sábado, 9 de abril de 2011

BENJAMIN ABRAHÃO E O PIOR EMPREGO DE UM HOMEM


Eu vi na tevê um especial sobre as profissões mais perigosas do mundo. Nele, a cereja no bolo era a função de pescador de lagostas nas gélidas e nórdicas águas da Groelândia, onde o sujeito encara os mais bravos mares do planeta quebrando gelo no convés, tirando cestos de pesca do fundo do mar em plena madrugada escura e mantendo a proa organizada enquanto sua vida se equilibra sobre uma linha de fio dental.
Tudo muito tranquilo...

***

Mas aí eu percebi que várias profissões não foram sequer citadas em tal pesquisa. Sim... pois eu conheço vários empregos na minha cidade que fariam um pescador de lagosta achar a sua vida um saco de monotonia e sossego.
Eu sei da prostituta que trepa por um vale-transporte; sei do PM que ganha R$ 365 e um revólver 38 enguiçado pra salvar Pelotas do crime; sei do músico que ficou surdo e seguiu tocando na noite; sei do cara que foi contratado pra cuidar do chato do tio Tinoco; da telefonista da salinha de 1m² que pega às 8h e larga às 18h... enfim, empregos formais que fazem com que pescar lagosta vire diversão de playboy.

***

O chato não é o trabalho: o chato é ter que trabalhar.

***

E o cara me disse: "O pior não é o emprego não seu Duda! Muiiiito pior é o salário!"

***

Mas eu acho, definitivamente, que um emprego maluco era o do Benjamin Abrahão, o fotógrafo oficial do Lampião. Isso sim é que era trabalho pra um cabra-da-peste! Onde o bando do Virgulino e Maria Bonita passavam, lá estava o Benjamin, com sua máquina a postos para a vaidade cangaceira.
Lampião era meio cego do olho direito, mas o que ele não via nunca passava desapercebido pelas lentes do Benjamin. Eu até imagino as cenas:
Benjamin... correqui modi fotografá ax buxada dexte cabra fio dilma égua.
Ô Benjamin... bate uma chapa modieu e Maria Bunita sivê dixpoix a nossa beleza ômi...
E assim foi, durante anos, o Benjamin, desarmado, atrás do bando... comendo poeira, se raspando em cactos, passando sede, dormindo na areia, fugindo de um mundo, batalhando contra outro... sendo uma mescla de artista e criminoso... fazendo de seu gatilho as lentes e de seu histórico um registro imagético nacional.

***

E no dia em que o bando teve suas cabeças cortadas, as últimas palavras de Benjamin foram:
Eu sou apenas o fotógrafo!
Tarde demais para que entendesse o difícil trabalho que ele havia escolhido...
E sua cabeça foi parar numa bandeja, como uma lagosta da Groelândia...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O POETA DO ABSURDO


“Pra dar nesse nego véio tem que ter foigo de 7 gatos.”

"Eu me chamo Zé Limeira
Da Paraíba falada,
Cantando nas Escritura,
Saudando o pai da coalhada,
A lua branca alumia,
Jesus, José e Maria,
Três anjos na farinhada."

"Uma véia gurizada
Pra mim já é fim de rama,
Um véio Reis da Bahia
Casou-se em riba da cama,
Eu só digo pru dizê,
Traga o Padre pra benzê
O suvaco da madama."

"Jesus foi home de fama
Dentro de Cafarnaum,
Feliz da mesa que tem
Costela de gaiamum,
No sertão do cariri
Vi um casal de siri
Sem comprimisso nenhum."

Zé Limeira, o poeta do absurdo, era completamente desletrado, nuncas tendo escrito um verso sequer. Compilava palavras conhecidas com talento descomunal, uma genialidade ímpar. Um gênio analfabeto...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

POEMA ESPIRALADO

SIGNIFICANTE E SIGNIFICADO


Deus, que será de ti quando eu morrer?
Eu sou teu cântaro (e se me romper?)
A tua água (e se me corromper?)
Sou teu agasalho, teu afazer.
Vai comigo o significado teu.


Vladimir Mayakóvisky

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O POLIGLOTA E O GUINESS


Li na net que o professor Ziad Fazah, 57 anos, está no Guiness Book por ser o maior poliglota vivo da Terra. Segundo o levantamento, ele domina nada menos que 58 línguas.

***

Minha sogra só com uma língua já faz um baita estrago.

***

O fato é que o cara foi o único a conseguir se comunicar com um afegão detido no Rio e aí ficou famoso por suas habilidades idiomáticas. Dizem (as más línguas) que ele fala inglês, francês, árabe, hindi, libras, dólares, espanhol, português, baianês, cearês gauchílico, entre outros.

***

Eu quero ver ele conseguir entender com o Fonfom da elétrica.

***

E eu me peguei pensando se há alguma possibilidade ou maneira de eu entrar no Guiness também. Mas a cada dia que passa eu vejo mais remota esta possibilidade. Nunca bati um recorde que fosse... Ah... eis aí a possibilidade: eu entro no Guiness por ser o cara que menos recordes bateu na vida.

***

O cara mandou eu tomar no rabo em francês e eu disse obrigado.
É que em francês tudo fica mais bonito.
Oui oui.

domingo, 3 de abril de 2011

A CASA


A casa não passou por lugar algum
Brotou aqui, calçada na pedra
Olhando o azul preciso
Do céu indeciso
[que gira

A casa enraizou-se
Marcou sombra, fez fotografias
E foi casando, enquanto ia,
A casa e o caso
Os acasos casuísticos

Mas a casa perdeu as paredes
Caiu teto, perdeu cor
Tudo ruiu, foi a dor
Ver a casa assim velhinha
Ver a casa assim tão só...
Toda parede é sozinha...

[vazia, uma casa morre.

quarta-feira, 23 de março de 2011

PÉTALAS AO VENTO E FLOR


Numa branca folha
Uma breve história
Cheia de palavras, vestidas de letras
Vindas pela trilha azul de uma caneta
Contando um pouco de verdade em cada verso
Que resta imerso num caderno de ilusões

Pequena história
Teu final é sempre agora
E teus heróis se quedam tolos pelo chão

Talvez tua narres o que eu mesmo desconheço
A cada fim, um recomeço
Pétalas ao vento e flor.

terça-feira, 22 de março de 2011

ENTRE A VIDA E A MORTE


A morte é uma coisa tão intensa que depois dela eu não vou fazer mais nada. Vou ficar deitadão no éter, observando as formas das nuvens, ao contrário do Vicente, eu já falei pra ele, que ele vai ficar vendo as formas nas brasas do cramunhão.
Mas o fato é que eu não tenho medo de morrer: eu só tenho medo é de deixar de viver. Isso é realmente uma pena, eu deixar de viver, porque a vida é uma delícia. Mas tudo bem: na real eu não conheço outra coisa que não seja ela, a vida. E se conheço, não me lembro.

