domingo, 1 de maio de 2011

OS CLÓVIS NÃO TÊM CULPA


Hoje eu vi um programa (mais um) que tentava explicar a razão do desaparecimento dos dinossauros e grandes mamíferos, há cerca de 13 mil anos.
Nele, eram desenvolvidas duas hipóteses: ou os humanos Clóvis estavam no auge da sua atividade caçadora ou a causa era extra-terrestre, ou seja, um (ou um grupo de) asteróide ou cometa que caíra e gerou consequências letais a 75% da vida do planeta.
E eu nem preciso dizer que a segunda hipótese lidera as casas de apostas do pré-apocalipse.

***

Em uma visão mais ampla, não existe terrestre e extra-terrestre: o universo é um só.

***

Eu acho que esses últimos 13 mil anos é um intervalo do primeiro pro segundo tempo, em termos de quedas de corpos galácticos na Terra. Isso é tão normal no espaço, os choques entre planetas e asteróides, que a possibilidade do nosso planeta nunca mais ser acertado por nada é irrisória ou quase inexistente.
Quer dizer, mais dia, menos dia, um asteróidezinho vai cair no pátio de alguém.

***

E eu fico pensando... Se o universo é infinito, onde é que ele começa?
Dizem que não começa nem termina. O universo é o todo, indivisível, imensurável, e que não há passado nem futuro nele, pois a relação do tempo com a sua mente é infinitamente inquantificável.
Sendo assim, 13 mil anos é um suspiro do universo e nosso planeta, bem como toda a vida do nosso sistema, inclusive nós, pequenos seres (humanos), os dinossauros até os BBBs, bem como toda materialidade, do papel ao ferro e às Pirâmides, tudo tem um tempo de existência relativo.
Por isso eu não penso no fim do mundo: o mundo finda a toda hora, se reinventa, e segue o baile, com ou sem humanos no salão.

***

Porque o tempo acontece.
E os clóvis não têm culpa de nada.

sábado, 30 de abril de 2011

MACÔCO E A ETERNIDADE


O Fred Chico Madri partiu e toda beleza do lugar foi perdendo o brilho.
E a vida é uma estrada que nunca volta.
Só vai.
E ela se fez trilhos diferentes a todos que naquele espaço se encontravam.
Onde era grama, cresceu mato.
Onde era mato, fez-se casas.
E a alegria e o contentamento mostraram que independem do local, elas querem é curtir a mente.

[e a mente é o ponto onde o homem se encontra com a eternidade.

***

Todas as coisas do Fred a família pediu.
E coisas são coisas, fadadas ao perecimento.

[e o que são coisas a uma mãe que perdeu seu filho?

O amor de mãe é o único que nunca se desgasta, por isso é o mais verdadeiro.

***

Mas, depois de um ano, voltei lá.
Uma visita.
E eu temia se iria encontrar comigo mesmo.
Porque de uma obra inacabada, nunca se sabe se as ruínas estavam subindo ou se estavam descendo.

***

Caminhei sozinho.
Encontrei um único objeto deixado pelo Gordo.
Um macaco artesanal.
Feito de côco.
Macôco.
O guardião das noites do Fred.
Que ele trouxera numa viagem e que sempre fora o seu animal predileto.
Seu animal de poder.
O Fred-Gordo-Macacão.
E ele agora fica no canteiro do Jojô.
Olhando pra casa.
Como quem cuidasse de nós.
Pensando o quanto chato deve ser a eternidade.
E o quanto pode ser eterno um momento tão pequeno.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

INFORMÁTICA LINGUÍSTICA


Como estamos na "Era Digital" foi necessário rever os velhos ditados existentes e adaptá-los a esta nova realidade.

A pressa é inimiga da conexão.

Amigos, amigos, senhas à parte.

A arquivo dado não se olha o formato.

Diga-me que chat freqüentas e te direi quem és.

Para bom provedor uma senha basta.

Não adianta chorar sobre arquivo deletado.

Em briga de namorados virtuais não se mete o mouse.

Hacker que ladra, não morde.

Mais vale um arquivo no HD do que dois baixando.

Mouse sujo se limpa em casa.

Melhor prevenir do que formatar.

Quando um não quer, dois não teclam.

Quem com vírus fere, com vírus será ferido.

Quem envia o que quer, recebe o que não quer...

Quem não tem banda larga, caça com modem.

Quem semeia e-mails, colhe spams.

Quem tem dedo vai a Roma.com

Vão-se os arquivos, ficam os back-ups.

Na informática nada se perde nada se cria. Tudo se copia... E depois se cola.

FONTE: E-mail de autor desconhecido.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O PODER DA CUECA


Amanhã o mundo inteiro vai parar pra ver o casamento real do príncipe Charles Pequeno e a princesa Guria de Colégio, na Grã-Bretanha.
Várias emissoras de TVs e reportagens de todo mundo cobrirão o casamento perfeito, o sonho das moças pelo mundo afora... carruagens, cavalos vestidos, rango caro, damas de joias no pescoço, um monte de rei, embaixador, político e artista...
Todos reunidos para a assinatura do contrato de amor mais caro da história do planeta.

***

Ai ai, suspiram as telenoveleiras, que acham em segredo que seus maridos nunca chegarão aos pés do príncipe Wiliam.

***

O maior casamento do mundo pode render o chifre mais decepcionante do mundo!

***

Agora, eu tenho prazeres simples na vida que o príncipe Wiliam nunca terá.
Eu posso pescar no riacho, ir ao shopping, jogar bola, pular Carnaval, tomar uma cerveja no boteco... eu posso.
Um príncipe tem que ser o exemplo perfeito, e que saco deve ser isso.
Alguém se convenceu?

***

A Mariana reclamou que eu deixei a escova de dentes molhada de novo, e eu disse que poderia ser pior.
Ela poderia ser casada com um mala borra-cuecas.
Ela tem que agradecer de pés juntos que eu não uso cueca.
A cueca é o último degrau da humanidade.
Pobre da princesa que tem que lavar cueca rasgada, juntar cueca jogada, cueca freada, cueca no registro do chuveiro, cueca molhada no box...
A cueca é horrenda.
Todo divórcio tem uma dívida com as cuecas.

