terça-feira, 29 de abril de 2008

ESPELHO ENEVOADO



Recebi esta semana do Paulinho um livro muito legal sobre Os quatro compromissos da filosofia Tolteca. Eu estava lá no Kaydara, um espaço muito bacana e com uma energia muito forte aqui na Colônia pelotense... vale a pena conhecer, diga-se de passagem. E a vida, entre suas brincadeiras, me fez essa.
Dentro da casa da Cristina, eu estava passando pela frente da geladeira e uns dizeres, na porta branca, me chamaram atenção. Eram os Quatro compromissos, que li e gamei na hora. A Cris me falou que vinham de um livro que ela utiliza com seus alunos e indica a todos que pode. O Paulinho chegou junto e me disse: Eu tenho este livro. E cá está ele, agora, na minha mão. Será minha cabeceira na minha viagem a Salvador... sei que ele promete muito, e já comecei, antes mesmo da viagem, a dissecá-lo e, pelo que já li, percebi que Don Miguel Ruiz estava sintonizado com o verdadeiro entendimento.

Repasso aqui, ipsis literis, aos olhos teus a orelha dele:

1. Seja impecável com sua palavra: As palavras têm um imenso poder e não devem ser usadas de modo leviano. Diga apenas aquilo em que acredita, usando corretamente sua energia. Fuja de mexericos e de comentários negativos.
Meu amigo Nestor Campos diz que o ar é sagrado, é vida. Concordo plenamente. E se o ar representa toda esta forma energética de mantermo-nos vivos, diga-se vida em essência, como podemos exalá-lo de modo depreciativo em forma de palavras? Expire vida com amor.

2. Não leve nada para o lado pessoal: Quando alguém fala de você, está na realidade expondo a si mesmo. Não absorva insultos e não se deixe levar por adulações. Aprenda a se tornar imune às opiniões alheias.

Sejamos o nada. Eu falava com o Kleber Ramil sobre minha teoria que denominava A inexistibilidade do eu... Eu nunca soube ao certo o que eu queria dizer (muito menos ele, claro), até o Don Miguel me traduzir. É que o todo está no éter, como uma onda de rádio. Sintonize e capte!

3. Não tire conclusões: Atenha-se apenas à realidade imediata e concreta. Seja sempre claro e transparente e exija que os outros também o sejam, ignorando o que há de nebuloso ou mal-explicado.
Bagwan Shree Rajnesh diz que só deus julga, pois tem o conhecimento do todo. Nunca teremos o conhecimento do todo e isto impossibilita o julgamento de forma correta, fazendo com que qualquer julgamento seja equivocado e injusto com o todo... Não julgueis é a frase.

4. Dê sempre o melhor de si: Em qualquer circunstância, mesmo nas situações mais insignificantes, faça o melhor: nem mais nem menos. Rejeite sacrifícios ou esforços extenuantes: faça o que puder, da melhor maneira possível.
Viver plenamente significa respeitar a dualidade e o processo individual de crescimento espiritual, é entregar-se em plenitude e coerência entre pensamentos, sentimentos, palavras e atos, como diz o Nestorzinho.

Sempre em frente, que atrás estamos nós mesmos...

terça-feira, 22 de abril de 2008

CARTA AO ANÔNIMO

Prezado anônimo

Gostei muito do seu comentário postado no meu blog referente ao texto EM BOCA FECHADA NÃO ENTRA MOSCA. Adoro críticas... principalmente as construtivas, mas as destrutivas eu também gosto, pois espremo elas e tiro o suco contido... às vezes amargo, às vezes doce, mas sempre com o sabor picante da verdade. No caso do teu comentário, verdade irada... mas a tua verdade. Contudo, tua truculenta tentativa de te comunicares me obrigou a tecer uma resposta, confeccionada por partes. Vamos a ela?


C: Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "EM BOCA FECHADA NÃO ENTRA MOSCA":
R: Infelizmente, prezado anônimo, não assinaste teu comentário. Isso me faz concluir que eu te conheço e tens medo de me falar o que realmente pensas. Preferes manter a falsidade de nosso relacionamento... sem problemas. Mas não tenhas medo de assumir tuas idéias, caro amigo desconhecido. Sofres te escondendo... e isto impede que sejas íntegro com tua ideologia, íntegro com tua própria ira, enfim... isto pode fazer com que remoa teus sentimentos e tente, em outro momento, atingir uma outra pessoa. Fique sempre à vontade para te dirigires a mim, da maneira que for, pois aprendi a manter as discussões no plano das idéias... isto nos permite aprender com as teses certas e com as teses equivocadas também. Mas se quiseres assinar as próximas, poderíamos dialogar e, de repente, ajudarias efetivamente no meu crescimento.

C: Você, como o casal, também gosta de falar da vida dos outros.
R: Pois é... aqui realmente me pegaste. Mas eu sou um cara sensível, acredite. Mentalizo sempre o bem e tento, ao máximo, evitar falar de violência, de tragédias... às vezes peco e me pego comentando algo sobre a vida de alguém... mas na hora, na hora mesmo, juro, aquela voz do subconsciente (ou serão meus protetores, não sei) me manda calar, e calo. Me sinto mal depois de falar sobre alguém e isto tem me ensinado a ficar mais quieto, a engolir minhas verdades, que muitas vezes não são... a não levantar tantas questões... Porque do outro lado dos comentários está uma pessoa igualzinha a mim... E isto é lição pra ti também, amigo anônimo. Quem me conhece sabe que sou sincero, que o silêncio realmente tem sido meu norte... Mas tenho certeza que erro muito, e seguirei errando até morrer. Porém, aprendo a cada momento a usar as pedras dos meus equívocos na escadaria de minha evolução, baseada na plena convicção de que sei menos a cada dia e que palavras restringem muito os sentimentos....

Concordo com você e pensarei sobre isto, prometo.

C: Acho que o problema é esse: uns acham que estão ACIMA da merda toda, num pedestal de ESPIRITUALIDADE QUE SALVA!

R: Querido anônimo (se me permites chamá-lo de querido, claro). Felizmente não vivo na "merda toda", como disseste. Sou um cara sortudo e muito privilegiado, acredite. Tenho uma família linda, uma gata maravilhosa (realmente uma princesa) e um filho amado por todos que nos cercam, sensível e inteligente. Neste feriadão passamos arrumando a hortinha lá de casa, fazendo artesanatos, escutando músicas legais. Peguei o nascer do sol na Lagoa sexta-feira... precisavas ter visto. Ou não... nem sei quem és!!! Mas se vives na "merda toda", precisas urgentemente mudar os ares, amigo. De repente precisas amar. Ou deixar-se amar. A vida é tão linda, cheia de grandes significados em pequenas coisas... mas apenas para quem consegue ver. Longe de mim querer estar acima ou abaixo de qualquer pessoa, prezado anônimo. Tenho dezenas de ídolos... meu pai, minha mãe, meus amigos... Apenas sinto que a insensibilidade que moveu a humanidade até aqui tem que ter um fim, e nisto espero que concordes comigo. Também se não concordares, não tem importância... Te respeito no que pensas e torço para que sejas harmonicamente feliz.

Outra coisa que divergimos nesta pequena frase de teu raivoso comentário: a espiritualidade salva sim... Ao menos eu creio que salve. Mas não é um salvamento desesperador, tipo daqueles das grande enchentes. É uma iluminação, e varia de pessoa para pessoa. Às vezes sou chato, falando de coisas que acredito. Mas já percebi isto e concluí que só devo falar das minhas coisas da não-matéria quando questionado. Nunca mais falarei ao léu. Exceto no meu blog, claro, pois é meu espaço de exercer meu jus esperniandi e meu jus comunicandi. Mas aí o ônus do questionamento é invertido, pois não obrigo nem convido ninguém a vir aqui. Inclusive tu, querido anônimo: vieste por livre escolha... Não gostate? Tens todo direito de não gostar. Me criticaste? Ótimo! Volte sempre que a casa é tua... espero poder ter te auxiliado em algum momento... Mas sigas procurando... estamos todos na busca, e é assim que deve ser.

C: Menos arrogância, por favor.
R: OK! Juro que tentarei ser menos arrogante. Não fiz por mal. Às vezes julgo minha verdade como verdade absoluta... é que estou aprendendo, te falei. Não desejava ser arrogante, apenas questionador. Gostaria de lançar críticas ao ventilador para que as pessoas, regidas pela sensibilidade e auto-crítica, pensassem a respeito. Não queria ter te ofendido. Deves ter muitas certezas absolutas e de repente não precises de mais nada... Eu ainda não cheguei lá... nem quero. O conhecimento é morto... não quero estar aprisionado em verdades retilíneas, que impedem que eu concorde ou discorde de todas as coisas. A sabedoria é que liberta, e é dela que carecemos, prezado anônimo.

C: Você não vê, pois precisa humildade para isso.

R: Amigo anônimo... isto é uma luta. Me achava relativamente humilde, até ler alguém dizer que não o sou. Pensei direto no Diógenes, um sufi que andava nu como os animais e que por não ter nada, tinha tudo. Lembrei de Gautama... Nunca irei me comparar a eles, porque vivo num mundo dual, sou um pequeno pecador... um grande buscador. Ajudo os que posso e também sou ajudado, e muito. Não sou um avatar... sou um humano que peida e caga. Adoro leite condensado, torrada de queijo com alho, adoro sentir a água gelada na pele... Gosto de passear com meu filho no velho fuscão 83... Não tenho vergonha de minhas roupas velhas, pois são só casca... Sei pedir desculpas e dar beijo em homem... não tenho preconceito nenhum contra credos, cores e sexualidades... respeito toda forma de expressão amorosa e sincera... Não como nenhuma carne por respeito aos seres... parei de beber e fumar, por respeito a mim e minha família... cumprimento o prefeito da mesma forma com que o faço com o guardador de carros... nunca maltratei ninguém... nunca ofendi pretensiosamente alguém... Mas ainda assim concordo contigo: preciso mais humildade... Sempre mais. Porque o ego sempre acha brechas pra se manifestar... Mas não entenda como maldade, por favor... são os rastros do que também és...

C: Você precisa sentir-se parte da raça humana, e você escreve como se fosse superior: cegueira, ilusão.
R: Prezado anônimo. Até que enfim chegamos ao final dos teus quesitos quanto a minha pessoa. Embora aí do Mato Grosso onde te encontras não consigas me ver direito, exceto minhas letras, adorei teres me questionado. Te peço que se minha resposta novamente te ofendeu, desconsideres. Posso (e talvez deva) estar mais uma vez redondamente enganado. O fato é que existo, e se existo, expresso. Não quero que me julgues melhor ou pior agora... nem preciso, para ser sincero. Quem julga se desaponta por desconhecer o todo.

Dizes que tenho que me sentir parte da raça humana e lembrei de certas coisas... do cara jogando bituca de cigarro no chão... do outro dando um soco na cara do um... do caçador atirando num filhote de elefante... do cara rindo sobre a prostituta... dos lenhadores derrubando árvores imensamente lindas... lembrei do motoqueiro me ofendendo no trânsito... lembrei da Guerra no Iraque e dos assassinatos que passam toda hora na TV. Lembrei até de meu texto EM BOCA FECHADA NÃO ENTRA MOSCA ... aquele que te incomodou... acho até que vou tirá-lo do ar... pois podes ter razão e eu não... Mas desta humanidade, violenta e virótica, que chamas de "merda toda", nunca farei parte. Não escrevo como superior: escrevo orientado por uma cosmovisão, que questiona erros que eu mesmo cometo, que questiona coisas que acredito que possam melhorar... dentro e fora do meu lar... dentro e fora de meu umbigo cabeludo. Se sou cego, oriente-me, se puderes, para que eu encontre a luz. Se me iludo, deixe-me iludir até onde posso... E previna-se contra as tuas ilusões... Eu sou livre para iludir-me e crer no que desejo. Sou livre para errar... Mas lembremos: o plantio é sempre livre, mas a colheita é sempre obrigatória.