***

A morte é pior que o voto, que só é obrigatório a partir dos 16.

***

A morte é de matar.

***

Há muito que morrer deixou de ser coisa de velho. A uma delas, a morte e a velhice, estamos todos condenados. Mas aí a Kelly me perguntou as coisas que eu faria, realizaria ou gostaria de realizar antes da morte sentar na minha mesa. E eu, que a cada dia me conheço menos, diria que muitas coisas fortes aconteceram na minha vida e eu nem questiono os sês que as cercam. Nada acontece por acaso e tudo tem que seguir a linha do presente, a onda do agora, sem questionamentos das coisas que seriam. E então eu não mudaria nada, pois nada existe mais além do momento exato em que respiro.
Eu vi meu pai morrer e vi meus dois filhos nascerem. Já morei no mato. Já tomei banho de rio no alto inverno. Conheci mendigos e personalidades, plantas e pessoas. Já briguei com um cachorro pit bull. Já tomei sorvete de pistache e comi geléia de pimenta. Agora, Kelly, a coisa que eu mais quero é morrer sem desejos.

***

Toda liberdade é mental.

quinta-feira, 17 de março de 2011

AUTOSSÍMIO


Lembrei de um fotografia.
Meu pai e minha mãe, de mãos dadas, na cascata do Itiquira.
A foto existe, ao contrário de meu pai.
Digo, nesta dimensão.
[a dimensão dos disfarces.

Mas no meu sonho, tudo continua.
Parece ontem, parece amanhã.
Minha mãe irá.
Depois eu, depois meus filhos.
[a fotografia ficará um pouco mais

Então eu tive a sensação de que ainda era criança.
E era então o pai de um outro filho.
Não só o filho de outro alguém.
E joguei bola pela grama.
Enquanto a vida terminava.
Sempre terminando, desde que nasci.
E terminando rápido.
E eu jogando.
E fiz um gol.
E a vida terminando...
Ganhei abraço.
E um sorriso.
Do pai, da mãe.
E a eternidade, disfarçada de genética.
Vem dos símios até mim.
E continua vindo.
Como um trem sem fim.
[um trenzão sem fim.

IMPERMANÊNCIA


A suíte em que eu costumo ficar no sonho está fechada pra reformas.
[ou deve estar

Faz um mês que eu não a visito.
Desde o último capítulo.
Mas o fato, e bom fato, é que ela me conduziu a um preceito fantástico.
A impermanência.
Pois nasci condenado à tridimensionalidade, à matéria.
Ao corpo.
Ao mundo.
[ao mundo que cerca o mundo.

E o mundo tem uma mania alucinante de mudar a toda hora.
Tão contagiante que atinge até mesmo as ideias mais restritas.
Residentes uma dimensão acima.
[escondidas no fundo das entranhas duma dimensão acima

Contaminadas pela mania de mudança, as certezas também mudam a cada piscada.
E se tudo muda, e eu também quero poder mudar.
Aqui fora.
Nesta vida.
Do início ao fim.
Da mentira à não-mentira.
[e voltando à mentira-não-mentira

Na frequência lunática de conclusões obsoletas.
Que se sobrepõem como os agoras.
Porque a certeza é como um barco acorrentado à corredeira.
E eu não quero, a partir deste momento.
Ter razão alguma, moldura, apelido ou telefone fixos.

Por isso eu peço que mesmo que eu jure
[de pé juntos

Jamais acredite no que eu digo.

O OBJETO SIM


O Objeto, diferente de tudo, condensando todas as formas geométricas na própria figura e, aos tenros e jovens olhos da multidão, ele não tinha nenhuma explicação...
O Objeto mais estranho de todo mundo
[deste e doutros mundos

Sem cor definida
E que a distância relativa do observador se tornava um elemento de inconstância em sua, nossa percepção.
De cada grau, uma visão...

Absoluta e constantemente variável, o Objeto era o grande enigma de todas as culturas, todas civilizações.
E o Objeto, nunca, em toda história da humanidade, fora decifrado.
Nem por fora, nem por dentro.
Por nenhuma religião.
E posto em funcionamento, ficava ainda mais estranho.
Qual a sua utilidade?
Qual que é sua função?

Todos os mestres e sábios o manuseavam, o Objeto, e tão pequenas eram suas conclusões.
Porque o Objeto mudava a toda hora.
E eram tão fugazes todas as informações...
Suas variedades eram tão mutáveis que todo conceito acerca dele, do Objeto, já, no próximo momento, era ultrapassado, ineficaz, prescrito - sem valia.

Então o cara.
Parecia um sufi, talvez o próprio Rajeneesh.
Levantou-se com o Objeto na mão e perguntou se era laranja.
Eu disse: Não.
E a minha resposta fora tão incompleta quanto toda biblioteca.
Toda Bíblia e Alcorão.
E ao mesmo tempo, se fez verdade absoluta.
Posto que era uma visão.
E o contraluz alaranjou o Objeto.
E Rajeneesh me sorriu.
Disse que eu não estava certo nem errado.
Apenas estava...
E eu entendi que somente nada é repleto de razão.

O Objeto se chamava vida.
Uma certeza atrevida.
[ou também não!

ETHIOJAZZ


Aquele timbre agudo do saxofone já não estava mais apenas em minha mente, já atravessara camadas geologicamente definidas, zanzava no universo, no silêncio do vazio, como uma molécula que, na simples e discreta atuação de uma molécula, subexiste às bombas e teorias, aos governos e contratos, aos sonhos e aos desejos...
[do nunca pro sempre

E foi então que eu vi que o mundo precisa muito menos de mim do que eu dele.
E a minha verdade é a somente a forma de eu me prender neste planeta.
E de eu não ficar a esmo.
Como uma molécula.
Como algo que fica, vaga e depois some.
[vago som...

