sexta-feira, 10 de outubro de 2008

SUPERADOBE


A permacultura é realmente um grande instrumento a ser potencializado. É inovadora, não só em termos de bioconstruções, mas também no desenvolvimento organizacional de ecovilas, outro termo muito moderno que vem sendo trabalhado ante o colapso do convívio social e da qualidade dos dias na metrópole. Claro que sustentabilidade, ecovila e permacultura são gotas no oceano do processo de ruptura e crises em que a sociedade contemporânea se encontra, sejam elas ambiental, social, política ou estrutural. Vejo também o calendário de 13 luas e 28 dias como a forma mais eficaz de fazer do agora arte, de perceber o deísmo das coisas, de perceber os cristais que cada um traz consigo, o outro eu... o eu em outros... Da justiça harmônica à organização participativa...
Mas assim como creio em tantas outras coisas, não farei aqui dessa postagem um amplo campo das coisas em que acredito, um festival de realidades, pois nem quero, nem tenho certeza do que sei, e posso também estar falando um monte de equívocos viciados em meu ponto de vista... Mas se não puder lidar com meu singelo e limitado ponto de vista não teria um blog, e sim um universo só pra mim, assim como o magnata burguês personificado que a igreja chama de deus.

***

Este tópico é sobre o superadobe, um método de construção revolucionador criado em estudos da Nasa por um iraniano chamado Nader Khalili e que objetivava edificações em solos lunares. A base dele, o superadobe, é o saco de tecido de polipropileno preenchido com subsolo, o que o torna, talvez, na maneira mais simples de construir com terra, pois não é necessário fazer qualquer teste com o material, não é preciso peneirar a terra, nem moldá-la e nem acrescentar palha. As paredes são erguidas muito rapidamente, mas é preciso ter uma equipe de pelo menos cinco pessoas.



O superadobe necessita de ferramentas simples para sua execução:
- um pedaço de cano que servirá como funil (tubo de PVC de 250 mm é o ideal)
- pedaços de sacos de polipropileno (servem também sacos de adubo),
- soquetes
- arame farpado (colocado entre as camadas)
- baldes
- marretas de borracha para aprumar as fiadas.

O rolo de polipropileno (bobina) tem aproximadamente 50 cm de largura. Ele é cortado em pedaços do comprimento da parede a ser construída, deixando-se uma pequena sobra em cada ponta para fazer o acabamento.
Este grande saco vai sendo preenchido com terra, com a ajuda de um cano que funciona como um funil. Assim vão sendo formadas as “fiadas” (camadas) que depois são - bem - socadas, cobertas por outra fiada e assim sucessivamente, até a parede ser completamente erguida.
As paredes devem ser isoladas do contato com o chão, para evitar problemas com umidade, utilizando o próprio superadobe, só que em lugar de terra, deve-se usar areia e cimento, na proporção 9/1, nas primeiras fiadas, até acima do nível do solo.

É muito importante que as fiadas sejam muito bem socadas. Quanto mais compactada, melhor será a sua parede. Sempre fique atento ao prumo!


As paredes de superadobe são estruturais, portanto dispensam a construção de pilares ou vigas, e permitem instalações elétricas e hidráulicas embutidas ou aparentes.
Após a remoção do saco, o recomendado é a utilização de um reboco natural, à base de cal hidráulica e terra.

PARA SABER MAIS:
http://www.ecocentro.org
http://www.ecocentro.org/bioconstruindo/superadobe.html
http://www.vimeo.com/1491473

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

ALMAR


O que quero pra mim é calmaria. Não quero que os ventos soprem meu cabelo ou as páginas do livro que leio silenciosamente numa tarde divinal. Quero ouvir os pássaros cantando enquanto acordo o beijo de meu filho... quero pessoas educadas, que freqüentem meu lar em amizade harmoniosa e pura. Quero poder andar descalço pela praia, tocar a água e beber de uma cascata... Quero poder chutar bola com a criança interior, numa perspectiva de que tudo anda, vagarosamente, sem precisar das horas. Imagino o sol do inverno brindando a pele e um fruto doce colorindo a boca, um olhar de anjo da mulher amada e um Quintana a deixar rastros de vida poética pra eu seguir...
Quero que a noite caia lentamente e a chuva bata na janela, como palmas pros meus sonhos. Quero regar as plantas do jardim e reparar nas aves que migram no caminho da tarde, desenhando formas entre nuvens brancas. Quero ouvir a música do Laranjal e ver cachorros brincando na singela alegria do não-desejo. E quero muito, muito mais... Mas o que quero é simples, e por sê-lo, parece tudo ilusão dentro da metrópole cinza. Parece que no ar que respiro e nutre a vida do meu corpo tem sujeira: a poeira dos outros. Parece que o que falam perturba, e não deveria, pois meus ouvidos (e olhos) são portas e só cabe a mim abri-las.
E me constranjo em saber que o mundo que perturba é a opção imediata que realizo e faço parte: sou a própria culpa que vejo nos outros, por não fazer o que de fato penso. Sou o próprio criminoso que procuro pelas ruas do meu dia...
Mas tudo bem... o ego cala e a tarde cai, da mesma forma, até o final dos tempos. O sol renasce numa rotação contínua do nosso planeta. Os anos passam enquanto giramos pelo cosmos. As Eras vão (precessionalmente) em direção ao nada, do nunca pro sempre... E, de carona, me calo a olhar pela janela.
Na verdade, a cada passo, passo. O tempo é curto para ser pequeno... é eterno para ser contínuo... e é exato pra ser questionado.

NÃO É SERTÃO DE ALAGOAS


Já falei mais de mil vezes que não gosto de politicagem. Aqui em Pelotas, como em boa parte do país, a febre é de se falar em eleição e eu não posso cair nessa. Mas hoje realmente fiquei de saco cheio, porque me senti mais uma vez ameaçado por um CC do atual prefeito. E eu tenho paciência, quem me conhece sabe... Então essa postagem serve apenas de aviso: da próxima vez que eu for intimado, falarei de todos os podres que a administração tem feito aqui, na autarquia em que trabalho. E isso não tem nada a ver com apoio a candidato A ou B: eu quero que os dois se ferrem. Mas quero algo além disso: quero ficar sossegado no meu canto, sem me sentir devedor dos meus direitos... sem me sentir oprimido ou serviçal de firma quebrada de jagunço... Da próxima vez que esses politiqueiros nojentos dirigirem a palavra a mim, redigirei uma postagem demolidora e uma carta detalhada à imprensa.
Porque não sou pelego nem pinico de cambada: fiz concurso, pago imposto e não careço de teta partidária pra viver.

domingo, 5 de outubro de 2008

MÁXIMA DA ELEIÇÃO

Vote bem, não importa em quem!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

P.nt. exat.

Um ponto exato
entre o conexo e o discreto,
uma carta de amor,
um grito de gol anima o mundo...
aquela tarde era tão quieta que ouvia-se os respirares da morte
[os passos das baratas entre os vãos

e eu, que catava entre um e outro cáqui
[despretensiosamente
vivia um tempo em que o agora inda não era assim, tão presente
e contava os passos na calçada

brincando de ir...
brincando de ir...