E para finalizar, querido anônimo, se te faz bem, podes me detestar. Se quiseres ofender, fiques à vontade, repito. Agradeço de coração por teres me feito perceber mais uma vez o quanto preciso evoluir e espero que voltes a comentar meus escritos e minhas ilusões. Mas te aconselho, meu amigo sem nome, que preste atenção também à tua caminhada e não te percas pelas estradas sinuosas da ira e da vingança.

Com amor

Duda Keiber

segunda-feira, 14 de abril de 2008

EU GALÁCTICO


Flutuo... minha essência sobe enquanto o corpo ainda dorme pela cama larga. Vôo, no sentido alado da palavra, ultrapasso os telhados da cidade e vejo estrelas pelo chão da Terra. Mas o meu ver, neste estado cru de ser, não é o ver para fora da cara: é uma visão pentadimensional, de 360º... um entendimento silencioso do nada, sentido contido do todo, imerso na imensidão do tudo, na infinita impermanência das coisas que, ao mesmo tempo, são ilusões de verdades mortas.
Vejo a lua... tão bela e, ao mesmo tempo, insignificante num universo tão vasto. É pedra na beira do rio... Poderia vencer as barreiras até a 10ª dimensão, onde se originam as energias que movimentam o cosmos e onde as luzes realmente nascem, mas resolvi apenas pairar, como uma gaivota contra o vento da Lagoa, e observar a pedra azul e verde que chamamos casa. Também pequena, como costumam ser as coisas perto do imensurável, mas repleta de questões inúteis, que brotam dos dogmas que brotam das mentes que brotam da sujeira acumulada na genética humana, vestida da feiúra das roupas e crenças incertas dos não-animais.
Se era noite ou dia, não recordo. Até porque isto é fato limitado num mundo que gira entre a luz e a escuridão, significado-mor implícito em nossa passagem na carne... sair da escuridão e alcançar a luminescência... Mas então os humanóides, que entre todos os desejos incabíveis gostariam de ser deus, sem entender que os deuses neles moram, não percebem que entre suas doses de anti-depressivos flores nascem, que entre as bombas no Oriente o amor floresce, e que o amor é mais que o sexo e a posse... Não percebem que as muletas de seus valores os aleijam e os cegam e que a essência de suas vãs procuras está na simplicidade de seus corações... que o poder é ácido e que as fronteiras não existem fora de suas cabeças... que o conhecimento é diferente da sabedoria, pois um aprisiona, o outro liberta... e entre tantas coisas que eles, humanos, não entendem, é a necessidade do silêncio, professor calado... porque se há um universo fora, há um universo dentro. E os ETs, que são procurados nas alturas, pedem atenção de dentro do peito.
E antes que eu desça na ilusão medida da velocidade, noto que o medo, contrário exato da palavra amor, é o exército a ser batido. O perdão, grandioso atalho da leve nobreza, conduz à paz, ar puro que pra tantos inexiste. E a preservação da espécie, que por ser virótica, denigre, só é possível quando se fizer entendido que cada unidade é outra igual unidade é outra igual unidade... divina.
Tudo que pode morrer, morrerá!

FRIO


Amanheceu inverno...

NOVINSTANTE


Um amigo me disse que, na vida, às vezes a gente ganha e às vezes a gente perde. Mas o que é ganhar? O que é perder? Quando eu condiciono a minha mente ao escrotório santo de cada dia, trabalhando miseravelmente por uma aposentadoria, estou ganhando ou perdendo? Minha mente vive no passado... minha vida vive no futuro... e as duas parecem nunca se encontrar. Talvez eu mesmo esteja deslocado do que sinto, de onde estou...
Mas na Princesa é assim: até meus pensamentos cheiram a mofo: meus pensamentos ficam velhos a toda hora... de onde venho? Pra onde vou? Sou uma réplica mal feita de tudo o que desejo, e se desejo, sofro.
Hoje tenho dois pilas no bolso e nem sei quem sou... Desejava ser uma pedra das ruínas, que envelhece sem questões... mas sou apenas carne, e o que pode morrer, morrerá! Às vezes me culpo por beber em uma esquina, e outra ambulância passa a mil pelas ruas da cidade.
Mas o que existe é só um somatório do que sempre houve... É um quociente do que ainda não há... e sigo mínimo nos poucos problemas, que se acabarão no fim do tempo, pai de todas as respostas. Sim, porque toda materialidade é ilusória, e os vermes esperam a todos, ricos ou pobres, sem distinção...
Não sei o que a minha mãe esperava, na sua vã expectativa alheia... Sou eu e todas circunstâncias... E uma tribo canta na Amazônia, entre a selva de ninguém: eu aqui, comendo o carbono de nossas angústias, vendo o concreto se reproduzir. Procuro, nas moedas derramadas, alguma que sirva como leite... alguma que sirva como ar... sou apenas a ilusão contínua de uma chegada... um nome preso ao registro geral.
O que busco? Talvez seja mera fuga... uma fuga abstrata de tudo o que me oferecem, pra chegar ao nada, completo conceito.
Não sou jeito... não sou forma... sou mais um espírito que entre esquinas perambula, vendendo almas e verdades que talvez não sejam, trocando por salsichas minha liberdade... querendo ser o outro... querendo estar além...
E os deuses, nos altares, não me escutam... quiçá se fazem arte, e a arte existe para que a realidade não nos destrua. Então outro sol amanhece, e eu me iludo ser o mesmo, enquanto rugas nascem por todos os cantos... Enquanto isso, atiro, todos os dias, pedras na lua do mundo que acredito...
Talvez o outro, que joga o pesado níquel das esmolas, amanhã desconsidere tudo... seguirei aqui sentado, sendo o novo... sendo o velho... sendo o sempre... Porque o tempo nasce e morre a cada novo instante...

quarta-feira, 9 de abril de 2008

RAJNEESH 75


A vida move-se em direção ao futuro, a mente move-se em direção ao passado. A mente está sempre fechada na experiência que já aconteceu e a vida está sempre aberta para a experiência que jamais aconteceu antes. Como podem se encontrar? Como pode haver alguma possibilidade de encontro entre elas? Então, aos poucos, a mente torna-se completamente fechada em si mesma. Não apenas isso, a mente até mesmo torna-se temerosa de ver o que a vida é.

sábado, 15 de março de 2008

VIDA E POEMA


O Sol
Troca de turno com a Lua
Para alegrar minha retina...
Enche de cores o mundo, bendito Sol,
Enquanto a Lua traz estrelas pontilhando o céu

E o que resta aqui embaixo?
Ao não poder tocá-los, os mantenho na ilusão
Onde posso tudo
Até mesmo encerrar sem lógica
A vida de uma poesia...

quarta-feira, 12 de março de 2008

COISAS ANTIGAS


Não gosto muito de coisas antigas
Principalmente das que sobrevivem ao tempo

Os jovens velhos,
Os conhecimentos inúteis,
[arcaicos caminhos a lugar algum
Pontes tridimensionais a objetivos individualistas...

A feia mulher bonita,
As notas amassadas de dinheiro sujo,
O sarcasmo do poder...

Tudo tão cheio de pó,
Um acúmulo de pensamento estático
Que até nas coisas minhas têm poeira...
Por onde deixo um rastro derramado
Do que fui
Até o que sou.

DE MANHÃ


Acordava sem falar uma palavra
Como todo mundo acorda
[de boca fechada...

Na frente do espelho
Via que era apenas
Mais um pedaço de nada,

Escovava os dentes
Pra tirar da boca
Os sonhos de tolo, pontes de esperança
Que, na realidade,
Eram apenas dias
Fábricas de rugas...

Beijava seu filho
Como se seu fosse
Brindando o eterno
Que reproduzira

E sua meninice
Que também fugiu de casa
Foi parar no beco
Foi parar na boca
[de ruas banguelas,
mesas retilíneas

Foi pro fim do mundo
Começo de tudo,
Onde encontrara, antes mesmo do meio-dia,
Um tempo novo, de meros pecados

E fechou portão
Seu corpo morria
Uma morte doce
[e intransitiva.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

SINCRONICIDADE


E-postila de Calendário Maia
http://cmtzolkin.blogspot.com.

GLUB


O mal é o que sai da boca do homem...

ESCALASSAMBA


Manga; Josimar, Júnior Baiano (Betão), Odivan e Cafuringa, Vampeta, Ronaldinho Gaúcho, Pelé e Valdomiro (Elivélton); Romário e Jairzinho (Viola).

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

EM BOCA FECHADA NÃO ENTRA MOSCA...

Eu não curto mesmo assistir televisão. Lá em casa só passa desenho animado que o Johan gosta... Tem uns programas infantis legais na Cultura e tem uns canais de animação que ele se amarra. Mas esses dias, assistindo ao Galvão Bueno narrar uma partida de futebol, decidi fazer uma eleição, a la Oscar, relativa à mídia massiva e idiotizante: A Melhor Boca Fechada da TV Brasileira. Concorriam o próprio Galvão, favorito absoluto, mas junto dele estavam a Ana Maria Brega, com seu "menas açúcar"(eu ouvi, ninguém me contou), aquela menina da MTV, toda tatuada, que só fala em paucueboceta, em dúvidas vulgares sobre uma coisa linda que é os fluidos energéticos corpóreos, o Jairo Bauer, um babaca meio fanho que só tira dúvidas sexuais de uma mandizada perdida, erotizada pela fábrica de imbecis consumidores, o Faustão, que é um chato de galocha, o carinha feliz da Globo, do BBB, o programa mais imbecil e psicótico da TV, que unifica os idiotas de dentro da tela com os idiotas de fora (Bial o nome dele, lembrei), tem aquela Angélica, que nem sei se está viva, mas nunca mais saiu daquele filme dos Trapalhões... Olha... vou até parar por aqui, porque senão passo a noite inteira...
E olha que eu não vejo TV...

***

Saí agorinha do bar do Alex. Comi um tradicional pastelão de queijo e tomei duas Brahma Extra, coisa que eu não fazia há tempos. Atrás da mesa em que sentei estava um casal, que, fumando e bebendo, discutia um assunto chato, da vida dos outros, e atrapalhavam a audiência do jogo do meu colorado Internacional.
Mas o produtor que vende a alface por trêsecincoenta e gasta vinte mangos de gasolina, ele não se importa de vender na feira os produtos que ele mesmo produz por quarentacentavos usando o adubo natural... dizia ela.
Mas tu não entende é que o colono que produz lá no interior do Rincão das "Rocha" ele quer ter um lucro líquido e bruto pra poder comprar as "coisa" no mercado, na venda, na loja, pro aniversário do filho... respondia ele, numa discussão alta, chata e infinda...

E o Inter lá, metendo pressão.

Caralho... pensei eu... não calam a boca, vixemaria! Quemimporta, São Judas Priest????? Somos nós e nossas circunstâncias!!! Me dê uma saída pro mundo que não seja o desapego aos nossos egos e vontades aprisionantes... A verdade é uma prisão... Um espelho quebrado... O que não me afeta, não discuto.

