quinta-feira, 8 de novembro de 2007

CORES QUE QUERO II - ASHTAR HINDU


Havia na Índia
Uma índia que ainda
Ia indo, quase obsoleta
Ela violeta
Eu, nada.

CORES QUE QUERO - SAINT ÁFRICA


Deus colore
O cio das flores
A religião dos olhos
O milagre da imagem...

[Cruz da anti-cegueira.

CAVERNAS


O Joselito resolveu, por uns dias, ficar ali naquela caverna. Aprendeu a plantar e a criar, em vez de rodar o continente atrás de comida. Uma vez que outra dava uma saidinha de sua circunscrição, agora com alguns vizinhos na área, e isso deu margem pra Marieta inventar a profissão mais antiga do mundo. Claro! O Joselito demorou e a Marieta tava com fome, que facciamo? Depois, aquele pessoal todo que formava o distrito municipal inventou a moeda pra não ficar carregando produtos à permuta, e com a moeda surgiu a diferença e a exploração.
Os netos dos netos dos netos dos netos do Joselito saíram da África pro mundo, escravos do racismo alheio. Depois, subempregados no Brasil, sonhavam em comprar uma TV tela plana que viram no comercial da Quero-Quero. Entre outros desejos, um dos netos dos netos dos netos dos netos do Joselito só queria mais um gole, pra poder dormir tranqüilo na noite fria de Pelotas.
Aquela noite caiu rapidamente e a caverna ficara tão distante...

terça-feira, 6 de novembro de 2007

DIAS DE GAGARIN

Quando o pessoal fala em Ovnis tem sempre o amigo de um amigo que disse que um dia (ou era noite?) viu algo perto da prefeitura (ou era do museu?), e esses papos ficam por isso mesmo. Mas eu não sou o amigo do amigo. Eu sou eu. Yo soy yo. Posso até ser amigo do teu amigo, mas se falo é porque é pura verdade (pois é pois é pois é).
Dizem os historiadores que os índios, ao avistarem as caravelas, ficaram pasmos pois nunca tinham visto aqueles objetos, por assim dizer. Comigo aconteceu três vezes: duas aqui em Pelotas e uma num morro da praia do Rosa, do ladinho da Ibiraquera. Em todas havia outras pessoas comigo, que confirmam estes "fatos estranhos" envolvendo grandes luzes e movimentos intrigantes.

***

Há meses ando com uma sensação de que tem algo no ar, sabe? Parece que tem alguma coisa na espreita de acontecer... Talvez os universos interiores... Sinto que muito do que girava a roda da sociedade moderna perdeu a graça, não tem mais sentido. Sinto meu âmago cansado de conversas tolas, de pessoas fracas e reclamonas....

Não sei se os ETs chegarão de vez ou se serei eu a ir pro espaço.

SOM ESTÉRIL É SURDEZ, MONAMI

Batia o pé com o Naturaleza sangre. O Fito fez o disco com carinho... Na 139 Lexatins, quando ele canta vueltas, vueltas para mi, o som estéreo passa da caixa esquerda pra direita. Se fecho os olhos, parece que ele está a fazer a volta em torno de mim.

Um amigo perguntou o que era "este tal de estéril". Eu disse É tudo muito simplesimples: eu sou quase estéril e minha gata é mono e mesmo assim nosso filho nasceu.

Com a cara do padeiro, mas nasceu.

LOCOEU?

Ela vai na Universal, assiste à novela das seis, pinta as unhas do pé e toma cerveja com açúcar. Tem um livro de simpatias (a de como enriquecer não funciona, já testei), combina o verde com preto, reza pro Santo Hermeto e só dorme com um copo d'água do lado da cama. Outro dia me chamou de louco porque coleciono cactos.

Ora, pobre menina... De todas as nossas loucuras, só a minha dá flor.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

PRÓPRIA POESIA

Criara então, consigo mesmo,
[muito aquém do início dos seus olhos

uma realidade poética fajuta
falando de amor,
falando de dor,
falando de posse de outra pessoa...
achando que o mundo começa no outro
e que serve só de viés de umas palavras

Enquanto isso, mendigos dormem nas calçadas
índios vendem artefatos, os hindus entram no rio...

Longe e perto de seu feio umbigo
muitas coisas acontecem
e uma flor se abre no jardim...

[existir é a própria poesia.

ARTE AO EMPOBRECER

Aqui em Pelotas, "Capital interiorana da Cultura", existe um projeto que abre espaço no querido Theatro 7 de Abril às manifestações artísticas. Antigamente era chamado de Música ao Entardecer, depois passou a ser 277. Teve também o Arte Daqui, desenvolvido pela RadioCom e com muito trabalho do Glenio Rissio e do Dico Keiber também, no desenvolvimento dos CDs. Depois veio o Sete ao Entardecer. Toda terça-feira, às 18h30min, tem apresentação gratuita de bandas, esquetes e danças, cada dia com um grupo diferente. Mas embora seja um projeto do governo municipal, vejo que, muito aquém se sua obrigação, nada mais faz que assinar papéis e liberar o espaço, que é mais a casa de cada artista pelotense do que meramente um prédio da prefeitura.

Eu já fui a muitas apresentações, mas perdi muitas também. Marco Gottinari, Serjola Insaurriaga, Dico Keiber, Freak Brotherz, Giamarê, Caminhos de Si, Grupo de Dança Flamenca Olé, Michel Abelária, Sulivam Melo e muitos outros que me fogem agora, na pressa das letras, foram alguns que tive o privilégio de acompanhar. Em todos, uma coisa em comum: ninguém do poder público estava presente. Ninguém!
Quem conhece o 7 sabe que lá tem dois (ou três) camarotes reservados aos nossos políticos, representantes do poder público, e estes camarotes ficam sempre fechados à chave, impedindo que o público os acesse e tendo, assim, muita gente, que ficar em pé, pois o povo de Pelotas gosta, sim senhores de gravata, de espetáculos e tem lotado a casa.
Mas da esquerda pra direita, do Legislativo ao Executivo, nunca vi ninguém lá para dar apoio à arte da cidade. E esses políticos, recheados de demagogia e vazios de visão artística, virão, como sempre vêm em suas campanhas, dizendo que têm a solução para a cultura da cidade. Mas como eles saberão, se estão do outro lado do abismo?
Cada um só dá o que pode ter. Cadê vocês, senhor prefeito, vereadores, secretário de Cultura? Pelotas precisa que vocês saiam de trás de suas máscaras.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

(re) SACO CHEIO DE PAPAI NOEL

No ano passado, escrevi uma coluna pro Diário da Manhã e, agora, procurando ícones no vago e-tempo computadorístico, a reencontrei perdidinha, encolhida como um pinto no frio. Reli a dita e resolvi que era hora dela espraiar-se na rede da virtualidade. Eis-la-a-a:

O ano que passou, 2006, trouxe em seu término grandes reflexões à humanidade, como coletividade, bem como a cada indivíduo, como partícula evolutiva no contexto cosmológico e espiritual. Mesmo que passando pelo ápice das transformações axiológicas, das mudanças de linguagem, da avançada tecnologia dos cliques, o homem moderno ainda traz consigo amarras intelectuais da Idade da Pedra presas às bolas-de-chumbo do consumismo e do capitalismo destrutivo: é prisioneiro de seus desejos materialistas, delimitado dentro de fronteiras criadas por sua própria mente e segue incapaz de perceber que, enquanto a Terra morre asfixiada por seu lixo, ele também é um mero e finito passageiro do tempo.
As mortes dos tiranos Augusto Pinochet, no Dia dos Direitos Humanos, 10 de dezembro, e Saddam Hussein, no dia 30 do mesmo mês, Dia do Perdão Universal, mostram ironicamente dois fatos que baseiam a sociedade humana da qual todos fazemos parte e somos agentes formadores: a Justiça falha (meramente hipocrisia formal) e a incapacidade de uma visão estratosférica dos problemas terrenos. O general chileno morreu sem prestar contas dos crimes que cometera. Dançou com os tribunais, brincou de doente e foi escoltado por uma grande fortuna e um prestígio político que o blindaram até seu último suspiro, enquanto que aqui, no Brasil, da mesma forma como ocorre no Chile e em outros países subdesenvolvidos (ou "em desenvolvimento", como preferem ser chamados) as sentenças executórias e as instituições penais existem apenas para negros, pobres e analfabetos. Já no Iraque, a mesma corda que enforcou Saddam sufoca qualquer análise coerente. Com que legitimidade foi feito não só o julgamento fajuto de Hussein, mas também a invasão àquele país (sob o pretexto equivocado de haver armas de destruição em massa), que trouxe ruína total, morte de inocentes e um caos nunca antes visto no Direito Internacional? Agora, as forças da coesão se encontram em um terrível dilema: retirar suas tropas e amargurar o fracasso de sua missão ou prosseguir em uma guerra urbana, dizimando vidas por uma ira de vingança sem sentido.
Além disso, a humanidade atravessa uma era de intensa mudança planetária. Grandes catástrofes naturais já acontecem, o aquecimento global é visível e perceptível, mas o homem ainda não criou uma consciência protetora da água nem um conjunto de ações racional e eficaz para com seu próprio lixo. Sua ânsia cega faz com que siga destruindo as matas (no Brasil, restam apenas 6,05% da floresta atlântica original), poluindo os rios e mares e participando com a fome planetária e as desigualdades sociais, pois no momento em que passa a ser apenas uma unidade consumidora, o homem passa a crer e a obedecer somente um ego faminto e não acorda para o que acontece a seu redor. O planeta está no limite.
Então nos chega 2007... O que dizer? O que esperar? Nos festejos de fim de ano o homem deseja paz, amor e perdão, veste branco e, embora tenha trocado a figura de Jesus pela de Papai Noel e o presépio por Coca-cola, segue vários ritos formais e não reflexivos, pois brinda e pede por coisas que não pratica em seu dia-a-dia. Penso se direi a meu filho que em 20 anos ele irá encarar as graves crises da água e da energia elétrica, das superpopulações e da fome, que em 2020 não haverá nenhum pico nevado e muitos animais e plantas ele conhecerá apenas através de livros e fotografias... Provavelmente não: esta minha índiga reflexão irá mostrar a ele, criança cristal, que já é hora de usarmos a intolerância contra o mal. É tempo do homem fazer uso de ações corretas e do verdadeiro amor incondicional se quiser seguir viagem pela galáxia em sua linda nave azul.

DROGADIÇÃO

Tem um site chamado radios.com.br que tem emissoras de todo mundo. Hoje mesmo fiquei ouvindo a Webradio RootsRockReggae, da Jamaica, com pérolas do reggae.

12 horas no trabalho... olhos vermelhos e chapado da babilônia...

New-escravidão, novelas, colunas sociais... Salário mínimo, cartão-ponto, Coca-Cola... Conservantes, programas de fofoca, música sertanoja. Os ministérios da Agricultura e Saúde deveriam fazer um novo rol de drogas prejudiciais à sociedade...

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

JOGAR PING-PONG?

Quando criança, ouvi levantarem a questão do porquê as mulheres sempre vão em dupla ao banheiro. Estranhei... até que comecei a reparar o WC das damas na adolescência. E não é que elas sempre vão em dupla mesmo?
Um dia, folhando páginas bobas (ou o bobo era eu, talvez), encontrei uma charada: "Por que as mulheres sempre vão ao banheiro em dupla?" Putzgrila... pensei, enfim havia acabado meu sofrimento. Eu iria de fato descobrir este segredo tão maníaco (ou o maníaco era eu?). A resposta dizia, depois do R maiúsculo e os dois-pontinhos: "Para jogar ping-pong!"
Jogar ping-pong? Não entendi! Passei minha adolescência (e parte da vida adulta) tentando fazer o elo entre a resposta e a charada... Jogar ping-pong? Não pode! Os caras da revista devem ter rateado e trocaram alguma informação. Nada a ver "Jogar ping-pong...". E olha que muitas vezes eu contava essa piada e, óbvio, ninguém entendia. Mas não era pela piada em si que eu a contava, era pela sedução do tema... pelo tamanho do porquê...
Mas semana passada minha vida mudou. O Alexandre, numa conversa, me falou, do nada: "E tu mano... tu sabes por que as mulheres vão sempre me dupla ao banheiro?" Eu, de pronto: "Pra jogar ping-pong!!!"

Ãh??? disse ele. Não cara... é pra uma não falar mal da outra.

Tirei toneladas das costas... ufa... Acho que vou usar a resposta dele daqui pra frente... Até porque tem um fundo de verdade, que algumas mulheres rebolam pra equilibrar o peso da língua.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

ANGEL DE LA SOLEDAD

Tchau e ciao...
uma sublime diferença
entre um adeus lusitano e
um olá italiano

um euro
[de drexler
escrito bye...

alguns detalhes
pingos coloridos de memória
restarão até onde?

até onde?

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

UNIVERSOS

Do que sei sobre mim mesmo
uma incerteza em movimento
Um universo pra fora
Outro universo pra dentro...

FOI

Expressionista
Não há pressa,
[acionista dos ponteiros
Não procure por respostas
Pois a realidade não é só o que se pode ver...

A vida não-orgânica das coisas
As coisas não-orgânicas da vida
Indo embora com as datas...

Quando fores ver, já foi...
E tu, também matéria,
Não deixara nem registro de tua existência.

CHANGEMAN

Fui um eu que se transformou em mim.

QUEST FOTO

Antes do clic da máquina, o clic da percepção...

O BINÓCULO DO NEGÃO

O Nelson Arce é um dos quinto-irmãos que tenho. Um grande homem que me ensinou muita coisa sobre a integridade, a paz, o silêncio, enfim, um destes anjos de carne que sobrevoam minha vida. O Negão, apelido dos Porcos Selvagens, é o rei dos cacarecos. Na casa dele tem de tudo, desde um overcraft fílmico até um ofurô secular; tem um gramofone desdentado e uma moto de rali; tem colar de dente de javali do Marrocos e ornamentos maias; enfim, sempre que visito o Nelsinho demoro horas para sair de tantas surpresas e novidades que ele, carinhosamente, vem mostrar.
Na última visita, o Negão veio mostrar um binóculo lindo, moderno, com alcance grandioso. Ele se pôs em pé a mirar a praia com o instrumento e falou, destacando a qualidade do troço.

Olha... acho que sou eu lá!!!

Isso que é alcance...

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

A MAMAEZINHA DO T. F. CUSTÓDIO

...e nessa caixinha dourada aí, senhor Pereira, estão os restos mortais de minha mamaezinha, que foi cremada na Suécia!!!
Suécia?
Sim... pode ver... (sons de pedras de gelo... gole de uísque).
Hum... que interessante... Mas vem cá, senhor T. F. Custódio... Os pentelhos não queimaram? Tá uma pentelhama só aqui dentro da caixinha dourada de sua mamaezinha...
Pentelhama?
Sim sim... E tem também uma borrachinha de dinheiro, um papel de bala, uma moeda de cinco centavos...
Como assim? Deixe-me ver...