VOTE ROBALO


Últimos dias de campanha do candidato Robalo e ele passa na vila, de porta em porta, entregando santinho.

Com licença... eu sou o candidato Robalo! Eu poderia entregar um santinho?
É qui eu num sô u dono da casa... sô só o pintor só!
Ah...

Com licença... eu sou o candidato Robalo! Eu poderia entregar um santinho?
Infelizmente eu estou atrasado para buscar uma janela que prometi pra minha sogra. E eu sou muito honesto, sou um cara verdadeiro... prometi e vou cumprir. O pessoal aqui da vila já me conhece, sou o Romualdo, mais de 20 anos trabalhando em prol das crianças e dos velhisnhos, dos brancos e dos pretos, das mulheres e dos homens...
O senhor também tá fazendo campanha, seu Romualdo?
Não não... eu vendo bala. E me dá licença que tô atrasado.

Com licença... eu sou o candidato Robalo! Eu poderia entregar um santinho?
Vai te fudê!!!

Com licença... eu sou o candidato Robalo! Eu poderia entregar um santinho?
Ah sim... como não?
Assessor Pacheco... Os santinhos, fafavore!
E quais são os seus projetos, seu Robalo?
Hum... pra revelar os projetos aí é mais caro.
Ah tá...

terça-feira, 30 de setembro de 2008

MADE IN


A globalização é uma fábrica de solitários...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

REALEZA BRASILEIRA

Adorei a postagem do Alan Sieber, um artista muito legal, ótimo quadrinista que tem um senso crítico muito apurado e recomendo que leiam.

http://talktohimselfshow.zip.net/

Viajando no site dele, adorei uma postagem simples, mas profunda, e por isso ousei reproduzi-la aqui, homonimamente, para que ela ingenuamente não se perca.


São ou não são a cara desse nosso belo país de merda?

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

VERDADE MORTA


Liguei a TV e dei de cara com o padre Marcelo. Na frente de um grande crucifixo de madeira, ele segurava um rosário na mão e tinha uma cara de guri chorão.
Jesus, livra-me do stress.
Jesus, livra-me do stress.
Jesus, livra-me do stress.
Jesus, livra-me do stress.
Jesus, livra-me do stress.
Jesus, livra-me do stress.
Jesus, livra-me do stress.
Jesus, livra-me do stress.

Lenta e repetidamente, ele pulava as missangas do terço com a sua crença ritualística insossa.

Jesus, livra-me do stress.
Jesus, livra-me do stress.
Jesus, livra-me do stress.

Eu quebrei a TV.

Jesus, livra-me do stress.

TEORICAMENTE

BRECHT EM SATOLEP


Pensei no cinturão de fótons, pensei no câmbio climático, pensei no trilhão de formigas que perambulam vespertinamente pelos calçadões de Pelotas... Lembrei de Brecht...

O mundo está próximo de um tempo nefasto: os pobres temerão a fome e os ricos temerão os famintos.

ÁGUIAS

O sincronário maia é realmente incrível... Ele mostra várias coisas que julgamos coincidência e, ao relacionarmos à Lei do Tempo, vemos que coincidências não existem.
Resolvi escrever sobre Andre Breton e Arthur Rimbaud e descobri que ambos têm o mesmo kin: águia cósmica azul.


Kin 195
Águia Cósmica Azul

Persevero com o fim de criar
Transcendendo a mente
Selo a saída da visão
Com o tom cósmico da presença
Eu sou guiado pelo poder da autogeração.

SONHOLAIRE


Deus é o único ser que, para reinar, nem precisa existir.

Conheci Baudelaire num sonho. O nome me veio na cabeça e, dela, ao papel, na densa negritude daquela madrugada. O poeta do ópio... A chama do simbolismo poético...
Não é que eu muito o conheça, além de Flores do Mal e de seu kin, Guerreiro ressonante amarelo, nem que eu seja realmente parecido com ele, exceto pelo ópio e por não ver um deus-homem nos céus.

O ESTRANGEIRO

Diga, homem enigmático, de quem gosta mais? De seu pai, de sua mãe, de sua irmã ou de seu irmão?
Não tenho pai, nem mãe, nem irmã, nem irmão.
Amigos?
Você usa de palavras cujo sentido até aqui desconheço.
Pátria?
Ignoro a que latitude se situa.
Beleza?
Deusa e imortal, de bom grado a amaria.
O ouro?
Odeio-o como você odeia a Deus.
Mas que gosta então, estrangeiro extraordinário?
Das nuvens... as nuvens que passam... lá longe... lá longe... as maravilhosas nuvens!

PARA ARTHUR


E lá estava ele,
Com sua jovialidade espantosa,
Bebendo e dizendo diabos
Do mundo que via...
E entre o hálito balbuciando as chafurdas literatas
Beijos
E cores de letras...

BRETONICIES


A palavra Liberdade é tudo o que me exalta ainda. Julgo-a apta a manter indefinidamente vivo o velho fanatismo humano. Ela responde, sem dúvida, à minha única aspiração legítima. Entre tantos infortúnios que herdamos, temos de reconhecer que nos resta a máxima liberdade espiritual. Cabe-nos o dever de não fazer mau uso dela. Consentir que a imaginação seja posta a ferros, ainda que nisso estivesse em jogo aquilo a que se chama vulgarmente a felicidade, significaria furtarmo-nos a esse apelo de justiça suprema que se ergue do fundo de cada um de nós. Só a imaginação me pode tornar presente aquilo que pode vir a ser e é quanto basta para que se levante um pouco a terrível interdição; e é quanto basta, também, para que eu me abandone a ela sem receio de me equivocar (como se fosse possível um equívoco ainda maior). Onde começa a tornar-se negativa e onde se detém a segurança do espírito? A possibilidade de errar, para o espiríto, não estará na contingência do bem?

ESCRAVOCRATAS NEWS


Será que os capitães do mato, assim como a pobre oligarquia pseudorrica pelotense, também tinha vários sobrenomes?
Me pergunto porque, ao passar os olhos em uma coluna social de um jornal citadino, tive a impressão de estar lendo notícias escravocratas (pré 1888)...

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

GUTCA


O sangue que das veias foge
Mancha o mundo de genes
Revela ao ar os segredos helicoidais
Guardados no âmago do imo

O mesmo sangue,
O sangue de mãe,
O sangue dos filmes e das novelas,
O sangue do cuspe,
O sangue dos santos...
Em gotas, retém universos,
E declara morta uma cadeia de DNA

Este sangue derramado,
Que tatua a pele e colore os seres,
Alimenta a terra que o absorve
E leva os fenótipos
De volta ao centro do nada.

MAIOR PEQUENO


Ele mentia que tinha um cachorro que dormia tapado, que a mulherada adorava aquela tatuagem de presidiário que ele tinha no antebraço, que o pai dele saltava de pára-quedas e que a avó tinha perdido a vez pra Carmem Miranda...