Não achas, Keiber?

Caralho fedaputis... Me chamou... o magrão me chamou...

Como é, respondi simpático.

Tu não acha que se o produtor... assim... o cara planta couve... eu gosto de comer couve com feijão (meio bêbado, da boca dele voavam gotas de saliva na minha direção)... tu não acha que é melhor pro produtor vender pra mim do que vender pro atacadista, que mantém duzeniscincoenta "pessoa" trabalhando e que precisam se sustentar enquanto que eu fico na minha casa falando...

Deusdocéu... quase me deu ânsia...

A humanidade presa em suas questões tridimensionais... Vivendo como se nunca fosse morrer e morrendo como se nuca tivesse vivido...

Por cima de minha cabeça, o Inter era banhado naquela fumaça cinza do Hollywood vermelho... A fumaça que representa a cegueira da racionalidade humana.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

ZUVUYA

Estive na quarta dimensão
Nas ondas do Zuvuya
Se voltei ou não, nem me importo
Se estou vivo, nem sei
O fato é que há um mundo todo fora deste blog
E as molduras são pras tintas.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

CLAUDINHO NÃO QUER MORRER

O Claudinho é maníaco-depressivo. Eu demorei pra descobrir isso, pois ele tá sempre rindo, muito simpático e querido... querido mesmo. Ele é tão querido que nessa semana tentou se matar de terno e gravata pra não dar o trabalho de sua mãe vestir defunto. Por Deus! Mas o plano dele deu errado e ele segue vivo.
Isso me fez pensar numa coisa, mais especificamente um verbo, que norteia todo o desenvolvimento da humanidade, sapiensamente falando. Trata-se do querer, verbo transitivo direto, lume dos ideários. Sim, pois o homem moderno consegue tudo o que quer. Isto é fato! Claro que o querer pode ser afetado pela necessidade, mas nunca, em sua essência, deixará de ser querer. O querer é a partícula imaterial que estimula a ação. O querer é o primeiro passo para que o cara levante da cadeira, mude um canal de TV, tome um banho de chuva, destrua florestas, atire na mãe... E o querer não tem nem oposto: não existe não-querer. O não-querer nada mais é que o querer a outra coisa.
O querer é a semente, e a semeadura é livre. Contudo, a colheita é obrigatória. Quando o homem quer poder, colhe desigualdade. Quando quer concreto, colhe destruição. Se quiser carne e fumo, colherá câncer. Agora, se quiser amor, colherá parceria. Quando quiser respeito, colherá valores. Se quiser igualdade, colherá unicidade.
Não é o mundo que tem que mudar: é a vontade do homem. "Quando a gente muda o mundo muda com a gente"... E pro homem, com seu grave defeito da racionalidade, conseguir transformar o seu querer, deverá mudar primeiro a sua própria essência axiológica e sua relação com o todo.

Porque se eu não me engano, o Claudinho não quer morrer.

DEUS CONSTANTE

Sente o agora
este amanhã em movimento
feito apenas de segundos,
como os tijolos na parede
que quando olhas
já se foram
acontecer noutro lugar

ah... e que presente este agora!!!
que cá, entre os ares respirados,
não consegue descansar dos planos
nem despir as vestes do passado
e, na imensa angústia de quase inexistir,
sustenta a essência humana acumulada

porque o agora,
que se refaz a cada instante
[à sombra de um gerúndio terminado,
inspira ao átomo a próxima atitude

talvez quisera, ele mesmo, agora,
ficar de cara por não ser lembrado
e ir morar nos andes, numa oca inca,
na solidão eterna
de um deus constante.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

HAVE A LITTLE FAITH MY BROTHERS

Temos que ter um pouco de fé, meu irmão... Um pouquinho mais de fé...

Dito isso a galera toda da igreja levantou vibrando, como se fosse uma tribo se energizando num rito fantástico. Eu fiquei me perguntando, do outro lado da TV: um pouco mais de fé em quem? Deus vive de saco cheio de tanta falsa fé, de gente enchendo com pedidos materialistas, com preces por casamentos e por infinitas coisas e coisas que nunca completam o grande vazio do ego, ouvindo promessas vãs... Deus, O Grande Mistério, Alah, Jeová, como queiram chamar, já fez a parte dele, distribuindo harmonia natural pelo cosmos para que tudo fosse, simplesmente fosse, acontecesse. Inclusive nós...

Temos que ter fé nos homens... O mesmo homem que devastou a natureza, que joga duas milhões de garrafas pet por segundo no lixo, o grande extintor das espécies, que em 100 anos transformou a harmonia em caos, que pensa a modernidade e progresso como um monte de níquel e esquece de todo o resto, que polui os seus jardins e sua água... Devemos ter fé no homem carnívoro, que, por irresponsabilidade consciente, manda milhares de seres para o abate, colaborando com a poluição, com o desmatamento, com o carma sanguinário que ainda paga pelas mortes deste e doutros séculos... Nós temos sim é que ter fé no homem bélico, que solta bombas em escolas e hospitais, que atira na cara de irmãos em troca de uma passagem de oleoduto, em troca de uma propriedade roubada, em troca de poder, e esquece que não existe poder em um planeta em ruínas. Precisamos crer no homem, que se esconde atrás de leis e garante sua lisura e honra com cartões de crédito, que ainda estupra as índias dos semáforos, que paga para matar, que mira seus objetivos em seu enriquecimento ilícito e que engana os que o amam...
Eu acredito no homem. Acredito piamente, acima de tudo, que o homem terá a grande capacidade de despertar. Acredito que o potencial racional, o livre arbítrio e a consciência atuarão lado a lado com a harmonia da Terra e de todos os seres, enfim. Creio no novo homem, que usa a linguagem da pureza e da ingenuidade, a linguagem do amor e não a da vaidade, do medo, da ganância. E talvez nem consigamos salvar nosso planeta, nossos filhos, nossos amores e pais... Talvez termine tudo e morramos de sede... Mas eu acredito, nem que seja no último segundo antes de um grande meteoro atingir a nossa nave, tardiamente, mas eu acredito que o homem perceberá, em sua “racionalidade moderna”, que o caminho da paz, da sustentabilidade e do amor incondicional não é esse em que trilha sua história.

EU E TUDO

Uma manhã fria
Os cavalos comem lixo entre o pasto
E o sol, com vento e nuvens,
Nem parece estar ali...
O tempo, que se nos vence, mata
Procura coisas pra fazer
Em sua ampulheta infinda do existir
Andando, repito em silêncio o que eu já não sabia
E as frases de um novo agora
Registram nas estrelas o que compreendo...

Penso e logo existo e logo penso novamente
Existo quando existo nunca
E sempre indo, como a areia do Saara,
Me transformo em vidro, me transformo em mar,
Me transformo em sombra e luz
Porque de fato sou
Eu
E Tudo.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

NOVO DE VELHO

Eu estudei Direito na UFPel até a metade do 4º ano (8º semestre). Fui da turma do Lato Sensu, que ficou marcada pelo seu direitismo exacerbado e pela ganância de uma gurizada branquela, que ria das tragédias e contabilizava em moeda a justiça, que eu particularmente chamo de hipocrisia formal. Claro que tinha gente boa lá, como o Betinho, o Rafa, o Alex Mala, o Nico e alguns outros, de se contar numa mão e meia. Já dos professores, pouquíssimos se escapariam da forca no meu sonho libertário. Sorte deles que já saí desta onda de rancor, muito pelo contrário: até agradeço pela estupidez deles, pois foi o que me fez cair na real e me mandar de lá.

Eu pensava que o 3º Grau, a academia, teria de ser menos ortodoxa, arcaiaca, preconceituosa... Sabia que algo esperava por mim. Foi então que passei no Cinema, 1ª turma da mesma Universidade. Eu iria estudar arte, caraca!!! Tudo se encaixou... Mas ontem, no final do 2º semestre, fiquei pensando sobre o velho e o novo, pois percebi que pouca coisa mudara em relação ao Direito e que, afora as pessoas, muito mais simples, inteligentes e queridas, o método arcaico de ensino segue como regra absoluta. Sem falar no sistema educacional verticalizado e da distância abismal entre o professor que manda e o aluno que obedece, com raras exceções, no caos do ensino público, sem verba, sem interesse, como migalhas para a massa pobre.

Passei em duas cadeiras, de um total de sete. Reprovei em cinco por infreqüência, como se minha presença física em aulas muitas vezes monótonas e improdutivas fosse critério para avaliar meu conhecimento. Sim, pois nas duas cadeiras que passei fiquei com uma das maiores notas de toda turma, embora saiba que é ridículo dar notas a alguém que busca conhecimento e cresceimento. O fato é que há professores que ensinam o que nem sabem, exercendo burocraticamente um cargo de funcionário público e não de educador, mas tudo bem... tudo é o processo de sucateamento do saber, em pauta do nosso Governo Federal, mas isso é outra conversa.

O fato é que eu fiquei tri afim de sair fora novamente: eu, que tô corrento atrás da máquina, fazendo filme, trabalhando minha forma de comunicação, levando também o nome do curso por onde ando, abrindo picadas a facão..., tomo esta facada do contra-academicismo. Mas muito dos que me reprovaram ainda não sabem porque eu não tenho onde anotar, mas eles também estão reprovados.

Reprovados!!!!

Não citarei nomes... o preceito Rinri de hoje pede respeito a si e aos outros... Mas escrevo, pois me liberto nas letras. E critico, pois sou livre e assino, como pede a Carta Magna do nosso teatro social, e não admito uma academia que aprisiona muito mais que liberta, que cobra muito mais que concede, que se mantém longe e pune.

E não adianta se disfarçar de moderno, porque o velho eu conheço no olho.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

W00T

Li na net hoje que "w00t" foi eleita a palavra do ano numa pesquisa promovida pela editora norte-americana Merriam-Webster. O termo, comumente utilizado por gamers, refere-se à alegria da vitória sobre o oponente em jogos de PC (we owned the other team, ou vencemos do outro time, em tradução livre) e representa a influência da e-modernidade nas gramáticas do mundo, onde letras, números e símbolos se misturam para fazer os vocábulos.

Eu, particularmente, achei horrível. Não só a palavra W00t, mas também o fato de alguém elegê-la como a palavra destaque do ano. Talvez deve ser porque Harmonia, Amor, Água, Beija-flor, Luz, e outras tantas de igual beleza, não façam mais parte do vocabulário e do espírito do homem moderno.

sábado, 15 de dezembro de 2007

MENESTEDES EMPRESTA, MAS NÃO DÁ

Dizem as más línguas de Uruguaiana que o seu Afonso Menestedes, famoso pecuarista local, voltara diferente de sua tragédia pessoal. Acontece que o avião do seu Afonso caiu numa remota ilha do Pacífico e ele lá ficara até ser resgatado, dois anos depois, por uma expedição da Furg que voltava do Pólo Sul.
Mas o ponto-chave de tudo é que o seu Afonso Menestedes não ficara solito no más na tal ilha: o co-piloto, Carlos Manteiga, outro sobrevivente, lhe fizera companhia.

Seu Afonso... Eu andava pensando - disse o co-piloto -... A gente tá aqui, só eu e o senhor... Há uma ano e meio, sozinhos nessa ilha... sem nenhuma mulher...
Undiéqui tu tá quereno chegar, índio velho? respondeu seu Afonso.
É que eu pensei que a gente poderia, sem compromisso seu Afonso... A gente poderia dar uma bimbada, digo, fazer uma meia, digo... digo...
Tu tá me achando com cara de trator que aceita engate na traseira, xirú? Vamo mudá o rumo da prosa..., disse seu Afonso.