***

O amor começa no pinto e acaba na cueca.

***

A cueca não é um saco, mas tá muito perto disso.

terça-feira, 26 de abril de 2011

PROFISSÃO DUDA


Na sociedade moderna, pouco importa quem você é: importa o seu status social.
Afinal, quem se importa com seu QI, a doçura do seu coração e a qualidade de seu ser? O que significa mesmo é o emprego que você tem e a grana que ele te dá, o resto é bobagem.

***

Então, jovens e crianças, preparem-se bem para este mundo competitivo, onde se mata ou se morre, por que o seu amiguinho de hoje é o seu pior inimigo no futuro.
Aqui, on nosso planeta, não tem essa de compartilhar e repartir: é eu contra tu e nós contra o resto.
Vira em 1 e acaba em 2.

***

E ainda tem gente que me pergunta quanto eu ganho.

***

A senhora atendente reclamou da mudança de lotação e disse:
Eu nasci mesmo é pra trabalhar no protocolo!

***

O Marcelinho foi pra entrevista do primeiro emprego e a secretária perguntou:
Profissão?!
Ele disse: Eu sou anônimo!
Tu queres dizer autônomo?
Isso, isso. É que eu ainda sou um autônomo desconhecido.

***

Cuidem de suas almas, porque toda profissão termina.

***

Eu nasci pra ser o Duda.
Até que a vida me demita.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O VELHO NOVO AMOR DO SERJOLA


O Serjola Insaurriaga é um dos artistas pelotenses que eu mais admiro. Dono de lindas composições, é um cara sagaz e questionador, tendo ele conclusões adimráveis sobre assuntos loucos e loucas ideias sobre temáticas digamos que normais.
Poizé poizé poizé.

***

Hoje cedo o Serjola me escreveu dizendo que iria casar.
Eu perguntei: Contra quem?
E ele me contou uma interessante história.
Vai se casar com a mãe de seu primeiro filho, da qual já está separado há anos.
Se reencontraram.
Se reapaixonaram.
E o Serjola ganhou um novo-velho amor.

***

Se casamento fosse bom não precisava de testemunha.

***

A aliança é uma coleira de dedo.

***

Antes de casar é meu bem pra cá, meu bem pra lá.
Depois vira meus bens pra cá, teus bens pra lá.

***

O amor realmente brinca de acontecer.

DUAS VISÕES



Eu observo.
Tu observas.

***

Quem conta a história da vida?
A verdade é um espelho quebrado
Mostrando uma parte do todo
Um real despedaçado

Àquilo que vejo
Há muitas outras versões
O que eu noto é muito pouco
Um rosto entre multidões

Um conto sem ponto
Uma língua sem nó...
Quem tem as respostas, me diga
Ou não diga, eu vejo só.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

CHOCOFESTA


A sociedade consumista adora inventar datas que sejam motivo de movimentação comercial. Mais que isso, gastar dinheiro em compras é algo que mexe com a psiquê humana. Digamos que trata-se de uma sensação inenarrável. E é por isso que as lojinhas de R$ 1,99 deram tão certo. Elas vendem muito barato o prazer do consumo.

***

Dia das mães, dia dos pais, dia do índio, dia da bandeira, dia dos namorados, dia de enforcar Tiradentes, dia do advogado, dia do caralho-a-4...
Todo dia tem um motivo para um souvenir.

***

Chegamos na Páscoa. Ressurreição de Cristo nada: dia do chocolate. E a alta cúpula de uma multinacional chocolateira, rodeando uma mesa cheia de cocaína e uísque importado, surubas rolando nas ante-salas, e um diretor comenta com outro:
Ainda bem que mataram Jesus cara, senão a gente tava fudido.

***

E o senhor sabe o que significa a Páscoa?
Significa que eu vou encher o cu de cerveja.

terça-feira, 19 de abril de 2011

UMA BR DE VIDA


Quando a mãe tinha 7 anos a vó Sofia falava todo dia que ia morrer, que estava morrendo... E levou mais 59 anos morrendo, até morrer definitivamente.
Aí que eu percebi que quem mais reclama, mais vive.

***

A mãe casou, teve 4 filhos, viajou pelo sul com a família embaixo da asa, voltou pra Santa Rosa, os filhos cresceram, o pai faleceu, todos foram embora, trocou de cachorro, o piso da sala, a janela da cozinha, a cor das paredes da casa...
A vida e essa mania de mudar a toda hora.

***

A tia Ana e a tia Dalva tiveram caminhos parecdos.
Como diria meu pai, a gente nasce, cresce, fica burro e casa.
E isso foi com elas também.
Filhos. Marido. Divórcio.
As três professoras sem tempo algum além do trabalho e da família.

***

Amanhã, 66 anos depois do início dessa brincadeira, elas farão uma viagem de carro.
Apenas as 3 irmãs, como nunca antes acontecera.
Se reencontrarão.
Se reconhecerão.
As 3, uma BR, um carro e 1kg de frango na farofa.

***

Uma grande oportunidade, um presente da vida.
Eu queria filmar.
Eu queria ser uma mosca.
O amor não tem tempo pra piada.

O QUE É O PENSAMENTO?


Eu sigo pensando que penso.
Algumas ideias deixo.
Reduzo as possibilidades.
Entre a lógica e a coerência.
Entre a fé e a ciência.

E acho
Que tenho
Uma quase certeza
Que não sei de nada
[as conclusões existem para serem derrubadas.

O NANDO


O Nando
Está sempre me ensinando
O que eu achava que sabia
O Nando sempre antevia...

***

O Nando é o maluco mais certo que eu conheço.
E o disciplinado mais doido também.
O Nando é o cara que domina a arte de ser louco
Ao jamais cometer a loucura de ser normal.

***

O Nando é o cara da mão verde
E do mole coração
Tudo o que ele enterra, nasce
Do chimarrão ao espinafre
Só a mandioca que não.