***

Era seu pseudomundo
construído com tijolos de palavras,
mas palavras são vento de boca
e racham a cada psicopiscar...

***

E ele, que dizia ser amado, que se dizia importante para que "as coisas" acontecessem bem, que o sol rodava no seu eixo... ele, que poderia reter um míssil com um telefonema, tinha medo de dormir sozinho...

AA RGUMENTO


O Silveirinha estava embriagado quando caiu na blitz e o guarda viu, no chão do Chevette 84, duas dúzias de latas da Skol.
Documentos do veículo e habilitação, por gentileza!?
Sim... ic... aquió seu gualda...
O senhor poderia descer do carro, por favor!?
Ic sim... ic...
O senhor não tem vergonha na cara de dirigir neste estado?
Mas que mal tem, ic? Eu adoro o Rio Grande do Sul...
Digo neste estado de embriaguez...
Ah!!! Êpa, ic!!! Pode parar, seu gualda, ic!!! Isso aí é injustiça!
Como assim injustiça?
Ué seu gualda, ic! O senhor vai me multar ou vai me mijar? As duas coisas o senhor não vai fazer... Como pode, ic? Eu fiz um crime apenas e vou receber duas penas, ic? Ou o senhor me multa ou o senhor me mija, pode escolher, ic!

O guarda levou o Silveirinha até o canto escuro da rua e, junto com mais dois PMs, deu murros e pontapés no pobre diabo do Silveirinha.

MORAL DA HISTÓRIA: Não importa o argumento: importa a aparência do argumento.

FAZ-DE-CONTA NO ESPELHO


O Valenzuela ainda lembra os exatos dia e hora em que descobriu que era, realmente, narigudo.
O Estáquio ainda fala em winchester de seu computador.
A Cleci ainda não aprendeu outro corte de cabelo.
A profe Lídia ainda controla seus alunos pela chamada.
O Arlindo ainda faz bandeiraço apaixonado por seu candidato.
O Claudionei ainda usa celular-tijolo.
A Astrilde ainda pede gasosa na copa e pinta unha do pé.
A Carlota ainda chama sanguessuga de xamixunga.

E eu, espelho do mundo, que entre milhões me procuro, sou o que de fato lembro...

EU SOU NEGUINHO?


Alexandre, O Grande, voltava de uma batalha no Oriente, a caminho da Índia, e encontrou Diógenes de Sínope, filósofo sufi e maior representante do Cinismo, deitado, nu, na beira de um rio. Alexandre, que tinha as armaduras mais caras e refinadas do Império, ficou chocado em ver aquela figura, nua, deitada, a esmo e feliz, na beira de um rio e foi, com Diógenes, ter, perguntando o que, por ele, poderia fazer.
Alexandre, que parado em pé fazia sombra ao velho sufi, ouviu: "Não me tires o que não me podes dar".

***

Depois, Alexandre o pediu como podia ficar ali, deitado, sem fazer absolutamente nada. Diógenes, contemplando a bela paisagem, convidou Alexandre a se desnudar e deitar ali, pois a margem era grande o bastante aos dois. O como, segundo Diógenes, era a forma que a mente encontrava para evitar a ação de fato.
Alexandre respondeu-lhe que não tinha tempo para deitar à margem... que ainda tinha muitas guerras para conquistar o mundo. Foi então que Diógenes falou que não precisava conquistar o mundo para desfrutá-lo, e O Grande ficou triste, pois entendeu que não havia, realmente, mais nenhum mundo além daquele a ser conquistado...

***

Se eu não fosse Alexandre, quereria ser Diógenes.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

XESTER E O JUIZ DE DIREITO


O Xester tentou dominar o mundo durante 20 anos antes de aprender a tocar flauta. Eu não sei se dominar o mundo e tocar flautas tem algo em conexo, mas com o Xester foi assim.
O Xester, que não é parente da Xuxa, nem conhecido, certamente, tinha um fiel escudeiro... um assessor, por assim dizer. O nome dele era Juca. O Juca fazia anotações importantes no caderninho espiral, como o telefone do velho Bush e do Gorbatchev, o endereço da Rita Zero-hora e o bina (naquele tempo o bina era um sucesso) da Cleci, que cortava o cabelo dos dois na caverna onde se escondiam. Mas o que eu realmente tenho pra contar do Xester é que numa audiência civil, movida pelo Departamento Jurídico da falida Hermes Macedo e que cobrava as prestações faltantes da TV 14" que o Xester tinha comprado do sistema, ele virou pro Juca, que estava sentado ao lado de seu advogado (lê-se defensor público), e disse, coçando a vasta barba:
Juca... quem é aquele crápula de capa preta?
Ele é um juiz de direito, mestre.
E o que ele faz Juca?
Ele é um dos patamares mais respeitados do sistema, mestre.
Então você anota no caderninho aí, Juca, pra eu não esquecer de, quando eu dominar o mundo, acabar com ele.

O Juca, anotando, questionou.
Acabar com ele quem mestre? O mundo ou o juiz?
Hum... Vou pensar...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

HORA-EXTRA

Girei e caí
Como um pião
No exato aqui
[que não é ali nem ali, é aqui

Onde o sempre quase nunca é sempre
Onde o nunca é quase nunca o nunca
E o certo, estigmático e preciso,
Virou C de prova cartesiana

Qual a ciência que vou estudar?
Em que quero me aperfeiçoar?
Ora bolas...
O mundo me comendo e eu querendo ser phD...

Nem sei o que sei
E o que me oferecem é engodo
E o que mostram, ilusão

Fazendo hora pra morrer...

sábado, 20 de setembro de 2008

BALELOCRACIA


Acho, ultimamente, que a democracia é uma balela. Ainda mais em época de eleição, pois me aparece cada figura se dizendo a solução pros meus problemas... E a politicagem, como se apresenta em todos os níveis da federação, não resolve mais nada, pois o vício está na origem, ou seja, na essência humana.
Uma organização comunitária que centralize seus poderes em um governo central está fadada ao fracasso, pois este governo, recheado de pessoas despreparadas (nos três poderes, obviamente), nunca chega em todos os lugares. Assim, tomando o exemplo de Pelotas, por exemplo, a prefeitura não chega na periferia. A saúde não chega na periferia. Os empregos e as vagas na universidade não chegam na periferia...
Quando 51 pessoas decidem por 49, ou quaisquer que sejam as proporções (70 por 30, 80 por 20 etc), há aí um lapso político, qual seja o da supressão da minoria. Suprimir a minoria é causar turbulência, é alimentar a insatisfação e a revolta, é nutrir o monstro das diferenças sociais e políticas. E aí nos dizem, maquiavelicamente, que a democracia se resume no direito ao voto... Balela!
E qual, então, a solução para a sistemática?
Eu creio que seja a decisão por consenso, que é um passo anterior ao da decisão por telepatia. Contudo, como decidir por consenso numa cidade com 400 mil habitantes? Aí eu respondo: impossível! Não há decisão por consenso em grupos grandes, e é por isso que acredito na ramificação das comunidades em ecoaldeias e em pequenos agrupamentos sustentáveis, que formulem o seu regramento, a sua sistemática nutricional, educacional e de convívio.
Papo pra bar... ou pra sombra de um abacateiro numa ecovila.