A Jurema, empregada da família, numa de suas varridas cotidianas, derrubou as cinzas da velha no chão, junto com a sujeira toda da casa. De pronto (e assustada), ela juntou tudo com a pazinha de lixo e colocou de volta à caixinha dourada da mamaezinha. Foi demitida naquele mesmo dia... Mas o que importava? Velha e lixo eram, agora, uma coisa só. O senhor T. F. Custódio bem que tentou separar o joio do trigo, tirando e jogando o pó sujo no jardim. Mas numa altura reparou que não sobrara nem metade de sua mamaezinha na caixa e, então, ele complementou com terra preta do mato.

...e nessa caixinha dourada aí, senhor Augusto, estão os restos mortais de minha mamaezinha, que foi cremada na Suécia!!! Fique à vontade... pode pegar...
Poxa... restos mortais... Hum... Sua mamaezinha comia girassol, senhor T. F. Custódio?

AS RESPOSTAS

Sonhei com algo que não acendia
Um isqueiro rosa ou outra poesia?
Um fogão sem gás ou amor fugaz?
Quantas perguntas
Prum imaginário
Que guarda todas as respostas

[no âmago do seu silêncio

Para nunca revelar...

[no interior, tudo tem mais cor.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

LSD E TRABALHO

Os computadores do trabalho são foda... Tetês, se não travam, tremem. E o pior não é quando você tem pressa: é quando eles, os tetês, percebem que você tem pressa. Punk geral...
Tinha um monitor aqui, na salinha, que era da idade da pedra. Flinstone total... Com linhas pretas se cruzando em todas as direções, a imagem era maior que a própria tela! Uma viagem realmente hipnotizante.
Até que um dia a colega de trabalho viu num encarte de loja o valor das telas LCD, moderníssimas como Jacques Tati imaginara e finas-Bünchen que nem apareciam de perfil. Ela na hora levantou o fone e ligou pro chefe pra pedir um arrego, como dizemos em Pel.

Chefe... Tu tens que dar um jeito urgente de conseguir uns LSD pra gente aqui. Até os guris estão de cara... Sem LSD não tem mais como trabalhar... Vê se dá um jeito aí...

LSD? Respondeu ele...

Sim senhorito!!! LSD! A gente quer coisa fina... Estamos cansados de sofrer com essas drogas vagabundas daqui.

Bom... se é assim... vou tentar dar jeito pra vocês, mas não garanto, viu? - finalizou o atencioso comandante.

E ele deve estar até hoje cutucando traficante pelas esquinas... E a gente segue viajando na psicodelia informativa da droga dos monitores.

É NÓIS

A menina que atendia esperava enquanto eu provava um jeans. Depois de encarar a longa fila, fazendo hora pra morrer, saí do provador com uma cara de comi-osso. E ela ainda ali, com outras peças na mão, se encolhendo na minha corriqueira indisposição às compras e tendo a árdua tarefa de avisar ao antipático aqui que havia mais duas filas a me mofar: pagamento e retirada.
Eu franzi a testa no pretérito perfeito, desnivelei as sobrancelhas em alto relevo e rosnei feito um lobisôme. Ela explicou:
É muita democracia mesmo!!!

Viva a língoa du Braisiu!!! Viva a burrocracia demoniática e o portuguêis prosódico aramádico bucólico melancólico coloquiático.

PER AVIÒN

Detesto detestar. Mas não posso com o pensamento coletivo, flutuante na 4ª dimensão, que induz a maioria das pessoas a procurar por notícias trágicas. Não sei o que se passa... Eu não assisto a noticiários nem leio páginas policiais: não quero nem saber de avião de TAM, de ônibus que bateu, de família que morreu... Pode até ser frescura, mas quero flores, cores, aromas... quero vida... e colho frutos, pois somos o que pensamos. Vibrando no bem, exalo o bem... E essa é a minha maior colaboração para com as "tragédias" e para com as pessoas que me rodeiam, como meu filho Johan e a Nena.

* * *

Agora há pouco fiquei sabendo que caiu um avião monomotor num cemitério em Braga, Portugal. Escavações coordenadas por autoridades locais já encontraram 20 mil vítimas enterradas sob os escombros.

Birbaridâde, hein?

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

UM QUASE

Respiro, enquanto o relógio na parede come as horas.
Penso, olhando pela janela, que penso. E nessa real irrealidade (ou seria irreal realidade?), neste jogo impossível de decisões entre o falso e o verdadeiro, procuro respostas a perguntas que talvez nem existam...
Um cortejo de princesa morta, uma criança que dorme no frio... Uma rádio russa das Ilhas Virgens tocando aqui, no e-canto da sala, no virtual mundo das informações onipresentes... que moram em lugar algum e estão sempre prontas...
E o que escolho, sou? E o que sou, escolho? E quando olho pra minha cara, no espelho, percebo, além dos olhos e do grande nariz centralizado, o quê?
Somos um grande controle remoto de carne, a buscar por nossas opções e a pagar o preço do cardápio requerido. Mas o controle já está insosso, pois não há muitas programações que valham a pena seus botões.

Ou eu morro, ou fico velho...
Pros meus netos, quase existirei.

A FORMIGA NUNCA CANTARÁ

Tiraram o cinema do pipoqueiro... cerraram portas, fecharam sonhos.
E o que me importa a arte?, diria o velho que construiu o novo, que tenta, por sua vez, construir o novíssimo. O que me importa é o trabalho, o dindin no bolso... Poesia não enche barriga, disse meu ex-professor de Direito do Trabalho, na última aula que não consegui assistir. E agora, neste exato momento (21h09min de 08/10/07), ele deve estar com a netinha no colo, preparando mais uma racista que compra bolsa importada e desfila de salto alto numa festa de reggae, que desdenha de Vertov e é fã da MTV... E ele deve estar contando mais uma história infantil psicopata (A formiga e a cigarra, talvez), ensinado como ela deve agir quando se formar em Direito ou Medicina, com quem deve andar e no que deve a_creditar seus pen$amento$.
E fecharam o 21º cinema de Pelotas... Agora só falta um, sorriu o noveleiro.

A cigarra pode até ser vagabunda, mas a formiga nunca cantará.

JANELAS DE DEGAS

Abre o peito
Deixa o sol entrar
Quando respiras

Olha o céu de dentro
Há algumas noites que não chove
No meu riso e eu
Penso que é hora
De deixar sair
Algumas cobras e lagartos
Dos meus sonhos

Que o dia veio
Jogar luz
Naquelas sombras
E essa cascata
Que transpassa a vidraça
Dos meus olhos
Se vai...

[irradiando brilho em todas direções.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

SÃO CLÁUDIO NÃO ERA SANTO

Você já vai sair de novo?
Pô mulher... vou ter que te dizer de novo que eu sou um santo, porra? Eu tenho compromisso com meus fiéis e não posso ficar parado aí, o dia todo vendo TV!
Úte! Não precisa falar assim, tá bom?
Assim como?
Estúpido!
Que estúpido o quê? Eu só falei...ah não! Já vai chorar de novo?
Não posso chorar? Não posso?
Pode... mas não precisa todo esse fiasco bem aqui no meio do céu...
Tá dizendo que sou fiasquenta? É isso! Tu tens vergonha de mim... Vai lá... corre lá praquele monte de santo que tu chamas de amigo... Que ficam te levando pra encher a cara e não sei mais pra quê...
Quê mais pra quê o quê, mulher? Não fala o que tu não sabe... não fala...

E aquele silêncio foi a prova de que o São Cláudio era santo mas não era santo.

AROMA-PITANGA

Em noite de chuva
Pareço existir
E o tempo segura
Teus olhos nos meus

Um raio desliza
Um deus de neon
Aroma-pitanga
Nem sei quem eu sou

Venta, venta...
E tudo passou...

Se passou
Já passou

Passou...