***

O Nando é o cara que ama ao volante.
Mais que o objeto amado, o Nando ama é amar.

***

Está sempre indo, o Nando
O próprio nome-gerúndio
Tá chegando, sem demora tá voltando
O Nando.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

QUIÇÁ DESNECESSÁRIO


Se eu fosse, de repente
Só um pouco diferente
Se eu não te desse sempre
As respostas que eu não tinha e querias...

Se eu falasse menos sobre as coisas do futuro
E pensasse menos nos problemas que não tive
Se os enigmas do mundo não tentasse decifrar
Em nome de nada...

Se o se de fato existisse
Talvez eu fosse outro e tu, distante
Mas o quiçá é vão e tão desnecessário
E sou apenas eu
[menos o mundo.

domingo, 17 de abril de 2011

O POLEGAR É POSITIVO


Li um texto que falava da importância do polegar opositor pro domínio da humanidade ante os outros seres vivos e para o desenvolvimento de inúmeras habilidades, entre elas o golpe de mestre num campeonato de par-ou-ímpar.
Com o polegar opositor o homem pôde desenvolver ferramentas, segurar as coisas, pedir carona, cumprimentar o vizinho, convidar o amigo pra beber etc.

***

Eu conheci um cara que não tinha os polegares e vivia triste. Pra ele, desempenhar tarefas simples como fechar o zíper ou jogar cartas eram um sacrifício sobre-humano.
Então um dia ele andava cabisbaixo pela rua quando viu um outro sujeito sem os braços, dançando e pulando com um sorriso no rosto.
Porra meu. Eu não tenho os polegares e ando triste. E tu, sem os dois braços, passas aí, dançando e pulando de alegria...
Alegria? Eu queria ver se tu tivesse a coceira que eu tenho nas costas!

***

Se o ser humano não tivesse os polegares, eu acho que quem dominaria o mundo seriam os cães.

***

Agora, se os cães tivessem polegares, nada mudaria.
Apenas alguns cachorros de rua poderiam pegar carona mais facilmente.
E jogar cartas.

O HOMEM ANTIGO


Conversa vai, conversa vem, o cara me disse que o homem antigo vivia sem luz.
Eu disse que eu conheço, na periferia, um monte de homens modernos que também vivem sem luz.
E eu não sei se o teor da discussão resta no que é viver sem luz ou no que é ser um homem antigo.

***

O homem muda a cada hora
Os dias têm mania de acontecer
E minha mente anda mundo afora
Querendo saber... querendo saber.

O fato é que eu domino idiomas
Estudo culturas, poesias de Rimbaud
Faço cálculos exatos, ratifico teorias
E nem sei quem sou... nem sei quem sou!

***

Pra mim, homem antigo é o professor Girafales.

***

O cara manteve a porta aberta para que a senhorita passasse à repartição.
Ela agradeceu.
Um aceno de cabeça.
Quando ele entrou, ela lhe disse que estava encantada.
Que não se fazia mais homens como antigamente.
E quem disse que eu sou homem?
Ele respondeu.

***

O homem antigo de verdade peida de perna aberta e longe de todos.
O homem antigo de verdade tem bigode.
O homem antigo de verdade usa ceroula.
O homem mais do que antigo como depois veste a caça.
O homem ainda mais antigo bate na mulher como manifestação de amor.
O homem antigo, mas antigo mesmo, não precisa de luz elétrica.
O homem antigo de verdade resiste ao tempo e não desaparece jamais.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

VIOLÊNCIA EM PISTA DUPLA


Eu vi uma notícia que dois vendedores de guarda-chuvas se agrediram e um matou o outro com a ponta do sombreiro.
Crã!
E então eu fiquei pensando acerca da paixão que o homo sapiens nutre pela violência e morte.

***

O telejornal, logo depois do bom-dia, já noticia uma tragédia.

***

Em todos os lugares, as pessoas comentam as atualizações da última chacina que é destaque em todas as mídias. Detalhes sórdidos do psicopata... como dormia, o que comeu na última noite... as cartas que deixou... a bala onde entrou... reconstituições computadorizadas... impressões das famílias das vítimas... todos os pormenores que possam fazer a humanidade sorrir com sangue na boca.

***

E boa noite!

***

E então só se fala numa nova campanha de desarmamento...
Mas o homem não precisa se livrar das armas: o homem tem é que se livrar dos medos.
Sem medo, as armas não prestam pra nada.

***

E eu não sei se o verdadeiro psicopata foi o que apertou o gatilho ou se é o Willian Bonner e a Fátima Bernardes.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

OS FILHOS DO SACO

Os filhos que não nasceram são os que mais me enchem o saco.

2, 3, 4


Uma pessoa caminhando atucanada
O braço rápido, a perna acelerada
O olhar perdido entre a métrica da quadra
2, 3, 4
2, 3, 4
4, 4

Uma cidade é tão pequena a cada passo
Que quando eu passo, mais pequeno fico eu
Menos um dia, menos um mês
[um ano a menos

Sou
Vou sendo
Vou indo
E indo
O que sou
Deixa de ser

A vida é uma quadra
Entre esquinas.

sábado, 9 de abril de 2011

BENJAMIN ABRAHÃO E O PIOR EMPREGO DE UM HOMEM


Eu vi na tevê um especial sobre as profissões mais perigosas do mundo. Nele, a cereja no bolo era a função de pescador de lagostas nas gélidas e nórdicas águas da Groelândia, onde o sujeito encara os mais bravos mares do planeta quebrando gelo no convés, tirando cestos de pesca do fundo do mar em plena madrugada escura e mantendo a proa organizada enquanto sua vida se equilibra sobre uma linha de fio dental.
Tudo muito tranquilo...

***

Mas aí eu percebi que várias profissões não foram sequer citadas em tal pesquisa. Sim... pois eu conheço vários empregos na minha cidade que fariam um pescador de lagosta achar a sua vida um saco de monotonia e sossego.
Eu sei da prostituta que trepa por um vale-transporte; sei do PM que ganha R$ 365 e um revólver 38 enguiçado pra salvar Pelotas do crime; sei do músico que ficou surdo e seguiu tocando na noite; sei do cara que foi contratado pra cuidar do chato do tio Tinoco; da telefonista da salinha de 1m² que pega às 8h e larga às 18h... enfim, empregos formais que fazem com que pescar lagosta vire diversão de playboy.