MUNDERRETE


Parei de pensar o que vai acontecer com o mundo em termos de aquecimento global. Creio que a humanidade, como coletividade, já fez a sua escolha, que não é muito diferente à escolha dos atlantes, dos maldekianos e de outras civilizações antigas.
Temas recentes e modernos como a permacultura, ecoaldeias e sustentabilidade (este último surgido na Eco Rio 92) admitem propostas (viáveis) de uma transformação de métodos, contudo, penso que os paradigmas é que devem ser quebrados... O tempo é dinheiro por tempo é arte; a ganância pela amorosidade; a competitividade pela harmonia fraternal; o consumismo e o carnivorismo pela produção e consumo de alimentos orgânicos... E por aí afora tantos outros, todos radiando a principal descoberta, que é pano de fundo de todas as mudanças supracitadas, que é o uso do calendário de 13 luas e 28 dias.
Sei que tudo isto parece, aos olhos comuns, muito utópico e pouco prático. Sei que o mais fácil é não pensar nisto tudo e ligarmos em mais um programa do Faustão... E é exatamente por isso que retomo o pensamento de que a humanidade já fez a sua escolha e, por isso, neste amanhecer galático, haverá as piores catástrofes de todas as Eras. E em breve!

***

Não quero ser catastrófico
Não quero ser nostradâmico
Não quero ser prenostálgico
Não quero ser coca-cólico
Não quero ser evangélico
Mas se tiver que ser dos últimos humanos
Sobre um dos últimos pedaços de madeira flutuantes
Não se aproxime: não serei piedoso.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

DA HORA


Ele era um legítimo pau d'água!

GATINHO DE RUA


O Waldomiro era o capeta com a bola no pé... Sem ela também... E talvez seja por isso que seu talento futebolístico nunca fora descoberto por nenhuma grande máfia do soccer: ele adorava cachaça, mulher e jogatina.
Mas no domingo, dia de pelada no campinho do viaduto, era sagrado: podia estar chovendo... podia haver ressaca... nada impedia o Waldomiro de correr com a 7 do Rapidão Cometa (que não era o nome do time, já que nome o time não tinha... Era o time do Waldomiro, digamos assim. Rapidão Cometa era o patrocínio da transportadora que estava estampado nas costas dos atletas do alvi-rubro bairrense).
Mas num domingo fatídico o Waldomiro inventou de brilhar pra cima do Moto-serra. O Moto-serra, diga-se de passagem, era um zagueirão deste tamanho que corria também pelos domingos do viaduto, só que no time adversário do Waldomiro. E naquele, bem naquele domingo, o Waldomiro estava endiabrado. Dois balõezinhos, janelinha, duas meia-luas e um monte de saracoteada pra cima do Moto-serra só podia dar nisso.
Na TV o Moto-serra chorou... falou que perdeu o emprego... falou da mulher que o traíra... falou da mãe doente... Mas não adiantou nadica: a galera, na maior parte torcedora do Rapidão Cometa, louca da vida com o Moto-serra, nunca entendeu os reais motivos dos três tiros que ele deu no Waldomiro...

Futebol é futebol, e vice-versa.

E O CARA?


E o cara que achava que a hermenêutica era a capital da Poláquia e que a lógica era um espaço pequeno onde se vendia coisas?
E o cara que achava que velho tinha que nascer morto?
E o cara que achava que Duro de Matar era um filme erótico estrelado pelo Maurício Mattar?
E o cara que jurava que tinha dois estômagos?
E o cara que dizia que tinha a cabeça aberta?
E o cara que pensava que era o Paul que tinha morrido?
E o cara que achava que lavagem cerebral era uma comida pra porco feita de cabeça de macaco?
E o cara que tinha duas chaves: uma pra perder, outra pra achar?

ABORDAGENTIL


Com licença!?
Pois não!?
Meu nome é soldado Junqueira, tudo bem com os senhores?
Ahã!
Tudo... comigo tudo...
É que eu estou no meio de uma abordagem... não que eu desconfie alguma coisa de vocês... nunca! Não me entendam mal... É que é meu trabalho...
Sim... e daí?
Daí que até fico constrangido em abordar vocês assim... no meio da cervejinha...
Pois é...
Nada não seu guarda... fale!
Não... é que eu gostaria que vocês dois ficassem ali na parede pra eu poder revistá-los, se me permitem, claro...
Bom... por mim tudo bem... Que tu acha Mattos?
Ué?? Por mim tá beleza... Qual parede seu guarda?
A que vocês acharem melhor... pode ser aquela ali, pode?

***

O senhor poderia abrir um pouquinho mais a perna, por gentileza?
Claro seu guarda.
E se não for pedir demais, o senhor faria a gentileza de me mostrar seu RG, por favor. O seu também, se não for incômodo...
De maneira nenhuma é incômodo, seu guarda... Aqui está...
E aqui está o meu, seu guarda...
Hum... sim... Mattos... o senhor não é parente do Alexandre?
Não não... não que eu saiba...
Hum... Infelizmente eu vou ter que revistar seu bolso, senhor Mattos. Mil perdões... É que é o meu serviço... Eu fico até vermelho, olha só. Se isso lhe causar algum constrangimento, aí eu não faço... Na verdade eu vou ter que revistar vocês dois...
Constrangimento algum... fique à vontade seu guarda.
Pode ser senhor Eduardo?
Hum... eu não sei como lhe dizer, seu guarda... mas eu tenho um baseado no bolso... Não é nada demais, é só um baseadinho...
Um baseado? Deixe-me ver... Hum... Mas o senhor não é traficante, não é mesmo?
Não não... juro pela minha mãezinha no céu... nunca fui... Deus me livre!!!
Hum... mas não pode, seu Eduardo... Como eu vou lhe dizer??? Tem uma lei que não permite...
Pois é... eu sei... é que...
Ah seu Eduardo!!! Tzz... Venha aqui, por favor... Quero ter um particular convosco...
Sim???
É que... seu Eduardo... Eu não sei como lhe dizer isto... veja bem... Não é nada pessoal... Eu nem quero lhe ver triste... É que... infelizmente... Eu vou ter que levá-lo preso.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O MEU MUNDO...


Era um apartamento...

RAJNEESH 743


E se mais e mais pessoas se tornarem 'desistentes', o mundo poderá ser salvo. Essa será a verdadeira revolução, não política. Ela será espiritual. Se mais e mais pessoas abandonarem as velhas mentes e seus caminhos, se mais e mais pessoas se tornarem mais amorosas, se mais e mais pessoas forem não-ambiciosas, se mais e mais pessoas forem não-gananciosas, se mais e mais pessoas não estiverem mais interessadas em poder político, em prestígio, em respeitabilidade...