Mas passados dois meses, o seu Afonso pensou melhor e decidira dispor de sua homossexualidade nunca revelada.

Ô Carlos... te aprochegue... Eu pensei melhor e decidi: vamos fazer "aquilo que tu queria", mas eu primeiro.

E assim se sucedeu. O co-piloto Carlos prostou-se e o seu Afonso Menestedes o fez de mulher. Quando chegou na sua vez, seu Afonso se posicionou como uma galinha assada, enquanto Carlos Manteiga se preparava, com afinco, para a cena que dispensa narração. No andar da carruagem, o co-piloto se aproximou e deu um leve beijo nas costas do seu Afonso, para a surpresa do mesmo.

Ôpa... disse o pecuarista... pode parar com tudo... sé é pra ter viadagem, paremo por aqui.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

PÉ-NO-CHÃO

As pessoas
Nas ruas
Estampam, sobre as roupas,
Uma desolação existencial...

Vivem entre as datas em que pagam contas,
Contam a existência em dias úteis de escravidão moderna,
Realizam seu escopo ante a fama de um boçal

[que idolatram na TV
E escondem muitos podres de caráter
Sob a mesma roupa que colore suas caras tristes

[depois, eu é que sou louco por estar de pé-no-chão.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

CONTRAPÉ DO DIÁLOGO

O castelhano desdentado me sorriu e disse que torcia pro Boca! Quando ele falou "Boca", saltou cuspe pra todo lado. É interessante como tem coisas que não combinam com suas imagens, como o desdentado amante do "Boca" (cuspe) e do índio de sapato que eu e o Andrezinho vimos hoje.
Outra coisa que não combina com o nome é a Ambrosia, delicioso doce que tem o nome mais feio de todas as mesas. Mas esta substantivada postagem nasceu como uma ponte para que eu chegasse ao assunto que queria: o contrapé do diálogo.
O contrapé do diálogo é quando uma resposta chega antes da pergunta, é quando o não se veste de sim e quando o ilógico domina as teias da percepção racional, como aquele tio gordo que deita no sofá da sala pra ver o jogo do Curíntias.
Um dia, eu estava na frente de casa, esculpindo. Não que eu seja escultor, nada disso. Minha mãe e meu pai é que são! E dos bons, pois fizeram a coisinha querida que vos fala. Mas eu tava era rateando, bolando um número da casa num pedaço de pau, a finzaço de parar de enlouquecer os carteiros, quando estacionou um carro da ViacaboTV. E eu, que há horas assinava a ViagatoTV, fiquei só de bico nos caras que descobriram minha ligação clandestina.
Ôpa... boa-tarde, disse um deles. Eram 3.
Ôpa... e daí!? respondi eu, sem parar de esculpir e fazendo de conta que ele era um cara do Censo e tentando pensar rapidamente no que eu faria.
É que a gente reparou nesta sua ligação aqui... E ela é clandestina...
Sim, é clandestina sim... Disse eu.
Pois é, falou ele meio sem jeito, não entendendo minha tranqüilidade. É que a gente possui vários planos de assinatura...
Mas eu não tô a fim de assinar, respondi. Eu tenho de graça cara, quando eu quero. Além do mais, não vou discursar pra ti sobre o papel emblemático da mídia na desgraça social brasileira, nem vou te falar dos preços exorbitantes que vocês cobram por esta merda. Faz o teu papel aí mano, e podes cortar minha TV, que quando eu quiser, ligo de novo.
O cara me olhou e disse: Tudo bem, nós vamos cortar. E puseram a mão na massa, como diz o gaúcho.
Eu entrei em casa como quem ia dar uma mijada e respirei fundo. Olhei pela janela e eles estavam recolhendo o cabo que eu havia comprado na Eletrônica Shop por 50 pilas.
Hei hei hei... Pode parar aí manito. Este cabo é meu! Comprei e tenho nota, falei.
Mas é política da empresa recolher os cabos, falou ele, já se encolhedo como um pinto no frio.
Mas a política da SUA EMPRESA não pode lhe dar a liberdade de retirar o MEU CABO, que eu comprei com MEU SALÁRIO. Isso que vocês estão fazendo é roubo! ROUBO! Vou chamar a polícia!, esbravegei e entrei pra dentro de casa, como quem faria, de fato, a ligação pra lei.
Os caras ficaram tensos... recolheram rapidamente o material e se mandaram, carregados de culpa e sem me importunar mais. Levaram o cabo, sim... Mas deixaram de me trazer uma gama de incomodações... Fiquei sem TV por breves dias, mas fui salvo pelo contrapé do diálogo.

Goleiro num canto, bola no outro.

CAFÉ DA MANHÃ PRÂNICO


"Todo dia nasce novo
em cada amanhecer".

GERAL

Eu,
Preso ao meu ponto de vista,
Não delimito nem minhas próprias verdades...

E ontem
Dizia que hoje
Daríamos aquele passeio
Mas hoje,
Pequena,
Ficarei sozinho,
Estudando coisas minhas quinda desconheço,
Arrumando minhas crenças de gaveta,
Dobrando meias-verdades,
Lavando a roupa suja que

[de dentro da cabeça

Às vezes acredita ser
A única dona da casa.

JUCA LARANJEIRO

Ô Juca... Tu sabes qual a diferença entre chupar uma boceta e chupar uma laranja?
Não sei não... Nunca chupei uma laranja!!!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

SIMESMO FUTEBOL CLUBE

Aqui no Sanep o pessoal do Compras fez o tradicional amigo-secreto de final de ano. Eu peguei o... Bom... é claro que eu não vou dizer o nome dele, pois vá que dê o azar de alguém de lá ler o blog e aí vai acabar com a brincadeira. Pelo menos com a minha.
Mas o fato é que eu vinha pensando o que daria pra figura... Eu sempre gostei de dar presentes legais, alternativos... Mas esse ano tô sem idéia e acho que vou dar um calção pro cara jogar bola, sabe... Tritrivial...
É que ele é do tipo que vai jogar pelada na pracinha ou na calçada todo uniformizadinho, do pé ao gogó. Meia vermelha, calção branco e camisa vermelha e branca... Meia azul, calção azul, camisa branca... Ele costuma chegar no campinho com a bola embaixo do braço e já entra aquecendo... O engraçado é que só ele usa aquele uniforme, ninguém mais. É o time de um homem só: o Simesmo Futebol Clube. Pode até aparecer outro cara metido a boleiro e uniformizado, mas com certeza o uniforme vai ser diferente. E no Simesmo o meu amigo-secreto é titular absoluto: só fica fora por lesão ou suspensão.
Só que nesse ano eu vou dar pra ele um outro calção... E vou dar um calção florido ou laranja-limão, que é pra ele nunca encontrar um resto do uniforme que combine e ir pro banco de reservas de vez. Porque balaca ele tem, mas futebol não.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

MELECA DE NARIZ

Ninguém mais cheira flores pela rua. E nem tanto pelo fato de não existirem muitas pelas calçadas cinzas da cidade... É porque as pessoas que existem atrás de seus narizes parecem ter perdido esta capacidade.

O TEMPO ACONTECE

Acho que foi num som do Paulinho Moska que ouvi a frase "Não importa o fim da estrada quando se vai rumo ao nada". Se não foi bem isso, foi mais ou menos isso. Pois bem... é que no mundo das informações, cada letra depende da carga cognitiva do receptor para existir de fato e, então, linkei esta oração à oração do que pensava. Além disso, em frase dada não se olha os dentes.

Esse niilismo moskiano, por conseguinte, me lembrou de um papo com o Negão, onde falávamos sobre o agora e patrimônio. O Nelsinho disse que "Patrimônio é como pegar água com as mãos... é ilusão! Hoje temos, amanhã não. Basta morrermos e deu: acabaram-se a posses e títulos". Eu concordei, enquanto o Pedrinho dos Alumínios cobrava que trabalhássemos e parássemos de conversa fiada.

(Tu também morrerás, Pedrinho!)

Aí lembrei do cara que reclama o tempo todo, preocupadíssimo com o que tinha e perdeu, com os amores que fugiram, com quantas moedas vai juntar até janeiro... Tonto de tanto olhar para trás, para frente, para outros, esquecera de observar o agora, o eterno agora, lugar onde realmente podemos relocar o mobiliário do que somos, onde podemos transformar os nossos ambientes, onde podemos dissecar o milagre de nossa existência sublime...

Poderia até dizer que tudo é perda de tempo, se não soubesse o que realmente é o tempo... Poderia até dizer que sinto compaixão, dele e do dentista sedento que matou e morreu por uma partilha de bens... Mas tudo é O Processo, uno e individual. Cada um com seus problemas (artigo 7º do Data Fifa). É que enquanto o homem enlouquece com suas contas e obrigações, o tempo simplesmente vai acontecendo, até chegar o dia em que todos os nomes serão esquecidos.

PROVÍNCIA DO SERGIPE

O adjunto de promotor público, representando contra o cabra Manoel Duda, porque no dia 11 do mês de Nossa Senhora Sant'Ana quando a mulher do Xico Bento ia para a fonte, já perto dela, o supracitado cabra que estava de em uma moita de mato, sahiu della de supetão e fez proposta a dita mulher, por quem queria para coisa que não se pode trazer a lume, e como ella se recuzasse, o dito cabra abrafolou-se dela, deitou-a no chão, deixando as encomendas della de fora e ao Deus dará. Elle não conseguiu matrimonio porque ella gritou e veio em amparo della Nocreto Correia e Norberto Barbosa, que prenderam o cujo em flagrante. Dizem as leises que duas testemunhas que assistam a qualquer naufrágio do sucesso faz prova.

CONSIDERO:

QUE o cabra Manoel Duda agrediu a mulher de Xico Bento para conxambrar com ela e fazer chumbregâncias, coisas que só marido della competia conxambrar, porque casados pelo regime da Santa Igreja Cathólica Romana;

QUE o cabra Manoel Duda é um suplicante deboxado que nunca soube respeitar as famílias de suas vizinhas, tanto que quiz também fazer conxambranas com a Quitéria e Clarinha, moças donzellas;

QUE Manoel Duda é um sujeito perigoso e que não tiver uma cousa que atenue a perigança dele, amanhan está metendo medo até nos homens.

CONDENO:

O cabra Manoel Duda, pelo malifício que fez à mulher do Xico Bento, a ser CAPADO, capadura que deverá ser feita a MACETE. A execução desta peça deverá ser feita na cadeia desta Villa.

Nomeio carrasco o carcereiro.

Cumpra-se e apregue-se editais nos lugares públicos.

Manoel Fernandes dos Santos
Juiz de Direito da Vila de Porto da Folha Sergipe, 15 de Outubro de 1833.

Fonte: Instituto Histórico de Alagoas

sábado, 24 de novembro de 2007

DA MATÉRIA À ENERGIA II

Então o cara me disse que não poderia ficar sem almoçar. Brincadeira... Pior, que não vive sem carne e que não sabia como eu podia viver sem "um bom churrasquinho".
Sem entrar nas questões ambientais, orgânicas e cármicas da alimentação carnívora, disse pra ele que eu é quem não entendia como sobreviviam aquelas pessoas que só se alimentam de carne, só bebem Coca-Cola e fumam três carteiras de Hollywood vermelho por dia. Sim, pois nessa dieta há pouca nutrição, a não ser proteína, açúcar e veneno.