ESCADARIAS BRANCAS


Sonhei com um amigo que morreu há 7 anos.
Ele tinha pulseiras folgadas, que corriam pelo braço conforme o movimento.
E tinha recém acordado, ele, no meu sonho.
Me dissera que havia um lugar legal para o pernoite.
O Grande Hotel, no centro de Pelotas.
Mas quando eu cheguei lá, o Grande Hotel era totalmente diferente.
Era um lugar que eu já visitara, em outro sonho.
E eu sei que já estive lá, apenas não recordo quando.
Em qual das vidas.
E onde era aquele outro Grande Hotel...
Ele tinha escadarias brancas.
Quartos grandes.
Parecia um palacete, com elevador estranho.
Eu tinha medo daquele elevador.
Ele não parava exatamente nos andares.
E sim em meio-pavimento.
Encontrei sobre a lareira fotos antigas.
Da gente tocando violão.
Um cachorro diferente.
E eu me vi numa dessas fotos.
E foi a primeira vez que eu me vi de corpo inteiro num sonho.
E eu tinha dreds no cabelo.
E o meu amigo já não era aquele.
Mas um amigo vivo.
Vivo na vida, quero dizer.
Eu acordei pensando o diria aquilo.
Enquanto um banho colocou-mem pé.
Olhei detalhadamente as costas da mão...
A água corria pelo corpo... as temperaturas fazendo média...
Percebi que a mente, naquele instante, estava sincronizada à pele.
E, na minha efêmera noção de realidade, tudo estava tão normal.
Porém, todo real é deveras diferente.
O banho acabou.
O dia mudou.
Diversos locais distantes daquele branco hotel.
A volta do ponteiro, já não era aquele sonho.
Mas ele continuava aceso, por assim dizer.
Numa memória estável e frequente.

Foi então que eu percebi que a realidade é uma ilusão.
Tão mera, tão ocasional.
Como histórias contadas na fogueira.
Tudo desaparece, aparecendo o novo.
A felicidade e a tristeza...
Nada fica, tudo vai.
Tudo existe e não existe mais.
Não adianta nem querer nem desquerer:
A vida existe por si só, como uma ponte pra lugar nenhum.
Como um rio que vai pro mar.
Como um hotel branco num lugar descolorido.

sábado, 5 de março de 2011

MEUS DINOSSAUROS


A computação gráfica anda tão avançada que está difícil de convencer meu filho de 5 anos que os dinossauros não existem mais.

***

No cinema 3D, o avatar jogou uma granada e todo mundo foi pro chão. E eu pensei, naquele momento, qual a fronteira entre o real e o imaginário... porque o imaginário também é real, ou será que aquele maluco dançarino não escuta música nenhuma?

***

Dentro dessa sopa-do-diabo que se chama mundo, entra tudo, real e imaginário... Compõem a receita, magistral e multiforme, onde cada degustador sente um sabor diferente... cada um com sua loucura... cada um com sua realidade... cada um com seu dial, para captar o imaginário e a realidade dos outros e juntar aos seus, na redoma da cabeça, na receita do conceito.

***

E eu vou aproveitar que meu dinossauro chegou e vou dar uma banda na praia.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

EU, O GORDO E OUTRAS FUTEBOLICES


Na última semana o que mais se falou foi na aposentadoria do Ronaldo Gordo. Ele deu uma entrevista ontem e afirmou que, após a belíssima carreira, encerrada em 2002, vai parar de vez de jogar bola.

***

Eu não sei se o problema dele é o hipotiroidismo ou o hipogolismo. Eu nunca vi um atacante que receba R$ 1,8 milhão por mês não fazer gol. Nunca vi. Eu mesmo... eu não faço gol por muito menos. Qualquer R$ 1 mil e eu aceito não fazer gol por muitos times do Rio Grande... poizé poizé poizé...

***

E agora que ele parou, eu vou começar.
Não importa que eu esteja com 31 anos de idade.
O que importa é que o mundo do futebol é pequeno demais pra nós dois.

***

Dizem que o juiz chegou no campo e disse pro Ronaldo: Cara ou coroa?
E o adversário: Seu juiz... essa aí é a bola.

***

O problema é que eu também tenho uma deficiência.
Não consigo correr muito bem com 3 pernas.

***

E por falar em futebol, pesquisadores norte-americanos descobriram a grande diferença entre o Pelé e o Maradona.
Confira abaixo.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

FOTOPOESIA


Fotopoesia
O sol em algum lugar
Derramando o brilho nas janelas
Desacortinadas...

Minha mente também é uma janela
às vezes emperra...
às vezes se abre...

E o vento nela
Me traz um alento
Um infinito pra fora...
Outro infinito pra dentro

***

A chuva na vidraça
Leva a água de volta ao chão
E a foto, como a poesia, nunca é em vão
Elas
Tanto uma como a outra
São a alma do papel

É a oportunidade
de vermos
que existe vida após o clic.

UM ESTRANGEIRO EM PELOTAS


É preciso coragem e ousadia para falar em próprio nome, e mais ousadia ainda para falar sobre questões que nos afetam na existência cotidiana, em abordagem realmente nova, abandonando a segurança dos sistemas estabelecidos, das instituições socialmente reconhecidas, aceitas e consagradas. Posicionar-se sem a validade institucional, na absoluta solidão de um 'pensador livre', afirmar algo sobre a vida, dirigido a um público também livre, capaz de viver, sentir e pensar sem amarras que prendem às verdades e exigências institucionais, foi o que fez de Sartre um mestre. (Deleuze)

***

O muro nosso de cada dia.

***

Eu, que sou um estrangeiro em Pelotas, noto que falta ao povo amor e respeito por sua cidade.
Mas, num questionamento repentino, acerca da "reforma" política do Executivo da cidade, vejo que o povo só traduz, em ação, o que pensam os "líderes" do sistema, os ícones deste grand BBB.
É como um efeito cascata.
Uma cascata infinda.
A pracinha do meu filho arrebentada.
As ruas cheias de lixo.
A gruta na Baronesa, cagada.
As obras pra turista ver.
O banheiro insosso e ilegal na praia.
Minha parada de bus sem teto.
Servidores públicos sérios alimentando como pássaros, na boca, múltiplos CCs.
Bocas e bocas...
Pios nos corredores.
Somos uma grande fauna esperando água.
E o próximo programa de TV...

***

O $i$tema viciado
Um vício circular
Sai dos gabinetes
À qualquer lugar.

***

O mundo só estará livre da podridão quando o último burguês morrer enforcado nas tripas do último padre.

Bertold Bretch

***

Mas eu ainda acredito na cidade bela.
A cidade cultural.
Cheia de gente bacana, coisa e tal.
Nas ruas com alma.
Nas cores do céu.
Eu acredito em Pelotas.
Eu acredito no sorriso das pessoas
Mas faixas de segurança respeitadas
Eu acredito no amor
E que ainda haverá pelas ruas flores
Árvores e frutos
Nos jacarandás da praça, azulando tudo...

***

Todo pelotense tem um jacarandá no coração...

VIDA APÓS A MORTE


Hoje o mani me contou uma história de fidelidade após a morte, dos amigos que, pra ocultar a traição do finadinho, que fora encontrado em óbito num motel, junto à amante, o colocaram (ou o que restou dele) dentro do carro, já mortado, e abandonaram o cadáver numa estrada vicinal.
Morre-se o corpo mas não a honra.
É assim com os políticos também, que ainda viram nome de rua e aeroporto.