O VALIOSO SACO DO SEU SALING

No interior dos estados produtores agrícolas tem uns colonos que chegam nas revendedoras de havaianas e compram um caminhão à vista. Nos bancos, a mesma coisa. Chega lá um Zé-do-milho de boné, fedendo à asa, com pé sujo e deposita R$ 100 mil na bucha. Eu acho isso o máximo, porque quebra os estigmas do mundo da mo(e)da.

Em Santa Rosa, o seu Saling tinha um boteco com duas estantes. Humilde e longe de ser ganancioso, se contentava com 500% de lucro. Tanto é que o boteco virou um megaípermarket e o seu Saling passou a usar terno e gravata. Nos fins de semana, o seu Saling ganha o dobro, ri o triplo e trabalha o quádruplo com o movimento alucinado. Então, no final do domingão, ele junta a grana toda num saco (nos tempos do boteco era num envelope) para segunda, bem cedinho, depo$itar no banco.

O pior de tudo é que, além de vocês e este que vos fala, uns amigos do alheio também descobriram essa peculiaridade e, na segunda-feira, bem cedo, emboscaram o seu Saling na saída.

Nom nom, minha lucro nom.... – reagiu o seu Saling, se abraçando no saco de dinheiro.

Pá... Um dos ladrões disparou a arma, no meio da confusão, e acertou o comerciante.

No hospital, o médico plantonista teve que contar ao seu Saling que ele tinha perdido o testículo direito.

Mas e a dinhero? Perguntou ele.
O dinheiro eles não conseguiram levar, seu Saling...
Ufa!!! Suspirou ele.

Perdeu o saco mas não entregou o saco.

Cada um com seus valores.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

BAIXO IMAGINÁRIO

Eu já tava deitado quando resolvi sair. Pulei da cama, caí na roupa, deixei o sono deitado e vi o Laranjal pelo retrovisor do fuscão.
Depois de bicar o som do Vicente Botti e pairar nas notas do Possidônio e da Dona Amélia, já na madrugada, mas antes de reggear até o amanhecer, passei dar um alô aos guris da Freak Brotherz que tocavam num bar. O Solano disse:
O cara anda pelas ruas e vê o pessoal com o som no ouvido, tocando bateria ou guitarra imaginária. Ninguém toca baixo imaginário...
Eu disse: Peralá! Eu toco baixo imaginário. E muito bem, poracauso.
És um dos únicos então, disse ele.

Eu toco baixo imaginário todo santo dia. É uma piada o que eu toco. To até pensando em montar uma banda de rock imaginário. Quetal? Alguém aí já se imaginou tocando nela?

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

NÃO SOU NINGUÉM E NÃO SEI DE NADA

. (ou não)

NO MÍNIMO UMA MÁXIMA

Não há pessoa tão ruim que não tenha uma coisa boa pra mostrar como não há pessoa tão boa que não tenha um podre a esconder.

DEUS E O DIABO NA CALÇADA

Um homem-bomba detonou explosivos junto ao corpo, no Iraque, para atingir um quartel estadosunidense. Numa temática ocidental, louco era. Na ótica islã, santo. E entre um santo e um louco havia um oceano de diferenças históricas, políticas, geográficas, socioeconômicas etc. Mas, de certa forma, o louco e o santo eram a mesma pessoa, como o deus e o diabo também são na personificação de nosso caráter.

ESCRITÓRIO MESA 13

Pelotas é conhecida pelos seus doces e cafés. Doce eu adoro, principalmente os de chocolate. Café eu necessito, sou bem viciadinho... Culpa do Dico e do Caboclo, sempre. E aqui, na da esquina 22 (15 de Novembro com 7 de Setembro) tem um café conhecido em todo Brasil-mundo e que se chama Aquários. Dizem as bocas socialistas que, na época da escravatura (se ainda não a vivemos...), não era permitido a entrada de negros lá, então construíram a meia quadra dali um outro café: o Ponto Chic, onde os blackbrothers tinham passe livre e onde hoje é o escritório da Federação Galática. Lá nos reunimos toda tarde, na mesa 13 (número ultragalático). Muda os membros da diretoria, mas o encontro segue sagrado.
Ontem eu fui lá... reunião importante... Estávamos eu, o Caboclo e o Gottinari: chocolate quente, meia-taça de café e chá de camomila sobre a mesa e entrou o Mestre Batista, figura conhecidíssima em Pel, tio do Alexandre Mattos e um dos únicos construtores de sopapo do Brasil.
Mestre Batista, seu criado para serviços leves. Pra serviço pesado, sou carregador, mas só de recado. E não me dê muitos porque pesa...

Grande figura... carregador de recados...

domingo, 23 de setembro de 2007

SOLTANDO BORBOLETAS

Algumas palavras perdidas no ar
Que foram parar em um lugar discreto
[Com duas janelas e um mocó no teto
Na rua do silêncio, antes avenida

Peguei-as cerradas
Segurando pedras
Que se pegam, dóem
Ou caem no chão

Resolvi mexendo
A ordem dumas letras
Transformá-las pólen
Do que precisava

E abrindo a mão
Como quem solta uma borboleta
Larguei-as ao vento
Para vê-las voar
Rumo à velha casa.

CASA IMPORTADA

Era cinco-pras-seis da manhã. Levava o Dico, no Lua Galática, pra rodoviária e conversávamos sobre o mundo, sobre a humanidade... coisa assim, papo leve praquela hora da matina. O Dico, naquele jeito vitrola, questionava os interesses do outro em poder e grana.
Quequiqué? Acha que sucesso é ter carro importado, 'casa importada' (casa importada é o máximo)? Quequiqué?
Eu sorri... casa importada!!!

O sucesso não é ter grana! O sucesso é encontrar a paz no que a gente é.

RISOLENTO

Quem tem pressa não se diverte!

SEU WILMUT

O seu Wilmut era o alemão da padaria do Krolow. Ele existiu (e deve ainda existir, se a fila do destino ainda não andou pro seu lado) e essa história é real, juro, diferente de algumas outras que conto. E não é que eu minta, mas gosto de aumentar certas descrições e, às vezes, saio das molduras da veracidade.
Mas o seu Wilmut, como diria eu, estava trabalhando num sábado cedo, quando o destino me levara ao supermercado e, também, à sua padaria.
Bom-dia seu Wilmut?! O senhor tem algo só de queijo?
Só de quexo? Nom, só de quexo eu nom tenho nada!
Ah... que pena... E aqueles risoles ali, seu Wilmut, do quequeé?
Isto ali? É de quexo.
Então seu Wilmut? É o que eu quero!
Ahbon, é quieu pensei quitu quiria um troço todo de quexo assim por dentro e por fora, todo de quexo.
Ora, seu Wilmut... seu eu quisesse um troço todo de queijo por dentro e por fora eu comprava um queijo!

Como diz o velho deitado, pro bom entendedor, 50% queijo bastam.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

CEMITÉRIO VELHO

Túmulos sem nome
Carcomidos pelo tempo
E aquele ser? Por onde anda?
Deixou seus ossos, nunca mais voltou...

E deve estar andando por aí
Na leveza de sua não-carne
Na pressa dos espíritos
Na hora H do hólon novo...

Algumas letras e alguns números
Ainda se seguram
Na gélida lápide da lembrança cinza
Que também espera
Pela sua vez
[De ser esquecida.

sábado, 15 de setembro de 2007

JAZZ

No Iraque, só os mortos estão em paz.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

GENTE E FLORES

O Renan Calheiros acaba de não-ser cassado no Senado Federal e a política brasileira segue sendo piada no mundo todo. Fico pensando sobre o termo POLÍTICA, que vem do grego polis, que significa "cidade", portanto, POLÍTICA seria a ciência de administrar a pólis, a comunidade, a vida social. O que se discute no País não é política: é partidarismo. Esquecem, os engravatados do Aquário, que esquerdae direita são dois lados de um mesmo corpo, viciado pelas doenças egóicas humanas, pela sede de poder e pela ganância das moeda$. Se queremos nós falar de política, falemos do descaso com as ruas do Laranjal, com toneladas de peixes-lixo mortos em nossa praia sem nenhuma atitute do poder público, vergonhoso, que não se move nem para analisar a água da Lagoa... e muitos mais assuntos realmente comunitários, isso só falando em Pelotas, a Princesa fantasma.
Eu já decidi: não discuto mais "política". Discuto essência humana.