HEI KAMBÔÔÔ


Ela dizia que já tivera todas as doenças, menos hipocondria. E era tão assim que conseguia adoecer todo dia, e de males diferentes. Tanto é que a família já dizia: o dia que ela disser que está bem é porque está doente.

***

E a alopata que disse não ter um diagnóstico pro meu problema, mas me receitou um monte de droga cara? E ainda me pediu: Tens problema de estômago, porque essa droga é forte...
Meu deus... Não sei se o pior é ela, com este conhecimento antiqüado e mafioso, que em vez de cura busca enriquecimento, ou eu, que por chacoalho alheio fui parar lá no consultório dela.

***

Me curei, antes que alguém pergunte, com sangue de dragão e argila medicinal do Nestinho. Na verdade, tonteei a enfermidade. Depois, usei do kambô pra liquidar a fatura...
Tudo fitoterapia amazônica, com exceção do kambô, que mesmo sendo amazônico, é um dos únicos (que eu conheça) remédios oriundos do reino animal.

***

Na verdade, todo processo de cura (e de doença) começa pela cabeça.

DO BANGU À RUA 3


Este time aí da foto é o Bangu Atlético Clube, popular e carinhosamente conhecido como Bangu. A foto faz referência ao título de Campeão Carioca de 1966. Da esquerda para direita, em pé, estão Mário Tito, Ubirajara, Luiz Alberto, Ari Clemente, Fidélis e Jaime. Os agachados são Paulo Borges, Cabralzinho, Ladeira, Ocimar e Aladim.
No banco daquele memorável time estava um atacante chamado Ênio da Rocha Chaves, o Ênio. O Ênio, embora reserva, marcara 4 gols naquele campeonato, contra Madureira, São Cristóvão, Olaria e Campo Grande. Balançou, inclusive, duas vezes, as redes do Maraca. Graaaaande Ênio!
Você deve estar se perguntando: Sim, e daí? O que tem a ver o Bangu, o Ênio e o Carioca de 66 com o Duda? Na verdade, até hoje de manhã, nada. Só que hoje, neste belo dia de fins de inverno, o Ênio, agora técnico-eletricista, arrumou o disjuntor lá de casa e evitou que eu tomasse um banho gelado de chuveiro.
Graaaaande Ênio!!!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

CENTRO DO MUNDO


Ele dobrou a esquina e o ambulante já o abordara, vendendo cinto. Vendendo rede. Vendendo carteiras de couro para pôr dinheiro e cartões de crédito. Vendendo seu tempo...
Ele disse não e seguiu, até atravessar a rua. Entrou numa banca, comprou um jornal pra ver se o mundo ainda não havia terminado... Ah sim, passou pelas esportivas... na verdade, começou por elas... lia sempre de trás pra frente... Mas leu-o somente no bar, sentado, onde se questionara, depois de ver as notícias do Iraque, se não era ele, ele mesmo, o mesmo que ali, sentado, tomava uma cerveja preta de uma fábrica de Estrela, se não era ele o centro do mundo...

MUNDO DE BOLSO

Enquanto na tevê passava a programação especial de aniversário da emissora, que de especial não tinha nada, eu via pelas grandes janelas do café as pessoas que passavam... Seria eu o observador ou o manequim da vitrina? Mas cada pessoa lá fora poderia também ser um peixe, nadando, cada um, única e individualmente, no rio de sua biografia... Cada um com sua diverisdade de idéias e objetivos, de caras e almas... cada um representando um caco do espelho de deus, que, quebrado na tecnosfera, já não pertence a ninguém.
Decidi ali, numa fagulha do momento exato, deixar de salvar o mundo. Vou agora tentar salvar o meu mundo, que é muito fácil de pôr no bolso.

sábado, 13 de setembro de 2008

A AMANTE DO TARUMÃ


E tem o caso do português, que neste fato específico não é vítima de piada maldosa da fria vingança tupiniquim, se não um mero marujo explorador de mogno e pau-Brasil que em uma caravela lusitana fazia a ponte entre o seu sonho de fortuna no Novo Mundo e as tetas da Maria, em Braga. É que numa dessas visitas às novas terras do império, o referido português, cujo nome, se não me engano, era Manoel, como seu pai e seu avô também o foram, trouxe consigo um espelho redondo, desses que hoje se vê nos porta-coisas femininos, e olha que aquilo era só pelos idos de 1530, e o ofereceu à índia Iaúna em troca de seu sexo, já que ele, Manoel, não tinha, como a maioria de seus colegas, coragem para usar do estupro.
De Iaúna, o espelho caiu no riacho e, depois de meses perdido, foi encontrado por Tarumã, que naquela manhã procurava pelas piabas do rio de modo a cumprir sua missão de macho e alimentar sua prole, que já contava com quatro curumins e um por vir no ventre de Iracema, que por ora roncava de faminto. E Tarumã olhou o espelho. E se encantou. Achava ter descoberto uma pedra mágica, pois via ali refletida a cara do seu velho pai, o pajé Aririi. Na verdade, como ele, Tarumã, nunca havia se olhado antes num espelho, cria estar diante de uma imagem metafísica, uma porta ao além. Decidira, então, de pronto mostrar a tal pedra mágica pra sua Iracema, que conhecera seu pai Aririi e, certamente, se encantaria com tamanha magia.
Mas ao chegar na oca, que parecia com um ninho de joão-de-barro coberto por capim-manso, Tarumã não encontrou Iracema nem curumim algum... decerto haviam ido se banhar ou comer algumas amoras silvestres que nasciam perto da cachoeira, ou fazer algum cocar numa sobra de umbú. Ele, Tarumã, largou o espelho numa cumbuca e voltou à lida, já que tinha...
Iracema chegou em casa e viu, dentro da cumbuca, o espelho que Tarumã trouxera depois de encontrá-lo no rio em que o perdeu Iaúna que o tinha ganho de Manoel, o português com cara de cigano (isto eu não tinha dito: Manoel tinha cara de cigano sim, proveniente da genética do mundo, que circula independente das fronteiras). E Iracema, ao olhar-se refletida na pedra mágica, teve, naquele exato instante, a certeza de que comprovara, de forma inequívoca, a traição a que era submetida por Tarumã.
Tarumã tem amante!!! Pensara Iracema, não nestas mesmas palavras, nem neste mesmo idioma, por certo. Mas a essência do raciocínio foi justamente esta: Tarumã tem amante! E correu, claro, pra mostrar para sua sogra, a índia Jacutinga, que era uma praga com bigode e sempre, sempre defendia o infiel do Tarumã.
Aqui tá vendo Jacutinga? Eu sempre razão!!! Tarumã tem amante sim! Aqui prova concreta... Tarumã trai Iracema com safada aqui ó!!!
Jacutinga, que por causa da miopia (que nem desconfiava ter), pegou o espelho para ver a tal amante de Tarumã mais de perto. Qual foi sua surpresa em se ver diante do espelho (algo também novo para ela, e creio que para toda aquelatribo, com exceção de Iaúna para cá, dentro do que relatei, é óbvio), qual foi sua surpresa ao ver, de fato, que Tarumã tinha uma amante. Mas não deixou, como de costume das sogras indígenas, de tecer seu comentário:
Mas que trubufú!!!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

ALABAMA

Dia 14 de outubro, Tormenta harmônica azul, kali 25 da lua elétrica, olharemos para o céu...