***

Aí na colada já pintou várias histórias de morte... Da amiga do vizinho que morreu mas não morreu. Do pintor do amigo do irmão que caiu de patins e morreu. Do cara que achou que tinha morrido e tinha só casado... enfim... Cada um tem uma história de morte.
As pessoas adoram a morte, mas tem medo dela.

***

Eu morro de medo da morte.

***

E eu tenho um amigo que só anda de preto e tatuou MORTE, em ideograma japonês, na nuca. Mas um dia ele quase foi atropelado e me encontrou em estado de choque, pálido, gaguejando...
Qua_qua_quase morri!
Ué... e eu pensei que tu gostavas da morte, mani...

***

Eu morro no sonho e acordo na cama.
Quando eu morrer na cama, onde acordarei?

***

A morte é uma coisa tão intrigante que muita gente, viva, pensa direto nela.
Será que algum morto pensa como serão as coisas depois do nascimento?

***

Será que existe mesmo morte após a vida?

***

Tudo se transforma.

domingo, 16 de janeiro de 2011

CARRO DE MERDA


Paul Stender é um norte-americano de Indianapolis que criou o primeiro banheiro móvel do mundo. Detalhe: o trono tem motor de boeing e pode chegar a 110 km/h.

***

Eu me cago de medo de velocidade!

***

Um dos grandes defeitos do banheiro móvel é que o fedor é espalhado por toda cidade.
Mas uma das grandes virtudes é que você não precisa mais mijar no acostamento.
Tem também o lado ruim de dirigir, cambiar, olhar no espelho e limpar a bunda, tudo ao mesmo tempo.
Porém, se o motorista do lado te mandar a merda, você dá um sorriso pra ele.
O problema é alguém pedir pra usar o banheiro e sumir com o veículo.
Ou pedir pra dar uma volta e cagar em tudo.

***

Cocô de 300g - 5 pontos na carteira - R$ 195,50 de multa.

***

Pai, me empresta o carro pra eu dar uma banda com a gata?

UG


Descobri que existe um concurso na Inglaterra (tradicional até) que elege o cão mais feio do mundo. O atual campeão, com honras, uma campanha sensacional, quase uma unanimidade, foi Ug, da foto acima, que levou menos de dois anos de vida pra alcançar essa feiúra aí.

***

Eu levei muito mais.

***

A menina bonita tinha um hálito de monstro, e foi então que eu percebi que a beleza não está apenas nas curvas e na cor da pele. A beleza são fatores... vários fatores. Como uma grande equação aritmética, o belo resulta também do que entendemos por belo. E esses valores axiológicos são ingredientes de uma sopa da que somos comedor e comida. A beleza, então, é o belo que podemos ver no mundo.
É o alcance de nossa visão.
E é por isso que o cão mais feio deve ter o dono mais lindo.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

ANIMAIS DE 2010

Antes de ontem o meu Inter foi eliminado pelo Mazembe, do Congo, do Mundial de Clubes e eu descobri que não quero mais falar de futebol pelos próximos... hum... dois dias.

***

Que bom que tudo se transforma... que bom.

***

Descobri também que a cada 20 minutos, uma espécie de animal é extinta em nosso animalesco mundo. A partir de então, a cada 20 minutos eu agradeço por não ser a minha vez na fila.

***

Mas, por incrível que pareça, cientistas descobrem diariamente novos tipos de bicho... Eu nunca descobri um bicho novo em que eu possa pôr um nome. Tenho vários nomes na lista (como esperdiardigam e porpambúlico), mas não tenho em quem pôr...

***

Aí vai as 5 maiores descobertas da fauna planetária em 2010:

1. LAGOSTA CABELUDA
Este lindo exemplar peludo, da família do Tony Ramos, também conhecido como vulva marinha, anda por aí, lagostiando. O prato a que dá base foi um fracasso na culinária francesa, já que vinha sempre com cabelo.


2. MACACO DO NARIZ ARREBITADO
Diferente dos jogadores do Inter, esse macaco não tem o nariz empinado.
Descoberto em uma floresta do Mianmar, o cara-chata parece o Rui Biriva e compõe uma população de 300 habitantes que seguem, na tribo, o lema: Cada macaco no seu galho.


3. SAPO RHINELLA
Também conhecido como o sapo-que-não-quer-ser-girino, essa interessante espécie ovípara da Colômbia bota ovos na mata e dali eclodem pequenos sapinhos-que-não-querenzinho-serenzinhos-girininhos. Lembra, de longe, o Mr. Burns e o Plínio de Arruda Sampaio.


4. PANPUNK NOEL
Encontrado numa caverna do interior paulista, o Panpunk Noel é rocker de dia e santo de noite. Um anjo de roupas e um diacho pelado... Dentre suas tatuagens, que cobrem 94% do corpo, estão os nomes de cada uma de suas renas e um coração com os dizeres: Mamãe Noel & Eu.


5. KIDHIABA
Descoberto por colorados em Abu Dabhi, essa espécie natural do Congo anda com a bunda e se pisca todo, usando sua cara de mané como elemento de auto-defesa.

RE-RETORNO

E aí blog, beleza?
Beleza!
Há quanto tempo, não?
Pois é... sumido, né!?
Tava pensando em voltar, não é massa?
Pra mim ou pra ti?
Pra nós, mani... pra nós!
Hum...
Só mais esta vez...
Hummm...
Deixa, vai!? Só mais essa vez!
Vou pensar... vou pensar.
Ah... não faz assim... Tu sabe que eu te curto pra caramba.
Hummm...
Tu sabes que és o blog da minha vida, não sabe?
Sim, mas me abandonaste...
Não... não mesmo... eu tava sempre perto, juro. Pensando em ti direto...
Mentiroso...
Ah... não te faz de difícil... Me dá um bitzinho, vai. Só um.
Hum...
Só um!

(O papo termina no tapete do escritório, mas nã foi liberado pela assessoria de imprensa.)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

BANKSYSMO


A parede
Dá a cara à tinta
Se veste de cores
Diz a que veio, a cada tijolo...