Precisamos ser gente que olhe pra flores e não pra siglas diretivas.

OVO NOUVIDO

Tens um ovo no ouvido?
Ãh?
Tu tens um ovo no ouvido?
Como é?
Te_ns_um_ovo_no_ouvido?
Como?
TU_TENS_UM_OVO_NO_OU_VI_DO?
Por favor, fala deste outro lado porque neste eu tenho um ovo.

sábado, 8 de setembro de 2007

UM POUCO ÍNDIO

Entrou apressado e jogou a porta pra trás. Caminhou rápido...
Depois de olhar rapidamente para mim, andou olhando para o chão. Até que se chegasse:
Tu conhece o Cláudio?
Que Cláudio?
O Cláudio, um assim, um pouco índio.

Mas quem não é um pouco índio no Brasil?

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

BILLY NUNCA DESMAMARÁ

Ele entrou no westbar com sua roupa de cowboy texano. Era observado por dezenas de outros cowboys texanos... chapéus, armas, charutos. O xerife estava sentado ao balcão... tomava um whisky sem gelo, que com o chapéu inclinado pra cima, na cabeça, mostrava que o serviço havia terminado naquele dia. "O serviço foi dormir com o sol", dizia ele. Era metido a filósofo, o xerife. Mas quando ele entrou tudo silenciou. Ele se aproximou do garçom, olhou com aquele olhar do Clint Eastwood, e falou, com sua voz rouca:
Um copinho de leite, por favor!!!

Mostrou a medida com o dedão e o indicador.

SENTIDOS VI: SEXTO

4D!!!

SENTIDOS V: PARADAR

gosto de gostos!!!

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

UM POR TODOS E TODOS PORCADA

Sou um Porco Selvagem, com muito orgulho. Nunca escrevi nada sobre os Porcos Selvagens porque é inútil tentar: os Porcos são mais expressivos que quaisquer combinações de letras.
Somos a ONG (Ecológica) mais anárquica do mundo. Não temos estatuto, ata, presidente, nada... Somos uma diretoria de associados-colaboradores (não-pagantes e, às vezes, não-praticantes), todos guerreiros do bem. A sede da Porcos Selvagens é a única sede móvel do planeta: é os pensamentos de cada um. Enfim... levaria dias para resumir a essência dessa galera muito forte, ativa, que respeita e trabalha em grupo pela natureza e pelo bem-estar de cada outro Porco e da porcada em geral, mas vou começar aos poucos...
A gente veleja e rema... desce rios, atravessa lagoas... Minha mãe diz que eu tô sempre "procurando sarna pra me coçar". O pai dizia: "Procurando chifre em cabeça de cavalo". Concordo com os dois, mas a culpa toda é da porcada, sempre.
Uma vez descemos um pedaço do rio Camaquã. Chegamos numa localidade que não lembro o nome agora e tivemos que esperar um tempão o Nelsinho buscar a Verde que ficou estacionada rio acima, ainda em Cristal. Tínhamos passado dois dias e duas noites no mato e estávamos famintos. Paramos na beira d'água e ficamos fazendo campeonato de pedrinhas para que o tempo passasse mais rápido. Até que chegou uma menininha, dentro de seus 5 ou 6 anos, comendo um maravilhoso e saboroso pacote de bolachinha recheada sabor baunilha (nunca esquecerei aquela presença). A porcada parecia um bando de lobos olhando pras bolachinhas... nossa, como pareciam gostosas... e como babávamos.
A menina se aproximou e o Dico, vulgo Magali, cresceu o olho:
Guriazinha... ô guriazinha...
A guria quieta, quietinha...
Guriazinhaaaa... se o tio acertar uma pedrinha lá naquele pauzinho, a guriazinha dá uma bolachinha pro tio?
Como todos os porcos, a guriazinha ficou calada, com uma bolacha na boca, outra na mão... Olhou pro pauzinho-mira e fez um sim movimentando a cabeça.
Zaaap. O Dico jogou o raios da pedrinha, acertou bem no meio do pauzinho e foi rindo cobrar a dívida... Pegou uma bolachinha da guria, juro.
Ficamos rindo que passou a fome...

Caboclo, tá registrado.

CALENDÁRIO MAIA

Eu sempre gostei de filosofar sobre o tempo... Depois que conheci o Calendário Maia - que julgo realmente a ferramenta eficaz para que percebamos a quadridimensionalidade e a sincronicidade - isto se fortaleceu. E quando hoje consigo sair da visão cartesiana e tridimensional dos homens, posso reparar cosmologicamente a importância de coisas como a água, a fraternidade, a doação... Penso, então, no desafio evolutivo do ser social: somar e repartir virtudes para um bem comum geral, e concluo que este desafio do homo comunitarius se torna inviável na medida em que o homo individualis o suprima com seu ego cheio de desejos de poder.
Mas poder em relação a que? Estamos todos na mesma nave! Aqui do espaço ela é linda, azul...
[Só os anjos sabem que ela é um hospital de seres.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

.

passei invisível
como um perfume ao longe
e fingi não existir
em um curto instante.

SENTIDOS IV: TATO(ADO)

mãos tocam mãos!

SENTIDOS III: PEDOUVIDO

ouço, absorvo!

SENTIDOS II: PINOQUICE

inalomundo!!!

SENTIDOS: IMAG(EM)AÇÃO

quem vê, se vê!

BURACO NEGRO

onde raios foram parar todos os conhecimentos perdidos?

terça-feira, 28 de agosto de 2007

PERSONA

a ingmar bergmann



juntando os cacos do que sou no chão
milhões de rostos num espelho opaco
me diziam coisas que eu esquecia
de todas as faces do que fui um dia

sou muitos...
sou outros...
sou quem?

visto de perto sou igual a todos
visto de longe já não sou ninguém

sou pai, sou filho
sou um tal que foi
sou alguém que disse
um desses que fez

sou mil personagens
em um mesmo escopo
sou do tudo um pouco
procurando vez

[um ator que deixa seus papéis na estrada
esquece que sem eles
não lhe resta nada...

BOLA DE PAPEL

Umas horas vazias, centenas de páginas em branco... O som da chuva se misturava ao ruído dos automóveis que se cruzavam rumo ao nada, ao menos para mim. Em Pelotas sempre chove...
Pensava em pessoas que escrevem, eu. Pessoa, Quintana... outros, até colunistas de jornal, cada qual com suas letras. Comecei a rabiscar um pouco, como quem provoca as idéias. Mas não queria temas específicos nem poemas de amor; não queria escrever contos nem romances, tampouco artigos sobre a cosmologia... Queria escrever sobre o que sinto agora, neste exato momento, que é algo que não será igual amanhã nem nunca mais, pois a cada dia tenho algo a mais (ou a menos) em minha essência. Queria tirar um sentimento e jogá-lo escrito como quem arremessa uma bola de papel.
Sentei na escada, tateando os pensamentos. A folha branca, a tinta preta, as palavras escondidas... E neste silêncio, nesta busca de registrar o hoje do mundo das idéias, percebi um abismo entre eu e a frase feita.
Eu, sujeito. Idéia, predicado. Mas os verbos não saíam da caneta.
Resolvi deixar tudo como estava, simplesmente pairando sobre a lápide branca de celulose todas as hipóteses do que eu era. Sem fontes, gráficos, desenhos sequer... Nem eu sabia o que significava aquela melancolia e, em vez de pô-la no papel, deixei-a voar livremente por dentro de mim, seu habitat constante.
Encontrei num canto apenas uma frase do Duda Teixeira, acho que mais ou menos assim: "A memória é a forma mais gananciosa de apreensão".