***

O chato não é o trabalho: o chato é ter que trabalhar.

***

E o cara me disse: "O pior não é o emprego não seu Duda! Muiiiito pior é o salário!"

***

Mas eu acho, definitivamente, que um emprego maluco era o do Benjamin Abrahão, o fotógrafo oficial do Lampião. Isso sim é que era trabalho pra um cabra-da-peste! Onde o bando do Virgulino e Maria Bonita passavam, lá estava o Benjamin, com sua máquina a postos para a vaidade cangaceira.
Lampião era meio cego do olho direito, mas o que ele não via nunca passava desapercebido pelas lentes do Benjamin. Eu até imagino as cenas:
Benjamin... correqui modi fotografá ax buxada dexte cabra fio dilma égua.
Ô Benjamin... bate uma chapa modieu e Maria Bunita sivê dixpoix a nossa beleza ômi...
E assim foi, durante anos, o Benjamin, desarmado, atrás do bando... comendo poeira, se raspando em cactos, passando sede, dormindo na areia, fugindo de um mundo, batalhando contra outro... sendo uma mescla de artista e criminoso... fazendo de seu gatilho as lentes e de seu histórico um registro imagético nacional.

***

E no dia em que o bando teve suas cabeças cortadas, as últimas palavras de Benjamin foram:
Eu sou apenas o fotógrafo!
Tarde demais para que entendesse o difícil trabalho que ele havia escolhido...
E sua cabeça foi parar numa bandeja, como uma lagosta da Groelândia...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O POETA DO ABSURDO


“Pra dar nesse nego véio tem que ter foigo de 7 gatos.”

"Eu me chamo Zé Limeira
Da Paraíba falada,
Cantando nas Escritura,
Saudando o pai da coalhada,
A lua branca alumia,
Jesus, José e Maria,
Três anjos na farinhada."

"Uma véia gurizada
Pra mim já é fim de rama,
Um véio Reis da Bahia
Casou-se em riba da cama,
Eu só digo pru dizê,
Traga o Padre pra benzê
O suvaco da madama."

"Jesus foi home de fama
Dentro de Cafarnaum,
Feliz da mesa que tem
Costela de gaiamum,
No sertão do cariri
Vi um casal de siri
Sem comprimisso nenhum."

Zé Limeira, o poeta do absurdo, era completamente desletrado, nuncas tendo escrito um verso sequer. Compilava palavras conhecidas com talento descomunal, uma genialidade ímpar. Um gênio analfabeto...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

POEMA ESPIRALADO

SIGNIFICANTE E SIGNIFICADO


Deus, que será de ti quando eu morrer?
Eu sou teu cântaro (e se me romper?)
A tua água (e se me corromper?)
Sou teu agasalho, teu afazer.
Vai comigo o significado teu.


Vladimir Mayakóvisky

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O POLIGLOTA E O GUINESS


Li na net que o professor Ziad Fazah, 57 anos, está no Guiness Book por ser o maior poliglota vivo da Terra. Segundo o levantamento, ele domina nada menos que 58 línguas.

***

Minha sogra só com uma língua já faz um baita estrago.

***

O fato é que o cara foi o único a conseguir se comunicar com um afegão detido no Rio e aí ficou famoso por suas habilidades idiomáticas. Dizem (as más línguas) que ele fala inglês, francês, árabe, hindi, libras, dólares, espanhol, português, baianês, cearês gauchílico, entre outros.

***

Eu quero ver ele conseguir entender com o Fonfom da elétrica.

***

E eu me peguei pensando se há alguma possibilidade ou maneira de eu entrar no Guiness também. Mas a cada dia que passa eu vejo mais remota esta possibilidade. Nunca bati um recorde que fosse... Ah... eis aí a possibilidade: eu entro no Guiness por ser o cara que menos recordes bateu na vida.

***

O cara mandou eu tomar no rabo em francês e eu disse obrigado.
É que em francês tudo fica mais bonito.
Oui oui.

domingo, 3 de abril de 2011

A CASA


A casa não passou por lugar algum
Brotou aqui, calçada na pedra
Olhando o azul preciso
Do céu indeciso
[que gira

A casa enraizou-se
Marcou sombra, fez fotografias
E foi casando, enquanto ia,
A casa e o caso
Os acasos casuísticos

Mas a casa perdeu as paredes
Caiu teto, perdeu cor
Tudo ruiu, foi a dor
Ver a casa assim velhinha
Ver a casa assim tão só...
Toda parede é sozinha...

[vazia, uma casa morre.

quarta-feira, 23 de março de 2011

PÉTALAS AO VENTO E FLOR


Numa branca folha
Uma breve história
Cheia de palavras, vestidas de letras
Vindas pela trilha azul de uma caneta
Contando um pouco de verdade em cada verso
Que resta imerso num caderno de ilusões

Pequena história
Teu final é sempre agora
E teus heróis se quedam tolos pelo chão

Talvez tua narres o que eu mesmo desconheço
A cada fim, um recomeço
Pétalas ao vento e flor.

terça-feira, 22 de março de 2011

ENTRE A VIDA E A MORTE


A morte é uma coisa tão intensa que depois dela eu não vou fazer mais nada. Vou ficar deitadão no éter, observando as formas das nuvens, ao contrário do Vicente, eu já falei pra ele, que ele vai ficar vendo as formas nas brasas do cramunhão.
Mas o fato é que eu não tenho medo de morrer: eu só tenho medo é de deixar de viver. Isso é realmente uma pena, eu deixar de viver, porque a vida é uma delícia. Mas tudo bem: na real eu não conheço outra coisa que não seja ela, a vida. E se conheço, não me lembro.

***

A morte é pior que o voto, que só é obrigatório a partir dos 16.

***

A morte é de matar.