Energia prânica!!! Sol...
Ainda somos a galáxia mudando. Temos que deixar nossas bagagens pesadas para podermos andar mais longe...

DA MATÉRIA À ENERGIA

Pensando sobre as luzes no céu que constante (e estranhamente) circundam Pelotas, refleti. Por que não há um contato mais exato? Por que o homem ainda não conseguiu voar pelo espaço sideral, como nossos (obscuros) ETs?
Acontece que os ETs não viajam no espaço: eles viajam no tempo. Eles, na verdade, são nós. Mas um nós evoluído, que não tem gula, maldade ou ânsia. Eles não se alimentam, a não ser de luz, por isso não têm boca, e a cabeça grande que eles têm é pelo hiperdesenvolvimento da pineal. Eles não falam porque já vivem na freqüência das informações. Habitam, eles (não vou mais os chamar de ETs: nós também somos ETs, poxa...), em uma outra dimensionalidade, e por isso conseguem um deslocamento fluídico que sobrepassa a nossa percepção tridimensional. E quando eles conseguem uma amplitude muito elevada, acabam por exaurir a quadridimensionalidade e, por isso, às vezes podemos ver seu rastro energético (luz) aqui da terceira divisão.
Nós nunca subiremos numa nave tetradimensional: iríamos desintegrar. Nós morreremos aqui, na nossa estrela Terra. Nossa genética é que deve ser aperfeiçoada para que, no futuro, nosso GNA possa voar com eles (ou conosco?).

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

AMOR DE FILHO


Meu passarinho
Veio se aninhar
Num amor de filho
E par da canção

Meu amor
Os seus olhinhos de neném
lam me passando a fé

A vida vai valer
Enquanto seu carinho brilhar

De cada criança
Tira uma gota do olhar e
Espalha sobre a Terra essa magia

A cada predador ela anuncia
Nós precisamos do nosso amanhã
Dê uma nova chance
A mim, de caminhar

O seu sorriso amanheceu
Num só momento a bela luz
Em cada canto deste mundo
Chegou primavera

E outros fenômenos leais
Traduzem paz
Paz que queremos tanto ter
Pra durar
Nova chance de se caminhar

E construir o seu ninho
Espalhando luz, inventando
Um caminho novo, brilhante, nobre
Inocente, puro
Nossa canção está no ar
Bem-querer, filho meu
Meu bom anjo, meu par.

(Beto Guedes)

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

CARTA AO BOTTI

Gran Vicente

Eu tenho um tio em Porto Xavier que se chama Vicente. Ele é o cara mais mentiroso que eu conheço, além de canastreiro, boêmio e tangueador. Colorado, doente! Ah... e pescador (só podia...). Ele usa aquelas cuecas abertas na frente, sabe (?), e quando eu era pequeno e ficava deitado, vendo tevê, ele passava e as bolas balançavam prum lado e prooutro da cueca folgada. Era o maior barato... a gurizada toda caía na gaita.
Um dia ele mergulhou no rio Uruguai e emergiu com um cigarro aceso na boca... juro por deus! E também, depois de um baile na Argentina, resolveu voltar a nado e dormiu no meio do rio, indo acordar lá em Uruguaiana. Sério! Peor!
E esse Vicente aí, que ainda mora em mim, me fez simpatizar contigo, ô da Pimenta, pela coincidência das letras e, depois, pelo astral do que fazes (músicozinha) e pela tua simpatia.
Agradeço pelo convite para assistir ao jogo Brasil x Uruguai aí no Fondo... mesmo. É que hoje tenho um ensaio com os atores do curta do Jorge Nelson, que estamos em reta final, e terei que dar WO.

Um abração à esposa e ao bêibi.

Duda

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

SÓ ESTRELAS


Até onde vai a intenção
de tua ganância?
Todos os farrapos já estão mortos,
os comunistas mofam numa biblioteca
e aquelas moedas de níquel
[que tanto desejas

restarão na superfície morta do planeta

E o que brilhará no espaço
[eternamente
são as estrelas

[que nunca se importaram com nada.

PEDRUCA E A FEIRA DO LIVRO DE PELOTAS

O Pedro Marodin é o poeta pé na estrada. Um amigo de todos os lugares que viaja o Brasil afora vendendo livros e deles tirando seu $u$tento (embora saiba que o sustento do homem seja muito mais que grana, chamarei assim sua féria). Funciona desta forma: ele faz uma megatiragem de seus lindos livros (Diário de um poeta pé na estrada, O grande minerador, Buquê de flores e, por fim, Sem meias palavras) e sai sem rumo certo, vendendo em bares, restaurantes, feiras e afins.
Ele esteve aqui em Pelotas agora, para a Feira do Livro, e passou 23 dias na minha casa. Dentre as idéias que trocamos, uma que gostaria de expor.
Pelotas gosta muito de coçar a barriga, dizendo, um tanto quanto prepotentemente, que é A Cidade da Cultura. Eu amo Pelotas e acho, realmente, que as manifestações artísticas aqui são muito fortes. Nem se compara a Santa Rosa, de onde venho, ou quaisquer outras cidades do interior sul-rio-grandense. Até PoA treme as pernas pra Princesa. Mas isso não se deve, de forma alguma, ao Poder Público, pois o ente Estado já morreu há muito e hoje, como outro cadáver comum, só serve pra feder. Pelotas vibra pela garra dos seus artistas, em todas as ramificações.
Pois bem... o Pedruca esteve aqui, com seu Passatão Chocolate carregadinho de livros. Veio confiante na Feira do Livro, que começava, e no retrospecto positivo de Pelotas em sua vida. Ele diz que aqui é o melhor lugar do Brasil pra vender. Mas aí, chegando na Praça Coronel Pedro Osório, deparou com aquela triste realidade: estandes tomando conta do entorno, restringindo espaço, sem promoções dignas do maior evento literário da cidade - simplesmente lojas na praça -, sob uma organização que cobra caro para que se possa vender mais caro ainda. Onde está a babada Democratização da Cultura? Sinceramente, amigos, na Feira de Pelotas não há. E o Pedruca, que vende graças a sua simpatia e seus devaneios poéticos, foi impedido de vender na Feira do Livro. Motivo: não havia pago estande. Mais: não era permitido "ambulantes" no local.

Mas eu vendo os meus livros!!! falou o Pedruca.
Nada de livros por aqui!!! respondeu ironicamente o representante da organização.

E se tivesse insistido, o Pedruca teria seus livros apreendidos, rasgados e queimados em plena praça XV. É a Inquisição da Cultura.

Democracia é, realemte, uma palavra inerte que nunca existirá fora das bocas.

PESCADÔ


Uma nêga falou nesta vida que noutra
Eu seria pescadô
[e talvez por isso essa minha obsessão por barcos...

Mas eu queria
[queria mesmo, dona nêga
Pescar um sonho
Com a isca do desejo
E tirar da água
Novas cores para o mundo.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

FRIO EM NOVEMBRO...


Lá vem Deus
Navegar no mar que fez
E se pudesse, faria
Quase tudo outra vez
O mar... o mel... a doce pele azul

Ô Seu Deus, aqui no Sul faz um baita frio
Na próxima estação
Me coloque na Bahia
Que o Sol que ilumina o dia
Também é minha direção...

SEDE DE MAR


Voltei pro mesmo lugar depois de uns anos. Pouca coisa fora de minha cabeça havia mudado... alguns detalhes e cores que haviam, della prima volta, passados desapercebidos.
O mundo ficara parado e eu rodei...

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

DATA FIFA II


A Data Fifa é realmente mais forte que eu. Que o Ale e o André também. As mulheres é que não gostam muito, que facciamo. Também, são 4h da manhã e a gente segue aqui, concentrado. A Vevê tá no quarto, tentando encaixar o sono entre nossos gritos. A Nena ligou chorando... De cara... Pô Neninha... sabes que te amo... Desculpa mais essa, minha princesa... é que quando eu crescer eu perco essa mania. Além do mais, nosso amor é em outra dimensão: tô aqui e tô aí.
Putz grila... perdi a concentração... Ach que vou sapaterear de novo.

Bisapato meu!!!

Clássico é clássico e vice-versa. Hoje sapateriei... Adiós Barcelona...

CORES QUE QUERO VIII - ALESGU


Anjo-par
Não falei que contigo
Tudo ficava mais colorido???

CORES QUE QUERO VII - NEL CUORE DI FIAMMA


Dorme princesa Nena
Dorme, filho cristal
Que os anjos miram vosso sonho
E se cochileis no gelo,
Acordareis no calor de meu coração

[pulsando...

CORES QUE QUERO VI - MAGUITO VILELA x VIOLA MAGIQUELA


Quem canta...
Os malas espanta.

CORES QUE QUERO V - BOQUINSANA


Tu boca roja en la mía,
La copa que gira en mi mano,
Y mientras el vino caía
Supe que de algún lejano
Rincón de otra galaxia,
El amor que me darías,
Transformado, volvería
Un día a darte las gracias.

CORES QUE QUERO IV - BISINIDEM


O homem criou Deus
À sua imagem e semelhança...

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

CORES QUE QUERO III - NO BRASIL


Índios dançam
Sob tupã
Carregam consigo
Receitas de chás

[No supramundo do esquecimento.

CORES QUE QUERO II - ASHTAR HINDU


Havia na Índia
Uma índia que ainda
Ia indo, quase obsoleta
Ela violeta
Eu, nada.

CORES QUE QUERO - SAINT ÁFRICA


Deus colore
O cio das flores
A religião dos olhos
O milagre da imagem...

[Cruz da anti-cegueira.

CAVERNAS


O Joselito resolveu, por uns dias, ficar ali naquela caverna. Aprendeu a plantar e a criar, em vez de rodar o continente atrás de comida. Uma vez que outra dava uma saidinha de sua circunscrição, agora com alguns vizinhos na área, e isso deu margem pra Marieta inventar a profissão mais antiga do mundo. Claro! O Joselito demorou e a Marieta tava com fome, que facciamo? Depois, aquele pessoal todo que formava o distrito municipal inventou a moeda pra não ficar carregando produtos à permuta, e com a moeda surgiu a diferença e a exploração.
Os netos dos netos dos netos dos netos do Joselito saíram da África pro mundo, escravos do racismo alheio. Depois, subempregados no Brasil, sonhavam em comprar uma TV tela plana que viram no comercial da Quero-Quero. Entre outros desejos, um dos netos dos netos dos netos dos netos do Joselito só queria mais um gole, pra poder dormir tranqüilo na noite fria de Pelotas.
Aquela noite caiu rapidamente e a caverna ficara tão distante...

terça-feira, 6 de novembro de 2007

DIAS DE GAGARIN

Quando o pessoal fala em Ovnis tem sempre o amigo de um amigo que disse que um dia (ou era noite?) viu algo perto da prefeitura (ou era do museu?), e esses papos ficam por isso mesmo. Mas eu não sou o amigo do amigo. Eu sou eu. Yo soy yo. Posso até ser amigo do teu amigo, mas se falo é porque é pura verdade (pois é pois é pois é).
Dizem os historiadores que os índios, ao avistarem as caravelas, ficaram pasmos pois nunca tinham visto aqueles objetos, por assim dizer. Comigo aconteceu três vezes: duas aqui em Pelotas e uma num morro da praia do Rosa, do ladinho da Ibiraquera. Em todas havia outras pessoas comigo, que confirmam estes "fatos estranhos" envolvendo grandes luzes e movimentos intrigantes.