A parede
É também da ideia
A trava, o muro, o estigma
O fim da rua, a curva do rio

A arte, emparedada na moldura da casa
É o novo, é o salto
Que nos faz andar na vida,
O movimento
Sem o peso da argamassa...

domingo, 14 de novembro de 2010

REAL ATRIBUTO


A realidade é um atributo do agora
Ontem não houve
Amanhã não há

A cada passo dado, um novo suspiro
A cada suspiro, um horizonte
Enquanto se vive, se passa e se finda

E eu não sei se sou aquilo que penso ser
Ou sou aquilo que os outros pensam
Ou se existo de fato

A realidade é uma versão sobreposta à outra
É rapé no vento
É folha de papel na água...

aMP - dMP


Mariano foi julgado por aqueles que ofendera, quando fugira ao trabalho e ao látego e atentara contra a vida e a propriedade senhoriais. Seu processo foi mais uma farsa da justiça escravista. Abandonado pelo senhor, Mariano foi "defendido" por um advogado, nomeado de ofício, que nem mesmo se deu ao trabalho de recorrer contra a pena de morte votada "unanimemente" pelos jurados. Se sua pena não foi posteriormente reformada, Simão Vergara pagou com quinze anos, seis meses e vinte dias de prisão o ato de ter vendido pólvora aos sublevados.

TEMPO DO NÃO-TEMPO


O tempo,
Cascata de horas,
Madura as amoras
E presenteia o homem
Entre os pôres e o nascer dos dias...

O tempo
Com o nunca e o semre em cada mão
Vai do sim ao não,
Rasga a semente, murcha a flor
Molda tudo quanto é amor
Tempera cada estação...

Quem sabe um dia
O tempo, já cansado de vagar,
Deixe, ainda enquanto é tempo,
O não-tempo governar

Cairiam toda tinta e todas as paredes
E todas leis e todas as fronteiras
Seriam meras brincadeiras
Seriam mera invenção...

E as pedras tristes ficariam
Quiçá, simplesmente sumiriam,
Ante a eternidade, ora cotidiana,
Do doce mundo sem ponteiros.

PSEUDO HOMÔNIMOS


Quem não lembra do famoso Denorex, que parece, mas não é? Pois é... começo este post com essa lembrança que, embora não pareça, é sobre semelhanças. Poizé poizé poizé.

***

É que eu conheci um cara com o nome de Alê Jardim. Ele é escultor e artista plástico e já vendeu um monte de obras por causa do seu nome artístico, confundido entre os colecionadores com o Alejadinho, famoso escultor mineiro. Então o cara chega numa exposição e dizem pra ele: "Sabe quem fez essa peça? O Alê Jardim!" A estátua é vendida na hora e o comprador sai se gabando, cheio de si...

***

E tem um cara em Pelotas que é muito parecido comigo. Muito mesmo. Acho que nem eu sou tão parecido comigo quanto ele, tanto é que quando eu me olho no espelho, dou uma olhadela pra trás, ver se sou eu mesmo ou é o cara, esse aí.

***

Minha mãe achou ele lindo, o meu sósia (que significa sócio de forma).

***

Esses dias eu entrei na galeria e dei de cara com meu sósia, o outro eu. Ele parou, eu parei. Chegamos perto... olhar reparante dos pés à cabeça... E eu tive, naquele exato instante, uma tranquila sensação de não morar sozinho no mundo da feiúra.

domingo, 7 de novembro de 2010

A VIDA DE NICO VICO


O Nico Vico, também conhecido por Boca, marcou com uma das namoradas na praça. Só que lá, ele encontrou a segunda namorada, que passava aleatoriamente pelo local. Quando a primeira chegou, deu de cara com os dois, e ele teve que explicar a elas que o amor não é posse, que não se restringe a uma pessoa apenas e que o trio poderia viver feliz para sempre.
Elas não entenderam deste modo.
Foram pra casa fazer amor.
E ele ficou na praça, fazendo música pros pombos.

***

Mas isso não é o resumo da vida de Nico Vico, o homem que teve mais mulheres que o Renato Gaúcho. Ele ganhou na loteria, emprenhou uma prima, perdeu um dedo do pé e foi parar em Dom Pedrito.
Gosta de pipoca, cerveja Kaiser e de coçar o nariz com o dedo mingo.

***

Mas quem pode resumir uma vida em dez palavras?
Impossível...
O resumo da vida acontece junto com ela.

CHURRASCO PARA AMBIENTALISTAS


Uélou!? Quem fala!? Felipe!? Beleuza meu... é o Vieira. Seguinte meu... vai rolar um churraskinho aqui em casa pra galera do meio ambiente... saca... só ambientalista... to ligando pra te convidar. Vem a Flávia, o Mauro e o Peçanha. Compramos filé e costela ali no Seu Xico... mas cada um traz a sua cerveja. A gente vai aproveitar pra discutir ações eficazes pra combater o desmatamento na Amazônia e o respeito aos animais... e por falar em respeito aos animais, comprei também 1 kg de salsichão de primeira cortado a faca. É só chegar... Qualquer coisa, me liga.
BIIIIIIP.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

BOLSA-VIDA


Hoje cedo eu fiquei pensando sobre a função social da propriedade... Coisas do direito civil, sabe como é... A propriedade (depois de escapar do Proudon) tá lá, propriedaderando, no más, como diriam los hermanos, bem despreocupada e vadia, e chega um oficial de justiça revolucionário (ou mesmo uma pessoa qualquer, até porque as pessoas quaisquer são o tipo maios perigoso) e grita: esta terra não tem função social! Reforma agrária já! Enfim, teorias de barba sobre a legitimidade da posse das coisas...

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Aí eu pensei também na função social do ser humano e descobri que conheço um monte de gente talentosa que tem que correr o mês inteiro atrás de grana. Isso é inadmissível! Isto _ é uma _ vergonha, diria o Boris Casoy Bocamole.
O fato é que essas pessoas, que a partir de agora chamarei de ESPECIAIS, deveriam ser assistidas pelo governo federal e receberem pra viver... Isso mesmo: pago pra viver. Uma conta bancária vinculada ao novo projeto social: o Bolsa-Vida.

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O valor do Bolsa-Vida iria variar conforme a ESPECIALIDADE de cada ESPECIAL. O cara se inscreve, leva o número do comprovante de especialidade (CE) e sai do banco com a conta pronta, prontinha. Agora é só sacar: todo dia 30, o Bolsa-Vida estaria lá... Que beleuza!

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Aí o cara tá com um problema bancário, porque não param de depositar e depositar... Estoura o positivo da conta e o cara não consegue nem falar com o gerente. Vergonhoso...

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Cartão e zap.

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O melhor de tudo é que a corrupção ia ser mais nefasta ainda, porque a galera iria querer se passar por ESPECIAL sem ser... ESPECIAIS fantasmas... furos gigantescos e corrupções no sistema.
Mas ESPECIAIS de verdade não podem ser corruptos, lembrei!
E é por isso que o paradoxo estaá formado e o ESPECIAL no Brasil ainda precisa de PIS/PASEP.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

NO MEU FILME


No meu filme, pés descalços pisam e passam sobre pedras na margem do rio. Escravos em fuga. Aparece, em plano aberto, cascatas e um grupo de capitães-do-mato... É um filme sobre liberdade, coragem e sonhos. Acho que o roteiro vai ficar bacana...