***

Há muito que morrer deixou de ser coisa de velho. A uma delas, a morte e a velhice, estamos todos condenados. Mas aí a Kelly me perguntou as coisas que eu faria, realizaria ou gostaria de realizar antes da morte sentar na minha mesa. E eu, que a cada dia me conheço menos, diria que muitas coisas fortes aconteceram na minha vida e eu nem questiono os sês que as cercam. Nada acontece por acaso e tudo tem que seguir a linha do presente, a onda do agora, sem questionamentos das coisas que seriam. E então eu não mudaria nada, pois nada existe mais além do momento exato em que respiro.
Eu vi meu pai morrer e vi meus dois filhos nascerem. Já morei no mato. Já tomei banho de rio no alto inverno. Conheci mendigos e personalidades, plantas e pessoas. Já briguei com um cachorro pit bull. Já tomei sorvete de pistache e comi geléia de pimenta. Agora, Kelly, a coisa que eu mais quero é morrer sem desejos.

***

Toda liberdade é mental.

quinta-feira, 17 de março de 2011

AUTOSSÍMIO


Lembrei de um fotografia.
Meu pai e minha mãe, de mãos dadas, na cascata do Itiquira.
A foto existe, ao contrário de meu pai.
Digo, nesta dimensão.
[a dimensão dos disfarces.

Mas no meu sonho, tudo continua.
Parece ontem, parece amanhã.
Minha mãe irá.
Depois eu, depois meus filhos.
[a fotografia ficará um pouco mais

Então eu tive a sensação de que ainda era criança.
E era então o pai de um outro filho.
Não só o filho de outro alguém.
E joguei bola pela grama.
Enquanto a vida terminava.
Sempre terminando, desde que nasci.
E terminando rápido.
E eu jogando.
E fiz um gol.
E a vida terminando...
Ganhei abraço.
E um sorriso.
Do pai, da mãe.
E a eternidade, disfarçada de genética.
Vem dos símios até mim.
E continua vindo.
Como um trem sem fim.
[um trenzão sem fim.

IMPERMANÊNCIA


A suíte em que eu costumo ficar no sonho está fechada pra reformas.
[ou deve estar

Faz um mês que eu não a visito.
Desde o último capítulo.
Mas o fato, e bom fato, é que ela me conduziu a um preceito fantástico.
A impermanência.
Pois nasci condenado à tridimensionalidade, à matéria.
Ao corpo.
Ao mundo.
[ao mundo que cerca o mundo.

E o mundo tem uma mania alucinante de mudar a toda hora.
Tão contagiante que atinge até mesmo as ideias mais restritas.
Residentes uma dimensão acima.
[escondidas no fundo das entranhas duma dimensão acima

Contaminadas pela mania de mudança, as certezas também mudam a cada piscada.
E se tudo muda, e eu também quero poder mudar.
Aqui fora.
Nesta vida.
Do início ao fim.
Da mentira à não-mentira.
[e voltando à mentira-não-mentira

Na frequência lunática de conclusões obsoletas.
Que se sobrepõem como os agoras.
Porque a certeza é como um barco acorrentado à corredeira.
E eu não quero, a partir deste momento.
Ter razão alguma, moldura, apelido ou telefone fixos.

Por isso eu peço que mesmo que eu jure
[de pé juntos

Jamais acredite no que eu digo.

O OBJETO SIM


O Objeto, diferente de tudo, condensando todas as formas geométricas na própria figura e, aos tenros e jovens olhos da multidão, ele não tinha nenhuma explicação...
O Objeto mais estranho de todo mundo
[deste e doutros mundos

Sem cor definida
E que a distância relativa do observador se tornava um elemento de inconstância em sua, nossa percepção.
De cada grau, uma visão...

Absoluta e constantemente variável, o Objeto era o grande enigma de todas as culturas, todas civilizações.
E o Objeto, nunca, em toda história da humanidade, fora decifrado.
Nem por fora, nem por dentro.
Por nenhuma religião.
E posto em funcionamento, ficava ainda mais estranho.
Qual a sua utilidade?
Qual que é sua função?

Todos os mestres e sábios o manuseavam, o Objeto, e tão pequenas eram suas conclusões.
Porque o Objeto mudava a toda hora.
E eram tão fugazes todas as informações...
Suas variedades eram tão mutáveis que todo conceito acerca dele, do Objeto, já, no próximo momento, era ultrapassado, ineficaz, prescrito - sem valia.

Então o cara.
Parecia um sufi, talvez o próprio Rajeneesh.
Levantou-se com o Objeto na mão e perguntou se era laranja.
Eu disse: Não.
E a minha resposta fora tão incompleta quanto toda biblioteca.
Toda Bíblia e Alcorão.
E ao mesmo tempo, se fez verdade absoluta.
Posto que era uma visão.
E o contraluz alaranjou o Objeto.
E Rajeneesh me sorriu.
Disse que eu não estava certo nem errado.
Apenas estava...
E eu entendi que somente nada é repleto de razão.

O Objeto se chamava vida.
Uma certeza atrevida.
[ou também não!

ETHIOJAZZ


Aquele timbre agudo do saxofone já não estava mais apenas em minha mente, já atravessara camadas geologicamente definidas, zanzava no universo, no silêncio do vazio, como uma molécula que, na simples e discreta atuação de uma molécula, subexiste às bombas e teorias, aos governos e contratos, aos sonhos e aos desejos...
[do nunca pro sempre

E foi então que eu vi que o mundo precisa muito menos de mim do que eu dele.
E a minha verdade é a somente a forma de eu me prender neste planeta.
E de eu não ficar a esmo.
Como uma molécula.
Como algo que fica, vaga e depois some.
[vago som...