Esqueça...

PELA MADRUGADA

E se fosse nada
Teu remoto encanto
Que num pranto desce
Pela madrugada
Tua voz vazia
Que outrora em canto
Sempre me dizia
Onde era estrada

E pensei que fosse
Quem tu mais querias
Mas eu não sabia
Pela madrugada
Que tua boca insana
Foi comigo fria
Porque já não tinhas
Que dizer mais nada.

SEM CANETA

Não perco tempo
Questionando as coisas
Mas perco coisas
Em questão de tempo

Se é frio ou calor
Que diferença faz?
Cedo ou tarde, nunca mais?
Para onde vamos, afinal?

Sei que este ônibus pode ser
O fim da minha linha
E que nesta noite pode até chover
Quase todas as coisas podem

[até mesmo ser...

Mas como viverei
Até o último minuto
[sem uma caneta?

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

PAPÉR DI BOBO

Aconteceu em Porto Mauá, divisa com Argentina, no RS. Minha tia Neli, bem gordinha, era casada com o tio Jenuíno, magricelo, num casal tipicamente rural. Lá, na propriedade deles, vivi episódios muito bons, que muito influenciaram no que sei sobre o respeito, a simplicidade, a humildade e a harmonia com a natureza. Depois que meu pai faleceu, pouco os tenho visto: na verdade, tenho ido pouco às minhas origens... Mas não sou mandioca pra ter raiz, então sigo os ventos.
Num fim de semana de sol, fomos com o Passatão 78 a mais um passeio a Porto Mauá. Eu era moleque, um pouco mais velho que meus primos Elia e Bano, filhos da tia Neli e que representavam a inocência encarnada. Eu fazia o papel do garoto do concreto, da cidade, do videogame Atari. Entre uma brincadeira e outra, o Elias chegou pra mim e disse:
Tu é muitu esperrrto, mais eu consigo adivinhá o qui tu faiz iscundido.
Como é que é Elias?
Ué sô! Tu pódi si iscondê atráis daquela árvre ali e fazê qualqué côsa: tirá meleca, coçá o saco, escrivinhá no chão... qualqué côsa que eu adivinho o qui cê tá fazeno.
Ah é? Duvidei essa!!! Quer dizer que eu me escondo e tu consegue adivinhar o que eu tô fazendo sem me ver? Duvidei!
Lá fui eu pra trás da árvore, sempre me certificando que nem ele ou o Bano conseguiam me ver. Me virei de costas até, tal receio. Catei um galho seco no chão e comecei a quebrá-lo, lentamente, bem no mocó.
Ô Chico Bento... Vamos ver se tu adivinhas o que é que eu tô fazendo então...
Craro qui sim... tu tá fazeno PAPÉR DI BOBO!

Que bom que não há êxodo às boas lembranças...

PELOTAS É HOJE!!!

Aqui em Pelotas, uma gama de sobrenomes falidos gosta de ressaltar a época das charqueadas, as oligarquias fantasmas, o que a Princesa foi... Acho a história um instrumento fantástico para sabermos quem somos e como chegamos a ser. Penso que um povo sem memória é um povo sem alma (acho até que alguém já disse isso, ou quase isso). Mas hoje, lendo um diário daqui, fiquei de cara! Por que não se fala dos saladeiros, onde escravos perdiam pés e pernas em infecções, quando não morriam... Por que ninguém lembra dos Capitães do mato, cargo público instituído a conhecedores de matas que perseguiam e matavam os negros quilombolas? Por que ninguém lembra do grande número de miseráveis que margeiam a cidade como sombras de um passado discriminatório e opressivo e apresentem propostas positivas de inclusão social em detrimento a presídios/lixeiras que se espalham ao longe? Poxa... tanta coisa pra falar da história e me vêm com igrejinha das charqueadas, com coluna social, com princesinha do Dunas???
Amo Pelotas... é minha cidade há uma década já. Curto as calçadas curtas, a galera esperta que rodeia a Federação Galláctica, a atmosfera cult e tantas outras coisas... Pelotas, na minha vida, foi um grande presente. Pena que na vida de tantos ela siga presa a um passado...

Mais que imperfeito...

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

EM SANTA ROSA...

Nasci em Santa Rosa, RS, em 14/07/1979. Aliás, 14 de Julho era o nome da localidade antes de virar Santa Rosa. Um amigo me perguntou se era em minha homenagem... Eu disse: claro!!! Depois que ficaram sabendo que eu nasci, tiraram 14 de Julho.
Mas o certo é que em Santa Rosa (terra da Xuxa, dizem quase todos. E dos Keiber, digo eu), bom, sigo, em Santa Rosa não tem muita gente: mas de alemão tá assim óh... cheinha. E numa tarde quente, há uns 15 anos, o seu Franz estava capinando na horta com sua frau, a dona Sibila, quando passou um avião dando um rasante na propriedade. Os dois pararam as enxadas e olharam pro céu, por baixo das abas dos chapéus de palha.
O quequi é isso frau ali uma veiz?
A frau deu uma breve pensada e respondeu: Ignoro!
Mais que baaaaaaaita ignoro!!!

TRÊS EUS

Os cientistas Gunter Nimtz e Alfons Stahlhofen, da Universidade de Koblenz, na Alemanha, afirmam ter conseguido quebrar, pela primeira vez na história, a velocidade da luz (+ ou - 300km por segundo). Isto implicará, se verídico for, além de pôr em xeque a teoria eisteniana da Relatividade, em uma parada muito legal: se fosse possível transferir esta incomensurável ligeireza ao mundo fático e material, o Néverton da telentrega, por exemplo, chegaria na minha casa antes mesmo de sair de sua pizzaria. Isto mesmo... Eu, na praia, ligaria para o Néverton, encomendaria minhas portuguesas e 4 queijos e antes de dizer tchau Néverton ele já estaria buzinando no portão.
O lado ruim seriam aquelas visitas chatas... Você tá em casa? E antes de eu mentir que não lá estariam elas, que nem as Testemunhas de Jeová, barulhando na sineta.
Mas o mais louco de tudo seria o dia em que eu, em mais uma rápida fuga do trabalho, voltasse à minha mesa e desse de cara comigo mesmo, sentadinho da silva.
Ué? Tu ainda tá aqui?
Tô, mas já tô saindo.
Ôpa galera (chegou mais um eu, agorinha mesmo). E as novas?

Três eus já é demais...

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

O HOMEM FEIO E O HOMEM MAIS FEIO (Millôr Fernandes)

(...)PARADO! Vou te matar!
Me matar? Mas por que por que por que por que por que?
Por que tenho uma ordem do delegado de matar qualquer pessoa que seja mais feia do que eu.
Eu sou mais feio que você? Sou mais feio? Então por favor, pelamordedeus, ME MATA!!!

terça-feira, 14 de agosto de 2007

NINGUÉM PRECISA DE DUPLA SENA

Era tarde. Era noite. Dirigia sua moto em direção à sua casa, na praia. Nos fones, Jorge Drexler cantava su...ave...mente, e do céu vinha o presente em água. Ao sair da paranóica metr(necr)ópole, não se sentira mais perseguido (se essa é a palavra correta, ou se há realmente palavras corretas para o que sentia). Até o capacete, restrição legal a seu (in)direito de morrer, já tirara, na anti-pressa comum às madrugadas. Apenas mais uma máscara de ferro...
Quando a moto parou, ainda chovia. Na frente do portão, algo parecia errado... mas não estava. Nada com o tempo... que o tempo nem existe, pensara. Nada com a chuva, que peixe era em Aquário e, quieto, sabia do bem de estar molhado (vivo!!!). E foi assim que entrara em casa, pisando manso nas notas do silêncio, sussurrando no sono dos outros, deixando o dia acabar...
Banho, café, cama, sono, beijo, bom-dia, tchau, boa-noite... A vida não é uma missa marcada... A vida é pra se respirar o pólem de cada instante.