REAL SOCIAL


Bretch disse uma vez que o mundo só estaria livre da podridão quando o último burguês morresse enforcado nas tripas do último padre. Acho a frase muito forte, repleta de palavras feias, como burguês e padre, e por isso proponho uma readequação ao tema, muito mais ampla e contemporânea:
A feiúra que vês é a feiúra que tens. Livre-se dela e limparás o mundo.

E AGORA?


Fiquei pensando acerca da vanguarda... Não há possibilidade de uma neovanguarda cultural ou tecnológica, pois todo processo (inclusive o acelerador de hádrons e a projeção holográfica) é o resultado de uma novidade preexistente, ou seja, é apenas mais um degrau conseqüente do anterior no plano da mesmice científica que parece nova, mas não é. A nova escadaria da vanguarda, que representa uma troca de paradigmas, é consciencial e chama-se LEI DO TEMPO!

***

O fato é que o tempo (kin) precede o gen, ou seja, o tempo preexiste a tudo e dele todas as coisas derivam. E esta quadridimensionalidade do tempo, que é infinitamente imediato, expõe seu caráter absoluto, em detrimento ao espaço, que é relativo. Claro, pois se uma bituca de cigarro apodrece, a galáxia também, pois, segundo meu amigo Mago Galático, o espaço é a sombra do tempo no seu perambular pelas praias da consciência. Isto até parece confuso, por isso exemplificarei.
O tempo é o eterno agora, pois o único momento que realmente existe é o imediato agora. Ontem foi agora, agora é agora e amanhã também será agora. O futuro é uma projeção hipotética, baseada em medos e num processo mental cartesiano que, a cada dia, fica mais ultrapassado. E o passado é um resquício memorativo alimentado por ligações físico-químico-biológicas, onde é impossível auferir quaisquer ações, exceto a culpa e a saudade, instrumentos usados como referência por um ego que precisa de respostas imediatas sobre quem somos nós. E é por isso que todo dia nós voltamos aos mesmos lugares e fazemos as mesmas coisas, porque se não o ego se perde...
Então resta a grande pergunta: O que você faz do seu agora? Você troca o seu agora por uma grana que nunca comprará seu tempo de volta, que não resulta em nenhum caminho realmente alternativo aos colapsos geológicos, sociais e políticos e que objetiva apenas o seu empoderamento pessoal, trancando o fluxo da matéria e construindo, junto ao sistema, mais uma gama de miseráveis, mais uma gama de guerras por fronteiras, mais uma gama de sexo e drogas para tapar os buracos da mente...
Este tema realmente é muito amplo para ser tratado num tópico de blog... eu até diria que nunca mais falarei sobre isto de tão vasto que é o assunto, só que o nunca mais não existe... ao menos não agora. Então resumirei tudo em uma fórmula matemática:
T(tempo) = arte

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

HILÁRIO POLÍTICO


Por favor... parem de falar de seus candidatos. Serei obrigado a ridicularizá-los.

***

E por falar em ridículo, tive, antes de ontem, uma imensa prova de aculturação política e de interesses coronelistas em nossa Pelotas. Poderia até falar mais acerca do assunto que envolve o magnífico reitor de nossa universidade local, mas não o farei para não parecer um chato de galocha e politiqueiro, como ele é. Ficarei sentadito, com o capim no canto da boca e meu chapéu de palha, pescando as ilusões de uma realidade concreta, onde haja realmente ações reais de melhora e não cessões de contrapartida interesseira. Nada nos é dado como esmola do bom pai... Escola de qualidade é meu direito e não é preciso pinico ou pelego nesta relação. Afinal, meu pai morreu pagando contas...

***

Último detalhe: há sempre a possibilidade de eu estar equivocado. De repente eu nem exista e seja uma ilusão de alguém, e este alguém pode ser um outro eu, de alguma outra dimensão, vai saber... Mas se eu, este eu que agora tecla, realmente exista, é impossível outro igual e, portanto, expresso-me com a real ilusão de que posso representar nada, mas o nada é, sempre, imensurável.

LOBISMODA


Tem coisas que as pessoas normais nunca saberão, como, por exemplo, se Jesus teve filho, se a galinha nasceu antes do ovo ou se Hitler era mesmo aquele pipoqueiro de Bagé. Mas tem coisas que a gente, de um jeito ou de outro, descobre. Você, por acaso, saberia como tirar um lobisomem da toca? Pois eu sei!
O Alexandre Mattos, vulgo MM, é o novo lobisomem da cidade. Depois de locar uma baia na Anchieta fundos, ninguém mais vê ele. Os amigos acreditam que o cabelo e barba dele estão gigantes (assim como as unhas) e ele já se transmutou a um ser, digamos, mundodamodista.
Se quiser tirar o lobisomem da toca, grite! Mas grite mesmo!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

SE VOCÊ QUISER EU VOU TE DAR UM AMOR


Desses de cinema...

APOLITIQUEI-ME

Eu não curto escrever quando estou indignado. Eu prefiro deixar a indignação passar e, depois, escrever sarcástica ou satiricamente. Já falei que não discuto política, apolitiquei-me. Nada contra a ciência de estudo da pólis grega (Política) que historicamente se mantém como o método dialético e sociológico de identificar e sanar os problemas da comunidade... Mas é aquele velho papo: política é diferente de politicagem. Hoje há politicagem, tão-somente. É a teoria do tu defende o meu, eu defendo o teu, e nós nos defendemos. Até porque, em época de eleição, é legal a gente antenar na realidade de que nenhum político está preocupado com a comunidade, mas sim com seu emprego. E isto vale pra um Executivo inoperante e propagandeiro e pra uma cambada de vagabundo que senta a bunda branca no legislativo mantido por mim (e por você também). É que recém agora vai cair a ficha de que a democracia é uma balela...

***



O mais legal de tudo é reparar nas garantias públicas que temos. A saúde pública... as estradas... a educação. Tudo prato cheio pro Ari Toledo. Cria-se alternativas pro sistema falido, como planos de saúde, pedágios "restauradores" e entidades privadas, mas nenhuma delas chega ao Zé Dassilva.
Ano passado o Zé Dassilva ficou feliz porque entrou na Universidade. Ele nem discute o método excludente e injusto do vestibular, nem cotas pra negros nem corrupção da reitoria. Claro... ele é só o Zé, gente! Só que na UFPel a coisa tá ficando feia e o Zé já tá ficando enjoado. É que além dos escândalos politiqueiros (dois quais o Zé também tá por fora), o curso do Zé não recebe grana pra nada... os equipamentos estão sucateados... a biblioteca é uma piada... entre outras coisas, o que faz com que o curso do Zé seja virtualmente cambaleante.
Enquanto isso, os amigos do Cecê (mais de 700) brincam de gastar dinheiro... Os amigos do Zé também querem, claro... Só que não foram gentilmente convidados...