ESCADARIAS BRANCAS


Sonhei com um amigo que morreu há 7 anos.
Ele tinha pulseiras folgadas, que corriam pelo braço conforme o movimento.
E tinha recém acordado, ele, no meu sonho.
Me dissera que havia um lugar legal para o pernoite.
O Grande Hotel, no centro de Pelotas.
Mas quando eu cheguei lá, o Grande Hotel era totalmente diferente.
Era um lugar que eu já visitara, em outro sonho.
E eu sei que já estive lá, apenas não recordo quando.
Em qual das vidas.
E onde era aquele outro Grande Hotel...
Ele tinha escadarias brancas.
Quartos grandes.
Parecia um palacete, com elevador estranho.
Eu tinha medo daquele elevador.
Ele não parava exatamente nos andares.
E sim em meio-pavimento.
Encontrei sobre a lareira fotos antigas.
Da gente tocando violão.
Um cachorro diferente.
E eu me vi numa dessas fotos.
E foi a primeira vez que eu me vi de corpo inteiro num sonho.
E eu tinha dreds no cabelo.
E o meu amigo já não era aquele.
Mas um amigo vivo.
Vivo na vida, quero dizer.
Eu acordei pensando o diria aquilo.
Enquanto um banho colocou-mem pé.
Olhei detalhadamente as costas da mão...
A água corria pelo corpo... as temperaturas fazendo média...
Percebi que a mente, naquele instante, estava sincronizada à pele.
E, na minha efêmera noção de realidade, tudo estava tão normal.
Porém, todo real é deveras diferente.
O banho acabou.
O dia mudou.
Diversos locais distantes daquele branco hotel.
A volta do ponteiro, já não era aquele sonho.
Mas ele continuava aceso, por assim dizer.
Numa memória estável e frequente.

Foi então que eu percebi que a realidade é uma ilusão.
Tão mera, tão ocasional.
Como histórias contadas na fogueira.
Tudo desaparece, aparecendo o novo.
A felicidade e a tristeza...
Nada fica, tudo vai.
Tudo existe e não existe mais.
Não adianta nem querer nem desquerer:
A vida existe por si só, como uma ponte pra lugar nenhum.
Como um rio que vai pro mar.
Como um hotel branco num lugar descolorido.

sábado, 5 de março de 2011

MEUS DINOSSAUROS


A computação gráfica anda tão avançada que está difícil de convencer meu filho de 5 anos que os dinossauros não existem mais.

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No cinema 3D, o avatar jogou uma granada e todo mundo foi pro chão. E eu pensei, naquele momento, qual a fronteira entre o real e o imaginário... porque o imaginário também é real, ou será que aquele maluco dançarino não escuta música nenhuma?

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Dentro dessa sopa-do-diabo que se chama mundo, entra tudo, real e imaginário... Compõem a receita, magistral e multiforme, onde cada degustador sente um sabor diferente... cada um com sua loucura... cada um com sua realidade... cada um com seu dial, para captar o imaginário e a realidade dos outros e juntar aos seus, na redoma da cabeça, na receita do conceito.

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E eu vou aproveitar que meu dinossauro chegou e vou dar uma banda na praia.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

EU, O GORDO E OUTRAS FUTEBOLICES


Na última semana o que mais se falou foi na aposentadoria do Ronaldo Gordo. Ele deu uma entrevista ontem e afirmou que, após a belíssima carreira, encerrada em 2002, vai parar de vez de jogar bola.

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Eu não sei se o problema dele é o hipotiroidismo ou o hipogolismo. Eu nunca vi um atacante que receba R$ 1,8 milhão por mês não fazer gol. Nunca vi. Eu mesmo... eu não faço gol por muito menos. Qualquer R$ 1 mil e eu aceito não fazer gol por muitos times do Rio Grande... poizé poizé poizé...

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E agora que ele parou, eu vou começar.
Não importa que eu esteja com 31 anos de idade.
O que importa é que o mundo do futebol é pequeno demais pra nós dois.

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Dizem que o juiz chegou no campo e disse pro Ronaldo: Cara ou coroa?
E o adversário: Seu juiz... essa aí é a bola.

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O problema é que eu também tenho uma deficiência.
Não consigo correr muito bem com 3 pernas.

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E por falar em futebol, pesquisadores norte-americanos descobriram a grande diferença entre o Pelé e o Maradona.
Confira abaixo.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

FOTOPOESIA


Fotopoesia
O sol em algum lugar
Derramando o brilho nas janelas
Desacortinadas...

Minha mente também é uma janela
às vezes emperra...
às vezes se abre...

E o vento nela
Me traz um alento
Um infinito pra fora...
Outro infinito pra dentro

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A chuva na vidraça
Leva a água de volta ao chão
E a foto, como a poesia, nunca é em vão
Elas
Tanto uma como a outra
São a alma do papel

É a oportunidade
de vermos
que existe vida após o clic.

UM ESTRANGEIRO EM PELOTAS


É preciso coragem e ousadia para falar em próprio nome, e mais ousadia ainda para falar sobre questões que nos afetam na existência cotidiana, em abordagem realmente nova, abandonando a segurança dos sistemas estabelecidos, das instituições socialmente reconhecidas, aceitas e consagradas. Posicionar-se sem a validade institucional, na absoluta solidão de um 'pensador livre', afirmar algo sobre a vida, dirigido a um público também livre, capaz de viver, sentir e pensar sem amarras que prendem às verdades e exigências institucionais, foi o que fez de Sartre um mestre. (Deleuze)

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O muro nosso de cada dia.

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Eu, que sou um estrangeiro em Pelotas, noto que falta ao povo amor e respeito por sua cidade.
Mas, num questionamento repentino, acerca da "reforma" política do Executivo da cidade, vejo que o povo só traduz, em ação, o que pensam os "líderes" do sistema, os ícones deste grand BBB.
É como um efeito cascata.
Uma cascata infinda.
A pracinha do meu filho arrebentada.
As ruas cheias de lixo.
A gruta na Baronesa, cagada.
As obras pra turista ver.
O banheiro insosso e ilegal na praia.
Minha parada de bus sem teto.
Servidores públicos sérios alimentando como pássaros, na boca, múltiplos CCs.
Bocas e bocas...
Pios nos corredores.
Somos uma grande fauna esperando água.
E o próximo programa de TV...

***

O $i$tema viciado
Um vício circular
Sai dos gabinetes
À qualquer lugar.

***

O mundo só estará livre da podridão quando o último burguês morrer enforcado nas tripas do último padre.