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No meu filme não terá romance, mas o amor se manifestará de várias outras formas... Porque vai cortar em 1840 e cair no agoraqui, neste exato espaço-tempo, não mais Vila, nem São Francisco de Paula... Pelotas. E a escravidão não é mais laboral... é do consumo, é do medo, é da entropia que encolhe a vida e torna a moldura dos fatos um fator impenetrável, é da submissão e da cultura de massa. É o tempo em que se escolhe ser escravo, a Era do escravo-livre... Mas não existem questionamentos... Tudo é o que exatamente é... Ainda mais no meu filme... No meu filme, milagres acontecem. E sonhos se realizam.

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O meu filme tem gente boa. Um pessoal que se comunica em sorriso e arte. E se encontram, materializando utopias, encontrando espaços para manifestações. O meu filme acontece agora, embaixo dos meus pés... é quase um filme ao vivo, e eu protagonizo ele, e este fato é importante de lembrar, e nele cada segundo é um take, infinitamente posterior ao outro, até o ápice de minha relativa eternidade. E no meu filme aparecem universidades envoltas num mesmo processo, existe uma comunidade sedenta de si, um apoio público e um pessoal que trabalha sério e arduamente para dar presente às outras pessoas. É tipo uma máfia... só que uma máfia do bem, entende? E ela se fortalece a cada instante, essa tal máfia... e tem várias variáveis de finais legais... mas eu nem quero ainda pensar em finais...

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No meu filme tem escravo homenageado pra resgatar outros tantos e a moral vai ser pra que nunca deixemos os sonhos à deriva. Que nunca sejamos escravos... e que façamos o bem. Acho que é por aí, como a vida que co-crio, cheia de cenas belas, vistas de dentro da cara...

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Porque viver é estar constantemente em cena.

domingo, 17 de outubro de 2010

SANTA INTERNET


Joia... A internet é massa mesmo. O encerrameno de ciclo é quando o planeta, como um cérebro, tiver todos os seus neurônios (no caso nós, humanóides) integrados global e permanentemente.
Hoje, o ser humano tem imediatamente todas as informações do mundo, de todos os tempos, ao seu alcance nesta caixa mágica que se transformou o computador. E se comunica, também, de forma imediata.
Isto o colocou um passo à frente das informações... mudou seu relacionamento com os fatos. Rasgou-se a noosfera e a telepatia, que antes era sonho tecnológico, virou acontecimento cotidiano.
Crianças índigo e cristais...
Pra onde esse mundo vai?

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E eu, num estudo repentino, descobri na internet as oito maiores dúvidas da humanidade e me transformei de imediato. Sim, porque eu tinha outras 8 respostas às maiores dúvidas da humanidade. A internet me trouxe a luz... Santa Internet...

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Sim... eu sei... você ficou curioso pra saber os dez fatos mais curiosos, não é mesmo?
A curiosidade move montanhas (e mata os gatos). Então, abaixo descrevo as oito maiores dúvidas e as oito respostas que eu tinha sobre os fatos mais curiosos (do mundo?).

1. Por que os cães cheiram o rabo uns dos outros?
RI (Resposta da internet): Por causa de uma glândula anal chamada popularmente de RG de Merda, onde informações como caráter, raça, sexo e estado de espírito são transmitidas. Cachorros covardes não permitem que outros cheirem seu ânus e descubram sua canina covardia, por isso saem com o rabo entre as pernas e daí nasceu o ditado.

RD (Resposta do Duda): Uma grande festa reuniu todos os cachorros do mundo. Por questão de higiene, na entrada da festa, todo e cada cão deixava o cú num cabide e entrava limpinho, limpinho. Só que no meio da festa houve um tiroteio e a cachorrada saiu bem louca por portas e janelas do baile. Cada um pegou um cú e até hoje se cheiram pra ver se o outro cão não tá com o ânus seu.

2. Por que os gatos sempre caem em pé?
RI: Porque a mente, olhos, ouvidos, músculos e articulações dos gatos funcionam como um rapidississíssimo GPS, que posiciona seu corpo instantaneamente.
RD:Com 4 pés até eu.

3. Os raios atingem 2x o mesmo lugar?
RI:
A probabilidade existe, se se repetirem as condições climáticas ideais. Isto é pouco provável, mas um raio pode sim atingir o mesmo local.
RD: O tio Vicente já foi atingido 7 vezes por um raio, que não era o mesmo, e segue vivo. O único conselho que eu dou pro tio Vicente é que, em dia de tempestade, ele não chegue perto de mim.

4. O peido pega fogo?
RI:
Claro. Dependendo da quantidade de metano (CH4) no pum, ele pode explodir instantaneamente. Portanto, o pum das vacas, com alta taxa de metano, é bombástico.
RD: Que bom. Eu tinha medo de um dia a humanidade ficar sem um isqueiro sequer.

5. Por que os kamikazes usavam capacete?
RI:
Porque no início da era dos aviões, as aeronaves não tinham cabine... eram abertas. O capacete e a manta era usados com a função de aquecer o corpo, não de proteger os pilotos.
RD:Personal niponic style.

6. Qual animal que mata mais humanos no mundo?
RI:
O hipopótamo. Se você pensou tubarão, errou. O hipopótamos se faz de morto pra comer o coveiro, sabe como é?! Fica ali, hipopotamomando como quem não quer nada... e quando você chega perto ele uackh, te hipopotameia.
RD:O homem é o lobo do homem.

7. Por que rimos em velórios?
RI:
Rir é um mecanismo de defesa natural, como uma descarga à angústia que sentimos em certos momentos. É o famoso rir para não chorar. Pois é pois é pois é.
RD:Eu acho velório cômico demais. Vou rir até no meu.

8. Quem fez o primeiro teste de pára-quedas?
RI:
Não encontrada.
RD: O tio Vicente.

PEIXES, IOGUES E GINASTAS


Cientistas que examinam a região de Gogo, no oeste australiano, disseram que os fósseis de peixes encontrados na área indicam que a espécie foi a primeira a fazer sexo na Terra. Os primeiros atos sexuais aconteceram no Período Devoniano, entre 400 e 410 milhões de anos atrás, segundos os cientistas. "Não era apenas procriação, mas também diversão", disse ao site John Long, vice-presidente de pesquisa do Museu de História Nacional de Los Angeles, Estados Unidos, participante da pesquisa.
"Os peixes copulavam colocando uma estrutura localizada próxima às nadadeiras dentro da fêmea para depositar o esperma", explicou Long ao site. "É uma descoberta significante porque explica uma avançada forma de reprodução", completou.