CECÊ


Hoje me deu vontade de escrever sobre meu amigo Cecê.
O Cecê é um brother bacana e muito prestativo. Ele é funcionário público, o Cecê, embora nunca tenha gostado muito de ler ou estudar. Talvez seja por isso que o Cecê nunca conseguiu um emprego sequer, mas seu pai sim... Seu pai consegue emprego pra todo mundo, inclusive pro Cecê, já que é intimamente ligado à Ku Klux Klan e à redes ultrassecretas e subterrâneas de poderio internacional.
Embora saiba de tudo, Cecê segue ingênuo, como se tivesse sempre os mesmos 5 anos de idade. Na real, você só não pode deixar o Cecê falar muito, senão ele acaba por falar verdades que nem são dele e assim o pobre do Cecê acaba por ser preconceituoso, racista e coronelista.
Mas tudo bem, repito. O Cecê é meu amigo. E ele tem certas habilidades, como você pode ver aí em cima. As imagens foram gravadas por um irmão dele, o Emergencial (apelido dos tempos de prefeitura), em um dia de expediente fraco.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

THOMAZ DRINK


Eu tenho um amigo alemão, o Thomaz Drink, que é uma figura. Ele bebe como um russo, fuma como um turco, dorme como um urso e come feito um americano. A única coisa que ele faz à moda alemã é teimar. Eu disse pra ele: Pô Thomaz... como tu teimas cara! E ele: Não teimo, não teimo e não teimo.
Mas o fato é que ele teimou que nunca houve o milagre da multiplicação do vinho. Pra ele, Yeshua só fez o milagre do pão.
Aí, Thomaz, está a prova de que se pode, sim, multiplicar o vinho. Não se pode é dirigir bebum... Porque os azuizinhos estão fazendo a multiplicação das multas...

ÔZÉ


O Sol
derramando luz na vidraça da vida
acordou não só o Zé Geraldo
[pras belezas invisíveis

É que da janela dos olhos de todos
nunca se vê
a mesma paisagem...

terça-feira, 19 de agosto de 2008

MÁXIMA DA RAPADURA

A vida é doce mas não é mole!

RETROVISOR DE PORTA

Quebrou o espelho direito do fusca... Não sei se eu rateei ou se alguém, no auge de sua maldade, machucou o meu pipoca. Mas tudo bem... a vida é pra frente, e é por isso que existe espelho.
Mas o fato é que eu consegui instalar o espelho quebrado do lado da porta da minha casa. É que o portão fica tri loooooonge e quem chega não consegue, daquela distância, ver se a porta está aberta ou fechada. Então, quando alguém vai bater lá em casa, eu me posiciono estrategicamente na porta e olho pelo retrovisor. Se for Gente Boa eu abro. Se for um mala-sem-alça, como o Lelé da Cuca, eu não abro. Pode demolir o sino: não abro.
Isso não significa que se tu fores lá em casa, bater e ninguém abrir, eu te considere um mala-sem-alça. Pode ser que eu não esteja mesmo. Há sim esta possibilidade. Mas se tu, no âmago do teu imo, tiveres certeza muito-mais-que-absoluta que não és um mala-sem-alça, então pode pular a grade que o cachorro é manso.

A GRANDE MATEMÁTICA

Nunca entendi porque aquela minha gorda professora de matemática sempre me chamava atenção... Certamente queria que eu me silenciasse, como faço agora com este meu cachorro preto...
Ora, professora,
Pra equação da vida
[que por ser infinda não tem resultado

cada pessoa acha a resposta que lhe convém

Me deixe brincar enquanto a aula não acaba...
Me deixe criar um X pra tudo,
falar de flores, de viagens...

Me dê uma aula de vagabundagem
Que hoje eu quero aprender
a dormir na grama.

EU?

Vejo gente entre as esquinas...
Nos andares, passos para o nunca... a busca incessante do rumo... a fuga constante do antes...

Aqui, onde moram as exatas coordenadas, sinto que o tempo esqueceu de tudo. Talvez a chuva nunca vá parar, ou quem sabe Deus, viajando num cometa, tenha voltado pras charqueadas buscar outro negro morto...
Vejo fantasmas
E vejo almas que ainda vivem (sem saber porquê)

Não tenho sonhos, não tenho nome, nunca conheci ninguém
Sou apenas fruto que caiu sozinho
no chão morno da existência.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

25

(Para Nena)

Uma flor abriu no mundo
Como se o mundo ainda fosse mundo
E a semente, forte e fértil,
Fez brotar o que eu ainda nem sabia
Do que sou, do que procuro...

E por ser tão bela e simples,
Cai de ti orvalho prata
E o chão que tocas
Faz estar sempre abençoado
Os cantos da Terra

Solta ao vento teu sorriso
E deixe que te sigam
Os colibris da vida...

AMOR HERMANO

Juanito, viene cá perfavore!
Si?!
Un trabajo pra osted: tendrás que matar a Sandrito Pocamonta.
Sandrito Pocamonta? Yo no puedo señor! Sandrito Pocamonta mamou nas teta de mi madre!
Mas yo te pago $30 mil pelo serviço!
Señor... já to começando a odiar aquele muchacho!

domingo, 3 de agosto de 2008

RAJENESH NUDI


É a feiura
Que tentamos esconder...

DALI DAQUI


Eu não sou Dali
Eu não sou daqui
Eu não sei de nada
Apenas me mandaram perguntar
Se chegou a encomenda

Quando eu cheguei, já estava tudo assim
Exceto a TV a cabo e as velhas camisas de lã
[do Internacional

Na verdade,
eu só vim dar uma olhada
já tava saindo
[desculpa seu guarda...

(E quando passou da última porta, uma voz distante gritara seu nome. Preferiu então, fazer de conta que não era consigo, e partiu levando sua cadeia genética, um pacote dos Correios e algumas moedas. Quando encontrou um ente - parecia até o Charlton Heston -, que lhe pedira como foi viver, Dali disse: "Lá embaixo eu sigo vivo"!)

NOVA EM FOLHA


Esqueça as ranhuras, garota,
E as rugas que a vida te põe na cara
Fotossintetiza teus momentos
enquanto não cais do galho
da existência.

GOTA DE ARCO-ÍRIS


Se o mundo é formado por zilhões de imagens que não vemos, sons que não ouvimos, lugares que não conhecemos, fatos que ignoramos, coisas e mais coisas (como nomes científicos, curiosidades das moléculas, músicas e mantras, segredos religiosos...) que nem sequer poderíamos imaginar, como posso responder quem sou?
Meu nome é muito pouco...

Sou apenas uma gota que, constantemente, deixa de ser gota pra se emaranhar na imensidão do mar...

PESCARIA ETERNA


Resignado
Ele cria durar mais que o mar
Sem perceber que há milênios
Mar e homem são um só...