Bertold Bretch

***

Mas eu ainda acredito na cidade bela.
A cidade cultural.
Cheia de gente bacana, coisa e tal.
Nas ruas com alma.
Nas cores do céu.
Eu acredito em Pelotas.
Eu acredito no sorriso das pessoas
Mas faixas de segurança respeitadas
Eu acredito no amor
E que ainda haverá pelas ruas flores
Árvores e frutos
Nos jacarandás da praça, azulando tudo...

***

Todo pelotense tem um jacarandá no coração...

VIDA APÓS A MORTE


Hoje o mani me contou uma história de fidelidade após a morte, dos amigos que, pra ocultar a traição do finadinho, que fora encontrado em óbito num motel, junto à amante, o colocaram (ou o que restou dele) dentro do carro, já mortado, e abandonaram o cadáver numa estrada vicinal.
Morre-se o corpo mas não a honra.
É assim com os políticos também, que ainda viram nome de rua e aeroporto.

***

Aí na colada já pintou várias histórias de morte... Da amiga do vizinho que morreu mas não morreu. Do pintor do amigo do irmão que caiu de patins e morreu. Do cara que achou que tinha morrido e tinha só casado... enfim... Cada um tem uma história de morte.
As pessoas adoram a morte, mas tem medo dela.

***

Eu morro de medo da morte.

***

E eu tenho um amigo que só anda de preto e tatuou MORTE, em ideograma japonês, na nuca. Mas um dia ele quase foi atropelado e me encontrou em estado de choque, pálido, gaguejando...
Qua_qua_quase morri!
Ué... e eu pensei que tu gostavas da morte, mani...

***

Eu morro no sonho e acordo na cama.
Quando eu morrer na cama, onde acordarei?

***

A morte é uma coisa tão intrigante que muita gente, viva, pensa direto nela.
Será que algum morto pensa como serão as coisas depois do nascimento?

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Será que existe mesmo morte após a vida?

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Tudo se transforma.

domingo, 16 de janeiro de 2011

CARRO DE MERDA


Paul Stender é um norte-americano de Indianapolis que criou o primeiro banheiro móvel do mundo. Detalhe: o trono tem motor de boeing e pode chegar a 110 km/h.

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Eu me cago de medo de velocidade!

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Um dos grandes defeitos do banheiro móvel é que o fedor é espalhado por toda cidade.
Mas uma das grandes virtudes é que você não precisa mais mijar no acostamento.
Tem também o lado ruim de dirigir, cambiar, olhar no espelho e limpar a bunda, tudo ao mesmo tempo.
Porém, se o motorista do lado te mandar a merda, você dá um sorriso pra ele.
O problema é alguém pedir pra usar o banheiro e sumir com o veículo.
Ou pedir pra dar uma volta e cagar em tudo.

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Cocô de 300g - 5 pontos na carteira - R$ 195,50 de multa.

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Pai, me empresta o carro pra eu dar uma banda com a gata?

UG


Descobri que existe um concurso na Inglaterra (tradicional até) que elege o cão mais feio do mundo. O atual campeão, com honras, uma campanha sensacional, quase uma unanimidade, foi Ug, da foto acima, que levou menos de dois anos de vida pra alcançar essa feiúra aí.

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Eu levei muito mais.

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A menina bonita tinha um hálito de monstro, e foi então que eu percebi que a beleza não está apenas nas curvas e na cor da pele. A beleza são fatores... vários fatores. Como uma grande equação aritmética, o belo resulta também do que entendemos por belo. E esses valores axiológicos são ingredientes de uma sopa da que somos comedor e comida. A beleza, então, é o belo que podemos ver no mundo.
É o alcance de nossa visão.
E é por isso que o cão mais feio deve ter o dono mais lindo.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

ANIMAIS DE 2010

Antes de ontem o meu Inter foi eliminado pelo Mazembe, do Congo, do Mundial de Clubes e eu descobri que não quero mais falar de futebol pelos próximos... hum... dois dias.

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Que bom que tudo se transforma... que bom.

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Descobri também que a cada 20 minutos, uma espécie de animal é extinta em nosso animalesco mundo. A partir de então, a cada 20 minutos eu agradeço por não ser a minha vez na fila.

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Mas, por incrível que pareça, cientistas descobrem diariamente novos tipos de bicho... Eu nunca descobri um bicho novo em que eu possa pôr um nome. Tenho vários nomes na lista (como esperdiardigam e porpambúlico), mas não tenho em quem pôr...

***

Aí vai as 5 maiores descobertas da fauna planetária em 2010:

1. LAGOSTA CABELUDA
Este lindo exemplar peludo, da família do Tony Ramos, também conhecido como vulva marinha, anda por aí, lagostiando. O prato a que dá base foi um fracasso na culinária francesa, já que vinha sempre com cabelo.


2. MACACO DO NARIZ ARREBITADO
Diferente dos jogadores do Inter, esse macaco não tem o nariz empinado.
Descoberto em uma floresta do Mianmar, o cara-chata parece o Rui Biriva e compõe uma população de 300 habitantes que seguem, na tribo, o lema: Cada macaco no seu galho.


3. SAPO RHINELLA
Também conhecido como o sapo-que-não-quer-ser-girino, essa interessante espécie ovípara da Colômbia bota ovos na mata e dali eclodem pequenos sapinhos-que-não-querenzinho-serenzinhos-girininhos. Lembra, de longe, o Mr. Burns e o Plínio de Arruda Sampaio.


4. PANPUNK NOEL
Encontrado numa caverna do interior paulista, o Panpunk Noel é rocker de dia e santo de noite. Um anjo de roupas e um diacho pelado... Dentre suas tatuagens, que cobrem 94% do corpo, estão os nomes de cada uma de suas renas e um coração com os dizeres: Mamãe Noel & Eu.


5. KIDHIABA
Descoberto por colorados em Abu Dabhi, essa espécie natural do Congo anda com a bunda e se pisca todo, usando sua cara de mané como elemento de auto-defesa.