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Barbada pêixica.

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Essa forma de reprodução eu também faço, peixe!

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Avançada forma de reprodução é a transa do iogue com a ginasta.

DO PEIXE PRA VACA


Diz pro Baby que o importante é o que ele conserva no coração, não no estômago.
Que ele tenha liberdade de se alimentar como deseja.
E que ele (e todos nós) tenhamos nossa livre escolha.
Mas que também sejamos sempre abertos aos questionamentos.
E que questionemos os questionamentos.
E que possamos mudar a cada instante, sem se prender à verdade nenhuma.
Muito menos brigar por ela.
Porque a verdade não é nossa.
A verdade não é de ninguém.
Apenas creio ser importante o respeito aos animais e, na medida do
possível, tentar agredir menos... tentar avalizar menos os grandes
sistemas... consumir coisas de produtores locais, artesanatos e
orgânicos, sucos, arte...
E de vez em quando se permitir agredir as regras.
E até comer um churrasco, se assim for desejado,
Se embriagar...
Dançar até a madrugada... passar a noite acordado.
Tirar um zero.
Se permitir transgredir.
Sujar a roupa branca que esconde a alma.
Afogar a culpa, manifestação opulenta do ego.
Porque o certo e o errado são tiros na noite.
Acertam de raspão o valor do fato.
Mas que sejamos felizes.
Felizes agora.
E melhores num próximo agora.
Porque do peixe pra vaca não muda nada.
Mas deles pra nós tem um hectare...

O PARADOXO DO TWITTER


Ele tuíta tudo o que faz durante o dia.
Lavando roupas.
Estudando português... Haja saco...
Indo levar a mãe no médico...


Ele narra seu dia via twitter.
Tuíta tanto e não percebeu ainda que os fatos de sua vida viraram secundários...
O importante mesmo é tuitar.

***

Mais monótono que twitter de preso.

***

Eu tuíto.
Tu tuítas.
Ele/a tuíta.
Nós tuitamos.
Vós tuitais.
Eles tuitam.
E todo mundo retuíta.

***

Eu nunca vi alguém escutar falando. Nunca.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

NOVELA NA LOCADORA


O cara da locadora só assiste novela. Ele dá pitacos sobre os filmes e insiste pra que eu pegue os que ele acha legal. Ele me pergunta coisas... não me deixa concentrar. Ele fala de pescaria, do clima e do preço do pão. Eu só queria pegar um filme e ir pra casa. Ele quer saber da minha família... quer saber de tudo... que cara mais impertinente o cara da locadora.

***

Ele parece o Chesperito gordo.

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Dá pra fazer um filme do cara da locadora. Uma pena que não é cinema mudo.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A TETA QUE SUSTENTA O MUNDO


O ser humano é o único animal que, depois de adulto, continua mamando. Eu vejo meu filho Pedro, com 10 dias, se contorcendo para buscar a teta da mãe... Então compreendi o fascínio das tetas é algo genético... A teta é quase um mito, que se explica por si só... É ela que garante a vida, nutre, e permite que o capuccino e o nescalito manifestem o seu valor.

***

Eu fiquei pensando como seria o mundo se o homem nunca largasse a teta (na verdade o homem nunca larga, mas eu estava pensando na teta como instrumento de alimentação... não como de diversão).
Se o homem nunca parasse de mamar, aconteceriam cenas hilárias. Primeramente porque o cara ia ter que estar sempre perto da mãe, ou de alguém que substituísse a mãe (e isso é bem menos traumático). Ai o gaúcho lá, barbudo, assistindo ao Jornal Nacional, vira pra mãe velha e diz:
- Buenas... me deu sono! Vou lavar os pé, dar uma mamada e me deitar.

***

Dona Rita. Por favor, venha até a minha sala que está na hora da minha mamada das 15h.

***

Como diria o David Coimbra, feliz mesmo é o filho da Gisele, que a essa hora deve estar mamando.
Porque ela é uma mãezinha Bünchen, very Bünchen.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

UM BOM MAU TEMPO


A tarde de chuva fez com que eu ficasse em casa... aquele sonzinho molhado nas telhas, uma brisa primaveril... uma doce sensação de mundo parado... delícia.
Quem foi que apelidou o dia de chuva de mau tempo?

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Eu em casa lembrei dos mineiros presos há dois meses nos subterrâneos chilenos. O resgate já está próximo... Dizem que o que os manteve vivos foi um canal de ar por onde era colocado comida e mantinham contato com psicólogos e familiares. Além disso (e muito mais importante) foi o videogame que ganharam... Deu pra organizar um grande campeonato de futebol, ao qual convencionaram chamar de Data Fifa.

***

Coisa boa é a Data Fifa.

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Aí os caras estão lá, há três meses presos (não era dois?), no sufoco claustrofóbico, a dezenas de metros de profundidade... Tensão mundo afora... o resgate está quase chegando... TVs de todo planeta atentas...
Bruummmm...
Cai uma espessa parede de rochas.
É o resgate...
Procuram pelos mineiros...
Nada...
Silêncio total...
Numa caverna ao lado (co-caverna), todos reunidos.
É a grande final da Data Fifa Mineiros.
Última rodada.
Campeonato longo... cansativo...
Mas agora é a finalíssima.
Juan Caballero, com seu imbatível Barcelona.
Contra Pablo Escudero, com seu grande Internacional de Porto Alegre.
O resgate faz barulho.
Psxxxxxxxxxxx.
Respeitem a Data Fifa.
A Cruz Vermelha quer levá-los imediatamente.
Mas é recém 23 do primeiro tempo.
O mundo pode esperar.
O mundo sempre pode esperar.
Até mesmo à prorrogação.
Empate pegado.
Pressão e contra-pressão.
Bola na trave aos 45 do segundo.
Ninguém se move, mesmo com a caverna aberta já.
Isto não importa.
A grande final vai ser decidida nos pênaltis.
O chute derradeiro vai pra fora.
Os mineiros explodem de alegria.
Comemoram o título do Inter e a liberdade.
E entendem um pouco mais que a grande vitória é estarmos vivos.
Porque não existe mau tempo.
Todo tempo é mental.
Até para os mineiros do Chile.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

PEDRO


Se eu pudesse escolher,
Queria ser filho de um poeta,
Que escreve estrelas, janelas abertas,
Com seu jeito simples de ser.

Se eu pudesse escolher,
Queria nascer na primavera,
Ter um irmão na minha espera,
E tantas flores pra colher.