***

Há meses ando com uma sensação de que tem algo no ar, sabe? Parece que tem alguma coisa na espreita de acontecer... Talvez os universos interiores... Sinto que muito do que girava a roda da sociedade moderna perdeu a graça, não tem mais sentido. Sinto meu âmago cansado de conversas tolas, de pessoas fracas e reclamonas....

Não sei se os ETs chegarão de vez ou se serei eu a ir pro espaço.

SOM ESTÉRIL É SURDEZ, MONAMI

Batia o pé com o Naturaleza sangre. O Fito fez o disco com carinho... Na 139 Lexatins, quando ele canta vueltas, vueltas para mi, o som estéreo passa da caixa esquerda pra direita. Se fecho os olhos, parece que ele está a fazer a volta em torno de mim.

Um amigo perguntou o que era "este tal de estéril". Eu disse É tudo muito simplesimples: eu sou quase estéril e minha gata é mono e mesmo assim nosso filho nasceu.

Com a cara do padeiro, mas nasceu.

LOCOEU?

Ela vai na Universal, assiste à novela das seis, pinta as unhas do pé e toma cerveja com açúcar. Tem um livro de simpatias (a de como enriquecer não funciona, já testei), combina o verde com preto, reza pro Santo Hermeto e só dorme com um copo d'água do lado da cama. Outro dia me chamou de louco porque coleciono cactos.

Ora, pobre menina... De todas as nossas loucuras, só a minha dá flor.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

PRÓPRIA POESIA

Criara então, consigo mesmo,
[muito aquém do início dos seus olhos

uma realidade poética fajuta
falando de amor,
falando de dor,
falando de posse de outra pessoa...
achando que o mundo começa no outro
e que serve só de viés de umas palavras

Enquanto isso, mendigos dormem nas calçadas
índios vendem artefatos, os hindus entram no rio...

Longe e perto de seu feio umbigo
muitas coisas acontecem
e uma flor se abre no jardim...

[existir é a própria poesia.

ARTE AO EMPOBRECER

Aqui em Pelotas, "Capital interiorana da Cultura", existe um projeto que abre espaço no querido Theatro 7 de Abril às manifestações artísticas. Antigamente era chamado de Música ao Entardecer, depois passou a ser 277. Teve também o Arte Daqui, desenvolvido pela RadioCom e com muito trabalho do Glenio Rissio e do Dico Keiber também, no desenvolvimento dos CDs. Depois veio o Sete ao Entardecer. Toda terça-feira, às 18h30min, tem apresentação gratuita de bandas, esquetes e danças, cada dia com um grupo diferente. Mas embora seja um projeto do governo municipal, vejo que, muito aquém se sua obrigação, nada mais faz que assinar papéis e liberar o espaço, que é mais a casa de cada artista pelotense do que meramente um prédio da prefeitura.

Eu já fui a muitas apresentações, mas perdi muitas também. Marco Gottinari, Serjola Insaurriaga, Dico Keiber, Freak Brotherz, Giamarê, Caminhos de Si, Grupo de Dança Flamenca Olé, Michel Abelária, Sulivam Melo e muitos outros que me fogem agora, na pressa das letras, foram alguns que tive o privilégio de acompanhar. Em todos, uma coisa em comum: ninguém do poder público estava presente. Ninguém!
Quem conhece o 7 sabe que lá tem dois (ou três) camarotes reservados aos nossos políticos, representantes do poder público, e estes camarotes ficam sempre fechados à chave, impedindo que o público os acesse e tendo, assim, muita gente, que ficar em pé, pois o povo de Pelotas gosta, sim senhores de gravata, de espetáculos e tem lotado a casa.
Mas da esquerda pra direita, do Legislativo ao Executivo, nunca vi ninguém lá para dar apoio à arte da cidade. E esses políticos, recheados de demagogia e vazios de visão artística, virão, como sempre vêm em suas campanhas, dizendo que têm a solução para a cultura da cidade. Mas como eles saberão, se estão do outro lado do abismo?
Cada um só dá o que pode ter. Cadê vocês, senhor prefeito, vereadores, secretário de Cultura? Pelotas precisa que vocês saiam de trás de suas máscaras.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

(re) SACO CHEIO DE PAPAI NOEL

No ano passado, escrevi uma coluna pro Diário da Manhã e, agora, procurando ícones no vago e-tempo computadorístico, a reencontrei perdidinha, encolhida como um pinto no frio. Reli a dita e resolvi que era hora dela espraiar-se na rede da virtualidade. Eis-la-a-a:

O ano que passou, 2006, trouxe em seu término grandes reflexões à humanidade, como coletividade, bem como a cada indivíduo, como partícula evolutiva no contexto cosmológico e espiritual. Mesmo que passando pelo ápice das transformações axiológicas, das mudanças de linguagem, da avançada tecnologia dos cliques, o homem moderno ainda traz consigo amarras intelectuais da Idade da Pedra presas às bolas-de-chumbo do consumismo e do capitalismo destrutivo: é prisioneiro de seus desejos materialistas, delimitado dentro de fronteiras criadas por sua própria mente e segue incapaz de perceber que, enquanto a Terra morre asfixiada por seu lixo, ele também é um mero e finito passageiro do tempo.
As mortes dos tiranos Augusto Pinochet, no Dia dos Direitos Humanos, 10 de dezembro, e Saddam Hussein, no dia 30 do mesmo mês, Dia do Perdão Universal, mostram ironicamente dois fatos que baseiam a sociedade humana da qual todos fazemos parte e somos agentes formadores: a Justiça falha (meramente hipocrisia formal) e a incapacidade de uma visão estratosférica dos problemas terrenos. O general chileno morreu sem prestar contas dos crimes que cometera. Dançou com os tribunais, brincou de doente e foi escoltado por uma grande fortuna e um prestígio político que o blindaram até seu último suspiro, enquanto que aqui, no Brasil, da mesma forma como ocorre no Chile e em outros países subdesenvolvidos (ou "em desenvolvimento", como preferem ser chamados) as sentenças executórias e as instituições penais existem apenas para negros, pobres e analfabetos. Já no Iraque, a mesma corda que enforcou Saddam sufoca qualquer análise coerente. Com que legitimidade foi feito não só o julgamento fajuto de Hussein, mas também a invasão àquele país (sob o pretexto equivocado de haver armas de destruição em massa), que trouxe ruína total, morte de inocentes e um caos nunca antes visto no Direito Internacional? Agora, as forças da coesão se encontram em um terrível dilema: retirar suas tropas e amargurar o fracasso de sua missão ou prosseguir em uma guerra urbana, dizimando vidas por uma ira de vingança sem sentido.
Além disso, a humanidade atravessa uma era de intensa mudança planetária. Grandes catástrofes naturais já acontecem, o aquecimento global é visível e perceptível, mas o homem ainda não criou uma consciência protetora da água nem um conjunto de ações racional e eficaz para com seu próprio lixo. Sua ânsia cega faz com que siga destruindo as matas (no Brasil, restam apenas 6,05% da floresta atlântica original), poluindo os rios e mares e participando com a fome planetária e as desigualdades sociais, pois no momento em que passa a ser apenas uma unidade consumidora, o homem passa a crer e a obedecer somente um ego faminto e não acorda para o que acontece a seu redor. O planeta está no limite.
Então nos chega 2007... O que dizer? O que esperar? Nos festejos de fim de ano o homem deseja paz, amor e perdão, veste branco e, embora tenha trocado a figura de Jesus pela de Papai Noel e o presépio por Coca-cola, segue vários ritos formais e não reflexivos, pois brinda e pede por coisas que não pratica em seu dia-a-dia. Penso se direi a meu filho que em 20 anos ele irá encarar as graves crises da água e da energia elétrica, das superpopulações e da fome, que em 2020 não haverá nenhum pico nevado e muitos animais e plantas ele conhecerá apenas através de livros e fotografias... Provavelmente não: esta minha índiga reflexão irá mostrar a ele, criança cristal, que já é hora de usarmos a intolerância contra o mal. É tempo do homem fazer uso de ações corretas e do verdadeiro amor incondicional se quiser seguir viagem pela galáxia em sua linda nave azul.

DROGADIÇÃO

Tem um site chamado radios.com.br que tem emissoras de todo mundo. Hoje mesmo fiquei ouvindo a Webradio RootsRockReggae, da Jamaica, com pérolas do reggae.

12 horas no trabalho... olhos vermelhos e chapado da babilônia...

New-escravidão, novelas, colunas sociais... Salário mínimo, cartão-ponto, Coca-Cola... Conservantes, programas de fofoca, música sertanoja. Os ministérios da Agricultura e Saúde deveriam fazer um novo rol de drogas prejudiciais à sociedade...

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

JOGAR PING-PONG?

Quando criança, ouvi levantarem a questão do porquê as mulheres sempre vão em dupla ao banheiro. Estranhei... até que comecei a reparar o WC das damas na adolescência. E não é que elas sempre vão em dupla mesmo?
Um dia, folhando páginas bobas (ou o bobo era eu, talvez), encontrei uma charada: "Por que as mulheres sempre vão ao banheiro em dupla?" Putzgrila... pensei, enfim havia acabado meu sofrimento. Eu iria de fato descobrir este segredo tão maníaco (ou o maníaco era eu?). A resposta dizia, depois do R maiúsculo e os dois-pontinhos: "Para jogar ping-pong!"
Jogar ping-pong? Não entendi! Passei minha adolescência (e parte da vida adulta) tentando fazer o elo entre a resposta e a charada... Jogar ping-pong? Não pode! Os caras da revista devem ter rateado e trocaram alguma informação. Nada a ver "Jogar ping-pong...". E olha que muitas vezes eu contava essa piada e, óbvio, ninguém entendia. Mas não era pela piada em si que eu a contava, era pela sedução do tema... pelo tamanho do porquê...
Mas semana passada minha vida mudou. O Alexandre, numa conversa, me falou, do nada: "E tu mano... tu sabes por que as mulheres vão sempre me dupla ao banheiro?" Eu, de pronto: "Pra jogar ping-pong!!!"

Ãh??? disse ele. Não cara... é pra uma não falar mal da outra.

Tirei toneladas das costas... ufa... Acho que vou usar a resposta dele daqui pra frente... Até porque tem um fundo de verdade, que algumas mulheres rebolam pra equilibrar o peso da língua.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

ANGEL DE LA SOLEDAD

Tchau e ciao...
uma sublime diferença
entre um adeus lusitano e
um olá italiano

um euro
[de drexler
escrito bye...

alguns detalhes
pingos coloridos de memória
restarão até onde?

até onde?

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

UNIVERSOS

Do que sei sobre mim mesmo
uma incerteza em movimento
Um universo pra fora
Outro universo pra dentro...

FOI

Expressionista
Não há pressa,
[acionista dos ponteiros
Não procure por respostas
Pois a realidade não é só o que se pode ver...

A vida não-orgânica das coisas
As coisas não-orgânicas da vida
Indo embora com as datas...

Quando fores ver, já foi...
E tu, também matéria,
Não deixara nem registro de tua existência.

CHANGEMAN

Fui um eu que se transformou em mim.

QUEST FOTO

Antes do clic da máquina, o clic da percepção...