RESPOSTAS ÓBVIAS A PERGUNTAS DESNECESSÁRIAS V

Qual é o teu fone?

- É um Nokia azul assim coisado, pequenininho...

RESPOSTAS ÓBVIAS A PERGUNTAS DESNECESSÁRIAS IV

Me passa o sal?

- Sim... Aonde?

RESPOSTAS ÓBVIAS A PERGUNTAS DESNECESSÁRIAS III

Tem alguém aí?

- Não!

RESPOSTAS ÓBVIAS A PERGUNTAS DESNECESSÁRIAS II

A surdez já lhe atrapalhou deveras?

- Ãh?

RESPOSTAS ÓBVIAS A PERGUNTAS DESNECESSÁRIAS

Você não tem vergonha de andar nu na floresta?

- Ugabuga!

MEDITAR

Meditar
Me editar no pensamento
Onde se deita o vazio
E onde os milênios aguardam
A aurora do som primordial
Sentados com mão no queixo

Não me queixo!
A vida é por si mesma...
E apenas me cobra a árdua tarefa
De respirar enquanto posso,
De contemplar as dimensões das dimensões

[com o tamanho dos meus olhos...

E receber a luz do sempre novo
Iluminando a escuridão
Daquilo que ainda não consigo ser.

ESTOU GRÁVIDA! V

Estou grávida, e então?

- Primeiro motel, depois pensão...

ESTOU GRÁVIDA! IV

Estou grávida! Vais assumir?

- Vou já sumir!!!

ESTOU GRÁVIDA! III

Estou grávida, o que digo pro meu pai?

- Diz que ele vai ser avô!

ESTOU GRÁVIDA! II

Estou grávida, o que faço agora?

- Vais parir!

ESTOU GRÁVIDA!

Estou grávida, e o filho é teu!

- Meu amor... me desculpa... Isto foi um ato fálico de minha parte.

COM O TEMPO PARADO

Gosto mesmo de ficar assim
Com todas as coisas
Acontecendo por mim

O pé na rede, o livro aberto
O mate,
O vento que bate
E traz você pra perto

Liga um som
Toca um Belchior
Com este tempo parado
Tudo parece melhor

Deita comigo num tapete de grama
Me enche de manias como você faz
É tão bom ouvir que você me ama
Viajar contigo por noites de paz

Mostra um dom
Com conchas do mar
Com este tempo parado
Eu deixo o mundo acabar.

POEMINHA DO TEMPO MORTO

Acho que acabo de descobrir por aquilo que esperava...




Esperava concluir




Que sempre espero demais.

BILHETES PRA NINGUÉM

Com Alexandre Mattos





Te dei amor, te dei coberta
De Neruda roubei a frase certa
Tentei voltar, recomeçar
Te pegar na mão, te levar pro altar
Incenso e flores pra te esperar
Promessa fiz a Iemanjá

Mas nada deu certo, eu tentei
O mar sabe o quanto chorei
Só eu sei o que caminhei
Só eu sei
Do mel e do fel já provei
Maré sabe o quanto esperei
Só eu sei o que caminhei
Só eu sei

Te fiz canções, desenhei teu kin
Te falei do tom que fostes pra mim
Tentei mostrar que era tudo azul
Eu era teu norte neste nosso soul
Busquei teu rosto pela noite inteira
Bilhetes pra ninguém na geladeira.

NO SINAL

No sinal
Olhando o céu no fim da rua
A invadir as árvores da praça
[e entre os prédios, rios de asfalto

Me senti estranhamente vivo
E que tudo de mim dependia
A arrancada, o destino, a chegada
A ida, a vinda, o tudo, o nada

O infinito era a forma
Eu, a essência

Mas e este medo?

Ah... Esta armadura de gelo...
Esta espada de vidro...
Esta solidão na metrópole...

Enquanto o dia trata de responder umas perguntas
Arrumo a casa dos meus pensamentos

[fora dela posso quase nada.

ONDA (Praia dos suspiros)

Era uma manhã fria
E meu espírito parecia a própria brisa
Acordando nos primeiros raios do Sol...

Eu pensava no que meu filho poderia esperar do mundo
E a maré fazia uma onda nova
[a cada novo segundo
Para bater sob meus pés na areia grossa

Quem nunca seguiu a lua cheia?

Somos todos onda
Da Praia dos suspiros.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

GLÓRIA DO DESPORTO...

Em pesquisa conjunta do Instituto Nacional dos Torcedores Fanáticos do Internacional de PoA (Intofi) e da Nação Colorada de Nova Bréscia (NCNB), foi divulgado o ranking dos 10 maiores colorados anônimos da história mundial, conforme lista que segue. Sei que haverá muitos gremistas questionando a veracidade das informações, mas não sou eu quem está dizendo. É fato! E essa séria pesquisa deve estar registrada em algum lugar, só não sei onde. Mas não vou ficar aqui me defendendo nem enrolando você, caríssimo leitor. Se quiser, siga sua leitura sem me questionar ou então feche esta janela e vá dormir sem encher, pois este blog é meu e se quiser faça um só para você.
10º Lugar: Ernesto Che Guevara - nascido na Argentina, mas torcedor fanático colorado. Dizem que a cor vermelha que o influenciou e registrou sua passagem por este mundo não tem nada a ver com a alusão ao socialismo: era amor puro ao Sport Clube Internacional.
9º Lugar: Martin Luther King - antes da carreira de ativista, Luther King fizera teste no Inter em 1926. Era ponta-direita e foi banco na conquista do primeiro título gaúcho, em 1927. Ninguém se lembra porque ele usava o nome de Martin, era reserva e foi mandado embora em 1928... Diziam no Beira-Rio que o tal do Martin era ruim de bola.
8º Lugar: Paulo Santana - uma vidente escreveu que o fanatismo pelo Grêmio é puro charme. Parece até que há uma carta post mortem escondida, a ser revelada somente após seu óbito, óbvio, e que revela seu amor doentio pelo clube vermelho do Guaíba.
7º Lugar: Nelson Mandela - Candidato à presidência do Inter em 1960, o nosso colorado Nelsinho Sacizito foi preso e exilado por causa de uns gremistas que inventaram o tal de apartheid.
6º Lugar: Bill Gates - sócio em dia colorado, Gates bolou um programa de computador que nominou OInter. Depois, corporativistas da Microsoft, desgostosos (com certeza vinculados ao Grêmio e ao Juventude) sugeriram e aprovaram em conselho a mudança do nome do programa para o atual Windows, que você bem conhece.
5º Lugar: Elvis Presley - compôs Love me tender em homenagem ao Inter. Depois, foi a inspiração do cabelo de um dos maiores ídolos colorados: don Elias Figueroa.
4º Lugar: Marilyn Monroe - fontes seguras revelaram que Marlyn possuía uma coleção de calcinhas com o distintivo do maior clube gaúcho e brasileiro. Mais... parece que em uma viagem ao Rio Grande do Sul, Marilyn teve um caso com Paulo Roberto Falcão, no tempo em que ele ainda tinha cabelo (muito tempo atrás).
3º Lugar: Getúlio Vargas - colorado doente, dizem que seu suicídio fora motivado pela derrota (zebra, claro) da máquina do Inter de 1954 para o mistão do Grêmio na decisão daquele Gauchão.
2º Lugar: Aparício Fortunatto - esse aí eu nem sei quem foi, mas se dizem que foi o 2º maior colorado de todos os tempos, eu o respeito. Grande Aparício...
1º Lugar: Jesus Cristo - ah... vai dizer que você não sabia? Tá duvidando de Jesus, caraca? Vai pra casa rezar, seu pecador. Jesus era ligadíssimo... e mais: tinha informações quentíssimas diretamente da raiz divina. Ele amava o Inter muito antes do Inter aparecer. Leia a Bíblia que acharás muitas metáforas sobre este amor platônico Jesus-Sport Clube Internacional. Leia! Não sou eu quem vai te dar tudo mastigadinho, seu preguiçoso.