Se eu pudesse escolher,
Simplesmente, deixaria acontecer,
Já é um grande presente ver a luz do dia.

E poder sentir essa energia,
De todos que esperavam ansiosos pra me ver,
Com flores, felicidade e poesia.

By Daniel Moreira
www.revista-seja.blogspot.com
www.poemas-urbanos.blogspot.com

P.S.: Mani Dani... grato pelo carinho primaveril. Somos todos um.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

PEDRO BEM

Nasceu o Pedro Bem.
E a primavera mostrou que nós, humanos, também florescemos.

DOIS SACOS


Em janeiro enterrei minha avó em Santa Rosa. Nos preparativos fúnebres, acompanhei o coveiro até o túmulo onde já estavam meu avô e meu tio, filho dela.
Abrimos a tumba e meu avô estava lá, deitado, um prato cheio pros Piratas do Caribe. Esqueleto montado... feira de ciências... roupas rasgadas... um crucifixo de prata no meio do peito (era do caixão que virara pó). Vários pensamentos na minha cabeça, tão efêmeros como a própria vida (pelo menos como ela aparecia ali, naquele cemitério). Ao lado do vovozão ossudo, um saco plástico cheio de outros ossos... era meu tio, que havia morrido anos antes dele.

***

Os ossos do avô foram sendo colocados, um a um, dentro de outro saco plástico, que trouxera o Zé Coveiro.

- Ôpa... caiu um dedo ali seu Zé. Quer que eu pegue pro senhor?
- Ah, sim... E já me alcança o crânio aí, fafavor rapaz?
- Sim, seu Zé.

Tudo dentro do saco.

***

Aí eu percebi que a vida é um breve momento entre dois sacos.

domingo, 26 de setembro de 2010

sábado, 25 de setembro de 2010

UM CAMELÓDROMO E DUAS ESCRAVIDÕES


Foi levado à forca o preto Belizário, que vibrou grande número de punhaladas ao senhor e sua senhora, deixando caídos como mortos (...) julgado criminoso, Belizário foi condenado a morte. Sua execução teve lugar à esquerda da antiga ponte de madeira, hoje de cimento armado, a rua Riachuelo, além do Arroio Santa Bárbara, onde existe atualmente uma barraca de couro, local onde foi levantado a forca. (...) Para assistir ao horrível ato, o povo, ávido de curiosidade, em todo o trajeto desde a cadeia até esse local, seguia o condenado, formando volumoso séquito, sob a cadência lúgubre do cerimonial, assim o acompanhando até seu último instante de vida, indo ele vestido da fatal túnica alva dos enforcados.

BENTO, Cláudio Moreira. O negro e o desenvolvimento na sociedade do RS (1635-1875). PoA: Grafosul/IEL/DAC/SEC – 1981, p 203-4.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O MENINO MAIS BONITO DO MUNDO


A última porta era a saída
De fora pra dentro, a entrada
Lá fora, o mundo muito vasto
Lá dentro, quase nada

No olhar do estrangeiro
A grama retiniza o verde
E o olhar
[o primeiro olhar

Daquele verão
Esqueceu outonos
E foi pra sempre
[até o fim, pra sempre.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

MARIDO DE ALUGUEL


Ouvi dizer que existe um emprego novo no pedaço: o marido de aluguel. É simples, você (mulher ou homem(?)) pega o telefone do indivíduo nos classificados (quiçá em breve nas páginas amarelas do guia telefônico mais próximo, se é que ainda existirão guias telefônicos) e o chama para aqueles afazeres que só o maridão que você nunca teve poderia realizar.
Já dá pra ver os anúncios.
O ralo entupiu? Disque-marido. 0800...
Trocar o gás? Tem ladrão no pátio? A senhora está precisando trocar um pneu? Chame o Marido de aluguel...
Massa... o marketing ia ser uma barbada.

***

Foi aqui que chamaram o marido de aluguel?
Foi sim.
E qual o seu problema, senhora?
O senhor faz sexo?
Hum... infelizmente não, minha senhora. Pra sexo a senhora tem que ligar pro namorado de aluguel. Marido não faz sexo. A categoria marido é só pra serviços leves. E rango incluso no serviço, hein!?

***

Com licença!? O senhor vai ficar o dia todo deitado nesse sofá?
Por quê? Algum problema com isso?
Não, nenhum... é que quando eu liguei pro disque-marido, eu achava que...
Que alguém viria aqui e faria os trabalhos da casa, não é mesmo? Ah, minha senhora. Veja bem: a senhora contratou um marido de aluguel. Qual é a coisa que o marido faz de melhor? Não é deitar no sofá e ver TV? Pois então, a senhora fica tranqüila que eu sou um marido nato... eu sei o que to fazendo... Sou o melhor marido de aluguel do mercado... igual a mim, minha senhora, só mesmo um marido de verdade. E isso a senhora sabe bem o que significa, não sabe?

JANELA ABERTA


Meu blog e eu às vezes sumimos um do outro. É como uma crise profunda de relacionamento, onde um não atura mais a cara do outro e se precisa de um tempo... um tempo sem se ver para que dê saudade... um tempo para conseguir entender o quanto se precisa um do outro... se realmente se precisa...

***

Nietzsche diz que não amamos o outro, precisamente. Amamos aquilo que o outro pode nos dar. Quando ele não pode mais nos dar o que queremos, o amor transmuta. Então o amor, ou o sentimento que se aproxime mais dele, não vem de fora: vem de dentro. E é ele então uma manifestação sentimental egóica de interesses pessoais, finita, interdependente a um objetivo racional (consciente ou inconsciente).

***

Talvez o amor seja uma flor no bouquet dos sentimentos, dentre outras. Muitas cores, cada qual uma beleza mais querida. E amor lá, até a última pétala, amando...

***

Pra mim o amor é ponto de partida e de chegada...

***

O amor é a janela aberta.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

RUA DA PRAIA

Enquanto eu ando a pé, o mundo passa de uma forma mais lenta. Nas paredes, mais janelas...nas calçadas, muitas cores... e entre esquinas, mil ideias...
O problema todo é a hora de chegar. Ah... essa hora de chegar... Se não fosse ela, cada rua seria uma praia...

ILHA DESCONHECIDA

A genialidade e a estupidez são dois barcos no mesmo porto.

ZECA BELO

O penteado é a mentira da cara.

MAGNETO 1

A coisa mais inútil do mundo é a razão depois do tempo.
O maior atraso que existe é o da certeza.
E é também a melhor ausência.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

PONTE 2

A comunicação é um encontro no meio da ponte da linguagem entre o emissor e o receptor.