O BINÓCULO DO NEGÃO

O Nelson Arce é um dos quinto-irmãos que tenho. Um grande homem que me ensinou muita coisa sobre a integridade, a paz, o silêncio, enfim, um destes anjos de carne que sobrevoam minha vida. O Negão, apelido dos Porcos Selvagens, é o rei dos cacarecos. Na casa dele tem de tudo, desde um overcraft fílmico até um ofurô secular; tem um gramofone desdentado e uma moto de rali; tem colar de dente de javali do Marrocos e ornamentos maias; enfim, sempre que visito o Nelsinho demoro horas para sair de tantas surpresas e novidades que ele, carinhosamente, vem mostrar.
Na última visita, o Negão veio mostrar um binóculo lindo, moderno, com alcance grandioso. Ele se pôs em pé a mirar a praia com o instrumento e falou, destacando a qualidade do troço.

Olha... acho que sou eu lá!!!

Isso que é alcance...

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

A MAMAEZINHA DO T. F. CUSTÓDIO

...e nessa caixinha dourada aí, senhor Pereira, estão os restos mortais de minha mamaezinha, que foi cremada na Suécia!!!
Suécia?
Sim... pode ver... (sons de pedras de gelo... gole de uísque).
Hum... que interessante... Mas vem cá, senhor T. F. Custódio... Os pentelhos não queimaram? Tá uma pentelhama só aqui dentro da caixinha dourada de sua mamaezinha...
Pentelhama?
Sim sim... E tem também uma borrachinha de dinheiro, um papel de bala, uma moeda de cinco centavos...
Como assim? Deixe-me ver...

A Jurema, empregada da família, numa de suas varridas cotidianas, derrubou as cinzas da velha no chão, junto com a sujeira toda da casa. De pronto (e assustada), ela juntou tudo com a pazinha de lixo e colocou de volta à caixinha dourada da mamaezinha. Foi demitida naquele mesmo dia... Mas o que importava? Velha e lixo eram, agora, uma coisa só. O senhor T. F. Custódio bem que tentou separar o joio do trigo, tirando e jogando o pó sujo no jardim. Mas numa altura reparou que não sobrara nem metade de sua mamaezinha na caixa e, então, ele complementou com terra preta do mato.

...e nessa caixinha dourada aí, senhor Augusto, estão os restos mortais de minha mamaezinha, que foi cremada na Suécia!!! Fique à vontade... pode pegar...
Poxa... restos mortais... Hum... Sua mamaezinha comia girassol, senhor T. F. Custódio?

AS RESPOSTAS

Sonhei com algo que não acendia
Um isqueiro rosa ou outra poesia?
Um fogão sem gás ou amor fugaz?
Quantas perguntas
Prum imaginário
Que guarda todas as respostas

[no âmago do seu silêncio

Para nunca revelar...

[no interior, tudo tem mais cor.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

LSD E TRABALHO

Os computadores do trabalho são foda... Tetês, se não travam, tremem. E o pior não é quando você tem pressa: é quando eles, os tetês, percebem que você tem pressa. Punk geral...
Tinha um monitor aqui, na salinha, que era da idade da pedra. Flinstone total... Com linhas pretas se cruzando em todas as direções, a imagem era maior que a própria tela! Uma viagem realmente hipnotizante.
Até que um dia a colega de trabalho viu num encarte de loja o valor das telas LCD, moderníssimas como Jacques Tati imaginara e finas-Bünchen que nem apareciam de perfil. Ela na hora levantou o fone e ligou pro chefe pra pedir um arrego, como dizemos em Pel.

Chefe... Tu tens que dar um jeito urgente de conseguir uns LSD pra gente aqui. Até os guris estão de cara... Sem LSD não tem mais como trabalhar... Vê se dá um jeito aí...

LSD? Respondeu ele...

Sim senhorito!!! LSD! A gente quer coisa fina... Estamos cansados de sofrer com essas drogas vagabundas daqui.

Bom... se é assim... vou tentar dar jeito pra vocês, mas não garanto, viu? - finalizou o atencioso comandante.

E ele deve estar até hoje cutucando traficante pelas esquinas... E a gente segue viajando na psicodelia informativa da droga dos monitores.

É NÓIS

A menina que atendia esperava enquanto eu provava um jeans. Depois de encarar a longa fila, fazendo hora pra morrer, saí do provador com uma cara de comi-osso. E ela ainda ali, com outras peças na mão, se encolhendo na minha corriqueira indisposição às compras e tendo a árdua tarefa de avisar ao antipático aqui que havia mais duas filas a me mofar: pagamento e retirada.
Eu franzi a testa no pretérito perfeito, desnivelei as sobrancelhas em alto relevo e rosnei feito um lobisôme. Ela explicou:
É muita democracia mesmo!!!

Viva a língoa du Braisiu!!! Viva a burrocracia demoniática e o portuguêis prosódico aramádico bucólico melancólico coloquiático.

PER AVIÒN

Detesto detestar. Mas não posso com o pensamento coletivo, flutuante na 4ª dimensão, que induz a maioria das pessoas a procurar por notícias trágicas. Não sei o que se passa... Eu não assisto a noticiários nem leio páginas policiais: não quero nem saber de avião de TAM, de ônibus que bateu, de família que morreu... Pode até ser frescura, mas quero flores, cores, aromas... quero vida... e colho frutos, pois somos o que pensamos. Vibrando no bem, exalo o bem... E essa é a minha maior colaboração para com as "tragédias" e para com as pessoas que me rodeiam, como meu filho Johan e a Nena.

* * *

Agora há pouco fiquei sabendo que caiu um avião monomotor num cemitério em Braga, Portugal. Escavações coordenadas por autoridades locais já encontraram 20 mil vítimas enterradas sob os escombros.

Birbaridâde, hein?

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

UM QUASE

Respiro, enquanto o relógio na parede come as horas.
Penso, olhando pela janela, que penso. E nessa real irrealidade (ou seria irreal realidade?), neste jogo impossível de decisões entre o falso e o verdadeiro, procuro respostas a perguntas que talvez nem existam...
Um cortejo de princesa morta, uma criança que dorme no frio... Uma rádio russa das Ilhas Virgens tocando aqui, no e-canto da sala, no virtual mundo das informações onipresentes... que moram em lugar algum e estão sempre prontas...
E o que escolho, sou? E o que sou, escolho? E quando olho pra minha cara, no espelho, percebo, além dos olhos e do grande nariz centralizado, o quê?
Somos um grande controle remoto de carne, a buscar por nossas opções e a pagar o preço do cardápio requerido. Mas o controle já está insosso, pois não há muitas programações que valham a pena seus botões.

Ou eu morro, ou fico velho...
Pros meus netos, quase existirei.

A FORMIGA NUNCA CANTARÁ

Tiraram o cinema do pipoqueiro... cerraram portas, fecharam sonhos.
E o que me importa a arte?, diria o velho que construiu o novo, que tenta, por sua vez, construir o novíssimo. O que me importa é o trabalho, o dindin no bolso... Poesia não enche barriga, disse meu ex-professor de Direito do Trabalho, na última aula que não consegui assistir. E agora, neste exato momento (21h09min de 08/10/07), ele deve estar com a netinha no colo, preparando mais uma racista que compra bolsa importada e desfila de salto alto numa festa de reggae, que desdenha de Vertov e é fã da MTV... E ele deve estar contando mais uma história infantil psicopata (A formiga e a cigarra, talvez), ensinado como ela deve agir quando se formar em Direito ou Medicina, com quem deve andar e no que deve a_creditar seus pen$amento$.
E fecharam o 21º cinema de Pelotas... Agora só falta um, sorriu o noveleiro.

A cigarra pode até ser vagabunda, mas a formiga nunca cantará.

JANELAS DE DEGAS

Abre o peito
Deixa o sol entrar
Quando respiras

Olha o céu de dentro
Há algumas noites que não chove
No meu riso e eu
Penso que é hora
De deixar sair
Algumas cobras e lagartos
Dos meus sonhos

Que o dia veio
Jogar luz
Naquelas sombras
E essa cascata
Que transpassa a vidraça
Dos meus olhos
Se vai...

[irradiando brilho em todas direções.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

SÃO CLÁUDIO NÃO ERA SANTO

Você já vai sair de novo?
Pô mulher... vou ter que te dizer de novo que eu sou um santo, porra? Eu tenho compromisso com meus fiéis e não posso ficar parado aí, o dia todo vendo TV!
Úte! Não precisa falar assim, tá bom?
Assim como?
Estúpido!
Que estúpido o quê? Eu só falei...ah não! Já vai chorar de novo?
Não posso chorar? Não posso?
Pode... mas não precisa todo esse fiasco bem aqui no meio do céu...
Tá dizendo que sou fiasquenta? É isso! Tu tens vergonha de mim... Vai lá... corre lá praquele monte de santo que tu chamas de amigo... Que ficam te levando pra encher a cara e não sei mais pra quê...
Quê mais pra quê o quê, mulher? Não fala o que tu não sabe... não fala...

E aquele silêncio foi a prova de que o São Cláudio era santo mas não era santo.

AROMA-PITANGA

Em noite de chuva
Pareço existir
E o tempo segura
Teus olhos nos meus

Um raio desliza
Um deus de neon
Aroma-pitanga
Nem sei quem eu sou

Venta, venta...
E tudo passou...

Se passou
Já passou

Passou...

O VALIOSO SACO DO SEU SALING

No interior dos estados produtores agrícolas tem uns colonos que chegam nas revendedoras de havaianas e compram um caminhão à vista. Nos bancos, a mesma coisa. Chega lá um Zé-do-milho de boné, fedendo à asa, com pé sujo e deposita R$ 100 mil na bucha. Eu acho isso o máximo, porque quebra os estigmas do mundo da mo(e)da.

Em Santa Rosa, o seu Saling tinha um boteco com duas estantes. Humilde e longe de ser ganancioso, se contentava com 500% de lucro. Tanto é que o boteco virou um megaípermarket e o seu Saling passou a usar terno e gravata. Nos fins de semana, o seu Saling ganha o dobro, ri o triplo e trabalha o quádruplo com o movimento alucinado. Então, no final do domingão, ele junta a grana toda num saco (nos tempos do boteco era num envelope) para segunda, bem cedinho, depo$itar no banco.

O pior de tudo é que, além de vocês e este que vos fala, uns amigos do alheio também descobriram essa peculiaridade e, na segunda-feira, bem cedo, emboscaram o seu Saling na saída.

Nom nom, minha lucro nom.... – reagiu o seu Saling, se abraçando no saco de dinheiro.

Pá... Um dos ladrões disparou a arma, no meio da confusão, e acertou o comerciante.

No hospital, o médico plantonista teve que contar ao seu Saling que ele tinha perdido o testículo direito.

Mas e a dinhero? Perguntou ele.
O dinheiro eles não conseguiram levar, seu Saling...
Ufa!!! Suspirou ele.

Perdeu o saco mas não entregou o saco.

Cada um com seus valores.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

BAIXO IMAGINÁRIO

Eu já tava deitado quando resolvi sair. Pulei da cama, caí na roupa, deixei o sono deitado e vi o Laranjal pelo retrovisor do fuscão.
Depois de bicar o som do Vicente Botti e pairar nas notas do Possidônio e da Dona Amélia, já na madrugada, mas antes de reggear até o amanhecer, passei dar um alô aos guris da Freak Brotherz que tocavam num bar. O Solano disse:
O cara anda pelas ruas e vê o pessoal com o som no ouvido, tocando bateria ou guitarra imaginária. Ninguém toca baixo imaginário...
Eu disse: Peralá! Eu toco baixo imaginário. E muito bem, poracauso.
És um dos únicos então, disse ele.