E era isso. Tá nos anais da história do futebol. Deve até estar no site da Fifa, já. E só não falo mais porque esta postagem tá mais comprida que xingada de gago.

CONFIANÇA É UMA COISA...

Alguém aí lembra do Neilor? É, o baixinho cego. Pois é... o Neilor aprontava cada uma. Ele dizia: "A vida passou e eu nem vi". Um quadrinho, ele. E tem uma história dele querendo atravessar a Farrapos, em Porto Alegre, trimovimentada, cheia de barulhos e fumaça dos veículos, que se aproximavam e distanciavam só no som dos motores e das buzinas. E o Neilor ali, quietinho no meio-fio, esperando, no mais profundo escuro de sua não-visão, alguém que lhe ajudasse a atravessar a avenida.
Depois de alguns breves minutos, o Neilor sentiu alguém o tateando e o segurando no braço.
Vamos atravessar?
Vamos!
E puseram-se ambos, unidirecionalmente, a cruzar a avenida Farrapos. Do outro lado, o Neilor virou pro gentil acompanhante e falou:
Muito obrigado!
Obrigado pelo quê?
Ué pelo quê? Me ajudaste a atravessar a avenida movimentada... Hoje em dia ninguém ajuda mais um cego a atravessar uma ruela sequer.
Cego? Como assim? Vai me dizer que você também é cego?

Os dois ceguetas atravasseram agarradinhos a Farrapos no poder da confiança...

Essa eu só acredito vendo!

domingo, 12 de agosto de 2007

JOTAÔÁCOMTILÔ

Nome?, perguntou a enfermeira. Eu falei, confesso, com um pouco de sotaque: João.
Jota ú..., disse ela, preenchendo a ficha.
Ô...
Como?
Ô! É com Ô.
Jota ú ô...
Não não. Jota ô...
Como? Me soletra devagar.
Jota ô á, com acentozinho til, e ô de novo.
Jota ô... repetia ela, desenhando no papel. João?
Isso, João! João de João, João!

Pensei nos tempos modernos...
O que fizemos com os nossos nomes?

QUEQUIQUÉ? VII

Com lanterna de cabeça...

QUEQUIQUÉ? VI

Correr de tamanco...

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

MAYCON

Não sei porque eu encuco com o nome Maycon. Sei lá... Se eu fecho os olhos, penso numa bichinha com gel no cabelo.
Aqui em Pelotas, dizem as más línguas, rolou uma ceninha...
Ô seu Maycon... O senhor quer mesmo se casar com a minha filha Joana?
Sim, quero muito.
Então o senhor deve saber que minha filha gosta mesmo é de pau grosso e duro?
Mas e quem não gosta????

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

QUEQUIQUÉ? V

Com cofrinho de moeda...

QUEQUIQUÉ? IV

Com avião da TAM...

QUEQUIQUÉ? III

Perfumando égua...

QUEQUIQUÉ? II

Com mundo da moda...

QUEQUIQUÉ?

Batizar cavalo...

PROSA PA DOIS

Si tu quisé i vai
ma si fô i memo
vai agora
i num vóuta mais

Si falá pos otro qui mi dexô
qui fugiu di casa i qui mi imprenhô
vô falá pro Zeca ti dá uma surra
i tu intão vai vê qui eu num sô tão burra

Vô ti processá, mandá ti prendê
vô ti arrebentá qui é patu aprendê
vô falá na vila qui tu é marginau
qui bati em mulé i é pernadipau

Vô ispaliá no bar que tu baba a fronha
qui comi mingau e fuma maconha
qui tu usa cuecão nus dia friu di inverno
pra ti maltratá eu vô até u inferno

Mas si quisé voutá pro nosso puxado
preparo agora memo um café passado
si tu chegá tardi causa do sambão
num comi pastel puqui já fiz fejão

I vê si mi discurpa pelas grosseria
já lavei a ropa como tu queria
vem dizê dinovo qui sô tua princesa
i podi botá as bóta sobri a mesa

Sabi qui sem tu, meu nego, tudo é nada
disliga o radinho que já tô cansada
me perdoa memo, to ficando loca
bem qui eu divia tê calado a boca

Já falei pra Cráudia que tu é bom sujeito
é trabalhadô i mi trata com jeito
mas sobri aquilo que tu mi batia
da próxima veiz é na delegacia.

SEGREDO DE POETA

Não conto,
não conto
e ponto.

SOBRE A AMNÉSIA

Poxa, minha guria...
Esqueci o que escreveria...

O ECO

O eco
murmura pras paredes
segredos só nossos...

DO TREM

Triste sina do trem...
vai trilhando seu destino
para os braços de ninguém.

TRRRIM

Pescador morrinha...
atende o celular
e perde o peixe na linha.

SE TODA POESIA...

que no coração havia o vento levou...
E o que se chama amor, como pétalas no chão, a perder a cor...
Mas o Sol todo dia (só pra quem sabe olhar) ilumina e aquece
Sim...

Lindas frases tristes, como todas as outras
Ficam sobre o muro do coração
À espera de algo que as chame pra fora.

PINGS PINGS

Sempre chove na hora de ir embora...

JANTANDO NA ZONA

Ô garçom!!! Garçom!!! Ô!!! Ei, pxxxx!!! Aqui... gentileza, garçom... traz uma Coca que as gurias aqui tão tudo com sede, fafavor.
É família?
Não não... tudo puta mesmo.

CAFEZINHO NO AQUÁRIO

Poxa... quanto tempo, Pedro Paulo?!? Artur!!! Pô moçada... como vocês tão? Faz o quê? Uns nove, dez anos? Que legal... E as novas rapaziada? O que contam?
Nada!!!
Nada demais... Tamo aí...
Eu to na empresa do papai... Me formei em Direito e fui viajar pela Europa. Passei 3 anos nos States aprendendo inglês e investindo na bolsa...
Hum... bom pra você...
Que bom... Papai vai bem?
Bem... Po rapaziada... Vamos tomar um café? Eu pago... Mas que legal encontrar vocês. Cês lembram da gente moleque, correndo por tudo? Aprontando... hehehe Lembram? A gente era umas feras mesmo... hehehe... Cês lembram que a gente ficava até tarde na rua, um comendo o outro... todo mundo se piçando, todo mundo comendo, todo mundo dando pra todo mundo... hehehe
Eu nunca dei em toda minha vida... Que isso? Pelamordedeus...
Como não Pedro Paulo... A gente se comia direto... um dava pro outro... vai dizer que não lembra?
Nunca dei!
Mas quê? E tu, Artur... Vais dizer agora também que nunca deu? Não lembra... Todo mundo dava e comia... todo mundo...
Nunca dei! Eu, euzinho, nunca dei. Juro pela minha mãe no céu.
ENTÃO EU TAMBÉM NUNCA DEI, PORRA!!!