RE-RETORNO

E aí blog, beleza?
Beleza!
Há quanto tempo, não?
Pois é... sumido, né!?
Tava pensando em voltar, não é massa?
Pra mim ou pra ti?
Pra nós, mani... pra nós!
Hum...
Só mais esta vez...
Hummm...
Deixa, vai!? Só mais essa vez!
Vou pensar... vou pensar.
Ah... não faz assim... Tu sabe que eu te curto pra caramba.
Hummm...
Tu sabes que és o blog da minha vida, não sabe?
Sim, mas me abandonaste...
Não... não mesmo... eu tava sempre perto, juro. Pensando em ti direto...
Mentiroso...
Ah... não te faz de difícil... Me dá um bitzinho, vai. Só um.
Hum...
Só um!

(O papo termina no tapete do escritório, mas nã foi liberado pela assessoria de imprensa.)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

BANKSYSMO


A parede
Dá a cara à tinta
Se veste de cores
Diz a que veio, a cada tijolo...

A parede
É também da ideia
A trava, o muro, o estigma
O fim da rua, a curva do rio

A arte, emparedada na moldura da casa
É o novo, é o salto
Que nos faz andar na vida,
O movimento
Sem o peso da argamassa...

domingo, 14 de novembro de 2010

REAL ATRIBUTO


A realidade é um atributo do agora
Ontem não houve
Amanhã não há

A cada passo dado, um novo suspiro
A cada suspiro, um horizonte
Enquanto se vive, se passa e se finda

E eu não sei se sou aquilo que penso ser
Ou sou aquilo que os outros pensam
Ou se existo de fato

A realidade é uma versão sobreposta à outra
É rapé no vento
É folha de papel na água...

aMP - dMP


Mariano foi julgado por aqueles que ofendera, quando fugira ao trabalho e ao látego e atentara contra a vida e a propriedade senhoriais. Seu processo foi mais uma farsa da justiça escravista. Abandonado pelo senhor, Mariano foi "defendido" por um advogado, nomeado de ofício, que nem mesmo se deu ao trabalho de recorrer contra a pena de morte votada "unanimemente" pelos jurados. Se sua pena não foi posteriormente reformada, Simão Vergara pagou com quinze anos, seis meses e vinte dias de prisão o ato de ter vendido pólvora aos sublevados.

TEMPO DO NÃO-TEMPO


O tempo,
Cascata de horas,
Madura as amoras
E presenteia o homem
Entre os pôres e o nascer dos dias...

O tempo
Com o nunca e o semre em cada mão
Vai do sim ao não,
Rasga a semente, murcha a flor
Molda tudo quanto é amor
Tempera cada estação...

Quem sabe um dia
O tempo, já cansado de vagar,
Deixe, ainda enquanto é tempo,
O não-tempo governar

Cairiam toda tinta e todas as paredes
E todas leis e todas as fronteiras
Seriam meras brincadeiras
Seriam mera invenção...

E as pedras tristes ficariam
Quiçá, simplesmente sumiriam,
Ante a eternidade, ora cotidiana,
Do doce mundo sem ponteiros.

PSEUDO HOMÔNIMOS


Quem não lembra do famoso Denorex, que parece, mas não é? Pois é... começo este post com essa lembrança que, embora não pareça, é sobre semelhanças. Poizé poizé poizé.

***

É que eu conheci um cara com o nome de Alê Jardim. Ele é escultor e artista plástico e já vendeu um monte de obras por causa do seu nome artístico, confundido entre os colecionadores com o Alejadinho, famoso escultor mineiro. Então o cara chega numa exposição e dizem pra ele: "Sabe quem fez essa peça? O Alê Jardim!" A estátua é vendida na hora e o comprador sai se gabando, cheio de si...

***

E tem um cara em Pelotas que é muito parecido comigo. Muito mesmo. Acho que nem eu sou tão parecido comigo quanto ele, tanto é que quando eu me olho no espelho, dou uma olhadela pra trás, ver se sou eu mesmo ou é o cara, esse aí.

***

Minha mãe achou ele lindo, o meu sósia (que significa sócio de forma).

***

Esses dias eu entrei na galeria e dei de cara com meu sósia, o outro eu. Ele parou, eu parei. Chegamos perto... olhar reparante dos pés à cabeça... E eu tive, naquele exato instante, uma tranquila sensação de não morar sozinho no mundo da feiúra.

domingo, 7 de novembro de 2010

A VIDA DE NICO VICO


O Nico Vico, também conhecido por Boca, marcou com uma das namoradas na praça. Só que lá, ele encontrou a segunda namorada, que passava aleatoriamente pelo local. Quando a primeira chegou, deu de cara com os dois, e ele teve que explicar a elas que o amor não é posse, que não se restringe a uma pessoa apenas e que o trio poderia viver feliz para sempre.
Elas não entenderam deste modo.
Foram pra casa fazer amor.
E ele ficou na praça, fazendo música pros pombos.

***

Mas isso não é o resumo da vida de Nico Vico, o homem que teve mais mulheres que o Renato Gaúcho. Ele ganhou na loteria, emprenhou uma prima, perdeu um dedo do pé e foi parar em Dom Pedrito.
Gosta de pipoca, cerveja Kaiser e de coçar o nariz com o dedo mingo.

***

Mas quem pode resumir uma vida em dez palavras?
Impossível...
O resumo da vida acontece junto com ela.

CHURRASCO PARA AMBIENTALISTAS


Uélou!? Quem fala!? Felipe!? Beleuza meu... é o Vieira. Seguinte meu... vai rolar um churraskinho aqui em casa pra galera do meio ambiente... saca... só ambientalista... to ligando pra te convidar. Vem a Flávia, o Mauro e o Peçanha. Compramos filé e costela ali no Seu Xico... mas cada um traz a sua cerveja. A gente vai aproveitar pra discutir ações eficazes pra combater o desmatamento na Amazônia e o respeito aos animais... e por falar em respeito aos animais, comprei também 1 kg de salsichão de primeira cortado a faca. É só chegar... Qualquer coisa, me liga.
BIIIIIIP.