Eu toco baixo imaginário todo santo dia. É uma piada o que eu toco. To até pensando em montar uma banda de rock imaginário. Quetal? Alguém aí já se imaginou tocando nela?

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

NÃO SOU NINGUÉM E NÃO SEI DE NADA

. (ou não)

NO MÍNIMO UMA MÁXIMA

Não há pessoa tão ruim que não tenha uma coisa boa pra mostrar como não há pessoa tão boa que não tenha um podre a esconder.

DEUS E O DIABO NA CALÇADA

Um homem-bomba detonou explosivos junto ao corpo, no Iraque, para atingir um quartel estadosunidense. Numa temática ocidental, louco era. Na ótica islã, santo. E entre um santo e um louco havia um oceano de diferenças históricas, políticas, geográficas, socioeconômicas etc. Mas, de certa forma, o louco e o santo eram a mesma pessoa, como o deus e o diabo também são na personificação de nosso caráter.

ESCRITÓRIO MESA 13

Pelotas é conhecida pelos seus doces e cafés. Doce eu adoro, principalmente os de chocolate. Café eu necessito, sou bem viciadinho... Culpa do Dico e do Caboclo, sempre. E aqui, na da esquina 22 (15 de Novembro com 7 de Setembro) tem um café conhecido em todo Brasil-mundo e que se chama Aquários. Dizem as bocas socialistas que, na época da escravatura (se ainda não a vivemos...), não era permitido a entrada de negros lá, então construíram a meia quadra dali um outro café: o Ponto Chic, onde os blackbrothers tinham passe livre e onde hoje é o escritório da Federação Galática. Lá nos reunimos toda tarde, na mesa 13 (número ultragalático). Muda os membros da diretoria, mas o encontro segue sagrado.
Ontem eu fui lá... reunião importante... Estávamos eu, o Caboclo e o Gottinari: chocolate quente, meia-taça de café e chá de camomila sobre a mesa e entrou o Mestre Batista, figura conhecidíssima em Pel, tio do Alexandre Mattos e um dos únicos construtores de sopapo do Brasil.
Mestre Batista, seu criado para serviços leves. Pra serviço pesado, sou carregador, mas só de recado. E não me dê muitos porque pesa...

Grande figura... carregador de recados...

domingo, 23 de setembro de 2007

SOLTANDO BORBOLETAS

Algumas palavras perdidas no ar
Que foram parar em um lugar discreto
[Com duas janelas e um mocó no teto
Na rua do silêncio, antes avenida

Peguei-as cerradas
Segurando pedras
Que se pegam, dóem
Ou caem no chão

Resolvi mexendo
A ordem dumas letras
Transformá-las pólen
Do que precisava

E abrindo a mão
Como quem solta uma borboleta
Larguei-as ao vento
Para vê-las voar
Rumo à velha casa.

CASA IMPORTADA

Era cinco-pras-seis da manhã. Levava o Dico, no Lua Galática, pra rodoviária e conversávamos sobre o mundo, sobre a humanidade... coisa assim, papo leve praquela hora da matina. O Dico, naquele jeito vitrola, questionava os interesses do outro em poder e grana.
Quequiqué? Acha que sucesso é ter carro importado, 'casa importada' (casa importada é o máximo)? Quequiqué?
Eu sorri... casa importada!!!

O sucesso não é ter grana! O sucesso é encontrar a paz no que a gente é.

RISOLENTO

Quem tem pressa não se diverte!

SEU WILMUT

O seu Wilmut era o alemão da padaria do Krolow. Ele existiu (e deve ainda existir, se a fila do destino ainda não andou pro seu lado) e essa história é real, juro, diferente de algumas outras que conto. E não é que eu minta, mas gosto de aumentar certas descrições e, às vezes, saio das molduras da veracidade.
Mas o seu Wilmut, como diria eu, estava trabalhando num sábado cedo, quando o destino me levara ao supermercado e, também, à sua padaria.
Bom-dia seu Wilmut?! O senhor tem algo só de queijo?
Só de quexo? Nom, só de quexo eu nom tenho nada!
Ah... que pena... E aqueles risoles ali, seu Wilmut, do quequeé?
Isto ali? É de quexo.
Então seu Wilmut? É o que eu quero!
Ahbon, é quieu pensei quitu quiria um troço todo de quexo assim por dentro e por fora, todo de quexo.
Ora, seu Wilmut... seu eu quisesse um troço todo de queijo por dentro e por fora eu comprava um queijo!

Como diz o velho deitado, pro bom entendedor, 50% queijo bastam.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

CEMITÉRIO VELHO

Túmulos sem nome
Carcomidos pelo tempo
E aquele ser? Por onde anda?
Deixou seus ossos, nunca mais voltou...

E deve estar andando por aí
Na leveza de sua não-carne
Na pressa dos espíritos
Na hora H do hólon novo...

Algumas letras e alguns números
Ainda se seguram
Na gélida lápide da lembrança cinza
Que também espera
Pela sua vez
[De ser esquecida.

sábado, 15 de setembro de 2007

JAZZ

No Iraque, só os mortos estão em paz.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

GENTE E FLORES

O Renan Calheiros acaba de não-ser cassado no Senado Federal e a política brasileira segue sendo piada no mundo todo. Fico pensando sobre o termo POLÍTICA, que vem do grego polis, que significa "cidade", portanto, POLÍTICA seria a ciência de administrar a pólis, a comunidade, a vida social. O que se discute no País não é política: é partidarismo. Esquecem, os engravatados do Aquário, que esquerdae direita são dois lados de um mesmo corpo, viciado pelas doenças egóicas humanas, pela sede de poder e pela ganância das moeda$. Se queremos nós falar de política, falemos do descaso com as ruas do Laranjal, com toneladas de peixes-lixo mortos em nossa praia sem nenhuma atitute do poder público, vergonhoso, que não se move nem para analisar a água da Lagoa... e muitos mais assuntos realmente comunitários, isso só falando em Pelotas, a Princesa fantasma.
Eu já decidi: não discuto mais "política". Discuto essência humana.

Precisamos ser gente que olhe pra flores e não pra siglas diretivas.

OVO NOUVIDO

Tens um ovo no ouvido?
Ãh?
Tu tens um ovo no ouvido?
Como é?
Te_ns_um_ovo_no_ouvido?
Como?
TU_TENS_UM_OVO_NO_OU_VI_DO?
Por favor, fala deste outro lado porque neste eu tenho um ovo.

sábado, 8 de setembro de 2007

UM POUCO ÍNDIO

Entrou apressado e jogou a porta pra trás. Caminhou rápido...
Depois de olhar rapidamente para mim, andou olhando para o chão. Até que se chegasse:
Tu conhece o Cláudio?
Que Cláudio?
O Cláudio, um assim, um pouco índio.

Mas quem não é um pouco índio no Brasil?

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

BILLY NUNCA DESMAMARÁ

Ele entrou no westbar com sua roupa de cowboy texano. Era observado por dezenas de outros cowboys texanos... chapéus, armas, charutos. O xerife estava sentado ao balcão... tomava um whisky sem gelo, que com o chapéu inclinado pra cima, na cabeça, mostrava que o serviço havia terminado naquele dia. "O serviço foi dormir com o sol", dizia ele. Era metido a filósofo, o xerife. Mas quando ele entrou tudo silenciou. Ele se aproximou do garçom, olhou com aquele olhar do Clint Eastwood, e falou, com sua voz rouca:
Um copinho de leite, por favor!!!

Mostrou a medida com o dedão e o indicador.

SENTIDOS VI: SEXTO

4D!!!

SENTIDOS V: PARADAR

gosto de gostos!!!

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

UM POR TODOS E TODOS PORCADA

Sou um Porco Selvagem, com muito orgulho. Nunca escrevi nada sobre os Porcos Selvagens porque é inútil tentar: os Porcos são mais expressivos que quaisquer combinações de letras.
Somos a ONG (Ecológica) mais anárquica do mundo. Não temos estatuto, ata, presidente, nada... Somos uma diretoria de associados-colaboradores (não-pagantes e, às vezes, não-praticantes), todos guerreiros do bem. A sede da Porcos Selvagens é a única sede móvel do planeta: é os pensamentos de cada um. Enfim... levaria dias para resumir a essência dessa galera muito forte, ativa, que respeita e trabalha em grupo pela natureza e pelo bem-estar de cada outro Porco e da porcada em geral, mas vou começar aos poucos...
A gente veleja e rema... desce rios, atravessa lagoas... Minha mãe diz que eu tô sempre "procurando sarna pra me coçar". O pai dizia: "Procurando chifre em cabeça de cavalo". Concordo com os dois, mas a culpa toda é da porcada, sempre.
Uma vez descemos um pedaço do rio Camaquã. Chegamos numa localidade que não lembro o nome agora e tivemos que esperar um tempão o Nelsinho buscar a Verde que ficou estacionada rio acima, ainda em Cristal. Tínhamos passado dois dias e duas noites no mato e estávamos famintos. Paramos na beira d'água e ficamos fazendo campeonato de pedrinhas para que o tempo passasse mais rápido. Até que chegou uma menininha, dentro de seus 5 ou 6 anos, comendo um maravilhoso e saboroso pacote de bolachinha recheada sabor baunilha (nunca esquecerei aquela presença). A porcada parecia um bando de lobos olhando pras bolachinhas... nossa, como pareciam gostosas... e como babávamos.
A menina se aproximou e o Dico, vulgo Magali, cresceu o olho:
Guriazinha... ô guriazinha...
A guria quieta, quietinha...
Guriazinhaaaa... se o tio acertar uma pedrinha lá naquele pauzinho, a guriazinha dá uma bolachinha pro tio?
Como todos os porcos, a guriazinha ficou calada, com uma bolacha na boca, outra na mão... Olhou pro pauzinho-mira e fez um sim movimentando a cabeça.
Zaaap. O Dico jogou o raios da pedrinha, acertou bem no meio do pauzinho e foi rindo cobrar a dívida... Pegou uma bolachinha da guria, juro.
Ficamos rindo que passou a fome...

Caboclo, tá registrado.

CALENDÁRIO MAIA

Eu sempre gostei de filosofar sobre o tempo... Depois que conheci o Calendário Maia - que julgo realmente a ferramenta eficaz para que percebamos a quadridimensionalidade e a sincronicidade - isto se fortaleceu. E quando hoje consigo sair da visão cartesiana e tridimensional dos homens, posso reparar cosmologicamente a importância de coisas como a água, a fraternidade, a doação... Penso, então, no desafio evolutivo do ser social: somar e repartir virtudes para um bem comum geral, e concluo que este desafio do homo comunitarius se torna inviável na medida em que o homo individualis o suprima com seu ego cheio de desejos de poder.
Mas poder em relação a que? Estamos todos na mesma nave! Aqui do espaço ela é linda, azul...
[Só os anjos sabem que ela é um hospital de seres.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

.

passei invisível
como um perfume ao longe
e fingi não existir
em um curto instante.

SENTIDOS IV: TATO(ADO)

mãos tocam mãos!

SENTIDOS III: PEDOUVIDO

ouço, absorvo!

SENTIDOS II: PINOQUICE

inalomundo!!!

SENTIDOS: IMAG(EM)AÇÃO

quem vê, se vê!

BURACO NEGRO

onde raios foram parar todos os conhecimentos perdidos?