dia 14 de outubro, Tormenta harmônica azul, kali 25 da lua elétrica, olharemos para o céu...

REAL SOCIAL


Bretch disse uma vez que o mundo só estaria livre da podridão quando o último burguês morresse enforcado nas tripas do último padre. Acho a frase muito forte, repleta de palavras feias, como burguês e padre, e por isso proponho uma readequação ao tema, muito mais ampla e contemporânea:
A feiúra que vês é a feiúra que tens. Livre-se dela e limparás o mundo.

E AGORA?


Fiquei pensando acerca da vanguarda... Não há possibilidade de uma neovanguarda cultural ou tecnológica, pois todo processo (inclusive o acelerador de hádrons e a projeção holográfica) é o resultado de uma novidade preexistente, ou seja, é apenas mais um degrau conseqüente do anterior no plano da mesmice científica que parece nova, mas não é. A nova escadaria da vanguarda, que representa uma troca de paradigmas, é consciencial e chama-se LEI DO TEMPO!

***

O fato é que o tempo (kin) precede o gen, ou seja, o tempo preexiste a tudo e dele todas as coisas derivam. E esta quadridimensionalidade do tempo, que é infinitamente imediato, expõe seu caráter absoluto, em detrimento ao espaço, que é relativo. Claro, pois se uma bituca de cigarro apodrece, a galáxia também, pois, segundo meu amigo Mago Galático, o espaço é a sombra do tempo no seu perambular pelas praias da consciência. Isto até parece confuso, por isso exemplificarei.
O tempo é o eterno agora, pois o único momento que realmente existe é o imediato agora. Ontem foi agora, agora é agora e amanhã também será agora. O futuro é uma projeção hipotética, baseada em medos e num processo mental cartesiano que, a cada dia, fica mais ultrapassado. E o passado é um resquício memorativo alimentado por ligações físico-químico-biológicas, onde é impossível auferir quaisquer ações, exceto a culpa e a saudade, instrumentos usados como referência por um ego que precisa de respostas imediatas sobre quem somos nós. E é por isso que todo dia nós voltamos aos mesmos lugares e fazemos as mesmas coisas, porque se não o ego se perde...
Então resta a grande pergunta: O que você faz do seu agora? Você troca o seu agora por uma grana que nunca comprará seu tempo de volta, que não resulta em nenhum caminho realmente alternativo aos colapsos geológicos, sociais e políticos e que objetiva apenas o seu empoderamento pessoal, trancando o fluxo da matéria e construindo, junto ao sistema, mais uma gama de miseráveis, mais uma gama de guerras por fronteiras, mais uma gama de sexo e drogas para tapar os buracos da mente...
Este tema realmente é muito amplo para ser tratado num tópico de blog... eu até diria que nunca mais falarei sobre isto de tão vasto que é o assunto, só que o nunca mais não existe... ao menos não agora. Então resumirei tudo em uma fórmula matemática:
T(tempo) = arte