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

INFINITA MENTE


Achei pedaços soltos
do que tu falavas
colei nos dedos sangue,
o pranto em chamas

e decidi
[que a partir de então

eu era o próprio fundamento
da palavra vida

deixei que os sonhos
se tornassem nuvens
e pus no hoje
o amanhã constante
e por ser errante
o fantasma pensamento
foi por noite afora
procurar por si

claro
é claro que se sabe
que o infinito
é a mente em fuga.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

O PRIMO DO AQUILES

Era setembro de 93... numa noite insana, escalei a torre da telefonia em Santa Rosa e acabei no xilindró (invasão de propriedade privada). Quando eu contei essa história pro Tiaguito, ele me falou: Bah magrão... aqui em Pelotas eu não tenho essa vibe. Eu sou primo do Aquiles.
O Aquiles é um sub-comandante da Brigada Militar e o Tiaguinho me falou que, quando ele tomava um atraque da lei, ele falava do primo Aquiles e tudo ficava limpeza. Eu achei o máximo... existia uma senha pra escapar da milícia estadual... Era só dizer Eu sou o primo do Aquiles e a Inês estava mortinha...
Aquela história me seduziu... eu tava louco pra cair numa blitz e dizer: Eu sou primo do Aquiles! Que barato... Foi então que eu contei essa história da senha prum amigo que contou proutro amigo que contou pra um amigo láááá do outro lado da cidade que contou pra um cunhado que contou pro carona da moto do amigo da professora que contou pro Mata-rindo.
O Mata-rindo era um cara perverso. Era ruim mesmo o tal do Mata-rindo. Era daqueles que cuspia na mãe, atirava no cachorro, beliscava criança e tal... O Mata-rindo jogava tachinha em salão de baile e colocava Superbonder em fechadura de automóvel. Uma praga! A ficha criminal dele era tão grande que tinha que ser impressa em papel toalha. Por deus! Era maior que xingada de gago.
E foi o Mata-rindo que fez a história do primo do Aquiles ter um desfecho engraçado. Engraçado pra mim, digo. É que ele dobrou um esquina numa madrugada e deu de cara com o soldado Peres e o cabo Pestana, do 1º Batalhão. Trazia consigo um 38 com numeração raspada, uma camisa do Grêmio e 20g de maconha do Brooklin, o Mata-rindo. E quando foi abordado, as sinapses informaram, lá de um canto remoto de sua memória, a existência de uma senha pra escapar dali.

Eu sou o sobrinho... sou o tio... eu sou o padrinho do Alcides.... Sou o cumpadre do Aristóteles!

Tejepreso!

sábado, 19 de julho de 2008

O NOME DO ALIMAL


Mas que bonito... Como é esbelto... olhar profundo... corpo másculo... Qual o nome do animal?
É João Francisco, mas pode me chamar de Chico...

A PALAVRA

A palavra
Na velocidade da lâmina
Sangra a buchada das letras
Corta a cortina da fala
Fura o segredo do verbo

E se solta
A palavra alada em idiomas
Desenhando nomes pelo mundo...
Tirando o homem de dentro,
Faz soar o que antes era pensamento

As palavras ditas...
As palavras riscadas...
A boca suja de sílabas,
No papel, meros desenhos pretos
E fonemas, que atravessam oceanos,
Se escondendo pelas línguas,
Constroem o que é fato
E são pontes das cavernas
Até uma humanidade prolixa.

TREM



Concentrado nos breves segundos contemporâneos à minha existência, parado, eu olhava pro vazio... pro vazio das pessoas.
A menina era a primeira da fila... suas compras foram somadas e o monstro-caixa lhe cobrava os centavos de seu tempo. Atrás dela, todos iguais... Exceto na incompreensão pela demora da escrava negra que atendia no wallmarket... uns xingavam... ourtos resmungavam... todos batiam pé, como se o tempo lhes fizesse falta. Na verdade são eles, homens, que se distanciam do verdadeiro tempo-arte.
Onde nossa nave pousará?
As crianças fumam crack e dormem no frio. Anjos falam baixo nas praças de sua prostituição. O homem se engana na velha política... O pai se embebeda... o bêbado mata... o morto renasce, no fluxo constante das encarnações. Quem tem culpa? Quem é a vítima? Talvez tenhamos todos descido na estação errada ou, quem sabe, somos o ontem que segue indivisível, no mesmo medo dos passos e das transformações... com receio de abrirmos a janela...
E embora eu saiba que não há respostas, me cobro todo dia pelo prato que eu como. Me culpo por todos os meus privilégios, que são bolas de chumbo da alma; que me aprisionam do lado de fora...
Nossa fome é nossa governanta.
Um amigo diz que "É assim e não adianta". Outro me chama pra brindar... e entre o bem e o mal, que são fantasmas de meu ponto de vista, sigo respirando... e o ar que inspiro (e um dia faltará na carne podre) me sugere mato... me sugere letras... E eu busco, em tudo que me rodeia, o que eu mesmo sou...
Datas, poemas, ruas, sol, risos e telejornais... músicas, paisagens, folhas... Não posso descer do trem-de-mim antes da última estação, mas quero viajar na primeira classe da resposta "nada". Sem a bagagem da mente faminta, do medo, do velho e arcaico pensamento quadridimensional... Quero me livrar das coisas que pesam... sem pesar, para que, no dia da última viagem, eu possa chegar contente na nova estação do sempre.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

QUASE-POBRE

Eu tenho um amigo tão pobre, mas tão pobre, que só tem dinheiro.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

DO DIA

Ser feliz é tudo o que se tem!

QUASE-RICO

Por volta do ano 2001 eu comecei a ter uma crise de insônia ferrenha. Minha cabeça não parava nunca e eu via o relógio despertar todas as manhãs. À noite, os pensamentos obsessivos vinham e eu comecei, então, a anotar todas as idéias.
Numa noite dessas, durante um breve cochilo, sonhei com 6 dezenas premiadas. Digo, eu acredito que elas sejam premiadas (ou serão algum dia), pois senão não me viriam em sonho. Não é qualquer dezena, exceto as premiadas, que visitam os sonhos da gente.
2-8-18-32-44 e 45. Saltei da cama e anotei. Tinha certeza que ficaria rico. Até hoje, julho de 2008, sempre jogo nelas, embora nunca acertei mais de duas numa mesma tacada.
Hoje joguei de novo. Amanhã a Mega paga R$ 23 milhões e eu até já pensei no que vou fazer coma grana. Já tá tudo planejado... só não comecei a gastar porque a menina da loteria não quis meadiantar uns dois ou três milhõezinhos.
Tudo bem... amanhã, se eu não acertar as 6 dezenas, vou olhar de novo pro resultado na página dois e reclamar: como é que eu não pensei nesses números ontem? Mas tudo bem... o importante é ser fiel ao que se crê.

***

Se eu nunca mais postar nesse blog (ou se eu começar a postar excessivamente feliz), é porque eu acertei na bucha.